Primeiro vídeo clipe oficial da banda paraguaia Blasphemer

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A Banda de Death Metal Melódico paraguaia em guarani, Blasphemer, apresenta seu primeiro clipe oficial, de seu primeiro álbum, intitulado “ARASUNU” totalmente cantado em Guarani (língua nativa oficial do Paraguai)

A BLASPHEMER,  formada em Assunção (Paraguai), em outubro de 2011 por Hugo Adrian Gonzalez no baixo e Luis Battilana na guitarra com a intenção de resgatar a história paraguaia na língua oficial do Paraguai e estilo de metal estão divulgando aos headbangers de outras regiões a cultura Guarani, a partir de uma perspectiva diferente à (música folk) tradicional.

Link do video: Blasphemer.py “ARASUNU” (OFFICIAL VIDEO)

 

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Resenha Overhead Rock – Ressaca (2014)

Capa

Apesar de ser uma banda relativamente recente, tendo sido formada em 2010 na cidade de Bauru – SP, o Overhead Rock parece soar em “Ressaca”, seu disco de estréia em 2014 como um verdadeiro veterano do tradicional Rock n’ Roll.

Com influência de bandas como Velhas Virgens, Matanza, Baranga e das “estrangeiras” AC/DC e Motorhead, o quarteto abre mão de um rock despojado, sujo, com muito peso mas de qualidade inquestionável em seu debut.

“Ressaca” começa com a poderosa faixa que dá nome a banda, uma escolha perfeita para abertura da bolacha, visto sua forte letra e ritmo empolgante, uma ode a verdadeira essência rocker. “Tangente” é pesada, com boas melodias e mantém o astral no alto. “Muro” dá uma pisada no freio, sendo um pouco mais light que as duas músicas, mas nem por isso menos impactante. “Ressaca” talvez seja o carro chefe do disco de mesmo nome, uma música que nasceu para ser clássica, com uma sonoridade e letra totalmente Rock n’ Roll. “Vacilão” exagera um pouco em certos aspectos, mas sua levada quase Punk em seu final mostrou ser uma escolha bacana da banda. “Situações Incertas” é uma balada que poderia ter ficado um pouco deslocada do restante do álbum, mas sua boa execução diminui essa certa sensação de ‘‘objeto estranho no ninho”. “Pressagio” traz de volta o peso, apesar de possuir algumas nuances mais Pop/Rock.

Mas eis que surge o ponto máximo do álbum. And the Oscar goes to…Poderia tecer tratados filosóficos sobre o conteúdo de tal música, mas a seguinte estrofe fala por si só: “ Depois do porre vem o problema; você descobre, que a mina tem uma benga”. Não há como superar isso, e as últimas duas faixas, mesmo carregadas no peso, acabam passando despercebidas. E antes que surjam reclamações, falo tudo isso por um simples motivo: “Mina de Benga” é uma música sensacional, não há como ser mais Rock n’ Roll que isso.

Às vezes é legal dar uma respirada em meio a toda loucura do mundo, um mundo em quase sua totalidade sério e sisudo. E assim lembrarmos que a música também foi feita para divertir, descontrair e mostrar a importância da simplicidade também. Indico plenamente aos amantes do Rock n’ Roll.

 

Nota: 8,0

 

Formação atual:

Ivo Ferreira : Baixo

Brendel Alba : Bateria

Bruno Bevenutti : Guitarra

André Moreno : Guitarra e voz

 

10 Faixas – 38:18

Tracklist:

01.Overhead
02. Tangente
03. Muro
04. Ressaca
05. Vacilão
06. Situações Incertas
07. Presságio
08. Mina de Benga
09. Grande Guerreiro
10. ReEvolução

Resenha Delain – Lunar Prelude (2016)

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Lunar Prelude é o novo EP da banda Holandesa Delain, que está completando dez anos de carreira, e neste lançamento da mostras que está em grande fase.

A verdade é que o sexteto sempre sofreu um pouco com a síndrome de “Within Temptation”, algo bem normal visto que seu idealizador, Martijn Westerhlot era tecladista da mesma. E “Lunar Prelude” é uma tentativa de sair desta “Sombra”, apesar de que o Delain sempre teve sua identidade e méritos próprios.

Contando com 8 faixas, sendo duas inéditas, uma nova versão de Don’t Let Go ( do álbum anterior, “The Human Contradiction”) uma versão orquestrada da música de trabalho e outras faixas ao vivo da última turnê da banda, “Lunar Prelude” é um EP com quase cara de disco completo, e é justamente um prelúdio de um novo disco que deve estar pintando ainda este ano.

