Resenha 4Drive – Recycle (2016)

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O 4Drive foi formado no interior de São Paulo, em 2001, e desde então os mesmos foram colecionando experiência, tocando ao lado de artistas como Pitty, Detonautas, Ira!, Tihuana,e Autoramas, e assim moldando sua sonoridade para o que apresentam agora em seu debut, “Recycle”, lançado em 2016.

 

E o que a banda apresenta em “Recycle” é um Alternative Rock muito moldado nas sonoridades dos anos 1990 e 2000. Muitos de vocês devem estar se perguntando: Então trata-se de mais uma banda alternativa descartável?

 

A resposta seria sim e ao mesmo tempo não. Embora o 4Drive beba diretamente da fonte de bandas Grunge/Alternative/Hard Rock, a sonoridade dos mesmos está longe de ser descartável. E o desempenho dos instrumentistas é digno de aplausos, o que certamente ajudou no resultado final alcançado.

 

“Recycle” inicia com “Something There”, um Rock Alternativo em sua essência, direto e que mesmo assim não deixa a melodia de lado. “Madman” foi escolhida para ser o primeiro vídeo do disco. Mas, apesar do obvio potencial comercial da mesma, não seria a minha escolha, visto possuir alguns traços de bandas como Linkin Park. Mesmo assim, uma faixa correta que cumpre sua função. “Fading Memories” possui um clima meio Pearl Jam, sendo uma música mais calma e que ficou muito legal. Já “In the Game” possui uns lances que remetem ao Faith no More, e mantém o clima lá em cima. E a primeira metade de “Recycle” termina com a igualmente bacana “Spacetime Theory”.

 

A segunda metade do disco não é assim tão brilhante, tendo algumas faixas não tão inspiradas, como “Owe You” e “Catch Fire (Interlude)”. Porém, “Voiceless” é uma música correta, carregada de anos 90 em sua execução, enquanto a melódica “Rain” é um dos pontos altos do álbum. E “Higlander” é daquelas faixas imortais (desculpem o trocadilho infame), carregada em emoção e belas melodias, que mostra o potencial do 4Drive como banda. Um perfeito encerramento para um bom disco de estréia.

 

O saldo final obtido em “Recycle” é positivo, ainda mais tratando-se de um primeiro registro da banda. A probabilidade de crescimento do 4Drive é evidente, desde que os mesmos mantenham-se no caminho correto, sem ligar para modismos ou comentários dos trues da internet…

 

Nota:8,0

 

Formação:

Eduardo Zabani – Vocais

Gabriel Falcade – Guitarra

Otaviano Costa Jr. – Guitarra

Guilherme Forti – Baixo

Daniel Carrara – Bateria

Pedro Konishi – Samplers

 

10 Faixas – 40:04
Tracklist:

1.’Something There’
2. ‘Madman’
3. ‘Fading Memories’
4. ‘In the Game’
5. ‘Spacetime Theory’
6. ‘Voiceless’
7. ‘Owe You’
8. ‘Catch Fire (Interlude)’
9. ‘Rain’
10. ‘Highlander’

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Entrevista com a banda Torture Squad (São Paulo)

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O Torture Squad é quase uma instituição do Metal nacional. Porém, assim como tantas bandas, sofreu seus reveses e algumas mudanças de formação durante suas mais de duas décadas de trajetória. 

Entretanto, a chama continua a arder firmemente, agora voltando a ser um quarteto, formado por Mayara Puertas (Vocal), Rene Simionato (Guitarras), Castor (Baixo) e Amilcar Christófaro (Bateria), que concedeu esta entrevista no final de 2016, onde falam sobre o atual momento do Torture Squad, os planos da banda para o futuro próximo, e a vida na estrada, visto que a banda vem tocando incessantemente tanto no Brasil quanto no exterior. Confiram o que uma das melhores bandas nacionais tem a dizer, e ainda a mostrar para seus fãs…

 

 

Vicente – Vocês estão nesse momento em uma turnê na Europa (a entrevista foi realizada no final de 2016). Como tem sido esses shows no exterior?

Amilcar Christófaro – Tem sido muito bom. Foram dezenove shows em sete países. Tocamos desde lugares de médio e pequeno porte, sendo headliner em um festival em Bilbao na Espanha, até em squats Punk, como em Barcelona e Berlim. Aliás, o trabalho que o Xandão (Andralls e Nuclear Warfare), dono da On Fire Booking Agency tem feito com as bandas brasileiras na Europa é genial e merece todo reconhecimento. A cena metal brasileira deveria dar um prêmio a ele pelos bons serviços prestados ao metal nacional pelo mundo (risos). E em alguns dias vamos soltar no canal do Youtube oficial da banda (www.youtube.com/torturesquadband), um diário em vídeo sobre essa tour.

 

Vicente – E como tem sido a receptividade do público europeu com o Torture Squad?

AC – Os bangers tem curtido muito a voz da Mayara e o trabalho do Rene na guitarra. Muitos fãs das antigas vinham falar que sentem a gente num momento muito especial, se não no melhor momento da banda, e isso casa com o que eu acho, pois sinto que estamos firmes e fortes, e isso me deixa feliz.

 

Vicente – Qual acredita ser a principal diferença de tocar no exterior e no Brasil. Em que parte acha que ainda temos de avançar para fazer um trabalho verdadeiramente profissional? 

AC – O Brasil está evoluindo sim e a tour brasileira do EP, que fizemos entre agosto e setembro desse ano, é uma grande prova disso. Aliás, muitos fantasmas foram deixadas para trás depois dessa tour, pq até então, todos sem exceção, não acreditavam que no Brasil poderia ter show durante a semana, começando e terminando cedo, com equipamento bom, com público, sem ninguém passar a perna em ninguém, e foi exatamente assim que rolou. Todos os shows foram muito bons, mas os de segunda, terça e quarta foram memoráveis! Nunca vou me esquecer da primeira segunda feira da tour, que foi em Vitória da Conquista na Bahia, estava lotado, e assim como aconteceu em outras cidades, nem os promotores e os bangers locais estavam acreditando na força da própria cena, todos lá em um show de uma banda brasileira, numa segunda feira. Foi mágico! Porque sempre trabalhamos para que um dia rolasse uma tour nesses moldes, de como se faz desde sempre fora do Brasil. E conseguimos também graças a um conjunto de coisas, como o belo trabalho da Restless Booking agency, a banda sempre trabalhando com o pé no chão em relação a valores, os promotores que acreditaram junto, e claro, o mais importante, que foram os bangers que compraram e abraçaram a ideia, indo ver a banda na estrada que estava passando pela cidade independente do dia. Isso é um grande sinal de evolução no nosso país, assim como lugares já mais bem estruturados e equipados para a banda fazer um show digno, que também já é uma grande realidade no Brasil. Fico muito feliz com esses sinais de avanço porque, mesmo o Brasil sendo um país novo perto de continentes e países ultra velhos, já estava na hora de termos nossa cena costurada por um circuito estruturado funcionando sem parar. Será bom tanto para as bandas brasileiras quanto para as gringas. Todo mundo sai ganhando em todos os sentidos.

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Vicente – Em 2016 vocês lançaram o EP “Return of Evil” Como foi o processo de composição e gravação deste disco?

 AC – A gente estava divulgando o cd e dvd ao vivo Coup D État Live (2015) quando aconteceu toda a mudança na banda, e assim que a Mayara e o Rene entraram, a gente continuou a divulgação do material ao vivo, mas naturalmente sentimos uma necessidade de mostrar algo com a nova formação, daí veio a ideia de gravar um EP com quatro musicas, pois não te toma muito tempo, dinheiro, e em pouco tempo você já tem um novo trabalho em mãos.

Das quatro músicas do EP, a Return of Evil, Swallow your Reality e a Iron Squad são inéditas e a regravação de Dreadful Lies que é uma música do primeiro álbum Shivering. A Return of Evil e a Iron Squad já tem um pouco de todos nós trabalhando juntos enquanto a Swallow Your Reality era da nossa época de trio e a Dreadful Lies, como disse, é uma regravação.

A gravação foi com a Loud Factory no Na Cena estúdios em São Paulo, em dezembro de 2015, tendo a produção do Wagner Meirinho e o Tiago Assolini como engenheiro. Gravamos somente em um dia do jeito mais “old school” possível, com os três tocando ao mesmo tempo, e depois acrescentando vozes e solo de guitarra. No outro dia fomos para Parelheiros, em SP também, para a gravação do vídeo clipe da Return of Evil que teve produção do Cristiano Reis do Hollines. Fechamos um package de álbum e vídeo e deu tudo certo, por isso saiu tudo muito rápido.

 

Vicente– Algum motivo em especial para o titulo? 

AC – Na verdade tem motivos (risos). A letra da música fala um pouco da história do Genghis Khan e o título tem a ver com a história dele. Também a gente pode associar ao momento em que a banda está passando, com o retorno da voz Death Metal que sempre foi característica no Torture Squad, voltando aquela agressividade da voz mais brutal.

Mas o nome realmente surgiu depois que o grande mago Toninho Iron viu um show da gente e me disse, “isso foi o resgate da maldade!”. Achei uma expressão muito foda que não poderia passar em branco.

 

Vicente – Torture Squad está com uma nova formação. Como tem sido a receptividade dos fãs para com os novos integrantes da banda?

AC – A receptividade tem sido animal, e por isso, posso falar que eles estão aprovando a nova formação, e isso me deixa muito feliz porque realmente estamos nos sentindo muito bem como banda. Tanto na relação musical quanto pessoal.

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Vicente – E os próximos passos da banda, podemos ter um novo álbum em breve?

AC – Com certeza. Vamos entrar em estúdio em abril de 2017 para lançá-lo em julho. Antes disso temos uma mini tour pelo interior de São Paulo, sul de Minas Gerais e norte do Paraná, sendo marcada pela Restless também e que acontecerá em fevereiro de 2017. Fora outros planos de turnês e vídeo clipes para trabalhar durante o ano.

 

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

Kreator – O melhor do Thrash Metal da Alemanha

Slayer – Os pais do Death Metal com o mestre de todos…Dave Lombardo

Exodus – Gigantes do estilo

Sepultura – Mais que música. Um sinal verde para a vida.

Nervosa – A mais nova potência metal brasileira

 

Vicente – Por fim, deixem um recado para os fãs da banda e para todos aqueles que querem conhecer mais sobre o Torture Squad 

AC – Eu não tenho nem palavras para dizer o que sinto em relação as pessoas que  curtem a nossa música, que  tem comparecido nos shows, pegado nossos discos e qualquer  material da banda por esses vinte e três anos.  Essa tour brasileira que fizemos foi o auge da demonstração de carinho pelo nosso trabalho. Essa troca de energia que temos com vocês durante o show é o que faz tudo valer a pena. A cada bangueada sua no meio da nossa música, é um “level” de vida que sobe na gente, pois sua atitude está sendo muito verdadeira com o que você está sentindo, que no fim de tudo, é o porquê de se curtir metal. Honrado em fazer parte da vida das pessoas que curtem a nossa música.

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Resenha Pain of Salvation – In the Passing Light of Day (2017)

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O Pain of Salvation surgiu como uma das grandes promessas do Prog Metal, com discos que marcaram uma época e sua própria carreira, como Entropia (1997), The Perfect Element Part 1 (2000) e Remedy Lane (2002). Porém, desde o principio mostraram que eram uma banda que não prendia-se a um estilo musical, alterando-o conforme a vontade de Daniel Gildenlow. Com isso a banda tem lançado discos experimentais, que rompiam com o estilo acima citado, sendo sempre uma surpresa para os ouvintes, que não sabiam o que esperar da trupe sueca.

Se, para um músico criativo como Gildenlow, a estagnação musical é o fim, para os fãs de uma banda, a constante mudança de direção pode às vezes fazê-los perder interesse pela mesma. Os verdadeiros fãs do Pain of Salvation continuam acompanhando avidamente seus passos, mas o ouvinte ocasional acaba indo apoiar-se em outras bandas mais tradicionais.

Mas, eis que o principio de 2017 vê o nascer de “In the Passing Light of Day”, que pode ser considerado o 10º disco de estúdio oficial da banda. E esse é simplesmente o melhor disco da banda em 15 anos, que pode ostentar o titulo de obra-prima sem medo de soar prepotente. Aqui, toda aquela aura contida em seus primeiros álbuns está de volta, e os mais de setenta minutos de músicas constantes aqui passam num piscar de olhos, nunca soando descartável em momento algum.

Desde os primeiros acordes da pesada “On a Tuesday”, com seus 10 minutos de duração e variações entre peso e melodia, já fica claro que a banda acertou na mosca. E, ao saber que as letras de “In the Passing Light of Day” foram escritas por Daniel, narrando a doença quase fatal que o mesmo teve em 2014, onde passou quase 6 meses enfermo, já é de se esperar que o disco “dance” por emoções conflitantes como a dor, vida e morte, e com isso as músicas tenham uma aura emotiva bastante forte, com um certa melancolia imperando em toda sua duração.

Algumas músicas são destaques imediatos, como a bela “Meaningless”, a longa ” Full Throttle Tribe” e suas melodias marcantes, “Angels of Broken Things” e seu grande solo de guitarra. Além da ótima “The Taming of a Beast”. Mas a cereja do bolo fica com a faixa que dá titulo a obra. “The Passing Light of Day” é uma música especial, daquelas que ficam na nossa memória e de lá não saem mais. Com 15 minutos de duração, o normal é esperar uma música “épica” com muitas variações, e o que temos aqui foge desse “normal”. “The Passing Light of Day” é em grande parte uma música calma, melancólica, com uma carga emotiva acima do comum. Enfim, é uma daquelas músicas que tem a capacidade de fazer um disco bom se tornar ótimo, algo que poucas faixas conseguem.

“In the Passing Light of Day” é, assim espero, o prenuncio de um grande 2017 para a música em geral, e desde já é um daqueles álbuns que merecem um lugar especial para todo fã da banda e do Rock/Metal. Valeu a pena à espera…

 

Nota: 9,5

Formação:

Daniel Gildenlöw – vocais, guitarras, teclados adicionais, baixo adicional, bateria e percussão adicionais, acordeão, cítara.

Ragnar Zolberg – guitarras, vocais, teclados adicionais, samplers, acordeão, citara

Daniel D2 Karlsson – piano, teclados, vocais de apoio

Gustaf Hielm – baixo, vocais de apoio

Léo Margarit – bateria, percussão, vocais de apoio

10 Faixas – 71:51

Tracklist:

  1. On a Tuesday (10:22)
  2. Tongue of God (04:53)
  3. Meaningless (04:47)
  4. Silent Gold (03:23)
  5. Full Throttle Tribe (09:05)
  6. Reasons (04:45)
  7. Angels of Broken Things (06:24)
  8. The Taming of a Beast (06:33)
  9. If This Is the End (06:03)
  10. The Passing Light of Day (15:31)

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Entrevista com a banda Chaos Synopsis (São Paulo)

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O Chaos Synopsis é uma das principais bandas de Metal Extremo da atualidade, mantendo um alto nível em seus mais recentes discos, como em Art of Killing (2013), Seasons of Red (2015), e o Split com a banda Terrordome, “Intoxicunts” (2016)

Para falar sobre o atual momento da banda, os planos futuros do Chaos e sobre o mundo da música em geral, realizei esta entrevista com o Vocalista/Baixista Jairo Neto. Confiram o trabalho da banda, e entenda o porquê os mesmos são uma das melhores bandas de Death/Thrash Metal do Brasil…

 

Vicente – O Chaos Synopsis foi formado em 2005. Quais as lembranças da época de formação da banda e como você avalia a sua trajetória ate o momento?

Jairo Neto: tenho muitas lembranças boas, no começo era um monte de moleques querendo tocar rock e ir pra tudo que é lugar, algo que ainda não mudou muito. A diferença agora é que somos mais experientes, já rodamos o Brasil e Europa algumas vezes, lançamos três álbuns e já estamos quase batendo a marca de 200 shows feitos nesse tempo todo.

 

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Vicente – “Seasons of Red”, o mais recente álbum da banda, foi lançado em 2015. Como vocês avaliam o resultado alcançado por este disco, que colecionou resenhas positivas tanto no Brasil como no exterior?

Jairo: “Seasons” trouxe novidades com a inclusão de mais melodias e ainda assim acabou saindo mais pesado que os antecessores, esse foi dos pontos mais comentados nos reviews. Conseguimos atingir mais gente, o álbum foi lançado no Brasil e teve relançamento no exterior pela Concreto Records, além de uma grande quantidade de shows. Ele só fez elevar o nome da banda ainda mais.

 

Vicente – No início de 2016 vocês lançaram um split junto com a banda polonesa Terrordome, o “Intoxicunts”. Como surgiu essa ideia?

Jairo: Todas as três vezes que fomos para a “gringa” fizemos shows com os Terrordome e acabamos ficando muito amigos. No meio de uma conversa, o Uappa (vocal/guitar) deles falou dessa ideia e aceitei na hora. O tenso foi que tínhamos dois meses pra compor as músicas, gravar e finalizar para que o split ficasse pronto para a tour deles aqui no Brasil.

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Vicente – Em “Intoxicunts” vocês gravaram um cover do Metallica (de Damage Inc.). Qual a influência deles em sua sonoridade e o que acharam do novo disco da banda?

Jairo: Metallica é influência de 10 entre 10 bandas que tocam Thrash, todos nós ouvíamos muito quando éramos mais novos e continuamos ouvindo até hoje, inegável a importância deles para o cenário musical e também para nós como músicos. Gostei muito do que ouvi no CD novo, além da ideia genial de gravar um clipe para cada som, mostrando que o audiovisual pode ser o futuro para todo gênero musical.

 

Vicente – E podemos esperar um novo lançamento do Chaos Synopsis para 2017? Quais os planos futuros da banda?

Jairo: já estamos em estúdio gravando o sucessor de “Seasons of Red”, que tem previsão para ser lançado em abril, durante nossa nova tour na Europa. Acompanhem as notícias.

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Vicente – Vocês já tiveram a oportunidade de tocar várias vezes no exterior. Qual acredita ser a principal diferença de tocar lá fora e no Brasil. Em que parte acha que ainda temos de avançar para fazer um trabalho verdadeiramente profissional?

Jairo: uma das coisas mais legais é rolarem shows praticamente todos os dias, e a galera comparecer, já produzi show aqui no Brasil dia de semana e é algo complicado de fazer. Na primeira vez que fomos, a diferença de equipamento disponível para as bandas foi gritante pra mim, todo mundo lá tem equipamento foda e aqui você chegava nos locais e dava até medo (risos). Hoje em dia isso tem mudado e muitos produtores conseguem produzir um show legal com equipamentos bons.

 

Vicente – Uma vez vocês falaram que o interesse da banda era fazer que nem nos anos oitenta, lançar discos de dois em dois anos, e assim mantendo o nome da banda sempre ativo. Acreditam ser viável essa proposta, já que o mercado musical mudou tanto desde aquela época?

Jairo: é um pouco difícil, mas é viável, depende um pouco da banda querer. Quando saímos pra shows, costumamos vender bastante merchan e isso gera dinheiro pra banda, que no nosso caso é reinvestido em mais merchan, propaganda e tal. Não da pra viver da música, mas da pra não gastar dinheiro, que pro nosso cenário, já é um ganho e tanto.

 

Vicente – Cite os cinco álbuns que marcaram sua vida, aqueles que não saem do seu aparelho de forma alguma.

Jairo: isso varia de tempos em tempos, mas dos preferidos posso citar:

  • Behemoth – Demigod
  • Iron Maiden – Piece of Mind
  • Rotting Christ – Genesis
  • Iced Earth – Horror Show
  • The Offspring – Americana

 

Vicente – Por fim, deixem um recado para os fãs da banda e para todos aqueles que querem conhecer mais sobre o Chaos Synopsis

Jairo: fiquem de olho nas novidades vindouras, logo mais anunciaremos tudo sobre o novo álbum e novas datas de shows, porque lugar de banda é na estrada! Nos vemos no rock. Ouça nossa música gratuitamente no spotify e caso goste, compre conosco em nossa loja virtual.

http://chaossynopsis.loja2.com.br/

https://play.spotify.com/artist/4bEvW5G5byDd20C86z1P5y

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Entrevista com a banda Louder (Rio Grande do Sul)

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O Brasil é celeiro de bandas de todos os estilos imagináveis, e a todo momento novos nomes, novas formações surgem para abrilhantar esse cenário. Mas, apesar disso, um dos estilos mais famosos no mundo (senão o principal de todos), o Hard/Heavy Metal, nem sempre produz bons produtos em nossas paragens, ficando às vezes um pouco defasado em relação aos gêneros mais extremos.

 O Louder é uma esperança de virada desta tendência, visto que a sonoridade do quinteto gaúcho é das mais interessantes. Formada por Kid Sangali – Vocais, Maurício Barbieri – Guitarras, Gio Attolini – Guitarras e Backing Vocais, Felipe Saretta – Bateria e Ricardo Ledur Gottardo – Baixo (que concedeu esta entrevista), a banda mostra um imenso potencial, mesmo com somente um EP lançado. Confiram o que a banda tem a dizer (e oferecer)…

 

Vicente – Antes de tudo, nos fale um pouco sobre como foi o inicio da banda. Como se deu a formação e chegaram ao nome de Louder?

Ricardo Gottardo: A banda aconteceu em função de um anseio pessoal do vocalista Kid Sangali de ter um trabalho autoral, a partir dai ele procurou músicos de confiança e com o mesmo desejo de compor. Além da afinidade musical, existe amizade de longa data o que facilitou o processo, uma vez que cada um, mesmo que com peculiaridades, acabe entendendo as ideias dos demais (não que isso seja garantia de falta de discussões, muito pelo contrário). O nome Louder, foi tanto ocasional quanto sincero, da mesma forma que o Black Sabbath na década de 60/70 tinha por meta tocar o mais alto possível, entendemos que está ai um dos pilares do rock, a potência musical.

 

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Vicente – Vocês lançaram ano passado o EP “Take one” (2016). Como foi o processo de composição e gravação do disco?

Ricardo: O processo de composição é diversificado, parte das composições foi feita individualmente por alguns integrantes, outra parte em “jams” que na prática mais pareciam laboratório de música. O Kid tem um método mais direto, em casa ao piano e com a voz desmedida nos entregou “Last Memory”. Eu sou um pouco mais metódico (para não dizer chato) e acabo já escrevendo as composições em partituras que ninguém dá muita bola, mas de certa forma já induz o resultado final, foi assim com “No More” e “Temple of Desire”. “Cooper’s Synapse” aconteceu num final de semana de isolamento, com a música fruto de experimento musical e a letra que é basicamente um ensaio literário do Gio a respeito de uma discussão que ele assistiu de outros membros da Louder. E “Blind Faith” foi uma composição coletiva, na onda roda de violão, e assim ela foi nascendo. A gravação foi no estúdio de um amigo nosso, o Maninho, um artista classe A no seu meio, que gentilmente cedeu suas instalações, tempo e talento para a gravação, mixagem, masterização e produção. A ideia original era manter uma sonoridade mais orgânica, porém, dando toques das referências das décadas de 80 e 90.

 

Vicente – E como avaliam o retorno obtido, tanto da mídia especializada quanto do público?

Ricardo: Olha, tratamos todo retorno de forma bastante positiva. Boa parte das críticas são muito favoráveis, especialmente quando considerado o tempo de banda, e o fato de ser o trabalho inicial da banda. Mesmo quando são apontados defeitos no nosso trabalho, o objetivo final é o aprimoramento de trabalhos futuros…

 

Vicente – “Take One” é uma celebração ao Heavy Rock. Essa sempre foi a sonoridade desejada pela banda, ou vocês acreditam que ainda estejam moldando seu som?

Ricardo: As referências são bastante evidentes no nosso trabalho, mas tal qual como qualquer trabalho, arte requer uma evolução constante, buscar ampliar a dramaticidade dinâmica, aumentar o peso, ou saber dosar de acordo com o momento musical. Apesar de nos orgulharmos muito do “Take One”, ele é apenas nosso primeiro passo.

© Ton Müller Photographer

Vicente – A faixa que encerra o álbum se chama “Blind Faith (Part I)”. Alguma razão especial para esse título, vocês já pensaram em uma continuação dessa música em especial?

Ricardo:Tanto sonoramente quanto poeticamente, acreditamos que, falar de qualquer valor pessoal é uma jornada, e não um circuito. Já pensamos em algumas possibilidades de caminhos, desde uma descida ao inferno quanto uma redenção, e até mesmo um retorno racional, tudo isso com sua identidade sonora própria.

 

Vicente – Todos sabemos das dificuldades que as bandas de Rock/Metal nacional enfrentam, principalmente quando fazem um som autoral. Como avaliam o atual cenário musical no Brasil?

Ricardo: Estávamos preparados para isso desde o momento que decidimos assumir o inglês como língua da banda. Comercialmente existem dificuldades, as casas que tocam rock refletem isso, sendo um tanto reticentes com apostas. Mas, muito além de desenvolver um produto, pensamos em entregar algo pessoal e verdadeiro, então preferimos assumir os riscos do mercado ao simplesmente sermos submetidos a ele.

© Ton Müller Photographer

Vicente – Qual foi aquele artista, ou banda, que fez com que decidissem enveredar para esse muitas vezes tortuoso caminho da música?

Ricardo: Bem, a Louder é formada por cinco integrantes com influências distintas. Então, fica mais claro enxergar que o Rock é rico, diversificado, e tem espaço para as mais diversas manifestações. Portanto, não quer dizer que estamos em busca de ocupar um espaço já criado, substituir alguém ou ser o “novo sei lá o quê”. Acreditamos apenas que a Louder pode ter seu lugar.

 

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

Aerosmith – Hard Rock sofisticado, que amadureceu com o tempo.

Bon Jovi – Muitas vezes injustiçado, Bon Jovi soube levar o seu rock às massas.

Iron Maiden – É a referência máxima definitiva do heavy metal. Não existe composição no gênero, que seja bem sucedida e não lembre de alguma maneira as estruturas utilizadas pelo Iron.

Guns n’ Roses – Axl e Slash. Sem mais.

Deep Purple – Purple, é mais que uma banda, é um gênero. Tantas formações, tantas linhas de composição e todas excepcionais.

 

Vicente – Por fim, deixe um recado para os fãs da banda e para todos aqueles que querem conhecer mais sobre o Louder.

Ricardo: O recado é simples, os clássicos serão sempre clássicos, mas nem por isso deixem de escutar novas músicas, buscar novas referências, novos conteúdos.  E quem quiser saber mais da Louder, e quem sabe nos colocar no rol dessas novas descobertas acessem https://www.facebook.com/LouderRockBand

Um abraço!

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Resenha AttracthA – No Fear to Face What’s Buried Inside You (2016)

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O Attractha já havia demonstrado uma capacidade impar quando do lançamento de seu primeiro registro, o EP “Engraved”, de 2013. E agora, após uma longa espera, eis que os mesmos surgem com seu primeiro álbum completo, intitulado “No Fear to Face What’s Buried Inside You”. E foi uma espera recompensadora, com um resultado tão grande quanto o titulo do disco.

Com uma produção primorosa de Edu Falaschi (e co-produzido pela própria banda), “No Fear…” possui uma sonoridade forte, atual, que tem tudo para agradar aqueles que curtem um som pesado, e ao mesmo com muita técnica em sua execução. E é impossível deixar de destacar o grande trabalho gráfico da bolacha, o que faz com que “No Fear…” seja daqueles discos para se ter em mãos, e não somente um amontoado de músicas virtuais e, muitas vezes, descartáveis. Um grande ponto para a banda, que assim mostra seu profissionalismo e atenção com o seu fã/ouvinte.

Individualmente, todos merecem destaque. Humberto Zambrin fez um trabalho formidável na bateria, sabendo moldar perfeitamente agressividade e técnica apurada em todas as faixas. Ricardo Oliveira destila riffs em profusão, colocando a criatividade acima do virtuosismo explicito. Guilherme Momesso tem uma performance acima da media no baixo, o que deu uma encorpada legal no som da banda, enquanto Cleber Krichinak demonstra uma voz forte, com grande presença, mais na linha de um Russell Allen do que se espera de uma banda na linha Heavy Metal tradicional, o que trouxe algo a mais para a sonoridade da banda.

Como um álbum em si, nenhuma das 9 faixas aqui contidas deixa a peteca cair, sendo aquele típico disco que vale como um todo, mais ou menos o que o Rush vem apresentando em seus últimos álbuns (não comparando história, obviamente). Ou seja, se não há um clássico imediato, igualmente não há sequer uma música que soe descartável. È um disco para ser apreciado do inicio ao fim.

Mas, em meio a tanta uniformidade, não há como deixar de destacar a poderosa faixa de abertura, “Bleeding in Silence”, os solos e bateria matadora em “Move On”, o peso absurdo em “231”, a mais tranqüila e com ares de quase balada “No More Lies” e a contagiante “Victorious”.

“No Fear”, que está sendo lançado no Brasil pela Dunna Records e Shinigami, é um prato cheio para os fãs de um Heavy Metal bem executado, que não fica preso a uma formula e sonoridade única, tendo nuances de Prog, Power e ate mesmo Hard Rock em sua música, e demonstra que o futuro do Metal no Brasil está em boas mãos…

 

Nota: 9,0

Formação:

Cleber Krichinak (vocal)
Ricardo Oliveira (guitarra)
Guilherme Momesso (baixo)
Humberto Zambrin (bateria)

9 Faixas – 45:19

Tracklist:

1- Bleeding In Silence
2- Unmasked Files
3- 231
4- Move On
5- Mistakes And Scars
6- No More Lies
7- Holy Journey
8- Victorious
9- Payback Time

Resenha Pop Javali – Live in Amsterdam (2016)

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“Live in Amsterdam” é o novo lançamento da banda paulista Pop Javali, em uma carreira que vem numa crescente constante, desde que surgiu o primeiro disco da banda, “No Reason to be Lonely”, de 2011.

Esse debut teve boa aceitação por parte dos fãs e da mídia especializada, e essa impressão tornou-se ainda melhor com o lançamento de seu segundo disco, “The Game of Fate”, um disco que consolidou o nome do Pop Javali no mercado musical.

E eis que havia chegado a hora de desbravar o velho mundo,o que aconteceu em 2015, quando a banda realizou nove shows na Europa, sendo que o ultimo deles acabou por tornar-se este ao vivo, Gravado no The Waterhole(Amsterdã) em 19 de Outubro de 2015.

Com este disco fica fácil entender o reconhecimento do publico com relação a banda. Os músicos aqui demonstram um trabalho impressionante, em músicas cheias de energia e técnica apurada, honrando grandes Power Trios da música, como o Motorhead, Rush, Cream e Dr. Sin (não à toa, Andria Busic foi o responsável pela mixagem e masterização de “Live in Amsterdan). Mesmo destilando riffs, viradas e solos cheios de técnica, as músicas são bem diretas, sem virtuosidade em excesso, o que demonstra a preocupação da banda com a música em si, e não somente um exercício de auto indulgencia.

Destaques para a ótima “Road to Nowhere”, a cheia de malicia “Lie to Me”, a pesada “A Friend That I’ve Lost”, e a mais cadenciada e excelente “Time Allowed”. Para não dizer que tudo é perfeição, a duração total do disco (no caso, do show) poderia ter sido um pouco maior (são pouco mais de 30 minutos), e em alguns momentos a voz do Marcelo Frizzo parece um pouco cansada (talvez pela maratona de shows), isso fica evidente em “I Wanna Choose”, em momentos que exige mais de seu vocal. Mas nada que tire o mérito da banda em “Live in Amsterdan”.

A banda já está em processo de composição do novo disco de estúdio “Resilient”, que provavelmente verá a luz do dia em 2017. E com toda a convicção teremos novamente um grande disco, que é o mínimo a se esperar de uma banda com a capacidade do Pop Javali…

 

Nota: 8,0

Formação:

Marcelo Frizzo (Vocal/Baixo)

Jaeder Menossi (Guitarra)

Loks Rasmunssen (Bateria)

Tracklist:

1.Intro
2.Road to Nowhere
3.Free Men
4.Lie to Me
5.A Friend That I’ve Lost
6.Wrath of the Soul
7.Time Allowed
8.I Wanna Choose

 

Entrevista com a banda Witchery (Suécia)

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A banda sueca Witchery está completando 20 anos de carreira em 2016, e para comemorar essa data acabam de lançar o seu sexto disco de estúdio, “In His Infernal Majesty’s Service”. Para falar sobre o disco, a carreira e tudo que envolve a banda foi realizada esta entrevista com o guitarrista e lider da banda, Patrick Jensen (The Haunted). Confiram o que Jensen tem a dizer para seus fãs brasileiros…

 

Vicente – Witchery completou 20 anos de existência. Como você vê a trajetória da banda depois de todo esse tempo de carreira?

Jensen – Nunca pensamos que a banda duraria 20 anos. Ou, talvez eu devesse dizer, não tínhamos nenhuma razão para duvidar que a banda também existiria depois de 20 anos, mas quando formamos a banda o fizemos por amor ao gênero e à música. No início, lançávamos quase um álbum por ano. Depois, por cerca de  2002-2003, diferentes membros da banda (inclusive eu) ficaram cada vez mais preocupados com outras bandas (The Haunted, Arch Enemy, Opeth, etc). Estou muito feliz que o Witchery ainda está na ativa. Sempre nos divertimos muito juntos e nunca houve qualquer pensamento sobre encerrar as atividades, apesar de parecer impossível encontrar tempo para ensaiar e escrever novas músicas juntos. Eu espero que ainda estaremos por aqui nos próximos 20 anos também!

Vicente – Vocês lançaram este ano o álbum “In His Infernal Majesty’s Service”. Como foi a gravação e composição deste álbum?

Jensen – Costumamos compor tudo nos ensaios. Eu venho com algumas idéias, todos nós experimentamo-las juntos. Costumamos ensaiar uma semana de cada vez. Começamos às 17 da noite e continuamos até 01 ou 02 da manhã. Durmo um pouco, então eu volto ao lugar do ensaio para trabalhar em novas idéias e tentar resolver o que ficou “sem solução” da noite anterior. Então o resto da banda vem para o ensaio aos 17 e começa tudo de novo. Acabei escrevendo todas as músicas e as letras deste álbum. Usei todo o tempo disponível em minhas mãos, então… Eu só fui em frente e escrevi a maldita coisa.

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Vicente – E o retorno dos fãs e da mídia especializada, mesmo ainda muito recente, está sendo como você esperava?

Jensen – Bem, para ser honesto, não tentamos criar muitas expectativas. Nós apenas fazemos o que nós gostamos e da maneira que for possível. Nós gostamos do álbum, é claro. Portanto, é realmente boa essa perspectiva, que os outros têm dado uma chance justa e também ouvem o que nós ouvimos.

Vicente – Alguma razão específica para o título ” In His Infernal Majesty’s Service”?

Jensen – Sim, estamos comemorando nosso vigésimo aniversário este ano. Rock’n’roll é a música do Diabo. O Diabo é “Sua Majestade Infernal”. Estamos tocando música do Diabo por 20 anos, então nesse sentido nós temos espalhado seu evangelho. Em outras palavras, estamos à seu serviço.

Vicente – “In Infernal Majesty’s Service” é um dos álbuns mais rápidos e agressivos da Witchery, você concorda?

Jensen – Na verdade não totalmente. Acho que temos álbuns que têm músicas mais rápidas, e talvez também álbuns com músicas mais agressivas. Eu acho que foi a produção de Daniel Bergstrand que realmente fez justiça a banda. Daniel notavelmente trouxe o melhor de cada música á tona. Talvez alguns dos álbuns mais antigos tenham sido mais polidos? Mas a atitude no novo disco é a mesma que em Witchkrieg, DFTR ou Restless and Dead.

Vicente – Um exemplo desta agressividade são as faixas “Netherworld Emperor” e “Nosferatu”. Fale um pouco sobre essas músicas em particular.

Jensen – Como eu mencionei anteriormente, nós nunca planejamos que tipo de música nós escreveremos. Tudo o que vem junto com uma idéia é aproveitada. Nosferatu foi escrito mais ou menos como em um fluxo. Talvez em menos de uma hora ou algo assim. Minha experiência é que músicas que, por assim dizer, “escrevem-se por si próprias” são também as músicas que se revelam as melhores. Elas soam menos forçadas. Elas soam como músicas de verdade. Nosferatu é uma dessas músicas. Um riff leva ao seguinte. “Netherworld Emperor” começou como um desafio que fiz a mim mesmo. Eu disse a mim mesmo para escrever o riff mais simples que eu poderia criar e, em seguida, tentar escrever uma canção a partir deste riff. Eu vim com o riff de abertura (que levei 1 minuto para “escrever”) e tomou forma a partir daí. Eu acho que o que realmente fez a canção ótima foram os vocais de Angus e o gancho que Niels adicionou ao refrão. Espero muito mais de Niels (Nielsen, tecladista da banda sueca “Dead Soul”) no próximo álbum de Witchery.

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Vicente – Embora a banda não tenha feito tantos shows em sua carreira, tem alguma chance de vermos Witchery no Brasil no futuro?

Jensen – Estamos absolutamente prontos para fazer shows. Agora que temos um baterista e vocalista que não estão presos em turnês pelo mundo, será muito mais fácil para nós tocarmos ao vivo. Estive no Brasil algumas vezes com o The Haunted e sempre foi ótimo. Nós definitivamente tentaremos ir para ai. E se houver qualquer promotor de eventos lendo isso, por favor, tenha o Witchery em mente porque queremos ir tocar no Brasil!

Vicente – Por favor, em poucas palavras, o que você pensa sobre essas bandas:

Arch Enemy – Amigos muito íntimos e uma banda que trabalha muito, mas muito duro mesmo. Eu acho que eles fizeram perto de 350 shows de seu último álbum! Eles merecem todo o sucesso que estão obtendo!

Black Sabbath – Uma enorme inspiração para mim. Mesmo que Ozzy tenha cantado em alguns álbuns incríveis, foi a voz do Dio no Live Evil que realmente me capturou quando um garoto de 10-11 anos. Eu tenho muitas vezes dito que o álbum Live Evil foi o  “responsável” por eu me tornar um músico profissional. Witchery também incluiu a canção do Black Sabbath “Neon Knights” no EP Witchburner, que é a faixa de abertura no Live Evil. Todos nós tínhamos que escolher uma música e essa foi a minha escolha.

Venom – Não é uma banda que ouvi muito, mas eu tinha amigos que tocaram muito seus álbuns. Eu gosto de músicas como Witching Hour, Satanichist, Manitou, Black Metal etc

Slayer – Uma grande influência em mim pessoalmente. Estou honrado em poder dizer que sou um bom amigo de vários membros da banda. Foi-me perguntado há alguns anos se eu poderia substituir Gary Holt, enquanto ele fazia um enorme show com o Exodus no Chile (apoio ao Iron Maiden, eu acho). Eu queria fazê-lo, mas infelizmente o The Haunted tinha seus próprios  shows reservados para a mesma semana e, com isso, Pat O’Brien de Cannibal Corpse acabou fazendo os shows com o Slayer.

Deicide – Eu estive totalmente viciado no Deicide quando o primeiro álbum saiu. Quando eles vieram para a Suécia na turnê do Legion, fui vê-los em Estocolmo. Isso foi em 1992, eu acho. Uma bomba havia sido plantada atrás de uma saída de emergência atrás do palco. No meio de uma música da banda de abertura Gorefest, o público sentiu como se estivessem sendo atingidos pelo rosto por um travesseiro invisível. Sem luzes de uma explosão ou qualquer cheiro. Foi apenas um enorme golpe invisível no rosto. Gorefest continuou a tocar, mas logo foram interrompidos pela segurança que disseram para eles saírem do palco. Decide não queria se sentir ameaçado e não poderem tocar, então eles subiram no palco e, apesar da polícia estar lá e as luzes da casa estarem acesas, começaram a tocar Day of Darkness. Uma policial feminina aproximou-se e desligou o amplificador do baixo de Benton, mas Glenn apenas se virou e voltou a tocar novamente (risos). Acho que eles tocaram três músicas, mas a força de todo o palco foi cortada. Experiência muito legal! Acho que nunca descobriram quem plantou aquela bomba por trás do palco, mas isso aconteceu na época em que houve uma guerra entre puristas noruegueses do Black Metal e bandas suecas de Death Metal. Eu acho que o Deicide foi considerado pelos noruegueses de “não ser verdadeiro” e serem “posers”

Vicente – Por fim, deixe uma mensagem para todos os brasileiros que adoram o som da banda e querem saber muito mais sobre o Witchery

Jensen – Adoraríamos ir ao Brasil! Por favor, ajude a tornar isso uma realidade, para podermos ir e tocar para vocês! Obrigado também por seu apoio durante todos estes anos! Está na hora de retribuirmos tudo isso a vocês!