Falando das faixas inéditas, “SuckerPunch”, que é a música principal do disco e teve um vídeo lançado (o mesmo se encontra ao final desta resenha), na minha opinião é inferior a segunda faixa “Turn the Lights Out”. “Suckerpunch” possui uns teclados com forte acento Pop, e mesmo o peso constando aqui parece meio falso, apesar da música possuir um ritmo mais cativante e agradar os fãs de um Gothic Rock mais light. Já “Turn the Lights Out” tem uma aura mais melancólica, com refrão marcante. De comum a ambas as faixas o grande desempenho de Charlotte, que mostra uma evolução incrível como vocalista. A nova roupagem de “Don’t Let Go” trouxe a música mais próxima ao que o Theatre of Tragedy fazia em certo momento de sua carreira. E o disco acaba com a versão orquestrada de “Suckerpunch”, que não traz muita surpresa, mas foi uma boa maneira de encerrar o EP, com uma carga maior de dramaticidade.

Já das quatro faixas ao vivo (todas do álbum anterior, lançado em 2014)  que aparecem em “Lunar Prelude”, os maiores destaques ficam com “Lullaby”, com os vocais mais sussurrantes de Charlotte e atmosfera mais tétrica, o hit “Stardust”, um dos grandes sucessos da banda, e a pesada “Here Comes the Vultures”. Estas músicas executadas ao vivo também são uma boa amostra da boa performance técnica de seus integrantes.

Agora ficamos na expectativa este ano do próximo álbum completo do Delain, para conferirmos qual o caminho que os mesmos seguirão daqui para frente…

 

Nota: 8,0

Formação:

Charlotte Wessels (vocais)
Martijn Westerholt (teclados)
Otto Schimmelpenninck van der Oije (baixo)
Ruben Israel (bateria)
Timo Somers (guitarra)
Merel Bechtold (guitarra)

 

8 Faixas – 36:22

Tracklist:

01.Suckerpunch
02. Turn The Lights Out
03. Don’t Let Go
04. Lullaby (Live 2015)
05. Stardust (Live 2015)
06. Here Come The Vultures (Live 2015)
07. Army Of Dolls (Live 2015)
08. Suckerpunch Orchestra

 

https://www.youtube.com/watch?v=qmo06CrXP4M

 

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Resenha Lucifer’s Friend – Live @ Sweden Rock (2016)

 

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Após muitos anos com suas atividades encerradas, eis que em 2014 os veteranos alemães do Lucifer’s Friend anunciam seu retorno, uma volta comemorada por todos os fãs do Hard/Progressive Rock, AOR e toda a gama de sonoridades que os mesmos sempre tiveram em todos os seus anos de existência, desde o lançamento de seu debut auto intitulado, no agora muito distante ano de 1970.

De fato, o Lucifer’s Friend nunca se prendeu a um estilo em nenhum de seus lançamentos, passando de um lado mais Hard/Heavy do primeiro disco, para alguns momentos mais progressivos, psicodélicos, jazzísticos, dentre outros, em seus lançamentos posteriores. Com a saída de seu vocalista John Lawton em 1976, para ocupar o microfone do Uriah Heep, a banda aos poucos foi perdendo seu impacto, e mesmo o retorno do mesmo alguns anos depois não foi o suficiente para os mesmos manterem a banda ativa, encerrando suas atividades no ano de 1982.

Mas, histórias à parte, o retorno tão esperado por todos aconteceu, e este disco ao vivo gravado a partir da apresentação da banda no Sweden Rock Festival em junho de 2015 é a maior prova que a banda certamente não desaprendeu a fazer um grande show.

Das 12 músicas tocadas nesse show, três foram lançadas no ano anterior, na compilação “Awakening”, a ótima “Pray” e seus riffs contagiantes de guitarra, a viajante “Riding High”, além da mais simples e nem tão empolgante “Did Your Ever?” e seus teclados árabes.

Mas é obviamente nos clássicos que a casa vem abaixo, especialmente em músicas marcantes como a contagiante “Fire and Rain”, com suas melodias grudentas e belos solos de guitarra, a cadenciada e puxada para o Deep Purple “Keep Going”, com um grande trabalho de John Lawton nos vocais, a bela e tranqüila balada “Burning Ships”, a número um no repertorio do quinteto “Ride the Sky” e seu inconfundível teclado, e termina com a alegre e até certo ponto festiva “High Flying Lady”.

Mais de trinta anos depois da separação, e a banda ainda tem muita lenha para queimar, mostrando que a música não envelhece nunca…

 

Nota: 8,5

Formação:

John Lawton – vocais

Peter Hesslein – guitarra

Dieter Horns – baixo

Jogi Wichmann – teclado

Stephan Eggert – bateria

 

Tracklist:

  1. INTRO – AWAKENING
  2. PRAY
  3. FIRE AND RAIN
  4. IN THE TIME OF JOB
  5. KEEP GOING
  6. HEY DRIVER
  7. RIDING HIGH
  8. MOONSHINE RIDER
  9. DID YOU EVER?
  10. BURNING SHIPS
  11. RIDE THE SKY
  12. HIGH FLYING LADY

Resenha Dark Slumber – Dead Inside (2015)

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Sei que este já é um termo batido, usado tantas e tantas vezes (inclusive por mim), mas é gratificante quando ouvimos algo do qual não criamos muitas expectativas, e o resultado final é sensacional. Com toda a sinceridade não conhecia o trabalho da Dark Slumber até ouvir este “Dead Inside”, e não tenho qualquer receio em dizer que este disco foi uma das melhores surpresas que tive nos últimos tempos.

Em “Dead Inside”, o quarteto carioca nos presenteia com um Dark Metal mais voltado para o Black/Doom Metal, o que já é facilmente perceptível na capa do disco, onde o clima de angústia e melancolia dá uma amostra do que encontraremos em sua sonoridade.

A introdução “Reverberating Emptiness”, com seu inicio com sons de raios e chuva (vai começar Black Sabbath?) e conduzida ao piano, não prepara o ouvinte para “Sorrowful Winter Breeze”, que mescla sonoridades mais Dark com outros riffs mais clássicos de Metal, além de possuir um belo refrão, uma música que traz uma aura meio My Dying Bride em sua execução. Após temos “Vomiting Upon the Cross” (título simpático, não acham?), que apesar do tradicional nome Death/Black Metal, não possui muitas similaridades com os estilos citados, sendo mais voltado para um Paradise Lost antigo, no período “Gothic” deles.   Talvez a música que soe mais crua aqui é “Dying Inside”, pois até mesmo a gravação dessa faixa em especial parece ter saído de um disco do início dos anos 90, uma música mais veloz e pesada que as anteriores.

“Dark Slumber”, apesar de manter em sua essência a sonoridade Doom/Black Metal, possui em sua metade alguns riffs a lá Megadeth, mostrando que o Thrash/Heavy Metal são igualmente bem-vindos as suas influências. “Lucifer” mantém o ritmo infernal do disco (desculpe o trocadilho, impossível evitar) e “All the Lights Fade Away” encerra o álbum da melhor maneira possível, pois é uma música totalmente Doom Metal, arrastada e melódica na medida certa, para mim a melhor música do Dark Slumber.

Indico “Dead Inside” a todos os admiradores de um som mais soturno, daqueles para se escutar na calada da noite sempre com um olho aberto, pois nunca se sabe o que tal melancolia, angústia e peso podem atrair. Um banquete para as criaturas das trevas, e estão todos convidados…

 

Nota: 8,5

Formação:

Guilherme Corvo – Vocal/guitarra
Sandro Leite – Guitarras
Hayder Fonseca – Baixo
Jorge Zamluti – Bateria

7 Faixas – 31:47

Tracklist:

1.Reverberating Emptiness
2. Sorrowful Winter Breeze
3. Vomiting Upon the Cross
4. Dying Inside
5. Dark Slumber
6. Lucifer
7. All the Lights Fade Away

Resenha Product of Hate – Buried in Violence (2016)

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A grande maioria talvez nunca tenha ouvido falar desta banda de Wisconsin, o que não é de todo estranho, visto “Buried in Violence” ser o seu primeiro disco completo (antes haviam lançado 1 EP e 2 Singles). Mas provavelmente esse estágio de “desconhecimento” vai deixar de existir com o passar do tempo, ainda mais se a banda americana continuar a lançar discos do porte desse seu debut.

Conseguindo já em seu lançamento o suporte de uma gravadora de alcance mundial como a Napalm Records, a conquista desse reconhecimento será mais simples, mesmo que eles não precisem dessa “ajuda” para ter seu trabalho reconhecido como algo acima da média.

Se o estilo do quinteto é um Sludge/Thrash Metal com algumas características mais modernas, ou seja, nenhuma grande novidade, a verdade é que o Product of Hate conseguiu algo que a maioria das bandas com estas características não alcançou: Uma grande variação entre as músicas, pois nenhuma se parece com a outra, uma ressalva que eu mesmo sempre fiz quando escutava bandas que inseriam elementos de New Metal em sua sonoridade. Ou seja, aqui temos riffs inspirados, cozinha quebrando tudo e solos em uma quantidade muito maior que normalmente se encontra no estilo.

“Buried in Violence” inicia com a poderosa “Kill. You. Now” que é o cartão de visitas para o conteúdo existente no disco, uma música pesadíssima, bateria martelando e bom solo de guitarra. Em sequencia “Annihilation”  e sua rifferama mantém o nível, que aumenta consideravelmente com a “fodística”  “As Your Kingdom Falls”, que alia com perfeição peso e melodia, além de contar com belos solos. “Blood Coated Concrete”, tem um lado mais moderno, soando como um filhote de Lamb of God com Pantera, enquanto “Monster” chama mais atenção pelo seu refrão mais melódico, trazendo-os mais para perto da sonoridade de algumas bandas americanas de New Metal.

A faixa-título, com sua introdução no baixo/bateria, logo descamba para outra música feroz e pesadíssima, o contraste perfeita para a seguinte, a instrumental mais light “Vindicare”, que precede uma das músicas mais legais do disco, “Nemesis”, com suas variações e sacadas muito legais. Sentimento de aprovação que se acentua com “Revolution of Destruction”, com um misto de vocais gritados/melódicos na medida correta, além dos já citados riffs inspirados. Já com “Unholy Manipulator” fiquei com o pé atrás, simplesmente pela repetição do clichê mais batido em letras de Metal, “Ashes to Ashes, Dust to Dust”, já devemos ter ouvido isso em pelo menos outras 100 músicas em todos esses anos, hora de virar o disco.