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Resenha Fanttasma – Another Sleepless Night (2013)

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O Fanttasma surgiu em 2012, e com este seu debut “Another Sleepless Night”, conseguiu movimentar um estilo muito adorado por seus fãs, mas pouco divulgado e promovido no Brasil, o Doom Metal.

E a banda chega até mesmo a ultrapassar as fronteiras do gênero conhecido por músicas pesadas e arrastadas, onde a melancolia impera. No disco em questão, a banda chega a flertar com vários estilos musicais, sem perder a sua essência Doom.

Algumas faixas são típicas do estilo, como no caso de “Corona”, “The Passing of Nibirus” (e seu clima de filme de terror), e “Faith In Vengeance” (com um melancolia que chega a emocionar em sua metade). Enquanto “Seven Valleys” é mais pesada, e com uma passagem cantada em português até mesmo a fez ficar com uma cara meio Moonspell, “Metropolis” possui um estilo mais “reto”, e mesmo assim consegue chamar atenção, pois cria um clima especial para as duas principais faixas, citadas abaixo.

A cereja do bolo fica certamente com “The Night Fever” e “Life is War”. A primeira conta com a participação de Alexandre Herrera no Sax, e é incrível como esse instrumento tão fora do usual no estilo casou perfeitamente com essa faixa, como se fosse a coisa mais comum do mundo, algo que poucas bandas conseguiram fazer. Essa é daquelas músicas para ouvir e viajar. Já “Life is War” tem um clima quase de um Blues, com destaque para o vocal limpo e swingado de Fernanda Lira, contrastando com o vocal gutural, e mesmo assim não perdendo a essência do Doom Metal.

A capa diferente também combinou com a sonoridade da banda, que conta com outras participações especial, como dos vocalistas Ascaris e Daniel Wergan. E a produção soube dar um clima todo anos 90 para “Another Sleepless Night”, o que ajuda no resultado final alcançado.

Só espero que o Fanttasma não chegue, mostre um potencial acima do comum e venha a sucumbir a apatia do mercado musical, como já aconteceu com tantas boas bandas nacionais. O nosso país precisa de mais bandas criativas e que mostrem algo diferente do que já estamos acostumados a ver e ouvir…

Nota: 9,0

Formação:

Thiago Andrade – Vocais

Rafael Galbes – Bateria

Rafael Augusto Lopes – Guitarra e Baixo

7 Faixas – 30:57

Tracklist:

1.Corona
2.The Passing Of Nibirus
3.Metropolis
4.The Night Fever
5.Life Is War
6.Faith In Vengeance
7.Seven Valleys

Entrevista com a banda Maestrick (São Paulo)

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O Maestrick é daquelas raras bandas que, mesmo relativamente recente, possui uma postura e sonoridade de banda veterana, com total convicção do que desejam e o caminho a seguir para isso. Nessa entrevista o vocalista/pianista Fabio Caldeira e o baixista Renato “Montanha” Somera (a banda é completada pelo baterista Heitor Matos) falam sobre a carreira da banda, o mercado musical e o futuro da banda, mostrando que a música é, acima de tudo, sentimento e honestidade.

 

Vicente – Para começar, façam uma retrospectiva da trajetória do Maestrick até o presente momento. Como foi o inicio de tudo e a escolha do nome para a banda?

Renato “Montanha” Somera: Eu (Montanha) e o Fabio nos conhecemos desde 1992. Em meados de 1996 começamos a participar de bandas. Anos e bandas mais tarde criamos a banda Ramsés II. Nosso baterista saiu e encontramos o Heitor Matos que entrou no projeto. Já começamos a compor as músicas do Unpuzzle e depois gravá-las. Antes de lançar precisávamos de um nome: Maestrick.

Vicente – Seu primeiro lançamento foi o álbum “Unpuzzle!” que colecionou boas criticas, tanto aqui quanto no exterior. Após cinco anos de seu lançamento, como vocês avaliam o álbum? Teria algo que gostariam de ter feito diferente nele?

Fábio Caldeira: Eu tenho muita gratidão e muito orgulho do “Unpuzzle!” e com certeza eu não faria nada diferente. Pessoalmente eu penso que a utilização da palavra “álbum” não é atoa. Um álbum de fotos, por exemplo, é um registro de uma época e de quem você é naquele momento. No “Unpuzzle!” não foi diferente. Todos envolvidos fizeram o melhor que podiam naquela época e isso é algo totalmente positivo. É o sentimento que eu lembro e o que sempre vou levar comigo.

Renato: Eu avalio como um bom começo e foi um aprendizado monstruoso. Eu não queria mudar nada. Tudo que foi gravado representa o momento que estávamos.

 

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Vicente – E um novo álbum em breve? O que teriam para adiantar do mesmo? A sonoridade vai seguir a mesma linha do “Unpuzzle!”?

Fábio: O nome do disco é “Espresso Della Vita: Solare” e representa a parte diurna de uma viagem de trem de um dia, como uma metáfora para a vida. Ele terá doze músicas, representando o período das seis da manhã até as cinco da tarde. Definitivamente é um álbum do Maestrick. Quero dizer com isso que ele tem as mesmas convicções artísticas do “Unpuzzle!”, mas de lá pra cá já se passaram muitos anos e estamos em outro momento de nossas vidas. É um disco muito emocional e estamos mais certos do que nunca de quem somos e do que queremos.

Renato: Solare trará um som mais maduro e sempre honesto!

Vicente – Vocês lançaram este ano “The Trick Side Of Some Songs”. Como foi a escolha de músicas e artistas que aparecem no disco?

Fábio: A escolha foi algo muito natural. Nós pensamos em fazer uma sincera homenagem a alguns artistas que nos influenciaram de alguma forma. Ficamos dessa vez em músicas das décadas de 60 e 70 que abordavam elementos progressivos das bandas. Mas nada nos impede de fazermos outros “Trick Sides” em outros momentos e com outras propostas.

Renato: Entre as músicas escolhidas algumas já faziam parte do nosso repertório de shows.

Vicente – O legal de “The Trick Side Of Some Songs” é que, ao mesmo tempo que a banda não descaracterizou as músicas originais, conseguiram dar um toque mais moderno e mesmo personalizar as mesmas com a sonoridade do Maestrick. Foi difícil chegar a esse resultado?

Fábio: Foi extremamente natural e eu fico muito feliz que você pense assim, porque nossa ideia não foi em momento algum descaracterizá-las. Elas são perfeitas como são e nós as amamos assim. Mas queríamos apenas falar no “idioma” do Maestrick, ou seja, com a nossa forma de tocar e cantar. É puramente isso.

Renato: Foi um pouco complicado encontrar o meio termo entre a forma do Maestrick tocar e como as musicas são originalmente.

 

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Vicente – O mercado musical mudou muito em todos esses anos, com a questão do download e a própria divulgação nas redes sociais. Como inserir uma banda relativamente nova, como é o caso do Maestrick, nesse meio tão concorrido?

Fábio: É necessário primeiramente nos localizar. Saber quem somos e o que queremos. A partir disso, já convencido, você utiliza dessas ferramentas para se apresentar e convencer os outros. Não adianta transformar em um problema o que não é. Temos que jogar de acordo com as regras vigentes e desde que elas não ousem “corromper” nossa essência, faremos sempre nosso melhor.

Vicente – Qual foi aquele artista, ou banda, que fez com que decidissem enveredar por esse, muitas vezes, tortuoso caminho da música?

Fábio: Como dissemos antes, eu e Montanha nos conhecemos desde os oito anos de idade e temos banda desde os 10 ou 11 anos. Na época as bandas que ouvíamos eram o Nirvana, depois Guns, aí o Iron Maiden, Helloween, Angra, Metallica, Pink Floyd, Dream Theater. Todas essas bandas foram responsáveis de alguma forma por eu estar aqui.

Renato: Pra mim foram as bandas Angra, Helloween, Rush e Sepultura.

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

Fábio: The Beatles – Espontâneos, geniais e pioneiros. É a gênese de muita coisa
que foi feita depois.

Jethro Tull – Eu sou muito fã da forma como o Ian Anderson constrói seus textos, linhas vocais e arranjos instrumentais. Ele consegue ser o melhor vocalista possível para a banda e é isso que eu busco com o Maestrick.

Rush – São três amigos/irmãos que fazem o som que amam e que conquistaram o mundo com esse amor. Os três amigos/irmãos do Maestrick se espelham muito nessa postura e perspectiva.

Metallica – Eles mostraram que é possível equilibrar peso com o lado mais comercial com o Black álbum.

Queen – Uma das minhas bandas preferidas. Tenho tudo deles, desde livros até versões diferentes dos mesmos discos. O Queen foi um milagre musical pra mim e desde o começo estavam convictos de quem eram e do que queriam. É um grande exemplo, pois não mediam esforços e não mediam seus sonhos. Essa lição nós aprendemos.

Renato: The Beatles – Grande talento com perfeita simetria.

Jethro Tull – Irreverente e ousada.

Rush – A perfeita união de três gênios

Metallica – Som rápido, violento.

Queen – Grandiosidade e genialidade combinada.

Vicente – Por fim, deixem um recado para os fãs da banda e para todos aqueles que querem conhecer mais sobre o Maestrick.

Fábio: Desejo o melhor para as vidas de todos. Que vocês possam fazer o que amam, não importa o que seja. O Maestrick para nós é mais que uma banda, é uma parte de quem somos e do que buscamos como pessoas e artistas. Fica então o convite para que conheçam nosso trabalho, no “Unpuzzle!” e muito em breve no “Espresso Della Vita: Solare” onde vamos embarcar juntos em uma viagem inesquecível. Muito obrigado pelo espaço e pela atenção ao nosso trabalho a equipe do “With Every Tear a Dream” e espero que seja a primeira de muitas entrevistas. Luz, paz e arte!

Renato: Um grande abraço a todos e espero em breve falar com vocês novamente sobre o “Solare”.

Mais Informações:

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Resenha Kansas – The Prelude Implicit (2016)

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Sempre se deve ter um cuidado maior ao resenhar um novo disco de uma banda com mais de quatro décadas de atividade e dezesseis discos de estúdio lançados, sendo que muitos desses podem ser considerados clássicos do Rock.

Desde seu primeiro e auto intitulado álbum, lançado em 1974, que o Kansas vem presenteando seus fãs com grandes canções. Desde então músicas como “Song for America”, “Dust in the Wind”, “Point of Know Return” e “Carry on Wayward Son” tornaram-se clássicas, e o nome da banda eternizado no rol da música. Com isso, resenhar um único álbum sem levar em consideração toda a carreira é uma tarefa perigosa.

Mas no caso de “The Prelude Implicit”, que se dane as convenções, pois trata-se de um disco quase que perfeito, com certeza um dos grandes lançamentos de 2016 (um ano farto em bons álbuns). As dez faixas aqui reunidas são todas dignas de uma banda do porte do Kansas, e farão a alegria dos fãs de um Classic/Progressive Rock.

 

O álbum é repleto de melodias viajantes e músicas poderosas. Impossível deixar de destacar faixas como as viajantes “The Voyage of Eight Eighteen” e “Crowded Isolation”, enquanto algumas seguem uma linha mais tradicional do estilo, como “Visibility Zero” e “Summer”. Não poderia faltar aquela tradicional balada, aqui, no caso, representada pela classuda “The Unsung Heroes” e seus belos solos de guitarra e violino. E ainda há espaço para faixas mais Rocker, como “Rhythm in the Spirit” e “Camouflage”, que trazem assim um contraste interessante à “The Prelude Implicit”.

 

Mas os grandes destaques estão exatamente no inicio e no final do disco. A faixa de abertura “With This  Heart” possui uma melodia espetacular, ritmo contagiante e um belo trabalho vocal do recente membro da banda, Ronnie Platt, e belos duetos entre violino e teclado. E o encerramento com a instrumental “Section 60” é de encher os olhos. Um trabalho formidável do violinista David Ragsdale, não somente nessa faixa em especial, mas em todo o disco.

 

Se você for fã da banda, “The Prelude Implicit” é um item indispensável. E se nunca prestou muita atenção na carreira do Kansas, nunca é tarde para conhecer um pouco da historia do Rock e curtir o que de melhor ela tem a oferecer.

 

Nota: 9,5

Formação:

Phil Ehart – Bateria

Billy Greer – Baixo, vocais, vocais principais em “Summer”

David Manion – Piano, Teclados, Orgão,

Ronnie Platt –  Vocais, piano em “The Voyage of Eight Eighteen”

David Ragsdale – Violino, vocais

Zak Rizvi – Guitarra, vocais

Richard Williams – Elétrica e acústica guitarra

 

10 Faixas – 53:26

Tracklist:

 

1. With This  Heart
 2. Visibility Zero
 3. The Unsung Heroes
 4. Rhythm in the Spirit
 5. Refugee
 6. The Voyage of Eight Eighteen
 7. Camouflage
 8. Summer
 9. Crowded Isolation
 10. Section 60

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Resenha Aethernaeum – Naturmystik (2015)

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O Aethernaeum ainda é uma banda relativamente desconhecida de grande parte do público brasileiro, até mesmo por tratar-se de uma banda ainda recente, formada em 2013, mas sua música não tem nada de principiante, pois trata-se de um Black/Folk Metal com muitas nuances melancólicas, e da melhor qualidade possível.

“Naturmystik” é seu segundo disco, lançado em 2015, no qual a banda lança mão de todos os predicados do estilo acima citado, em nove faixas e 66 minutos de duração. E o quinteto alemão, capitaneados pelo “quase faz tudo” Alexander Paul Blake, acerta em cheio na grande maioria do disco.

Algumas faixas, como as duas iniciais, “Die Stimme der Wildnis” e “Heimreise (Ein Requiem)”, já haviam aparecido em uma resenha anterior, onde a banda dividiu um Split com a banda Munarheim, e ambas chamam a atenção pela duração, passando dos 10 minutos. Destas, o grande destaque é “Heimreise (Ein Requiem)” e suas melodias que grudam na cabeça, uma grande amostra de como fazer o Black Metal casar com o lado mais melancólico sem soar pedante.

Já faixas como “Umarmung der Einsamkeit” e “Der Baumpercht” possuem um clima mais carregado, mesmo sendo músicas em sua essência acústicas, ambas ficam longe de terem uma sonoridade mais calma e relaxante, parecendo mais um prelúdio para o fim do mundo. E “Jenseits der Mauer des Schweigens” merece destaque, pois é uma das instrumentais mais legais que escutei nos últimos tempos, uma música emocionante, como as bandas de Gothic/Doom Metal sabiam fazer como ninguém nos anos noventa. Piano e melodias de guitarra na medida certa para fazer correr uma lágrima do mais sorumbático fã do estilo.

No final das contas, poderia dizer que o som do Aethernaeum seria algo próximo do que o Lacrimosa faria se deixassem de frescura (brincadeira, sou fã de Tilo Wolff). Mas a verdade é que conseguiram um ótimo resultado em “Naturmystik”, e merecem o reconhecimento do público que curte um Black/Folk/Gothic Metal bem feito.

Nota: 8,0

Formação:

Alexander Paul Blake – Baixo, Guitarras, Teclados, Vocais

Markus Freitag – Violoncelo

Hendrik Wodynski – Bateria

Motte – Guitarras

Marco Eckstein – Guitarras

 

9 Faixas – 66:01

 

Tracklist:

  1. Die Stimme der Wildnis 10:31
  2. Heimreise (Ein Requiem) 11:39
  3. Umarmung der Einsamkeit 06:08
  4. Die Waldschamanin 09:41
  5. Der Baumpercht 04:09
  6. Jenseits der Mauer des Schweigens 04:35
  7. Im Zyklus der Jahreszeiten 08:00
  8. Aus Silberseen… 09:15
  9. Erdenzauber 02:03

Resenha The Agonist – Five (2016)

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O The Agonist está de volta, agora com seu quinto disco de estúdio, de nome “Five” (extremamente óbvio). Se o nome do disco não é dos mais criativos, o conteúdo existente nele é, sim, um dos mais criativos da banda canadense formada em 2004.

“Five” possui uma ótima produção, compatível com o que a sonoridade da banda propõe, uma capa muito bacana e instrumentistas inspirados em suas funções. Ou seja, seria um álbum quase perfeito se não fosse por um pequeno detalhe: Vicky Psarakis.

E antes que venham fãs da moça querendo minha cabeça, deixo claro que a mesma é uma artista talentosa, com uma das vozes mais legais da nova geração. Mas quando utiliza o vocal mais gutural a coisa simplesmente parece não funcionar direito. Quando usa sua voz limpa e vocalizações mais agressivas, Vicky faz um trabalho 100%, mas seu vocal gutural parece exigir demais da moça, fazendo com que o mesmo soe forçado. E além de tudo é difícil para qualquer mortal conseguir substituir Alissa White-Gluz.

“Five” possui momentos distintos, e muitas variações em toda sua duração, o que faz com que seja um banquete para os fãs de longa data da banda. Impossível deixar de destacar faixas que já nasceram para ser clássicas como “The Moment” (refrão impagável), “The Hunt” (em sua metade vira quase um Black/Doom Metal) e “The Trial”.

Outras músicas apostam no peso e rapidez, como “The Chain”, “The Game” (outro refrão e um trabalho de bateria marcante) e “The Ressurection”. E ainda há espaço para faixas que saem um pouco do comum, seja no instrumental quanto nas vocalizações, como “The Anchor and the Sail”, “The Raven Eyes” e “The Villain”.

Uma amostra de como o vocal mais “clean” de Vicky funciona bem é em “The Ocean”, que talvez fosse um caminho legal para o The Agonist, ou mesmo o vocal mais rasgado em “The Man Who Fell to World”, que igualmente casou bem com a sonoridade da banda. Mas não há como apagar o passado, e assim teremos que ver o que o futuro trará para a banda, sempre sob a sombra de Alissa…

 

Nota: 8,0

Formação:

Danny Marino – guitarras

Chris Kells – baixo, backing vocals

Simon McKay – bateria

Pascal “Paco” Jobin – guitarras

Vicky Psarakis – vocais

 

14 Faixas –

Tracklist:

1. “The Moment” 4:14
2. “The Chain” 3:12
3. “The Anchor and The Sail” 3:49
4. “The Game” 2:50
5. “The Ocean” 4:27
6. “The Hunt” 3:35
7. “The Raven Eyes” 5:35
8. “The Wake” 2:44
9. “The Resurrection” 5:00
10. “The Villain” 5:22
11. “The Pursuit of Emptiness” 4:03
12. “The Man Who Fell to Earth” 3:53
13. “The Trial” 4:33
14. “Take Me to Church (Hozier Cover) (Bonus Track)”

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Resenha Broken Jazz Society – Gas Station (2016)

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Devo confessar que, ao ver pela primeira vez o nome Broken Jazz Society, logo me veio a cabeça o provável parente distante da banda, o Black Label Society. Mas o fato é que as bandas têm pouco em comum além do “sobrenome”, mesmo que a parte inicial da faixa de abertura “Gas Station” possua alguns toques de Stoner/Sludge Metal.

Mas esse inicio em “Gas Station” não condiz com o restante da música em questão, já que a mesma envereda por outros caminhos também, com uma sonoridade mais crua, mais orgânica e até mesmo o seu ritmo contagiante no refrão faz com que a mesma possua alguns traços de Rock n’ Roll quase esbarrando no Punk Rock.

“Riot Spring” é uma regravação, visto que a música já constava em seu primeiro disco, “Tales From Purple Land”, e não se mostra deslocada com relação as outras músicas que compõem o EP, mostrando que a banda soube moldar sua sonoridade, não descaracterizando seu estilo, e mesmo assim seguindo um novo caminho. “Riot Spring” traz bons solos de guitarra e acabou por virar um belo vídeo clipe (o mesmo aparece ao final da resenha).

O EP encerra com “Mean Machine”, uma faixa um pouco mais cadenciada, com guitarras mais melódicas e violões, praticamente uma balada mais pesada e suja, o que combina com as duas faixas anteriores e fecha com chave de ouro “Gas Station”.

A produção de “Gas Station” soube buscar a sonoridade pretendida pela banda, uma sonoridade mais analógica, orgânica, sem arroubos. Simplesmente a banda tocando a sua música. E a capa do disco também merece elogios, casando muito bem com a proposta lírica da banda.

Não são três músicas que vão nos garantir que o futuro do Broken Jazz Society será de glórias ou frustrações, mas o caminho a seguir por eles está traçado, e somente eles poderão saber como pavimentá-lo…

 

Nota: 7,5

 

Formação:

Mateus Graffunder – Guitarra/Vocal

João Fernandes – Baixo

Felipe Araújo – Bateria

 

3 Faixas – 11:54

 

Tracklist:

1.Gas Station
2.Riot Spring
3.Mean Machine

 

Resenha Fates Warning – Theories of Flight (2016)

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“Theories of Flight” é o nome do novo disco de uma das melhores e mais subestimadas bandas de Metal progressivo, que sempre ficou a sombra da considerada “santa trindade” do gênero (Dream Theater, Pain of Salvation e Symphony X), a americana Fates Warning.

A banda em seu inicio tinha uma sonoridade um pouco mais voltada para o Power/Heavy Metal, mesmo que o progressivo sempre estivesse ali presente, mas essa vertente mais tradicional do Metal foi amainando com o passar do tempo. Agora é seguro afirmar que o Fates Warning é uma banda verdadeiramente de Progressive Metal.

O Fates Warning não escapou da sina da maioria das bandas, tendo sofrido com mudanças de formação constante em suas mais de três décadas de atividade, mas sempre capitaneada pelo único integrante original, o guitarrista Jim Matheos. Não à toa que as músicas são estruturadas em grande parte em cima da guitarra, num trabalho formidável de Jim. Mas sem deixar de destacar o trabalho do vocal Ray Alder, desde 1987 no Fates Warning, sem exageros vocais, mas com uma vocalização fácil de agradar mesmo o ouvinte mais exigente. Joey Vera já é figurinha carimbada no meio metálico, e o mais recente membro da banda, o igualmente rodado baterista Bobby Jarzombek, formam uma das cozinhas mais interessantes do Metal atual.

Se o inicio mais contido de “From the Rooftops” engana um pouco, o decorrer da faixa mostra uma música pesada e com um refrão caprichado, uma faixa de abertura mais que correta. “Seven Stars” já nasceu clássica, uma daquelas músicas para se ouvir dezenas e dezenas de vezes sem enjoar. Não foi à toa que se tornou o primeiro vídeo clipe do álbum. “SOS” segue o estilo de alternar momentos, ora pesados, ora melódicos, e tem igualmente um refrão marcante.

Como não poderia deixar de ser, o álbum possui músicas de longa duração, no caso aqui “The Light And Shade Of Things” e “ The Ghosts Of Home”. Dentre estas duas, o destaque fica para a segunda, com um principio mais emocionante, mas que na sequencia possui um peso acima do normal e a guitarra poderosa de Jim conduzindo a música. E “White Flag” é a mais pesada música do álbum, e uma das mais pesadas da banda, um verdadeiro bombardeio sonoro.

Talvez não seja “Theories of Flight” que vá fazer com que o Fates Warning saia do injusto “segundo escalão” do Progressive Metal, mas não há duvidas que os verdadeiros fãs vão curtir demais as oito músicas contidas nesse décimo segundo disco do quarteto americano.

Nota: 8,5

Formação:

Ray Alder (Vocais)

Jim Matheos (Guitarras)

Joey Vera (Baixo)

Bobby Jarzombek (Bateria)

8 Faixas – 52:23

Tracklist:

  1. From The Rooftops (06:52)
  2. Seven Stars (05:33)
  3. SOS (04:34)
  4. The Light And Shade Of Things (10:14)
  5. White Flag (05:20)
  6. Like Stars Our Eyes Have Seen (05:13)
  7. The Ghosts Of Home (10:31)
  8. Theories Of Flight (04:00)

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Resenha Alter Bridge – The Last Hero (2016)

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Três anos após o lançamento de seu último álbum, “Fortress”, eis que os americanos do Alter Bridge retornam com seu quinto álbum de estúdio, intitulado “The Last Hero”, um disco que tem tudo para elevar ainda mais o nome da banda no mercado musical.

A verdade é que a banda, em “The Last Hero” soube criar músicas potentes, com refrões marcantes e que fatalmente ficarão na cabeça dos fãs do Alter Bridge. É só escutar faixas como “Show me a Leader” e seus solos de guitarras inspirados,”Cradle to the Grave”, “Losing Patience (pusta refrão) , “The Last Hero” e comprovar isso.

Algumas faixas carregam num peso até mesmo surpreendente, como é o caso de “Poison in your Veins”, “Crowns on a Wire” e “Island of Fools”. E mesmo músicas com aquele forte apelo comercial, como a alegre e inspiradora “My Champion” e a baladinha “You Will Be Remembered”, possuem uma qualidade inquestionável.

“The Last Hero” nos apresenta também um Myles Kennedy inspiradíssimo nos vocais, na minha opinião muito superior ao seu desempenho na banda solo do Slash, além de guitarras matadoras em seus riffs e até mesmo nos solos presentes no álbum, além do trabalho competente da cozinha formada por Brian Marshall no Baixo e Scott Phillips na Bateria. Sem contar a bela produção de Michael Baskette, na contramão da capa mais simples do álbum.

No final das contas, dá para garantir que o Alter Bridge abraçou, neste disco, muito mais o lado Hard/Metal do que o Alternativo, o que certamente fará com que, muitos daqueles que não curtiam a banda anteriormente, comecem a olhar a mesma com outros olhos após “The Last Hero”.

Nota: 9,0

Formação:

Myles Kennedy – Vocais/Guitarras

Mark Tremonti – Guitarras/Vocais

Brian Marshall – Baixo

Scott Phillips – Bateria.

13 Faixas – 67:58

Tracklist:

01.Show Me A Leader
02.The Writing On The Wall
03. The Other Side
04. My Champion
05. Poison In Your Veins
06. Cradle To The Grave
07. Losing Patience
08. This Side Of Fate
09. You Will Be Remembered
10. Crows On A Wire
11. Twilight
12. Island Of Fools
13. The Last Hero

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Resenha Gemini Syndrome – Memento Mori (2016)

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O Gemini Syndrome ainda é uma banda não tão conhecida em nosso país. Mas talvez esse quadro se altere com o lançamento de seu novo álbum, “Memento Mori”.

Tudo bem, o titulo do disco é uma das frases mais clichês que existem no Rock/Metal, mas nem isso ofusca o bom trabalho que a banda americana fez neste que é seu segundo álbum de estúdio, sendo que o primeiro registro da banda foi “Lux”, lançado em 2013.

Antes de qualquer coisa, é de se ressaltar o trabalho gráfico da capa do álbum, além da boa produção e mesmo a qualidade das letras e composições da banda em “Memento Mori”, o que já é um ponto a favor destes americanos.

Já a sonoridade do Gemini Syndrome é principalmente o Rock Alternativo, mas com um senso melódico maior, quase que às vezes esbarrando em alguns traços de Hard Rock. Mesmo aqueles que não são fãs do estilo, podem vir a apreciar o que a banda apresenta nesse disco.

Como destaque temos faixas ganchudas como “Anonymous”, “Remember We Die” (ambas as faixas tornaram-se clipes), “Gravedigger” (essa até com um quê de um Korn bem mais melódico), “Sorry Not Sorry” e “Awaken”. E ainda temos algumas que puxam para um lado comercial, como “Zealot” e “Say Goodnight”, mas que mesmo assim são composições acima da média.

Mesmo não sendo um dos estilos de mais sucesso no Brasil, principalmente no pessoal “das antigas”, é fato que o Gemini Syndrome não é uma banda de se desprezar. Agora, se a música Alternativa faz sua cabeça, o que está esperando para conhecer uma das melhores bandas do estilo na atualidade?

 

Nota: 8,0

Formação:

AARON NORDSTROM – vocais

BRIAN STEELE MEDINA – bateria

ALESSANDRO PAVERI – baixo

DANIEL SAHAGÚN – guitarra

CHARLES LEE SALVAGGIO – guitarra

15 Faixas – 50:45

Tracklist:

  1. Anonymous
  2. Remember We Die
  3. Zealot
  4. Gravedigger
  5. On Point
  6. La Devastante Veritá
  7. Sorry Not Sorry
  8. Eternity
  9. Alive Inside
  10. Inception
  11. Lucido Somnium
  12. Say Goodnight
  13. Awaken
  14. Ordo ab Chao
  15. Brought To Light

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Resenha Louder – Take One – EP (2016)

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O Louder é uma banda verdadeiramente recente, pois tem seu inicio datado em 2015, e mesmo com esse curto tempo de existência, já estão lançando seu primeiro registro, o EP “Take One”.

Originários da serra gaúcha, mais precisamente da cidade de Veranópolis (a terra da longevidade), o quinteto formado pelo vocalista  Kid Sangali, os guitarristas Maurício Barbieri e Gio Attolini, o baixista Ricardo Ledur Gottardo e o baterista Felipe Saretta nos brinda com um trabalho de respeito no referido EP composto de cinco faixas do mais puro Heavy Rock.

Para situar a banda, não seria absurdo considerá-los um Bon Jovi que resolvesse investir em seu lado mais pesado, quase Metal. E compará-los a famosa banda americana não é de forma alguma demérito, pois estamos falando da época que a banda fazia Rock, e não o Pop/Rock descartável da atualidade.

Essa faceta é facilmente perceptível nas faixas “No More” (e seus fantásticos solos de guitarra) e “Blind Faith “Part I)”. Já “Last Memory” é mais direta, quase um Heavy Metal com refrão ganchudo e ritmo contagiante. “Temple of Desire” é mais cadenciada e talvez seja a mais fraquinha do disco, bem diferente da seguinte “Cooper’s Synapse”, totalmente Heavy Rock, com bons riffs e ótimo trabalho de Sangali nos vocais.

A produção do disco, apesar de simples acertou em cheio na sonoridade do Louder. Já o trabalho dos músicos foi muito acima da média, sendo impossível de destaques individuais, mostrando um quinteto afiado em compor ótimas músicas.

Os próximos passos do Louder serão cruciais para vermos até onde a banda pode chegar, mas se for verdade o que dizem, que a primeira impressão é a que fica, já dá para cravar que a banda chegou para ficar…

Nota: 9,0

Formação:

Kid Sangali – Vocais
Maurício Barbieri – Guitarras
Gio Attolini – Guitarras e Backing Vocais
Ricardo Ledur Gottardo – Baixo
Felipe Saretta – Bateria

 

5 Faixas – 21:17

Tracklist:

01.Last Memory
02. Temple of Desire
03. Copper’s Synapse
04. No More
05. Blind Faith (Part I)

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Resenha Delain – Moonbathers (2016)

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No inicio deste ano tive a oportunidade de resenhar o EP “Lunar Prelude” da banda Delain. E eis que agora surge seu novo disco completo, nomeado “Moonbathers”.

Sendo seu quinto álbum de estúdio, “Moonbathers” é lançado no mesmo ano que o EP acima citado, que já era uma amostra do que a banda iria apresentar em seu novo disco. Aqui estão duas músicas que já estavam presentes em Lunar Prelude, “Suckerpunch” e “Turn the Lights Out”, além de um cover do Queen, “Scandal” que ficou muito legal e combinou bem com o estilo do Delain.

“Moonbathers” é daqueles discos que tem tudo para agradar os fãs do Gothic Metal, e até mesmo ultrapassar um pouco essas fronteiras, pois sem sombra de dúvida realizaram um ótimo trabalho nesse novo registro.

O álbum possui aqueles típicos sons do estilo, como “The Glory and the Scum”, “The Hurricane” e “Danse Macabre”, além da pesada faixa de abertura “Hands of Gold”, com participação da Alissa White-Gluz. Uma das que mais empolgam é a quase grudenta faixa “Fight with Fire”, com vocalizações diferentes de Charlotte. Tem também uma balada com belas melodias em “Chrysalis – The Last Breath“, e um ótimo encerramento com a pesada e ao mesmo tempo melódica “The Monarch”.

No final das contas, se tem a certeza que o Delain não faz mais somente figuração perante as bandas mais consagradas do estilo, mesmo que não alcance o mesmo prestigio das mesmas. Talvez seja o típico caso de não estar no lugar e na hora certa…

 

Nota: 8,5

Formação:

Charlotte Wessels (vocais)

Martijin Westerholt (teclados)

Otto Oije (baixo)

Timo  Somers (guitarra)

Ruben Israel (bateria)

Merel Bechtold (guitarra)

 

11 Faixas – 48:47

Tracklist:

  1. Hands Of Gold
  2. The Glory And The Scum
  3. Suckerpunch
  4. The Hurricane
  5. Chrysalis – The Last Breath
  6. Fire With Fire
  7. Pendulum
  8. Danse Macabre
  9. Scandal
  10. 10.Turn The Lights Out
  11. 11.The Monarch

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Resenha Pain of Salvation – Remedy Lane Re: Visited (2016)

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O Pain of Salvation surgiu como uma das melhores bandas dos anos 90, emplacando discos de grande sucesso e criatividade ímpar. Mesmo tendo uma sonoridade que normalmente é de difícil absorção em uma primeira audição, o Progressive Metal/Rock da banda Sueca não soava pedante em momento algum, mais preocupados com a música do que com malabarismos musicais.

Mas a verdade é que, em algum momento o grupo perdeu um pouco o rumo, lançando dois discos apenas razoáveis (Road Salt One e Two), além  do acústico “Falling Home”. Pouco para uma banda que lançou algumas obras-primas entre o final da década de 90 e o principio dos anos 2000.

E a obra-prima suprema da banda atende pelo nome de “Remedy Lane”. E é justamente esse disco que está sendo relançado pela banda agora em 2016. Nessa nova “versão”, temos o álbum remixado, e no segundo CD, um show da banda apresentando o disco ao vivo em uma apresentação especial no ProgPower USA Festival em 2014.

Um detalhe que chama a atenção de imediato é que a formação desta apresentação, com obvia exceção de Daniel Gildenlöw, é completamente diferente da versão que gravou o disco. Essa talvez seja um dos principais motivos pelo qual o Pain of Salvation não tenha alcançado o patamar que todos esperavam e imaginavam que chegaria devido a qualidade de sua música.

Se alguém não conhece “Remedy Lane”, não deixem de conferir duas músicas que valem pelo disco inteiro: “A Trace of Blood” e “Beyond the Pale”, que englobam toda a magia da música do Pain Of Salvation. Mas claro que “Remedy Lane” é uma obra para ser ouvida em sua totalidade, sendo também um dos melhores trabalhos líricos da banda.

Já o show peca por um motivo que acontece a todas as bandas que resolvem tocar na integra seus discos: A gente sabe exatamente o que irá ouvir a seguir. Mas isso não impede de admirar o bom trabalho desta nova formação, com destaque para, além das já citadas músicas, mas também para “Fandango” e “Undertow”.

Tenho a esperança de ver novamente o Pain of Salvation brilhando da mesma forma que o fez em “Remedy Lane”. O mundo da música precisa de novas bandas que continuem o caminho já trilhado pelas bandas clássicas, e Daniel Gildenlow já mostrou ter essa capacidade criativa para manter e até mesmo superar esse legado.

Nota:9,0

Formação:

Pain of Salvation 2001 (Album Original):

 

Daniel Gildenlöw – vocais, guitarras, backing

vocals, percussão, teclados adicionais

Johan Hallgren – guitarras

Fredrik Hermansson – teclados

Kristoffer Gildenlöw – baixo

Johan Langell – bateria

 

Pain of Salvation 2014 (Live album):

 

Daniel Gildenlöw – vocais, guitarras

Ragnar Zolberg – guitarras, vocais

Daniel “D2” Karlsson – teclados

Gustaf Hielm – baixo, vocais

Léo Margarit – bateria, vocais

CD 1: 13 Faixas –  68:17

CD 2 – 13 Faixas – 74:29

Tracklist:

CD 1:

  1. Of Two Beginnings (Remix) (02:24)
  2. Ending Theme (Remix) (04:59)
  3. Fandango (Remix) (05:51)
  4. A Trace Of Blood (Remix) (08:17)
  5. This Heart Of Mine (I Pledge) (Remix) (04:00)
  6. Undertow (Remix) (04:47)
  7. Rope Ends (Remix) (07:02)
  8. Chain Sling (Remix) (03:58)
  9. Dryad Of The Woods (Remix) (04:55)
  10. Remedy Lane (Remix) (02:16)
  11. Waking Every God (Remix) (05:19)
  12. Second Love (Remix) (04:21)
  13. Beyond The Pale (Remix) (10:01)

CD 2:

  1. Remedy Lane (Live) (02:16)
  2. Of Two Beginnings (Live) (02:36)
  3. Ending Theme (Live) (05:33)
  4. Fandango (Live) (06:18)
  5. A Trace Of Blood (08:39)
  6. This Heart Of Mine (I Pledge) (Live) (04:27)
  7. Undertow (Live) (04:46)
  8. Rope Ends (Live) (07:12)
  9. Chain Sling (Live) (04:36)
  10. Dryad Of The Woods (Live) (06:54)
  11. Waking Every God (Live) (05:40)
  12. Second Love (Live) (04:52)
  13. Beyond The Pale (Live) (10:31)

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Resenha Maestrick – The Trick Side of Some Songs (2016)

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Quando a banda paulista Maestrick surgiu com seu primeiro disco, “Unpuzzle”, datado de 2011, já se tinha a convicção de estarmos diante de uma banda especial.

O álbum colecionou excelentes resenhas, tanto no Brasil quanto no exterior, sendo um dos grandes lançamentos do Rock/Metal Progressivo nacional desta década. E, mesmo após cinco anos de lançado, ainda continua a atrair novos fãs e a atenção da mídia para o trio.

E Fabio Caldeira (vocal e piano), Renato “Montanha” Somera (baixo e vocal) e Heitor Matos (bateria e percussão), nos brindam agora com outro grande petardo, o EP de Covers “The Trick Side Of Some Songs”, que presta uma homenagem a grandes bandas do passado, como Queen, The Beatles, Jethro Tull, Rainbow, Yes e Pink Floyd.

 

O mais louvável de tudo é que o Maestrick conseguiu unir a sonoridade consagrada destes gigantes e, sem descaracterizar as melodias originais, trazer as mesmas para uma roupagem mais atual.

Não há como destacar uma faixa em especial, pois todas brilham sozinhas, seja o medley inteligente do Yes, as duas e antagônicas músicas do Queen (e muito bem escolhidas, fugindo do óbvio) e suas inusitadas vocalizações, a suprema Aqualung do Jethro Tull e a ótima versão de While My Guitar Gently Weeps dos Beatles, que proporcionou belos solos de guitarra, beiram a perfeição. E ainda temos aqui a bônus Track “Rainbow Eyes (que foi transformada em vídeo). Sem contar a “versão” de Near-Brain Damage, que na verdade é uma pequena introdução com letra da própria banda.

 

O desempenho dos músicos aqui é impecável, sem qualquer tipo de critica. Mas seria injusto deixar de mencionar o soberbo trabalho de Fabio nas vozes, pois conseguir tal nível de desempenho tendo que cantar músicas de artistas do nível de um Freddie Mercury, Os Anderson’s Brothers (i’m just joking, folks) Ian e Jon, George Harrison e Dio, com toda certeza não é tarefa para qualquer um.