E chegamos assim ao encerramento de “Buried in Violence”, com o ótimo e inesperado cover de “Perry Mason” do velho Madman Ozzy. Legal ver uma banda apostar numa música que não aparece entre os grandes clássicos de Osbourne, apesar de ser uma faixa que sempre achei bem bacana e até menosprezada em sua carreira. Uma maneira de terminar com chave de ouro um debut do qual não se esperava muito, e no final se mostrou uma grande surpresa. Talvez aqui surgindo uma nova promessa da música pesada…

 

Nota: 9,0

Formação:

Adam Gilley – Vocal
Cody Rathbone – Guitarra
Gene Rathbone – Guitarra Solo
Mark Campbell – Baixo
Mike McGuire – Bateria

11 Faixas – 44:33

Tracklist:

01.Kill. You. Now.
02.Annihilation
03. …As Your Kingdom Falls
04. Blood Coated Concrete
05. Monster
06. Buried in Violence
07. Vindicare
08. Nemesis
09. Revolution of Destruction
10. Unholy Manipulator
11. Perry Mason

 

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Resenha Division Hell – Bleeding Hate (2015)

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Vou começar essa resenha de forma diferente, justamente parabenizando a todos os envolvidos pela belíssima capa e toda a produção exemplar de “Bleeding Hate”, uma amostra de quão bom pode ser nosso material não apenas sonora, mas visualmente mesmo. Um caso de “amor” a primeira vista.

Mas obviamente que, se o som da banda paranaense não tivesse a mesma qualidade, esses detalhes não conseguiriam salvar o resultado final. E felizmente o quarteto curitibano sabe muito bem como vencer um jogo.

Uma breve introdução e a violência começa com “Army of the Dead”, um verdadeiro petardo Death Metal que não deixa pedra sobre pedra. Violência sonora que se mantém em “The Fable of Salvation”, com a tradicional letra Death e surpreendentes melodias surgindo no decorrer da música. “World Khaos” tem um inicio marcante e participação especial de Mano Mutilated nos vocais, mais um grande destaque de “Bleeding Hate”.

A faixa-título possui um peso absurdo, apesar de mais cadenciada, e um ótimo solo de guitarra que casou com o ritmo menos acelerado. Uma música nota 10. “The Last Words” trazem vocais mais variados, e parece um pouco com o que o Paradise Lost fazia em seus primeiros anos. “Holy Lies” tem alguns riffs e solos mais voltados para o Thrash Metal, apesar das letras não negarem o lado Death Metal do Division Hell.

A instrumental “Bleak” dá uma chance para o ouvinte respirar um pouco, já que investe mais na melodia, mas esse fôlego novo mal agüenta as últimas duas faixas do disco, “Waiting For the Exact Time”, típica faixa Death Metal, e que também conta com ótimos solos de guitarra e alguns riffs a la Cannibal Corpse, e “Crossing the Line”, que também investe mais no peso que na velocidade, tendo novamente alguns saudáveis elementos mais voltados para o Thrash Metal.

Talvez um pequeno senão de “Bleeding Hate” (para não dizer que é tudo perfeição), e é uma culpa que nem sequer pode ser atribuída a banda, visto ser um problema recorrente em bandas de Metal nacionais, é que o disco foi gravado entre 2012-2015, um longo período que não traz uma grande uniformidade as músicas, fazendo com que as mesmas funcionem mais de forma separadas que como um disco. Mas se esse for o ponto fraco de “Bleeding Hate”, fica a certeza que o resultado final é muito bom…

 

Nota: 8,5

Formação:

Ubour (Guitarra/Vocal)
Renato Rieche (Guitarra)
Hernan Borges (Baixo)
Eduardo Oliveira (Bateria)
9 Faixas – 40:34

Tracklist:

1 – Army Of The Dead
2 – The Fable Of Salvation
3 – World Khaos
4 – Bleeding Hate
5 – The Last Words
6 – Holy Lies
7 – Bleak (Instrumental)
8 – Waiting For The Exact Time
9 – Crossing The Line

Entrevista com a banda Semblant (Paraná)

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Hoje para você se sobressair em meio a centenas de bandas existentes e que continuam a surgir em nosso país é uma tarefa quase que impossível sem alguma espécie de ajuda. Mas nem todo apoio do mundo é suficiente, se a banda não tiver qualidade. E qualidade é o que não falta ao Semblant, banda paranaense que está completando uma década de existência agora em 2016.

Para falar mais sobre a carreira da banda e os planos futuros da mesma, realizei esta entrevista com o guitarrista Juliano Ribeiro. Confiram…

 

Vicente – Primeiro de tudo, nos conte como foi o começo de tudo para o Semblant? Como chegaram ao nome da banda?

Juliano Ribeiro – A Semblant começou suas atividades em 2006, inicialmente realizando covers de bandas admiradas pelos integrantes. Dos integrantes da primeira formação da banda, apenas o Sergio Mazul, nosso vocalista, e o J.Augusto, tecladista, permanecem no grupo. Pouco tempo depois, o foco passou para músicas próprias, o que culminou em dois lançamentos, o primeiro EP “Behold the Real Semblant” e o primeiro disco “Last Night of Mortality”. O nome da banda partiu da própria definição da palavra “semblante” em si – o aspecto na face de alguém, através do qual se percebe os mais variados sentimentos, seja a tristeza, a raiva, a alegria, a dor.

Vicente – Semblant está completando em 2016 dez anos de carreira. Como vocês vêem a trajetória da banda até este momento?

Juliano – A nossa trajetória, naturalmente, teve seus altos e baixos, mas continuamos seguindo em frente e essa perseverança trouxe resultados. Passamos por diversas mudanças de formação e problemas internos no passado, entretanto hoje estamos mais fortes do que nunca. A banda amadureceu muito nos últimos anos, principalmente após o lançamento do “Lunar Manifesto” e agora nosso foco está no que os próximos anos nos reservam.

Vicente – Vocês lançaram em 2014 o disco “Lunar Manifesto”.  Como foi o processo de composição e gravação do mesmo?

Juliano – Começamos a trabalhar no “Lunar Manifesto” logo após o lançamento do EP “Behind the Mask” em 2011. Passamos um longo período trabalhando nas novas composições até chegarmos ao estágio de gravação no segundo semestre de 2013. Ainda era o início da base da nossa formação atual e esse período foi importante para que conseguíssemos amadurecer as novas ideias e extrair o máximo de cada um dos elementos do grupo. O “Lunar Manifesto” foi gravado na cidade de São Paulo, com a produção de Adair Daufembach (Project46, Hangar, Holiness). A experiência de gravar com um profissional do gabarito do Adair foi determinante para o resultado final do disco. Acredito que crescemos muito como banda e isso fica evidente ao escutar o álbum.

Vicente- E a resposta dos fãs, tem sido a esperada por vocês?

Juliano – A resposta dos fãs superou qualquer expectativa que poderíamos ter antes de lançar o disco. Obviamente, acreditávamos na força do material, mas ninguém antecipava uma resposta tão forte. O disco foi muito bem recebido, tanto no Brasil quanto fora dele. Recebemos com frequência mensagens de pessoas do mundo todo, elogiando a banda e o disco. Saber que nossa música atravessou fronteiras e, principalmente, causou um impacto nas pessoas significa muito para a banda.

 

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Vicente – A banda gravou dois vídeos para divulgar o trabalho. O bom “What Lies Ahead” e o excelente e mais recente “Dark of the Day”. Como foi a gravação destes vídeos, e como surgiu a ideia por trás de cada um deles?

Juliano – Ambos os vídeos foram filmados na nossa cidade, Curitiba. O primeiro deles, “What Lies Ahead”, tinha como objetivo principal apresentar a banda e seus músicos de forma mais adequada para o público, por isso ele é um pouco mais simples que o mais recente. Em “Dark of the Day”, resolvemos fazer uma produção muito maior, inspirada pelo filme “Um Drink no Inferno”. Dessa inspiração, temos muitos dos elementos que aparecem no vídeo como as dançarinas, a cobra, as garotas caracterizadas como vampiras. O vídeo foi filmado no Teatro Paiol, lugar muito tradicional da cena artística curitibana.

Vicente – Inclusive é curioso vermos os comentários dos vídeos citados, pois muitos não imaginavam tratar-se de uma banda nacional. Esse foi o objetivo do Semblant desde o principio, fazer um trabalho o mais profissional possível?

Juliano – Acredito que qualquer banda que tenha a ambição de conquistar algo com sua música precisa apresentar o trabalho o mais profissional possível. Sempre buscamos atingir o nível mais alto possível no que fazemos, seja nas nossas músicas, produção dos nossos discos, aspecto visual do grupo, para valer todo o investimento que o fã faz no nosso trabalho.

 

Vicente – A sonoridade do Semblant vai muito além do Gothic/Symphonic Metal, trazendo uma aura muito mais agressiva e soturna do que os gêneros citados. Vocês se incomodam com este tipo de rótulo a sua música?

Juliano – Pessoalmente, tenho alguns problemas com determinados rótulos colocados em nossa música, embora tenha consciência de que se trata de algo natural e inevitável. Somente acredito que os rótulos não chegam perto de abranger a totalidade do que é a sonoridade da banda. Como você mesmo disse, nossa música é muito mais agressiva e soturna do que outras bandas enquadradas na mesma vertente musical e o rótulo podem impedir que uma pessoa familiarizada com as vertentes mais extremas do estilo, por exemplo, procure o nosso trabalho.  Acho que qualquer fator limitador no trabalho artístico causa certo incômodo, mas como eu disse anteriormente, é natural e inevitável.

Vicente – Vocês já pensam em um sucessor para “Lunar Manifesto”, ou o objetivo ainda é divulgar mais o atual disco para mais pessoas conhecerem o trabalho da banda?