 

“The Trick Side Of Some Songs” é uma amostra que, mesmo um disco somente de covers pode ser tão original e importante quanto alguns álbuns de inéditas. Mas isso somente é possível quando, obviamente, o potencial da banda é muito acima do lugar comum. E esse é o caso do Maestrick, que com toda certeza logo estará brindando seus fãs com um novo disco, que fatalmente irá alçá-los ao seu devido e merecido lugar…

Nota: 9,0

Formação:

Fabio Caldeira (vocal e piano)

Renato “Montanha” Somera (baixo e vocal)

Heitor Matos (bateria e percussão)

Guitarras gravadas por Rubinho Silva

8 Faixas – 40:13

Tracklist:

1- Near-Brain Damage

2- Yes, It’s a Medley!

3- The Ogre Fellers Master March – Part I: The Battle

4- The Ogre Fellers Master March – Part II: The Fairy and The Black Queen

5- Aqualung

6- While My Guitar Gently Weeps

7- Near-Brain Damage (Reprise)

8- Rainbow Eyes (Bonus Track)

Resenha Saxorior – Saksen (2015)

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A resenha de hoje é referente ao novo disco da banda Saxorior. Não conhecem o trabalho dos caras ainda? Bom, vocês não são os únicos, visto que seus discos nunca chegaram a ser lançados no Brasil.

Porém, a banda já possui um longo tempo de estrada, pois estão na ativa desde  1994, tendo lançado nessas duas décadas de existência sete discos, sendo que este em questão, “Saksen”, é seu mais recente lançamento, tendo saído em 2015.

Logo de inicio dá para destacar a boa produção do álbum, sendo que todos os instrumentos são perfeitamente audíveis, o que deveria ser um principio básico de qualquer banda, mas que nem sempre acontece. E complementando a boa impressão, todas as letras estão no encarte tanto na língua alemã (que é a língua cantada) quanto em inglês, o que demonstra uma preocupação para que o ouvinte realmente entenda a mensagem da banda (se você não tiver fluência no alemão, obviamente).

É impossível deixar de destacar a fantástica faixa-título, com nove minutos de duração que passam num instante, onde a banda intercala peso com coros que encaixaram corretamente com a música. O mesmo acontecendo com a seguinte, “Litus Saxonicum”, com riffs inspirados, tanto de guitarra quanto nos teclados. “Blutbad Von Verden” e seus dez minutos de pura inspiração, com passagens mais calmas entrelaçadas com peso mais cadenciado. E ainda temos “Stellinga”, com grande trabalho de bateria e mais direta que as demais.

Sedento por novidades, principalmente quando se trata de bandas que investem num Black Metal mais melódico e sinfônico? Então não deixem de conferir o trabalho do Saxorior, que os mesmos mandam muito bem…

Nota: 8,5

Formação:

Eschi – Guitarra, Vocais

Kai – Guitarra, Vocais

Frank – Teclados

Thomas – Baixo

Andy – Bateria

 

8 Faixas – 51:44

Tracklist:

1. Hinreise 03:38
2. Saksen 09:15
3. Litus Saxonicum 06:56
4. Irminsul 05:21
5. Blutbad von Verden 10:44
6. Sax 04:45
7. Stellinga 06:21
8. Rückkehr 04:44

 

Resenha Nervosa – Agony (2016)

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Preparados para 12 músicas e 47 minutos de pura pancadaria, mas no mais alto nível? É Isso que te espera em “Agony”, novo disco do trio feminino Nervosa.

E a banda ultrapassou as fronteiras do Thrash Metal aqui, inserindo boas doses de Death Metal em todas as faixas, acrescentando assim ainda mais peso ao seu som característico.  É como se o Slayer se encontrasse com o Cannibal Corpse e resolvessem fazer uma jam session caprichada. Só ai já dá para se ter uma ideia do que encontrar em “Agony”.

Mas somente escutando a bolacha que se pode ter a verdadeira noção do que a banda aprontou. Praticamente elas não deixam um segundo sequer para o ouvinte respirar, fazendo a alegria dos mais afeitos a essa sonoridade. Já para aquele que não é um grande fã do Thrash Metal, não será este registro que irá mudar sua opinião.

Como grande destaque impossível deixar de citar faixas como a inicial “Arrogance”, que é o cartão de visitas perfeito para o que vão encontrar no disco. “Deception” e “Intolerance Means War” são exemplos perfeitos de como combinar velocidade e cadência, tudo isso com um peso acima do comum. “Hostages” mostrou ser a escolha adequada para figurar como o primeiro vídeo de “Agony” (link ao final da resenha), uma música poderosa. Jurei que “Cyberwar” seria um cover do Massacration, visto que seu inicio é muito similar a “Metal is the Law”, mas depois a música fica bem bacana, com um ritmo contagiante. E o encerramento é em grande nível com a ótima “Wayfarer”, onde Fernanda Lira mostra outros dotes vocais que casaram bem com a música em questão.

As letras versam em sua maioria para os tradicionais temas de bandas do estilo, com muitas criticas as mazelas sociais e demais formas de intolerância, porém algumas se sobressaem nesse sentido, como a ótima “Failed System” e a violentíssima faixa em português “Guerra Santa”, mostrando que a banda manda bem em ambos os idiomas.

Muitos tem certa implicância com o Nervosa, dizendo que trata-se de uma banda que desde seu principio tinha um cartaz maior do que merecia. Mas a verdade é que a banda sabe explorar de forma exemplar a publicidade (mídia) para trazer ainda mais fãs para o seu lado, e com shows já realizados em vários países e “Agony” saindo pela Napalm Records lá fora, mostra que o trio já é uma realidade consolidada do Metal nacional…

Nota: 8,5

Formação:

Prika Amaral – Guitarras, Vocais
Fernanda Lira – Vocais, Baixo
Pitchu Ferraz – Bateria

12 Faixas – 47:43

Tracklist:

  1. Arrogance
    2. Theory of Conspiracy
    3. Deception
    4. Intolerance Means War
    5. Guerra Santa
    6. Failed System
    7. Hostages
    8. Surrounded by Serpents
    9. Cyber War
    10. Hypocrisy
    11. Devastation
    12. Wayfarer

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Resenha All to Get Her – Red Carpet – EP (2016)

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Esse é o típico caso de informação errônea na hora de divulgar uma banda.

Falo isso pois, quando recebi este EP, o primeiro lançamento da banda suíça All to Get Her, havia a informação que a mesma tratava-se de uma banda de Punk Rock que estava estourando nas rádios, apesar de serem uma banda relativamente jovem (formada em 2011).

O erro é considerar o quarteto suíço uma banda Punk, pois até mesmo a alcunha de Pop Punk chega a ser uma temeridade, pois o que realmente fazem é um rock comercial (com muita ênfase no comercial), como vemos em tantas bandas, principalmente as americanas. Até por que, atualmente, as palavras “Punk Rock” e “estourando nas rádios” não combinam de maneira alguma.

Isso não quer dizer que se trata de uma banda ruim, pois no estilo que se propõem a fazer não fazem feio com relação a bandas mais consagradas. Ou seja, temos muita melodia, pseudo peso nas canções, e todas as músicas parecem moldadas para execução imediata nas rádios. Dá para destacar faixas como “Are You Done Now”, a totalmente Green Day “Party on the Moon”, e a mais enérgica “Whiskey and WIne”.

De qualquer maneira, se você gostar do estilo citado, ou tem uma mente mais aberta para outras sonoridades, vale a pena dar uma conferida no som dos caras. Mas não esperem encontrar nada de novo ou diferente do que iria ver numa MTV da vida (isso após as 23 horas de Pop/Hip Hop/Rap descartáveis diárias).

Formação:

Silly Truniger – Bateria
Andy Viciconte – Vocal/Guitarra
Edi Duft – Baixo
Tom Ebnöther – Guitarra

Nota: 6,0

Tracklist:

01 Introduction To Red Carpet

02 Red Carpet

03 Are You Done Now

04 Beautiful Goodbye

05 Party On The Moon

06 Whiskey And Wine

 

Resenha Ayreon – The Theater Equation CD/DVD (2016)

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E eis que surge o primeiro DVD oficial do Ayreon, “The Theater Equation”. E a banda/projeto de Arjen Lucassen resolveu estrear em alto nível, numa produção espetacular em vídeo do show realizado na Holanda em Setembro de 2015.

 

Tocando na integra um dos seus grandes sucessos, o álbum “The Human Equation” de 2004, esse CD/DVD é a comprovação de que o Ayreon é o melhor projeto de Rock/Metal dos últimos anos, principalmente se você for um fã incondicional do Rock Progressivo. E finalmente o mesmo foi levado a um grande show, com toda a produção que merece.

 

E “The Theater Equation” se aproxima muito mais de um musical da Broadway do que exatamente de um show de Metal. Com uma dezena de vocalistas, uma banda contando com nove integrantes, uma serie de Backing Vocals e um elenco de apoio, além de um cenário que leva a todas as etapas da vida do personagem principal, ficamos com a sensação de assistirmos um teatro com uma trilha sonora espetacular. E o público que compareceu a esta apresentação entendeu bem a mensagem transmitida, e assim soube apreciar o material aqui apresentado da maneira adequada.

 

A banda escalada para executar as músicas foi escolhida a dedo, fazendo com que as mesmas tenham a mesma intensidade e qualidade que quando executadas pelo faz-tudo Arjen Lucassen no disco em questão. E os vocalistas realizaram um trabalho estupendo, inclusive James Labrie, que muitas vezes é tão criticado em alguns shows do Dream Theater, mas que, livre das amarras de sua banda, tem um desempenho acima da critica nesta apresentação.

 

Preparados para uma viagem rumo a psique moribunda de um ser humano, passando por todas as etapas de sua vida? Podem embarcar sem medo de errar. Altamente recomendado…

Nota: 9,0

Elenco:

Do disco original:

 

James Labrie – Eu

Marcela Bovio – Esposa

Magnus Ekwall – Orgulho

Irene Jansen – Paixão

Heather Findlay – Amor

Eric Clayton – Razão

Devon Graves – Agonia

Substitutos:

Anneke van Giersbergen – Medo (originalmente Mikael Akerfeldt)

Jermain ‘Wudstik’ van der Bogt – Melhor Amigo (originalmente Arjen Lucassen)

Mike Mills as Ódio / Pai (Originalmente Devin Townsend e Mike Baker, respectivamente)

 

Banda:

Ed Warby – Bateria

Johan van Stratum – Baixo

Marcel Coenen – Guitarra

Freek Gielen – Guitarra

Erik van Ittersum – Teclados

Ruben Wijga – Teclados

Jeroen Goossens – Flautas e Sopros

Ben Mathot – Violino

Maaike Peterse – Cello

 

 

28 Faixas –108:36

Tracklist:

1.Day one: Vigil (live in Rotterdam in September 2015)

2.Day two: Isolation (live in Rotterdam in September 2015)

3.Day three: Pain (live in Rotterdam in September 2015)

4.Day four: Mystery (live in Rotterdam in September 2015)

5.Day five: Voices (live in Rotterdam in September 2015)

6.Reprise Pain 1 (live in Rotterdam in September 2015)

7.Day six: Childhood (live in Rotterdam in September 2015)

8.Day seven: Hope (live in Rotterdam in September 2015)

9.Day eight: School (live in Rotterdam in September 2015)

10.Reprise Childhood (live in Rotterdam in September 2015)

11.Day nine: Playground (live in Rotterdam in September 2015)

12.Day ten: Memories (live in Rotterdam in September 2015)

13.Reprise Pain 2 (live in Rotterdam in September 2015)

14.Day eleven: Love (live in Rotterdam in September 2015)

15.Day twelve: Trauma (live in Rotterdam in September 2015)

16.Day thirteen: Sign (live in Rotterdam in September 2015)

17.Day fourteen: Pride (live in Rotterdam in September 2015)

18.Reprise Vigil (live in Rotterdam in September 2015)

19.Day fifteen: Betrayal (live in Rotterdam in September 2015)

20.Reprise School (live in Rotterdam in September 2015)

21.Day sixteen: Loser (live in Rotterdam in September 2015)

22.Day seventeen: Accident? (live in Rotterdam in September 2015)

23.Reprise Pain3 (live in Rotterdam in September 2015)

24.Day eighteen: Realization (live in Rotterdam in September 2015)

25.Reprise Trauma (live in Rotterdam in September 2015)

26.Day nineteen: Disclosure (live in Rotterdam in September 2015)

27.Day twenty: Confrontation (live in Rotterdam in September 2015)

28.Dream Sequencer System Offline (live in Rotterdam in September 2015)

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Bifrost – Mana Ewah (2016)

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Um breve relato da história do Bifrost: Trata-se de uma banda austríaca de Pagan/Folk Metal, tendo sido fundada em 2005. Com quatro discos lançados em sua discografia, “Mana Ewah” é o seu mais recente, lançado em Fevereiro deste ano.

E a saga do quinteto originário da Áustria continua, em um álbum forte, que veio para consolidar seu nome e fazer com que os mesmos possam vir a ultrapassar fronteiras com sua música. Com toda certeza “Mana Ewah” é a prova de que a banda atingiu sua maturidade, pois possui momentos dignos de nota, principalmente se você for um fã do Pagan/Folk Metal.

E não se deixem enganar com o inicio acústico de “Himmelsfall”, pois a mesma possui uma agressividade absurda, uma faixa que inicia o disco rasgando tudo, principalmente nos violentíssimos vocais. Em algumas músicas o Folk chega a falar mais alto, como em “Verräters Geschick” e “Eine Neue Zeit”. A banda lança mão igualmente de doses certeiras do Metal mais tradicional, o que acarretou em músicas empolgantes como “Mana Ewah” e “In Todes Angesicht” (essa a mais legal do disco, com riffs e melodias de guitarra matadores).

A capa e a própria produção do disco são simples, não trazendo nenhuma novidade, mas que acabam por fazer o simples de forma correta, algo em que muitas bandas erram a mão, polindo ou tornando a sonoridade suja e abafada ao extremo. “Mana Ewah” é um bom convite para quem quiser conhecer mais sobre esta banda que demonstra poder de fogo acima da média. Procura por novidades? Dê uma boa chance ao Bifrost e não irá se arrepender…

Nota: 8,5

Formação:

Matthias van Matterhorn- Guitarra, Teclados

Severni Veter – Bateria

Nordolf – Guitarra

Ragnar            – Vocais

Mario – Baixo

 

7 Faixas – 41:05

Tracklist:

  1. Himmelsfall 06:12
  2. Verräters Geschick 06:01
  3. Mana Ewah 05:07
  4. Waffenbruder Niedergang 04:55
  5. Gesichter des Todes 07:00
  6. Tobendes Herz 05:31
  7. Ohne Euch 06:19

Resenha Canilive – Psychosomatic Schizophrenia (2016)

1452795627O Canilive surgiu no Rio de Janeiro há exatamente 10 anos, e passaram por aqueles contratempos que quase todas nossas bandas enfrentam, o que inclusive ocasionou um hiato em suas atividades. Mas que enfim lançam seu EP de estréia, “Psychosomatic Schizophrenia”, onde já de cara dá para destacar a bela capa, condizente com as letras contidas no álbum.

E temos aqui todos os predicados que fazem a alegria dos fãs do Death Metal. Riffs e bateria absurdamente pesados, criando um clima perfeito para o pesadelo sonoro que o quinteto mostra para seus aficionados. As faixas em si são bem uniformes, sendo difícil escolher maiores destaques, mas a pesadíssima “The Celebration of Ignorance” ficou perfeita, sem dever nada as grandes bandas do estilo, mostrando o caminho a ser seguido pela banda.

O vocal de Gustavo Moreira também é um dos destaques, passeando pelo gutural e o rasgado da forma correta, parecendo em alguns momentos com  Glen Benton e Chris Barnes. Só que justamente um dos destaques acaba sendo o maior senão de “Psychosomatic Schizophrenia”, pois o mesmo às vezes exagera no chamado Pig Squeal, o que acabou por deixar a audição do EP em alguns momentos um pouco cansativo, principalmente na faixa “Modification”, onde inclusive achei que um grilo havia entrado no cd player…

Tirando esse detalhe, que é facilmente corrigível, os próximos passos do Canilive devem ser observados com toda atenção, pois potencial para constar nas fileiras do Brutal Death Metal nacional os mesmos possuem. Mas é mais recomendado para os verdadeiros fãs do estilo.

Nota: 7,5

Formação:

Gustavo Moreira – vocal

Raphael Dizus – guitarra

Alcindo Neto – guitarra

Caio Planinschek – baixo

Alberto Armada – bateria

 

5 Faixas – 17:25

Tracklist:

01.The Posthumous State Of Mind
02. The March For Excellence
03. The Celebration Of Ignorance
04. Witnessing Your Fall
05. Modification (Bônus)

Resenha Rainbow – Live Boston 81

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Na onda de relançamentos ou de grandes concertos que finalmente vêem a luz do dia com a qualidade apropriada, eis que surge este registro ao vivo da grande banda de Ritchie Blackmore, cujo nome já entrega de antemão a data e o local da apresentação.

Minha fase preferida (e creio eu da grande maioria dos fãs da banda) é com o insubstituível Dio nos vocais, mas acredito que Joe Lynn Turner talvez seja um dos vocalistas mais injustiçados do Rock, pois sempre teve que segurar a bronca de substituir vocalistas sensacionais e que marcaram seus nomes e sonoridades nas bandas, e nunca fez feio, pelo contrario. E seu vocal totalmente Hard Rock está estupendo nesse show em questão.

Juntamente a Turner e Blackmore, completavam na época o Rainbow outro super trio: O tecladista Don Alrey, o baixista Roger Glover e o baterista Bobby Rondinelli. Ou seja, não é a toa que o resultado alcançado neste disco foi de tal qualidade, pois a banda toda era completa de músicos mais que competentes.

E aqui não faltam os tradicionais clássicos como “Man on the Silver Mountain”, “Long Live Rock n’ Roll” e “Catch A Rainbow” (em uma longuíssima versão com mais de 14 minutos). Como a banda estava na época divulgando seu quinto álbum, “Difficult to Cure”, temos quatro musicas do disco, “Spotlight Kid”, “I Surrender”, “Can`t Happen Here” e a instrumental faixa-título (uma boa dose de estilo e peso na obra de Ludwig Van Beethoven). A baladinha “Love`s No Friend” ficou perfeita na voz de Turner, e o disco fecha com a sempre onipresente “Smoke on the Water”. Alguns anos depois Blackmore, Glover e Turner estariam tocando juntos em uma nova fase do Deep Purple, mas isso é assunto para outro momento.

Faz muitos anos que o mestre Blackmore largou o estilo e as guitarras elétricas para enveredar num gênero musical completamente diferente (mas igualmente bem sucedido), mas é sempre um prazer ouvir tal material e com a qualidade apresentada neste “Boston 1981”. Imprescindível para todos os amantes da boa música.

 

Nota: 9,0

10 Faixas – 64:52

Tracklist:

1.Spotlight Kid
2. Love’s No Friend
3. I Surrender
4. Man On The Silver Mountain
5. Catch The Rainbow
6. Can’t Happen Here
7. Lost In Hollywood
8. Difficult To Cure
9. Long Live Rock N’ Roll
10. Smoke On The Water

Resenha Hagbard – Rise of the Sea King (2013)

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Hagbard - Rise of The Sea King (2013)

Após uma Demo (Warrior’s Legacy) e um Single (Lost in the Highlands), a banda mineira Hagbard lançou, em 2013 este que é seu primeiro disco, “Rise of the Sea King”, e isso já foi o suficiente para colocá-los no mais alto patamar do Folk Metal nacional, ao lado de grandes nomes como Tuatha de Danann e Lothloryen.

Mas, apesar do estilo claramente Folk, a verdade é que as letras da banda neste disco têm uma forte tendência Viking Metal. Ou seja, podem se preparar para muita batalha, honra, e chãos cobertos com o sangue dos inimigos. E a própria temática faz com que tenhamos aqui menos alegria e mais peso, diferentemente de muitas bandas Folks da atualidade. Há de se destacar igualmente a grande capa do disco, que passa exatamente o que a banda tentar passar nas letras contidas aqui.