Juliano – Continuaremos divulgando o “Lunar Manifesto” durante o ano de 2016, mas também já começamos o processo de composição do próximo álbum, que pretendemos lançar no ano que vem. Temos vários shows sendo agendados no momento para continuar a divulgação do disco, tanto no Brasil quanto no exterior. No segundo semestre, mudaremos o foco em definitivo para o próximo disco.

Vicente – O Brasil vive um período econômico conturbado, o que influencia em todos os mercados, e com o meio musical não seria diferente. Como vocês vêem o atual momento brasileiro, principalmente no que concerne as bandas autorais nacionais?

Juliano – Embora o momento atual brasileiro não seja dos mais favoráveis, vejo um fortalecimento no cenário das bandas autorais no país. Muitas bandas estão lançando trabalhos incríveis e sendo reconhecidas por eles. O profissionalismo das bandas está se tornando algo muito mais evidente e isso está fazendo com que a cena se fortaleça consideravelmente.

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas?

Kreator – Não conheço muito sobre a banda, mas tenho respeito pelo trabalho deles. Pessoalmente, tenho uma preferência pelas bandas americanas de Thrash Metal.

Moonspell – Uma das nossas maiores influências como banda. Recentemente, realizamos a abertura do show deles em Curitiba e foi uma experiência extraordinária. Nesse dia, inclusive, a Mizuho Lin, nossa vocalista, participou do show deles cantando a música “Scorpion Flower”, uma música que costumávamos tocar no passado.

Epica – Uma grande banda. Também não conheço muito a fundo o trabalho deles, mas os discos que escutei da banda são bem interessantes.

Paradise Lost – Outra grande influência, especialmente para o Sergio Mazul. Álbuns como “Draconian Times”, “In Requiem”, “Symbol of Life” foram muito importantes para alguns dos integrantes da banda.

Nightwish– Uma das bandas favoritas da Mizuho. Ela certamente poderia falar muito sobre eles. No ano passado, tivemos a oportunidade de abrir o show da Tarja Turunen, ex-vocalista da banda, em Curitiba e, sem dúvida alguma, foi um dos momentos mais marcantes da nossa carreira e, especialmente, da Mizuho.

Vicente – Para encerrar, deixem uma mensagem para os amigos e fãs, e para todos aqueles que desejam conhecer mais sobre o Semblant.

Juliano – Primeiramente, agradecemos todo o carinho dos nossos amigos e fãs pelo país inteiro. Somos extremamente gratos a todos vocês pelo apoio nesses 10 anos de carreira. Esperamos, em breve, encontrar e conhecer todos vocês em algum dos nossos shows. Gostaríamos também de agradecer a você pelo espaço e pelo apoio ao trabalho autoral no país. Para quem deseja conhecer mais sobre a Semblant, acesse a nossa página oficial do Facebook ou o nosso site oficial (www.semblant.com.br). Lá você pode encontrar novidades sobre a banda, os vídeos, entre outras coisas. O nosso disco “Lunar Manifesto” está disponível para venda e streaming nas mais diversas plataformas digitais como iTunes, Amazon, Spotify e também para venda no formato físico no site da Shinigami Records (www.shinigamirecords.com.br). Muito obrigado e até breve!

 

 

 

 

Resenha Serenity – Codex Atlanticus (2016)

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E eis que os austríacos (bom, quase todos austríacos) do Serenity chegam agora ao seu quinto álbum, e com Codex Atlanticus eles mantêm sua trajetória rumo a consolidação de seu nome, mas agora ainda mais sinfônico, mais teatral.

Mas, apesar de já terem uma identidade criada, ainda não se apagou por completo aquela impressão de estarmos ouvindo um disco mais antigo do Sonata Arctica. Porém, sonoridades à parte, seria uma infelicidade tremenda transformar o Serenity em uma reles cópia de grupo citado, ainda mais pelo trabalho despendido neste novo disco.

Trabalho duro provavelmente, pois as orquestrações, vocalizações e melodias apresentadas durante toda a audição de “Codex Atlanticus” são acima do lugar comum, e não é algo que se consegue conquistar com poucas horas de estúdio. Ponto para a banda, que deve ter ralado sério para conseguir o resultado final.

O álbum começa com a orquestração da instrumental  que origina o nome do disco, que é seguida pela mais Power Metal “Follow Me”, música contagiante que se tornou o primeiro vídeo clipe do disco. (podem conferir o mesmo ao final da resenha). “Sprouts of Terror” é mais agressiva, mas sem esquecer de lado a melodia e a grandiosidade nas cordas. Grandiosidade que se torna ainda mais evidente em “Iniquity”, onde o lado mais Nightwish da banda vem a tona. “Reason” traz aquela faceta meio Sonata Arctica que permeia algumas faixas, mas sendo uma bela música, com um breve mais ótimo solo de guitarra. As baladas não poderiam deixar de dar suas caras, e aqui temos a épica “My Final Chapter” e “The Perfect Woman” que, a despeito da roupagem mais sinfônica, não ficaria nem um pouco deslocada em um álbum de Hard Rock, com alguns toques ao estilo do Queen.

“Caught in a Myth” retoma o caminho mais épico, com coral de vozes e um andamento mais moderado e outro solo de guitarra interessante. E o Power/Symphonic volta com força total em “Fate of Light”. “Spirit in the Flesh” também segue esse caminho, apesar de ter algumas nuances meio Dream Theater em certos momentos, e o disco encerra com “The Orde”, que não poderia deixar de ser o final de “Codex Atlanticus”, visto toda a grandiosidade e dramaticidade de suas orquestrações e fecha com chave de ouro o álbum.

Destaque também para bela capa e as letras, voltadas para as obras de Leonardo da Vinci em sua maioria, mas também versando sobre teorias da conspiração, os Illuminati e coisas afins.

Não soa como a banda mais original de todos os tempos, mas se originalidade fosse tudo, deveríamos aplaudir os precursores do Sertanejo Universitário e Funk, pois os mesmos foram originais em criar tamanha “obra cultural”.

 

Nota: 8,0

Formação:

Georg Neuhauser – Vocal

Fabio D’Amore – Baixo/Vocal

Andreas Schipflinger – Bateria/Vocal

Cris Hermsdörfer – Guitarra

 

11  Faixas – 51:54

Tracklist:

1-CodexAtlanticus

2-Follow me

3-Sprouts of Terror

4-Iniquity

5-Reason

6-My final Chapter

7-Caught in a myth

8-Fate of Light

9-The perfect Woman

10-Spirit in Flesh

11-The Orde

 

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Resenha Show Antidemon 30/01/2016 (por Cesar Nemitz)

(Texto e fotos creditados a Cesar Nemitz)

Dia 30 de janeiro de 2016
Manifesto Bar, São Paulo/SP

 

No sábado, fui convidado para comemorar 22 anos de trajetória da banda Antidemon, uma das mais conhecidas e bem sucedidas do cenário do white metal do Brasil, com alguns CDs gravados e shows até no exterior. Antes, tive a oportunidade de conversar um pouco sobre vários assuntos com o baixista e vocalista Batista, e ele me relatou algumas dificuldades que a banda atravessou durante todo esse período. Realmente, foram duras batalhas que, se não fossem a garra e fé, já teriam desistido.

 

Bem, o show estava marcado para começar cedo (19 horas e 30 minutos), e mesmo assim a casa recebeu um bom público, todos ávidos por som pesado. A banda (com Marcelo Soldado na guitarra e Juliana na bateria) fez um set que agradou a todos, principalmente por abranger todas as fases e pelo set ter sido montado em cima de pedidos via internet. Ou seja, o público pediu e ouviu.

 

No palco, o trio não deixa pedra sobre pedra. Aqui eu gostaria de fazer um comentário. As músicas são pesadas e rápidas, nada de diferente de uma banda ´normal´ de metal. A única diferença realmente são as letras. O que pode incomodar algumas pessoas, mas que não deveria. Porque tem gente que curte bandas e que não tem a menor ideia do que está se falando nas letras, ou tem letras que não tem nem pé nem cabeça, e o pessoal aplaude por causa do som. Então, fica a dica: não julgue o livro pela capa. Ouça antes de criticar. Claro que ninguém é obrigado a gostar de tudo, mas respeito e conhecimento são sempre bons.

 

No meio do set, a banda fez um sorteio de um quadro entre os 100 primeiros ingressos vendidos. Segundo Batista, essa arte do quadro já virou camiseta da banda etc. Então o sortudo levou um pouco da história do Antidemon para casa. Ao retornar, Batista perguntava o que eles queriam ouvir, e muitos gritavam “Massacre”, demonstrando que essa é uma das preferidas. Também é de se destacar que estavam presentes pessoas de várias cidades do interior, litoral e até de outros estados. Parabéns ao grupo pelos 22 anos, e que venham mais. Amém!
Set list
Introdução
INFERNAL
GUERRA AO INFERNO
NÃO TARDARÁ
HOLOCAUSTO
INSANOS CONDENADOS
VÍRUS
CAUSAS ALCOÓLICAS
O QUE ERA RUIM FICOU PIOR
USUÁRIO
CONFINAMENTO ETERNO
PROTESTO AxMxNx
CONTRA O INFERNO
APODRECIDA
EM QUEM VOU ACREDITAR?
SUICÍDIO
WELCOME TO DEATH
DEMONOCÍDIO
VIAGEM
MALDITO LUCIFER
MASSACRE
DOMINIO
Texto: Cesar Nemitz

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Resenha BraveHeart – Dedicated to my Heart (2015)

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Lembro que, quando ouvi o BraveHeart pela primeira vez, não tive como não associar os mesmos com o Metallica da época Load/Reload, visto a entonação na voz de Michael Bahr ser muito semelhante a de James Hetfield, além da sonoridade Heavy Rock da banda casar muito com a já citada época da banda americana.