“Rise of the Sea King” tem todos os predicados do estilo: Uma intro instrumental (Eulogy Of Ancient Times), duas belas baladas (“Mystical Land”, mais voltada para os violões, e Hidden Tears com os belíssimos vocais de Vitoria Vasconcelos). A música que mais poderia se aproximar de um clima mais festivo seria “Until the End of Day”, que encerra o disco.

As demais são uma mescla de peso e boas doses de melodia, sendo que o vocal de Igor Rhein se parecem em alguns momentos com os de Tomi Koivusaari do Amorphis, no já celebre “Tales From the Thousand Lakes”. Destaque para a pesada e épica “Warrior’s Legacy”, para aquelas faixas que parecem ter nascido para serem executadas ao vivo com todo mundo cantando junto no coro (alguém viu o Blind Guardian ai?) “March of Glory”, para a arrastada e com resquícios Doom “Berserker’s Requiem” e para a que melhor soube unir guitarras pesadas e acústicas “Dethroned Tyrant”, que ainda possui um solo de guitarra animal.

Como a banda está prestes a lançar “Vortex to an Iron Age”, seu segundo álbum, o mesmo tem a missão de suplantar, ou ao menos igualar o bom resultado deste “Rise of the Sea King”, para firmar de vez seu nome no Folk, tanto nacional quanto internacional, pois os mesmos já demonstraram ter potencial para alçar vôos mais altos…

Nota: 8,5

Formação:

Igor Rhein nos vocais
Tiago Gonçalves e Danilo “Marreta” nas guitarras
Gabriel Soares nos Teclados e Flautas
Everton Moreira na Bateria
Rômulo Sancho no Baixo

10 Faixas – 37:13

Tracklist:

01.Eulogy Of Ancient Times
02. Warrior’s Legacy
03. Berserker’s Requiem
04. Mystical Land
05. Let Us Bring Something For Bards To Sing
06. Sail To War
07. March To Glory
08. Hidden Tears
09. Dethroned Tyrant
10. Until The End Of Day

Resenha Munarheim/Aethernaeum -Split (2015)

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Há poucos dias havia comentado que normalmente não fazia resenhas de Split. Bom, isso parece ter mudado, já que, após o excelente Split com as bandas Chaos Synopsis/Terrordome, eis que surge, direto da Alemanha, um novo álbum, desta vez com as bandas Munarheim e Aethernaeum.

O primeiro “lado” da bolacha fica por conta da banda Munarheim, que está na ativa desde 2007 e possui dois full lenght em sua carreira, além de uma série de Eps e este Split em questão. E na verdade trata-se de uma big band, pois são nada mais nada menos que oito integrantes. Tudo o que pede uma banda de Symphonic Folk Metal com algumas nuances de Black Metal.

As quatro faixas da banda são, de certa forma, bem uniformes, e o lado sinfônico do grupo faz um estilo quase épico, tendo uma participação importante na sonoridade deles. Mas é possível pinçar bons momentos, como na ótima faixa de abertura, “Stolzes Wesen Mensch”, que possui boas melodias, enquanto “Leben” possui belos coros e vocalizações, em meio a partes mais acústicas que casaram muito bem. E para encerrar sua parte, a pesada “Ruhelos”, que soa mais agressiva, mas sem perder o lado sinfônico/épico das faixas anteriores.

Nota:3,5/5,0

Já a segunda metade fica por conta do Aethernaeum, banda mais recente (formada em 2013) e cujo Folk/Black Metal tem um lado mais atmosférico bem acentuado, parecendo às vezes uma versão mais pesado do Lacrimosa (impressão essa muito em virtude das músicas serem cantadas na língua alemã).

E dizer que o Aethernaeum ocupa a segunda metade do disco é somente uma maneira de falar, já que dos 57 minutos do disco, a banda é responsável por 40 minutos. 40 minutos bem aproveitados, diga-se de passagem. Principalmente na primeira música deles, “Heimreise”, que possui riffs empolgantes de guitarra, principalmente no refrão, e durante seus 11 minutos de duração lança mão de todos os predicados que o estilo exige. “Die Stimme der Wildnis” é mais pesada, com vocais rasgados como manda a cartilha do Black, mas sem esquecer a melodia. E “Auf den Nebelfeldern” também é arrastada, com boas variações durante sua execução, indo do Black para o atmosférico com naturalidade. O único senão aqui seria a gravação, que ficou um pouco abafada, mas nada que tire a sensação de um trabalho bem realizado

Nota: 4,0/5,0

O saldo final deste Split é até surpreendente, pois as músicas escolhidas pelas bandas são de alto nível e a gravação em geral contribui para o bom resultado final. Uma boa maneira de conhecer novos artistas que demonstram potencial para alçar vôos maiores…

Nota:7,5

8 Faixas – 57:08

Tracklist:

1. Munarheim Stolzes Wesen Mensch 4:14
2. Munarheim Leben 4:10
3. Munarheim Liberté 4:08
4. Munarheim Ruhelos 5:01
5. Aethernaeum Heimreise 11:39
6. Aethernaeum Die Stimme Der Wildnis (Edit) 7:05
7. Aethernaeum Auf Den Nebelfeldern 11:42
8. Aethernaeum Transzendenz 9:09

 

Resenha Lacuna Coil – Delirium (2016)

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A primeira impressão que tive ao escutar os primeiros momentos deste disco foi que haviam enviado o álbum trocado para mim, pois isso não era Lacuna Coil que estava tocando. Foi somente após entrar a voz da Cristina que tive a certeza que realmente era o novo disco do grupo italiano.

A explicação disso é que a faixa em questão, “The House of Shame”, possui uma agressividade atípica a banda, inclusive com vocais mais guturais do vocalista Andrea Ferro. Ninguém precisa se assustar, que o Lacuna Coil não decidiu de repente se tornar uma banda de Death Metal, até por que a tradicional veia mais alternativa e melódica da banda aparece com frequência durante “Delirium”, mas sem dúvida a banda resolveu lançar um dos seus álbuns mais pesados neste ano.

E a sonoridade casou perfeitamente com a proposta lírico-temática do disco, onde a loucura (ou delírio) prevalece. Tudo capitaneado pelo agora faz (quase) tudo Marco “Maki” Coti-Zelati, atualmente guitarrista, baixista e tecladista da banda. Claro que a frente da banda continua a bela Cristina Scabbia, mas neste novo álbum Andrea Ferro ganhou uma importância e participação muito maior que em álbuns anteriores.

Juntamente com a pesada e já citada faixa de abertura, temos aqui como destaques a igualmente pesada “Broken Things” e um bom trabalho de Andrea, “Downfall” tem um lado comercial muito forte, e possui a participação de Miles Kennedy na guitarra (normalmente mais conhecido como o vocalista da banda do Slash). “Take me Home” tem tudo haver com a proposta do disco, onde a loucura fala mais alto. “Ghost in the Mist” se tornou a minha preferida aqui, uma música com ritmo contagiante, excelentes vocais de Cristina e melodias muito bem encaixadas, sem deixar de lado o lado mais pesado encontrado em momentos anteriores. Outras faixas investem naquele estilo mais tradicional do Lacuna Coil, como “You Love Me ‘Cause I Hate You”, “My Demons” e “Claustrophobia”, estas duas últimas  contando com breves, porém bacanas solos de guitarra. E “Ultima Ratio” é o encerramento perfeito para um disco que passeia pelas nuances da psique (loucura) humana.

Algumas faixas acabam cansando um pouco, como a própria faixa-título, que exagera um pouco na repetição, enquanto que “Blood, Tears, Dust” é pesada, possui alguns momentos bacanas, mas exagera em alguns efeitos sonoros que aproximam a mesma muito do New Metal.

 

Sendo “Delirium” um disco mais variado do que normalmente encontramos no Lacuna Coil, o saldo final é positivo. Assim como é positivo constatar que o agora quarteto italiano está em um momento criativo (e ativo) acima da média, lançando álbuns de dois em dois anos sem que os mesmos soem descartáveis. Vale a pena uma conferida, mesmo que você não venha a ser um grande fã do Lacuna Coil.

 

Nota: 8,5

Formação:

 Cristina Scabbia – vocais

Andrea Ferro – vocais

Marco “Maki” Coti-Zelati – guitarras, baixo e teclados

Ryan Blake Folden – Bateria

 

11 Faixas – 44:52

Tracklist:

1. The House Of Shame (5:17)

2. Broken Things (3:59)

3. Delirium (3:16)

4. Blood, Tears, Dust (3:55)

5. Downfall (4:21)

6. Take Me Home (3:45)

7. You Love Me ‘Cause I Hate You (3:49)

8. Ghost In The Mist (4:14)

9. My Demons (3:56)

10. Claustrophobia (4:08)

11. Ultima Ratio (4:08)

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Candlemass – Death Thy Lover – EP (2016)

 

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O Candlemass faz parte daquele seleto grupo de bandas que, como o Iron Maiden, Ramones e AC/DC, já sabemos de antemão o que encontrar em seus álbuns, e mesmo assim tudo soa muito legal. O Doom/Epic Metal da banda praticamente não sofreu alterações desde os primórdios da banda há mais de trinta anos, e mesmo assim escutar um disco da banda sempre é satisfação garantida.

E o mesmo acontece neste EP, “Death Thy Lover” que mesmo com apenas 4 faixas, apresenta tudo que a banda tem a oferecer: Riffs pesados a profusão, arrastados e até mesmo ganchudos, vocais poderosos e belos solos de guitarra. Sem sombra de dúvida que o quinteto formado por Mats Leven – Vocal, Leif Edling – Baixo, Mats Bjorkman – Guitarra, Jan Lindh – Bateria, Lars Johansson – Guitarra está em uma fase promissora em se tratando das composições.

O EP começa com a faixa-título, música com riffs e refrão marcantes, uma marca registrada da banda sueca, mostrando assim ser a escolha perfeita para ser a abertura do disco. E o peso parece duplicar com “Sleeping Giant”, que também conta com belo riffs e solos de guitarra. “Sinister n’ Sweet” começa de forma calma, dando a impressão de ser uma espécie de baladinha, mas que trata-se de mais uma música forte, carregada de melodias Doom Metal e outro bom trabalho de Mats Leven nos vocais. O encerramento fica por conta da instrumental “The Goose”, que mantém o pique lá em cima e não soa pedante, mesmo não trazendo maiores novidades.

Em suma, aqui todos encontrarão mais do mesmo. E mesmo assim soa genial, principalmente se você for um fã da banda como eu…

Nota: 8,5

Formação:

Mats Leven – Vocal

Leif Edling – Baixo

Mats Bjorkman – Guitarra

Jan Lindh – Bateria

Lars Johansson – Guitarra

4 Faixas – 26:04

Tracklist:

1.Death Thy Lover
2.Sleeping Giant
3. Sinister N Sweet
4. The Goose

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Resenha Terrordome/Chaos Synopsis (Split) – Intoxicunts (2016)

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Devo confessar que talvez este seja o primeiro Split que venho a resenhar após estes anos todos, mas por uma boa razão, este é daqueles álbuns que vale a pena abrir uma exceção.

Isso que, apesar de serem considerados em parte bandas de Thrash Metal, os estilos dos poloneses do Terrordome e dos brasileiros do Chaos Synopsis não são exatamente parecidos. Enquanto o Terrordome investe em uma sonoridade mais voltada para o Crossover, o Chaos complementa seu Thrash com boas doses de Death Metal. Com isso é de fácil percepção quando uma termina e a seguinte começa.

Pelo lado do Terrordome, se você parar para respirar, pode correr o risco de não perceber que já se passaram as três primeiras faixas, visto que as mesmas possuem menos de dois minutos de duração. Com isso a instrumental “Reflux”, a veloz e politicamente incorreta “Polidics”, e “Nothing Else Fuckers”, que parece uma mistura de Napalm Death com Destruction e que possui em sua metade riffs descaradamente chupados de Master of Puppets (mas não sem razão, visto que a letra provavelmente irritará muitos fãs do Metallica), passam em um piscar de olhos. Ainda temos aqui o cover de The Hood (Evildead), que ficou com certo ar de Slayer, e fecha com “Beerbong Party”, música onde o lado Crossover da banda soa mais forte.

Nota:3,5/5.0

Mas o bicho pega fogo quando surgem os primeiros riffs de “Serpent of the Nile”, música que mantém a essência do Chaos Synopsis com riffs e bateria pesadíssimos, investindo muito mais no peso que na velocidade. “Fire on Babylon” puxa ainda mais para o lado Death Metal, com riffs típicos do estilo. E termina sua parte com um cover de “Damage Inc.” do celebre Master of Puppets, onde acrescentaram uma bela dose de peso em uma das músicas que já era das mais pesadas do Metallica. Chega até a ser engraçado, enquanto uma banda claramente critica de forma incisiva o Metallica, a outra presta uma justa homenagem com um cover a altura do original.

Nota:4,5/5.0

No final das contas, está mais que claro que este split é uma união de forças entre Polônia e Brasil. Mas se isso fosse uma disputa, não temeria dizer, mesmo soando “bairrista”, que o Brasil é o verdadeiro vencedor.

Nota:8,0

 

8 Faixas – 22:13

Tracklist:

1.Reflux – Terrordome
2. Polidics – Terrordome
3. Nothing Else Fuckers – Terrordome
4. The ‘Hood (Evildead cover) – Terrordome
5. Beerbong Party – Terrordome
6. Serpent of the Nile – Chaos Synopsis
7. Fire on Babylon – Chaos Synopsis
8. Damage Inc. (Metallica cover) – Chaos Synopsis

 

Resenha Otep – Generation Doom (2016)

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O Otep está na ativa desde 2000, e desde então já havia lançado seis discos, sendo o ultimo “Hydra”, no ano de 2013. E eis que agora em 2016 surge o sétimo petardo da banda americana “Generation Doom”, que mantém o nível já encontrado nos discos anteriores.

A sonoridade da banda continua bastante enraizada no New Metal, com certas particularidades encontradas em quase todas as bandas americanas do estilo. Com isso podemos ouvir facilmente trechos de Nu Metal e até alguns resquícios de Hip-Hop/Rap em determinadas canções. Ou seja, tudo que causa ojeriza na grande maioria dos puristas.

O grande trunfo da banda é justamente seu grande problema. Todas as músicas são guiadas pela vocalista Otep Shamaya. Ou seja, não espere ouvir solos, riffs inspirados ou muitas variações nas músicas, tudo parece um simples som de fundo para as vocalizações da cantora, que muitas vezes parece uma versão feminina de Mike Patton (antes que surjam tochas e forcados, não estou comparando história nem qualidade).

E aqui temos as tradicionais músicas “a Lot of Fucks” como “Zero”, Feeding Frenzy” e a pesada faixa-título “Generation Doom’. Temos também a blasfema “God is a Gun” (you’re just a myth/ you don’t exist) e a explicitamente sexual “Equal Rights, Equal Lefts” ( com o meigo trecho “I’ll always get more pussy than you”).

 

Algumas faixas se sobressaem, principalmente quando acrescentam mais melodia e variações durante sua execução, como em “In Cold Blood”, “No Color” e “Lie”, sendo que essas faixas possuem forte apelo comercial. Também temos aqui o cover do Lorde, “Royals”, que não trouxe grande novidade em sua execução, e “Lords of War” possui os tradicionais breakdowns em seu refrão.”On the Shore” encerra o álbum de forma mais calma, de certa forma parecido com o que o Walls of Jericho fez em seu mais recente disco.

 

Enfim, “Generation Doom” não irá mudar a opinião já formada de quem conhece o (a) Otep. Alguns continuaram considerando genial, enquanto outros continuaram dando de ombros e achando irrelevante. Tudo é uma simples questão de ponto de vista…

 

Nota:7,5

Formação:

Otep Shamaya – vocais

Ari Mihalopoulos – guitarra

Corey Wolford – baixo

Justin Kier – bateria

 

12 Faixas- 55:01

Tracklist:

01.Zero
02.Feeding Frenzy
03. Lords Of War
04. Royals (LORDE cover)
05. In Cold Blood
06. Down
07. God Is A Gun
08. Equal Rights, Equal Lefts
09. No Color
10. Lie
11. Generation Doom
12. On The Shore
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Resenha Spiritual Beggars – Sunrise to Sundown (2016)

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O Spiritual Beggars é realmente uma banda/projeto diferente. Afinal, já são 22 anos desde o lançamento do Debut auto intitulado, e desde então foram 9 discos lançados, contando com este novo registro “Sunrise To Sundown”, que acaba de ver a luz do dia.

 

Considero o Spiritual Beggars a “mais famosa banda desconhecida do mundo”. E indubitavelmente é uma das mais legais em atividade no momento nascidas na década de 90. Capitaneadas pelo Guitar Michael Amott (Arch Enemy, Ex-Carcass) e o batera Ludwig Witt, além do sempre fiel escudeiro de Michael, Sharlee D’ Angelo (Arch Enemy, Ex-Mercyful Fate) no baixo, temos aqui o tecladista de longa data (desde 1998) Per Wiberg além do mais recente vocal Apollo Papathanasio (desde 2010 no Spiritual Beggars), este quinteto nos brinda com um grande trabalho em “Sunrise to Sundown”.

 

Se a banda sempre teve um lado Stoner muito forte, neste mais recente álbum isso mudou um pouco. Esse estilo continua fortemente enraizado no som deles, mas aqui o Hard/Classic Rock é uma presença constante, o que faz de “Sunrise to Sundown” um deleite para fãs de Deep Purple, Rainbow, Dio, Whitesnake e tantos outros.

 

O disco começa bem Stoner com a faixa-titulo, com riff marcante, mostrando ter sido uma ótima escolha para abertura. “Diamonds Under Pressure” tem um teclado bem ao estilo Deep Purple (até com uma semelhança em certos momentos com “Perfect Strangers”). “What Doesn’t Kill You” é mais rápida e pesada, mas com um refrão muito legal, e um grande “duelo” nos solos de guitarra e teclado, enquanto “Hard Road” é puro Hard Rock. A batida marcante inicial de “Still Hunter” mostra que temos ali outro Rockão dos bons. Já em “No Man’s Land” parece que Apollo resolveu incorporar Coverdale, tal a similaridade de sua voz com o eterno Whitesnake, e possui uma mudança de estilo interessante em sua metade, além de um solo matador de Amott.

 

“I Turn to Stone” possui algumas peculiaridades diferentes, com suas batidas tribais em contraste com a veia mais melódica da mesma, enquanto o peso retorna em “Dark Light Child”, guiada pela guitarra. “Lonely Freedom” tem um clima bem retro, até mesmo na sonoridade dos instrumentos e gravação, além de outro brilhante solo de Amott. “You’ve Been Fooled” vai na mesma linha, além de um refrão mais marcante, e “Southern Star” marca o fim do álbum em grande estilo, um Rock classudo com final emocionante.

 

Para finalizar, não há muito mais o que dizer sobre “Sunrise to Sundown”, além de que o mesmo já tem aquele lugar reservado nos álbuns mais interessantes lançados em 2016. Podem conferir sem receio algum de errar, a não ser que alguém espere ver algum resquício de Arch Enemy aqui, se assim o for, vieram ao lugar errado com toda certeza…

 

 

 

Nota: 9,0

Formação:

Michael Amott – Guitarras

Apollo Papathanasio – Vocais

Sharlee D’ Angelo – Baixo

Per Wiberg – Teclados

Ludwig Witt – Bateria

 

11 Faixas – 47:08

Tracklist:

  1. Sunrise To Sundown
  2. Diamond Under Pressure
  3. What doesn’t kill you
  4. Hard Road
  5. Still Hunter
  6. No Man’s Land
  7. I Turn To Stone
  8. Dark Light Child
  9. Lonely Freedom
  10. You’ve Been Fooled
  11. Southern Star

 

Resenha Walls of Jericho – No One Can Save You From Yourself (2016)

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E eis que os veteranos americanos do Metalcore retornam com seu novo disco “No One Can Save You From Yourself”, quinto álbum de sua carreira de quase duas décadas de existência. E após um hiato de oito anos do anterior “The American Dream”. E, após todo esse tempo, a banda tenta recuperar o terreno perdido com um disco forte e enérgico com uma ótima produção. E a capa, apesar de simples, ficou bem bacana, um ponto a favor para o quinteto.

Um dos maiores problemas do Metalcore foi que o estilo sempre pareceu se dar melhor ao vivo que em estúdio, visto que muitas faixas não diferem muito uma das outras, e isso ocorre novamente em “No One Can Save You From Yourself”, mesmo com toda a experiência acumulada de todos esses anos de carreira do Walls of Jericho. Isso não quer dizer que trata-se de um disco ruim, longe disso, mas para um ouvinte ocasional o mesmo pode se tornar enfadonho em certo momento.

O trabalho individual dos músicos aqui é digno de nota, pois temos riffs inspirados a profusão, Dustin Schoenhofer fez um trabalho fantástico na bateria, e Candace continua cantando com a mesma intensidade e fúria de sempre. Mas em um disco uniforme como este, são justamente aquelas faixas que saem do lugar comum que se destacam.

Podemos citar assim “Fight the Good Fight” e “Anthem” que possuem um certo apelo comercial pela sua estrutura e melodias mais grudentas. A fúria e rapidez contidas em “No One Can Save You From Yourself”, a ótima e contagiante “Cutbird” (na minha opinião a melhor música do álbum), o clima criado por “Reign Supreme”  e a música que fecha o disco, “Probably Will”, onde Candace canta com sua voz limpa, uma faixa mais calma que as demais.

Para os fãs do Metalcore, o Walls of Jericho os presenteou com mais um grande trabalho, e a qualidade dos músicos é facilmente perceptível durante as 13 faixas que compõem “No One Can Save You From Yourself”, mas é inegável que esse álbum não será aquele que irá mudar a opinião daqueles que não gostam do estilo. Indicado aos fãs…

Nota: 8,0

Formação:

Candace Kucsulain – Vocals
Mike Hasty – Guitarra
Aaron Ruby – Baixo
Chris Rawson – Guitarra
Dustin Schoenhofer – Bateria
13 Faixas –41:45

Tracklist:

01.Intro
02.Illusion Of Safety
03. No One Can Save You From Yourself
04. Forever Militant
05. Fight The Good Fight
06. Cutbird
07. Relentless
08. Damage Done
09. Reign Supreme
10. Wrapped In Violence
11. Anthem
12. Beyond All Praise
13. Probably Will

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Resenha Oceans Of Slumber – Winter (2016)

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O Oceans of Slumber “nasceu” no Texas em 2011, apesar dos membros da banda já se conhecerem muito antes da formação do grupo. E o sexteto americano está soltando agora no mês de Março seu segundo álbum, de nome “Winter”, que no principio pode dar a errônea impressão de ser um clássico exemplo de Gothic Metal, mas cujo estilo também é muito calcado no Progressivo e até mesmo alguns toques de New Metal. Ou seja, não se enganem ao imaginarem ser somente mais uma banda gótica.

 

E é tão bom ver algo que, num mundo ideal ou mesmo normal, nem precisaria ser citado. Em meio a tantas divas escandinavas com peles tão alvas que chegam a ser transparentes, ver uma bela representante da raça negra fazendo um trabalho sensacional como o realizado aqui por Cammie Gilbert é de encher os olhos (e ouvidos).

 

Falando das músicas em si, tudo começa com a faixa-titulo “Winter”, que mostra ser o cartão de visitas ideal da banda, onde demonstram toda a capacidade como músicos e compositores, tendo uma gama grande de variações durante seus quase 8 minutos de duração. O vídeo da mesma pode ser encontrado ao final da resenha. Na sequência temos a pesada “Devout”, com bateria incessante e um trabalho vocal diferente que casou legal com a proposta da música. “Nights in White Satin” é cover de The Moody Blues, com desempenho impecável de Cammie. Após duas faixas curtas e suaves, temos outra que acaba de virar vídeo, “Suffer the Last Bridge”, uma escolha sábia, pois a música tem uma sonoridade mais comercial, mas não descartável, sendo um ponto alto de “Winter”.

 

Após outra faixa curta e sem grandes atrativos (Good Life), temos “Sunlight”, que é mais cadenciada, mas cujo resultado ficou interessante.  “Turpentine” parece de certa forma uma continuação da anterior, enquanto “Apologue” é pesada, com um clima um pouco mais caótico e alguns vocais típicos de Death Metal, sendo um grande contraponto as faixas anteriores. Após mais um interlúdio (uma constante aqui), temos a bela e emocionante “… This Road”, que até tem um certo ar do que o Anathema fazia na época do disco “Eternity”. “Grace” encerra o álbum de forma legal, uma faixa instrumental somente ao piano.

 

Não irão encontrar nenhuma novidade em “Winter”, mas para os fãs do Gothic/Progressive/New Metal/Rock (existe isso?), o Oceans of Slumber desde já passa a ser uma boa sugestão para aqueles que procuram uma novidade neste estilo…

Nota:8,5

Formação:

Cammie Gilbert – Vocal

Anthony Contreras – Guitarra

Sean Gary – Guitarra

Keegan Kelly – Baixo

Uaeb Yelsaeb – Teclado

Dobber Beverly – Bateria

13 Faixas – 59:58

Tracklist:

  1. Winter (07:57)
  2. Devout (05:07)
  3. Nights In White Satin (05:45)
  4. Lullaby (01:45)
  5. Laid To Rest (01:41)
  6. Suffer The Last Bridge (05:00)
  7. Good Life (02:07)
  8. Sunlight (05:34)
  9. Turpentine (05:31)
  10. Apologue (06:55)
  11. How Tall The Trees (01:33)
  12. … This Road (07:43)
  13. Grace (03:20)

 

 

 

 

Resenha Jugger – Born from the Ashes (2013)

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Este “Born from the Ashes” foi o primeiro lançamento da banda paulista Jugger, onde os mesmos já mostraram do que são capazes, mesmo num EP composto de cinco músicas.

As influências do Progressive Metal são evidentes durante toda a audição do disco, mas não se prendem unicamente a este estilo, pois aqui também encontramos o Heavy Metal clássico e até algumas pitadas mais modernas, contrastando um pouco com a gravação um pouco mais suja de “Born from the Ashes”.

“Rise” é o inicio de tudo, uma intro simples guiada pelo teclado que, se não traz nenhuma novidade, também não faz feio e é um bom prelúdio para “Dark Angel”, essa sim o verdadeiro inicio do EP, uma faixa mais pesada com andamentos quebrados que fazem a festa de quem curte Symphony X e afins. Sensação que permanece em “Blessed Garden”, apesar de algumas influências mais alternativas são perceptíveis durante sua execução. “Purgatory” é mais tranqüila, quase com um ar de balada Heavy, e possui belas melodias de guitarra. E “Nothing at All” põe um ponto final a tudo da melhor forma possível, uma música com uma carga dramática acentuada, inclusive com alguns momentos de System of a Down no refrão.

Estou curioso para conferir os próximos passos da Jugger, visto que já se vão três anos deste EP. Qualidade os músicos tem que sobra e já demonstraram isso, falta dar continuidade em uma carreira que iniciou promissora, e não pode morrer como já vimos com tantas outras bandas nacionais…

 

Nota: 8,0

Formação:

Lucas Povinha – Vocal
Rafael Savone – Guitarra
Lucas Cardoso – Teclado
Eduardo Crescenzi – Contrabaixo
Lucas Prado – Bateria
5 Faixas –  32:41

 

Tracklist:

1 – Rise
2 – Dark Angel
3 – Blessed Garden
4 – Purgatory
5 – Nothing At All

 

Headspace – All That You Fear Is Gone (2016)

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Para quem ainda não conhece, a banda inglesa Headspace foi formada em 2006, capitaneada principalmente pelo tecladista Adam Wakeman e pelo vocalista Damian Wilson (Threshold), mas muito bem assessorados por Pete Rinaldi (Guitarra), Lee Pomerov (Baixo), e o mais recente membro, o baterista Adam Falkner, que substituiu nas baquetas Richard Brook.

 

Tendo lançado em 2012 o álbum “I Am Anonymous”, o quinteto retorna agora em 2016 com seu segundo disco, “All That You Fear Is Gone”, que apesar de possuir algumas partes voltadas para o Progressive Metal, com influências de Dream Theater e Pain of Salvation, a verdade é que a praia verdadeira da banda é o Progressive Rock, mais precisamente com grandes influências de Yes, talvez pela herança obvia de Adam ou pelo vocal melódico e agudo de Damian, muito parecido com Jon Anderson em seus áureos tempos.

 

E já começo esta resenha elogiando a brilhante produção do disco, que fez com que todos os instrumentos soassem de forma precisa, o que é algo imprescindível quando se trata de uma banda progressiva. E também sem esquecer de mencionar a interessante e bela capa, daquelas que chamam a atenção já num primeiro olhar.

 

O disco começa com “Road to Supremacy”, que demora um pouco a engrenar, mas que depois se revela uma música mais pesada, com ótimo trabalho de todos os integrantes do Headspace. “Your Life Will Change” é mais voltada para o Prog Metal, com um que de Pain of Salvation, ao contrario da seguinte “Polluted Alcohol”, calma e conduzida por um violão quase que embriagado (trocadilho infame). Mas o lado mais Metal da banda retorna em “Kill you with Kindness”, mas que em sua metade possui um clima mais atmosférico. Após a breve “The Element” temos a longa “The Science Within Us”, com seus mais de 13 minutos e muitas variações, uma verdadeira viagem progressiva mas com um toque moderno também.

 

“Semaphore” possui um clima meio caótico, uma música mais feroz que as normalmente encontradas no álbum, bem diferente da calma que emana da faixa seguinte: “The Death Bell” ( que possui uma carga mais dramática também). “The Day You Return” começa tranqüila, mas possui momentos tanto pesados quanto melódicos em sua duração. A faixa-título começa com um belo violão clássico e, junto com “Borders and Days”, formam a dupla mais emocionante do disco, duas músicas carregadas na emoção durante toda sua execução. E, para finalizar, em um álbum de uma banda progressiva, sempre esperamos que a faixa de encerramento seja simplesmente perfeita, para fechar com chave de ouro. E felizmente “Secular Souls” preenche esse requisito com folga, uma das músicas mais legais que tive a oportunidade de ouvir nos últimos tempos, principalmente em sua emocionante parte final, lembrando um pouco o trabalho da banda Vanden Plas.

 

Nos surpreendemos muitas vezes com artistas consagrados que lançam discos muito aquém de suas possibilidades, mas igualmente somos surpreendidos por bandas e artistas que criam obras desta qualidade, como o caso deste “All That You Fear Is Gone”. Para os fãs do Progressivo, deixar de escutar o Headspace chega a ser uma afronta. Um álbum para ser ouvido várias e várias vezes…

 

Nota: 9,5

Formação:

Adam Wakeman – Teclados

Damian Wilson – Vocais

Pete Rinaldi – Guitarras

Lee Pomeroy – Baixo

Adam Falkner – Bateria

 

12 Faixas – 72:53

Tracklist:

1 Road To Supremacy 00:04:58

2 Your Life Will Change 00:06:41

3 Polluted Alcohol 00:06:10

4 Kill You With Kindness 00:08:17

5 The Element 00:01:50

6 The Science Within Us 00:13:14

7 Semaphore 00:05:39

8 The Death Bell 00:01:49

9 The Day You Return 00:03:24

10 All That You Fear Is Gone 00:04:53

11 Borders And Days 00:05:23

12 Secular Souls 00:10:35

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Resenha Psychotic Eyes – I Only Smile Behind the Mask (2011)

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Esse não é exatamente um lançamento, longe disto, pois “I Only Smile Behind the Mask” foi lançado em 2011. Mas somente agora resolvi resenhá-lo, de tal forma que a velha expressão “antes tarde do que nunca” demonstra ser perfeita para esta ocasião.

E estes cinco anos passados confirmam uma opinião: Este foi um dos grandes trabalhos nacionais da primeira metade desta década, um disco que vai muito além de um estilo musical. Talvez, para situar melhor o leitor, seria algo próximo ao que o Death fez em vários de seus trabalhos. Ou seja, em resumo, é algo especial, que nem todas as bandas são capazes ou tem a coragem de realizar.

E todas as sete faixas que compõem o álbum são dignas de nota, nada soa descartável, ou o popular “Encher lingüiça”. São aquelas músicas que numa simples audição prévia já temos a percepção de ser algo especial. “Throwing Into Chaos” mostra logo o que a banda tem a oferecer, uma música pesada, mas com levadas interessantíssimas e de certa maneira diferentes. “Welcome Fatality” combina trechos em inglês e português e é mais um destaque, enquanto “Dying Grief” carrega no peso e tem uma estrutura mais tradicional de Death Metal, mas com belas melodias igualmente.

“Life” possui momentos calmos a agressivos, mostrando todas as nuances da sonoridade do Psychotic Eyes, e com grande destaque para a letra fugindo completamente do lugar comum do Death Metal. A faixa-título é, curiosamente, na minha opinião a música menos interessante do disco, talvez por não trazer nada de muito diferente, ou talvez pelo próprio nível elevado mostrado pelos músicos nas faixas anteriores fazer com que nossas expectativas sejam sempre muito elevadas.  “The Humachine” tem quebradas bem ao estilo Death, com riffs inspirados. E a longa “The Girl” fecha o disco em grande nível, com mais uma letra sensacional.

“I Only Smile Behind the Mask” é a prova perfeita de como fazer um som de capacidade técnica inquestionável, sem perder contudo o peso e a fúria inerentes à uma banda de Death Metal. Esse é o verdadeiro Progressive Death Metal, e um motivo de orgulho para o Brasil termos uma banda de tal quilate abrilhantando as nossas fileiras.

E com a proximidade de um novo lançamento do Psychotic Eyes, “Olhos Vermelhos”, um disco acústico de Death Metal, onde os mesmos novamente devem mostrar a ousadia em sua criação, a expectativa para os próximos passos da banda somente se elevam. E seja louvada a criatividade…

 

Nota: 9,0

Formação:

Dimitri Brandi de Abreu – vocal/guitarra
Douglas Gatuso – baixo
Alexandre Tamarossi – bateria

 

7 Faixas – 43:42

Tracklist:

1-Throwing Into Chaos
2-Welcome Fatality
3-Dying Grief
4-Life
5-I Only Smile Behind The Mask
6-The Humachine
7-The Girl

Resenha Mind Affliction – Into the Void (2016)

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Mais uma novidade aparecendo, desta vez tratando-se da banda polonesa Mind Affliction, formada em 2009, cujo primeiro disco, “Pathetic Humanity” havia sido lançado em 2013.

E eis que, no inicio de 2016 o quarteto solta seu segundo álbum completo, de nome “Into the Void” (não, nada a ver com a celebre música do Black Sabbath”), onde mostram uma boa evolução, tanto na parte da composição quanto na técnica.

Composto por sete faixas, “Into the Void” é um disco pesado, um Death Metal com algumas pitadas mais modernas e técnicas que trazem um molho especial a mistura do Mind Affliction.

Como destaques podemos citar a poderosa “Lucid Void”, uma porrada na orelha com boas variações, mas pesada do inicio ao fim, a longa “Sundraft”, que engloba em seus mais de 8 minutos de duração todas as sonoridades e influências da banda, a mais cadenciada em seu inicio “Chaos Readings” e a rifferama empolgante de “Madness Utopia”, a música que melhor uniu os dois vocais da banda, Dariusz e Krzysztof.

Impossível negar a qualidade tanto das composições quanto dos músicos que compõem o Mind Affliction, porém é igualmente inegável que se trata de um material para os verdadeiros fãs do estilo, e não para aquele ouvinte casual. Mas se você for fã de bandas como Behemoth, Immolation e afins, vale a pena dar uma conferida

Nota: 7,5

Formação:

Dariusz Zabrzeсski – vocal/guitarra

Kamil Porкba – guitarra

Krzysztof Chomicki – vocal/baixo

Dawid Adamus – bateria

 

7 faixas -42:43

Tracklist:

  1. Lucid Void 05:58
  2. Enjoy the Violence 04:17
  3. Sundraft 08:32
  4. Chaos Readings 05:04
  5. Madness Utopia 05:34
  6. Abandoned 06:59
  7. Armin’s Hunger 06:19

Resenha Marenna – My Uncondtional Faith (2015)

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Começo esta resenha com uma constatação: Após estes quase 4 anos de resenhas e entrevistas com bandas nacionais e internacionais, sempre fui muito cético ao analisar um EP, por um motivo muito simples: É muito mais fácil um artista ou banda gravar quatro músicas de nível mais elevado, do que dez músicas que não deixam a peteca cair. Mas no caso deste lançamento da banda Marenna, tenho que dar o braço a torcer e concordar, esse trabalho ficou sensacional.

“My Unconditional Faith” é um prato cheio para todos os admiradores de um Hard Rock/AOR, uma sonoridade com influência de bandas como Def Leppard, Van Halen, Journey, Europe e afins. Ou seja, o fã já sabe o que vai encontrar aqui, mas talvez não tenha a impressão correta da qualidade que encontrará neste disco.

E já no começo o bicho pega com a sensacional “You Need to Believe”, música que desde o principio já mostra sua qualidade, com refrão grudento, solos e melodias na medida certa e um ritmo contagiante do inicio ao fim, em resumo um hit imediato. Na verdade, todas as faixas constantes em “My Unconditional Faith” podem ser considerados hits, ou assim o deveriam ser, mas vivemos num país onde hit instantâneos só surgem no Funk e no Sertanejo. Mas estou divagando agora, quando o certo é elogiar “Like na Angel”, música com grande coro de vozes, e um desempenho sensacional de Rodrigo Marenna (outra constante aqui). “Keep on Dreaming” é puro AOR, com vocais marcantes, belo refrão e lembrou um pouco o trabalho de Michael Kiske em frente ao Place Vendome. E o EP encerra com a versão acústica de “You Need to Believe”, que se não difere tanto assim da versão elétrica, mantém o nível lá em cima, e mostrou ser um bom encerramento para “My Unconditional Faith”.

A constatação final é uma só, que o Marenna com um simples EP já demonstra estar pronto para vôos maiores, e ainda vamos ouvir falar muito deles, ou ao menos assim espero, pois sua qualidade impar não pode se perder pelo caminho, como já aconteceu com tantas e tantas bandas não apoiadas pelo nosso público nacional.

Nota: 9,0

Formação

Rodrigo Marenna (Vocal)

Faixas e músicos convidados :

1 – “You Need To Believe”
Sasha Z. (Guitarra) e Guilherme Mello (Bateria)
2 – Like An Angel
Geraldo Aita (Guitarra) e Matt Thofehrn (Bateria)
3 – Keep On Dreaming
Cesar Branco (Guitarra) e Guilherme Mello (Bateria)
4 – You Need To Believe (Acoustic)
Jonas Godoy (Guitarra/Baixo/Teclado) em todas as faixas

 

4 faixas – 17:21

Tracklist:

01.You Need to Believe
02. Like An Angel
03. Keep On Dreaming
04. You Need to Believe (versão acústica)

Resenha The New Roses – Dead Man’s Voice (2016)

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O nome da banda, seu logo e a própria capa de “Dead Man’s Voice” já entregam o que podemos esperar deste que é o segundo álbum completo da banda alemã The New Roses. Muito Hard Rock, festa, mulheres e bebidas (nem sempre precisamente nessa ordem exata).

O que talvez não seja tão esperado é que, apesar das aparências, o estilo do The New Roses está muito mais próximo de um Cinderella, Faster Pussycat ou Blackstone Cherry do que do Guns n’ Roses, mesmo que existam similaridades entre as bandas. Mas é fato que a sonoridade do The New Roses é mais voltado para o Hard americano anos 80 do que o Hard Rock Europeu.

“Dead Man’s Voice” começa com a inicialmente estranha “Heads or Tails”, mas que depois desemboca em um Hard Rock tradicional, assim como “Thirsty”, mas essa com refrão e ritmo mais contagiante, um bom exemplo de como fazer um Hard no melhor estilo. “Partner in Crime” possui um ritmo mais cadenciado e menos festivo, mas que casou muito bem com o The New Roses, o mesmo acontecendo com a faixa titulo do disco, com um belo refrão e mostrando uma faceta um pouco diferente da banda. Já Believe possui um tom mais sério que o encontrado na maior parte de “Dead Man’s Voice”, e conta com um trabalho de respeito em seu instrumental e nos vocais de Timmy Rough, para mim um dos grandes destaques do álbum.

“Ride with Me” tem aquele jeito de hit imediato, enquanto “Hurt Me Once (Love Me Twice)” traz de volta aquele ar mais festivo do principio. “Not From This World”  puxa mais para o Hard/Blues, e conta com um belo solo de Norman Bites e um peso acima do comum para o estilo. O contraponto da única música que podemos considerar uma balada no disco “What If It Was You”, uma faixa bem trabalhada e que não soa de forma alguma piegas. Mas não se preocupem, que o Hard Rock volta com força total, na forma mais clássica possível em “Try (And You Know Why)”. “From Guns & Shovels” encerra o álbum de forma positiva e novo grande trabalho de Norman, mostrando que a banda realmente conseguiu fazer um disco acima da média, mesmo num estilo que já parecia ter dado tudo que podia nesses anos todos.

Enfim, estão todos convidados para a festa, mesmo que, para muitos, essa festa já terminou a mais de 20 anos. Escolham o seu lado da história…

 

Nota:8,0

Formação:

Timmy Rough – Vocais

Norman Bites – Guitarra

Hardy – Baixo

Urban Berz – Bateria

 

11 faixas – 43:44

Tracklist:

“Heads Or Tails”
“Thirsty”
“Partner In Crime”
“Dead Man’s Voice”
“I Believe”
“Ride With Me”
“Hurt Me Once (Love Me Twice)”
“Not From This World”
“What If It Was You”
“Try (And You Know Why)”
“From Guns & Shovels”

THE NEW ROSES 2015 official press 3_2000px-300dpi - copyright Severin Schweiger

 

Resenha Voivod – Post Society (2016)

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Mais de três décadas de carreira não é para qualquer um, e ainda demonstrando tal vigor e força, como os apresentados neste EP “Post Society”, fica claro que o Voivod é uma banda especial.

Tendo sofrido, em todo esse tempo, com muitos problemas, mudanças de formação, a morte do guitarrista original Denis “Piggy” D’Amour em 2005, o que inclusive acabou por criar um pequeno hiato na carreira da banda. Mas os canadenses souberam se reerguer, ao lançarem o bom “Target Earth” (2013), e consolidam esse momento com este registro.

 

Composto de 5 faixas, onde o estilo tradicional do Voivod está presente, “Post Society” é a apresentação do novo membro da banda, o baixista “Dominic “Rocky” Laroche”, e é um aperitivo para o provável álbum completo que deve pintar ainda neste ano de 2016. Aperitivo que quase pode-se considerar uma refeição completa, visto a qualidade do material apresentado.

 

“Post Society” começa com a faixa-título, que parece destilar caos durante sua execução, pois se trata de uma música pesada, com riffs inspirados, bem ao estilo Voivod. “Forever Mountain” mantém o clima de pesadelo sonoro, seja nos vocais de Snake quanto no instrumental pesadíssimo, mas que não deixa de possuir algumas partes mais melódicas. “Fall” começa de forma calma, mas que depois tem umas nuances meio Megadeth, até mesmo no vocal, e “We are Connected” mantém a uniformidade de “Post Society”, peso, variações no instrumental e aquele clima de fim da humanidade. E chegamos a última faixa do EP, o cover do Hawkwind “Silver Machine”, que na versão do Voivod ficou muito legal, até com um forte acento comercial (se comparada as faixas anteriores), uma justa homenagem ao mestre Lemmy.

 

Sou contrário a opinião de que somente as bandas clássicas têm seu valor, e que as bandas novas não têm a mesma importância, ou que são meras cópias. Existem centenas de bandas recentes que são sensacionais, e merecem toda nossa atenção. Mas no caso do Voivod, dá para usar a expressão “Panela velha é que faz comida boa” sem medo de errar…

Nota: 8,5

Formação:

Denis “Snake” Belanger – Vocais

Daniel “Chewy” Mongrain – Guitarra

Dominic “Rocky” Laroche – Baixo

Michel “Away” Langevin – Bateria

5 Faixas – 30:34

Tracklist:

  1. Post Society (06:17)
  2. Forever Mountain (05:12)
  3. Fall (06:42)
  4. We Are Connected (07:26)
  5. Silver Machine (04:48)

 

Voivod

Primeiro vídeo clipe oficial da banda paraguaia Blasphemer

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A Banda de Death Metal Melódico paraguaia em guarani, Blasphemer, apresenta seu primeiro clipe oficial, de seu primeiro álbum, intitulado “ARASUNU” totalmente cantado em Guarani (língua nativa oficial do Paraguai)

A BLASPHEMER,  formada em Assunção (Paraguai), em outubro de 2011 por Hugo Adrian Gonzalez no baixo e Luis Battilana na guitarra com a intenção de resgatar a história paraguaia na língua oficial do Paraguai e estilo de metal estão divulgando aos headbangers de outras regiões a cultura Guarani, a partir de uma perspectiva diferente à (música folk) tradicional.

Link do video: Blasphemer.py “ARASUNU” (OFFICIAL VIDEO)

 

REDES SOCIAis:

Facebook: https://www.facebook.com/Blasphemer.py

Twitter: https://twitter.com/Blasphemer_py

Instagram: https://instagram.com/blasphemer.py

 

Resenha Overhead Rock – Ressaca (2014)

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Apesar de ser uma banda relativamente recente, tendo sido formada em 2010 na cidade de Bauru – SP, o Overhead Rock parece soar em “Ressaca”, seu disco de estréia em 2014 como um verdadeiro veterano do tradicional Rock n’ Roll.

Com influência de bandas como Velhas Virgens, Matanza, Baranga e das “estrangeiras” AC/DC e Motorhead, o quarteto abre mão de um rock despojado, sujo, com muito peso mas de qualidade inquestionável em seu debut.

“Ressaca” começa com a poderosa faixa que dá nome a banda, uma escolha perfeita para abertura da bolacha, visto sua forte letra e ritmo empolgante, uma ode a verdadeira essência rocker. “Tangente” é pesada, com boas melodias e mantém o astral no alto. “Muro” dá uma pisada no freio, sendo um pouco mais light que as duas músicas, mas nem por isso menos impactante. “Ressaca” talvez seja o carro chefe do disco de mesmo nome, uma música que nasceu para ser clássica, com uma sonoridade e letra totalmente Rock n’ Roll. “Vacilão” exagera um pouco em certos aspectos, mas sua levada quase Punk em seu final mostrou ser uma escolha bacana da banda. “Situações Incertas” é uma balada que poderia ter ficado um pouco deslocada do restante do álbum, mas sua boa execução diminui essa certa sensação de ‘‘objeto estranho no ninho”. “Pressagio” traz de volta o peso, apesar de possuir algumas nuances mais Pop/Rock.

Mas eis que surge o ponto máximo do álbum. And the Oscar goes to…Poderia tecer tratados filosóficos sobre o conteúdo de tal música, mas a seguinte estrofe fala por si só: “ Depois do porre vem o problema; você descobre, que a mina tem uma benga”. Não há como superar isso, e as últimas duas faixas, mesmo carregadas no peso, acabam passando despercebidas. E antes que surjam reclamações, falo tudo isso por um simples motivo: “Mina de Benga” é uma música sensacional, não há como ser mais Rock n’ Roll que isso.

Às vezes é legal dar uma respirada em meio a toda loucura do mundo, um mundo em quase sua totalidade sério e sisudo. E assim lembrarmos que a música também foi feita para divertir, descontrair e mostrar a importância da simplicidade também. Indico plenamente aos amantes do Rock n’ Roll.

 

Nota: 8,0

 

Formação atual:

Ivo Ferreira : Baixo

Brendel Alba : Bateria

Bruno Bevenutti : Guitarra

André Moreno : Guitarra e voz

 

10 Faixas – 38:18

Tracklist:

01.Overhead
02. Tangente
03. Muro
04. Ressaca
05. Vacilão
06. Situações Incertas
07. Presságio
08. Mina de Benga
09. Grande Guerreiro
10. ReEvolução

Resenha Delain – Lunar Prelude (2016)

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Lunar Prelude é o novo EP da banda Holandesa Delain, que está completando dez anos de carreira, e neste lançamento da mostras que está em grande fase.

A verdade é que o sexteto sempre sofreu um pouco com a síndrome de “Within Temptation”, algo bem normal visto que seu idealizador, Martijn Westerhlot era tecladista da mesma. E “Lunar Prelude” é uma tentativa de sair desta “Sombra”, apesar de que o Delain sempre teve sua identidade e méritos próprios.

Contando com 8 faixas, sendo duas inéditas, uma nova versão de Don’t Let Go ( do álbum anterior, “The Human Contradiction”) uma versão orquestrada da música de trabalho e outras faixas ao vivo da última turnê da banda, “Lunar Prelude” é um EP com quase cara de disco completo, e é justamente um prelúdio de um novo disco que deve estar pintando ainda este ano.

Falando das faixas inéditas, “SuckerPunch”, que é a música principal do disco e teve um vídeo lançado (o mesmo se encontra ao final desta resenha), na minha opinião é inferior a segunda faixa “Turn the Lights Out”. “Suckerpunch” possui uns teclados com forte acento Pop, e mesmo o peso constando aqui parece meio falso, apesar da música possuir um ritmo mais cativante e agradar os fãs de um Gothic Rock mais light. Já “Turn the Lights Out” tem uma aura mais melancólica, com refrão marcante. De comum a ambas as faixas o grande desempenho de Charlotte, que mostra uma evolução incrível como vocalista. A nova roupagem de “Don’t Let Go” trouxe a música mais próxima ao que o Theatre of Tragedy fazia em certo momento de sua carreira. E o disco acaba com a versão orquestrada de “Suckerpunch”, que não traz muita surpresa, mas foi uma boa maneira de encerrar o EP, com uma carga maior de dramaticidade.

Já das quatro faixas ao vivo (todas do álbum anterior, lançado em 2014)  que aparecem em “Lunar Prelude”, os maiores destaques ficam com “Lullaby”, com os vocais mais sussurrantes de Charlotte e atmosfera mais tétrica, o hit “Stardust”, um dos grandes sucessos da banda, e a pesada “Here Comes the Vultures”. Estas músicas executadas ao vivo também são uma boa amostra da boa performance técnica de seus integrantes.

Agora ficamos na expectativa este ano do próximo álbum completo do Delain, para conferirmos qual o caminho que os mesmos seguirão daqui para frente…

 

Nota: 8,0

Formação:

Charlotte Wessels (vocais)
Martijn Westerholt (teclados)
Otto Schimmelpenninck van der Oije (baixo)
Ruben Israel (bateria)
Timo Somers (guitarra)
Merel Bechtold (guitarra)

 

8 Faixas – 36:22

Tracklist:

01.Suckerpunch
02. Turn The Lights Out
03. Don’t Let Go
04. Lullaby (Live 2015)
05. Stardust (Live 2015)
06. Here Come The Vultures (Live 2015)
07. Army Of Dolls (Live 2015)
08. Suckerpunch Orchestra

 

https://www.youtube.com/watch?v=qmo06CrXP4M

 

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Resenha Lucifer’s Friend – Live @ Sweden Rock (2016)

 

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Após muitos anos com suas atividades encerradas, eis que em 2014 os veteranos alemães do Lucifer’s Friend anunciam seu retorno, uma volta comemorada por todos os fãs do Hard/Progressive Rock, AOR e toda a gama de sonoridades que os mesmos sempre tiveram em todos os seus anos de existência, desde o lançamento de seu debut auto intitulado, no agora muito distante ano de 1970.

De fato, o Lucifer’s Friend nunca se prendeu a um estilo em nenhum de seus lançamentos, passando de um lado mais Hard/Heavy do primeiro disco, para alguns momentos mais progressivos, psicodélicos, jazzísticos, dentre outros, em seus lançamentos posteriores. Com a saída de seu vocalista John Lawton em 1976, para ocupar o microfone do Uriah Heep, a banda aos poucos foi perdendo seu impacto, e mesmo o retorno do mesmo alguns anos depois não foi o suficiente para os mesmos manterem a banda ativa, encerrando suas atividades no ano de 1982.

Mas, histórias à parte, o retorno tão esperado por todos aconteceu, e este disco ao vivo gravado a partir da apresentação da banda no Sweden Rock Festival em junho de 2015 é a maior prova que a banda certamente não desaprendeu a fazer um grande show.

Das 12 músicas tocadas nesse show, três foram lançadas no ano anterior, na compilação “Awakening”, a ótima “Pray” e seus riffs contagiantes de guitarra, a viajante “Riding High”, além da mais simples e nem tão empolgante “Did Your Ever?” e seus teclados árabes.

Mas é obviamente nos clássicos que a casa vem abaixo, especialmente em músicas marcantes como a contagiante “Fire and Rain”, com suas melodias grudentas e belos solos de guitarra, a cadenciada e puxada para o Deep Purple “Keep Going”, com um grande trabalho de John Lawton nos vocais, a bela e tranqüila balada “Burning Ships”, a número um no repertorio do quinteto “Ride the Sky” e seu inconfundível teclado, e termina com a alegre e até certo ponto festiva “High Flying Lady”.

Mais de trinta anos depois da separação, e a banda ainda tem muita lenha para queimar, mostrando que a música não envelhece nunca…

 

Nota: 8,5

Formação:

John Lawton – vocais

Peter Hesslein – guitarra

Dieter Horns – baixo

Jogi Wichmann – teclado

Stephan Eggert – bateria

 

Tracklist:

  1. INTRO – AWAKENING
  2. PRAY
  3. FIRE AND RAIN
  4. IN THE TIME OF JOB
  5. KEEP GOING
  6. HEY DRIVER
  7. RIDING HIGH
  8. MOONSHINE RIDER
  9. DID YOU EVER?
  10. BURNING SHIPS
  11. RIDE THE SKY
  12. HIGH FLYING LADY

Resenha Dark Slumber – Dead Inside (2015)

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Sei que este já é um termo batido, usado tantas e tantas vezes (inclusive por mim), mas é gratificante quando ouvimos algo do qual não criamos muitas expectativas, e o resultado final é sensacional. Com toda a sinceridade não conhecia o trabalho da Dark Slumber até ouvir este “Dead Inside”, e não tenho qualquer receio em dizer que este disco foi uma das melhores surpresas que tive nos últimos tempos.

Em “Dead Inside”, o quarteto carioca nos presenteia com um Dark Metal mais voltado para o Black/Doom Metal, o que já é facilmente perceptível na capa do disco, onde o clima de angústia e melancolia dá uma amostra do que encontraremos em sua sonoridade.

A introdução “Reverberating Emptiness”, com seu inicio com sons de raios e chuva (vai começar Black Sabbath?) e conduzida ao piano, não prepara o ouvinte para “Sorrowful Winter Breeze”, que mescla sonoridades mais Dark com outros riffs mais clássicos de Metal, além de possuir um belo refrão, uma música que traz uma aura meio My Dying Bride em sua execução. Após temos “Vomiting Upon the Cross” (título simpático, não acham?), que apesar do tradicional nome Death/Black Metal, não possui muitas similaridades com os estilos citados, sendo mais voltado para um Paradise Lost antigo, no período “Gothic” deles.   Talvez a música que soe mais crua aqui é “Dying Inside”, pois até mesmo a gravação dessa faixa em especial parece ter saído de um disco do início dos anos 90, uma música mais veloz e pesada que as anteriores.

“Dark Slumber”, apesar de manter em sua essência a sonoridade Doom/Black Metal, possui em sua metade alguns riffs a lá Megadeth, mostrando que o Thrash/Heavy Metal são igualmente bem-vindos as suas influências. “Lucifer” mantém o ritmo infernal do disco (desculpe o trocadilho, impossível evitar) e “All the Lights Fade Away” encerra o álbum da melhor maneira possível, pois é uma música totalmente Doom Metal, arrastada e melódica na medida certa, para mim a melhor música do Dark Slumber.

Indico “Dead Inside” a todos os admiradores de um som mais soturno, daqueles para se escutar na calada da noite sempre com um olho aberto, pois nunca se sabe o que tal melancolia, angústia e peso podem atrair. Um banquete para as criaturas das trevas, e estão todos convidados…

 

Nota: 8,5

Formação:

Guilherme Corvo – Vocal/guitarra
Sandro Leite – Guitarras
Hayder Fonseca – Baixo
Jorge Zamluti – Bateria

7 Faixas – 31:47

Tracklist:

1.Reverberating Emptiness
2. Sorrowful Winter Breeze
3. Vomiting Upon the Cross
4. Dying Inside
5. Dark Slumber
6. Lucifer
7. All the Lights Fade Away

Resenha Product of Hate – Buried in Violence (2016)

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A grande maioria talvez nunca tenha ouvido falar desta banda de Wisconsin, o que não é de todo estranho, visto “Buried in Violence” ser o seu primeiro disco completo (antes haviam lançado 1 EP e 2 Singles). Mas provavelmente esse estágio de “desconhecimento” vai deixar de existir com o passar do tempo, ainda mais se a banda americana continuar a lançar discos do porte desse seu debut.

Conseguindo já em seu lançamento o suporte de uma gravadora de alcance mundial como a Napalm Records, a conquista desse reconhecimento será mais simples, mesmo que eles não precisem dessa “ajuda” para ter seu trabalho reconhecido como algo acima da média.

Se o estilo do quinteto é um Sludge/Thrash Metal com algumas características mais modernas, ou seja, nenhuma grande novidade, a verdade é que o Product of Hate conseguiu algo que a maioria das bandas com estas características não alcançou: Uma grande variação entre as músicas, pois nenhuma se parece com a outra, uma ressalva que eu mesmo sempre fiz quando escutava bandas que inseriam elementos de New Metal em sua sonoridade. Ou seja, aqui temos riffs inspirados, cozinha quebrando tudo e solos em uma quantidade muito maior que normalmente se encontra no estilo.

“Buried in Violence” inicia com a poderosa “Kill. You. Now” que é o cartão de visitas para o conteúdo existente no disco, uma música pesadíssima, bateria martelando e bom solo de guitarra. Em sequencia “Annihilation”  e sua rifferama mantém o nível, que aumenta consideravelmente com a “fodística”  “As Your Kingdom Falls”, que alia com perfeição peso e melodia, além de contar com belos solos. “Blood Coated Concrete”, tem um lado mais moderno, soando como um filhote de Lamb of God com Pantera, enquanto “Monster” chama mais atenção pelo seu refrão mais melódico, trazendo-os mais para perto da sonoridade de algumas bandas americanas de New Metal.

A faixa-título, com sua introdução no baixo/bateria, logo descamba para outra música feroz e pesadíssima, o contraste perfeita para a seguinte, a instrumental mais light “Vindicare”, que precede uma das músicas mais legais do disco, “Nemesis”, com suas variações e sacadas muito legais. Sentimento de aprovação que se acentua com “Revolution of Destruction”, com um misto de vocais gritados/melódicos na medida correta, além dos já citados riffs inspirados. Já com “Unholy Manipulator” fiquei com o pé atrás, simplesmente pela repetição do clichê mais batido em letras de Metal, “Ashes to Ashes, Dust to Dust”, já devemos ter ouvido isso em pelo menos outras 100 músicas em todos esses anos, hora de virar o disco.

E chegamos assim ao encerramento de “Buried in Violence”, com o ótimo e inesperado cover de “Perry Mason” do velho Madman Ozzy. Legal ver uma banda apostar numa música que não aparece entre os grandes clássicos de Osbourne, apesar de ser uma faixa que sempre achei bem bacana e até menosprezada em sua carreira. Uma maneira de terminar com chave de ouro um debut do qual não se esperava muito, e no final se mostrou uma grande surpresa. Talvez aqui surgindo uma nova promessa da música pesada…

 

Nota: 9,0

Formação:

Adam Gilley – Vocal
Cody Rathbone – Guitarra
Gene Rathbone – Guitarra Solo
Mark Campbell – Baixo
Mike McGuire – Bateria

11 Faixas – 44:33

Tracklist:

01.Kill. You. Now.
02.Annihilation
03. …As Your Kingdom Falls
04. Blood Coated Concrete
05. Monster
06. Buried in Violence
07. Vindicare
08. Nemesis
09. Revolution of Destruction
10. Unholy Manipulator
11. Perry Mason

 

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