Mas, com esse acústico “Dedicated to my Heart”, a banda envereda muito mais para o Southern Rock, com leves pitadas de Country e Folk, do que para o estilo anterior. Um lado muito mais Lynyrd Skynyrd, e ainda por cima com um grande leque de sensações que permeiam todo o álbum.

De fato, “Dedicated to my Heart” é justamente isso, um disco voltado a toda sorte de sentimentos, e começa com a empolgante, apesar de triste “Who’s to Blame”, música com levada bacana e refrão muito interessante, realmente a melhor escolha para abrir o álbum.

Depois vem “Guilty”, provavelmente uma das músicas de maior expressão do BraveHeart, e carregada de uma forte emoção, principalmente nos vocais, um grande trunfo da banda paranaense. Mas é impossível deixar de destacar igualmente as ótimas “Christmas Carol” com backing vocals femininos que deram um ar meio Folk/Country à música, a com forte acento Southern Rock “Finding my Way”, uma grande candidata a hit imediato, e a mais animada do disco, “Don’t Get me Wrong”, onde o Heavy Rock tradicional da banda dá suas caras, mesmo que de forma mais tímida, e que também provou ser a escolha correta para encerrar o álbum.

Pena o álbum ter uma duração relativamente curta, mas talvez no formato acústico isso funcione até melhor, para não cansar tanto o ouvinte. Dá um pouco de saudade das guitarras, mas quando algo é sincero e bem-feito como “Dedicated to my Heart”, isso se torna apenas um detalhe. Altamente indicado…

Nota: 8,0

7 faixas – 21:46

Tracklist:

  1. Who’s to Blame?
  2. Guilty
  3. Christmas Carol
  4. First People
  5. Finding my Way
  6. Remember Who You Are
  7. Don’t get me Wrong

 

Resenha Drenched in Blood – Hail to the Slaughter (2015)

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É muito legal quando tu recebes um álbum de uma banda que não conhece e, consequentemente não espera nada da mesma, e ao escutar fica com aquela sensação de “Que Diabos É Isso? Como nunca havia ouvido falar dessa banda anteriormente?” Por que o trabalho da banda alemã Drenched in Blood neste seu segundo disco “Hail to the Slaughter”, é espetacular, parecendo se tratar de um lançamento de uma banda já estabilizada e reconhecida mundo afora.

Não há como fazer um destaque individual para os integrantes da banda, mas sim destacar o impecável trabalho de produção de “Hail to the Slaughter”, cuja sonoridade soa perfeita, colocando qualidade acima de uma pretensa sonoridade “old school” que alguns pregam como o correto.

E é só ouvir os primeiros acordes da faixa titulo para saber o que esperar: Um Thrash/Death Metal infernal, com vocais mais voltados para o segundo estilo. Pesado, mas sem esquecer a melodia que surge de forma interessante em algumas músicas, como em “My Destiny” (Pusta Música) e “Stand Alone”. Algumas faixas possuem até aquele quê do Doom/Death Metal surgido no final dos anos 80, inicio dos anos 90, mais nitidamente em “Friendly Fire” (essa um pesadelo sonoro), a arrastada “Brothers of Sleep” e a derradeira “Missing Link”. “War is the Only Answer” é sensacional, com riffs e bateria perfeita, impossível ficar impune a uma música dessas, que apesar do estilo, chega a ser daquelas que grudam na cabeça como se fosse uma simples música comercial. Já “Darkness Falls” tem uma introdução estranha de bateria, mas depois se revela outra peso-pesado do disco.

Vivemos uma época onde bandas pipocam mundo afora aos milhares, sendo impossível conhecermos ou ouvirmos todas elas, mas se você tiver um tempo vale a pena conhecer o Drenched in Blood. Provavelmente irá se surpreender, assim como eu…

 

Nota: 9,0

Formação:

Tommy – Vocal

Sebastian – Guitarra

Steffen – Guitarra

Gerard – Baixo

Robert- Bateria

 

8 Faixas – 40:54

Tracklist:

1 – Hail to the slaughter

2 – War is the only answer

3 – Darkness falls

4 – My destiny

5 – Friendly fire

6 – Brother of sleep

7 – Stand alone

8 – Missing link

 

 

Resenha Hexvessel – When We Are Death (2016)

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Se você nunca ouviu falar dessa banda finlandesa, pelo nome dela talvez pudesse pensar tratar-se de uma banda de Folk Metal. Mas, apesar da palavra não estar exatamente errada, ao vermos as fotos dos integrantes e os títulos das músicas, ficamos com a certeza que a viagem vai muito além disso.

A verdade é que o Hexvessel bebe diretamente da fonte do Rock anos 60 e 70, no sentido mais psicodélico e levemente progressivo possível, e é daí que surge a aura mais Folk Rock deles. E da-lhe influência de bandas como The Doors, Deep Purple dos primeiros anos, Jethro Tull, King Crimson e o próprio Pink Floyd em seu período mais psicodélico. E, diferente de algumas bandas atuais que tentam resgatar sonoridades antigas, o sexteto finlandês realmente parece ter surgido daquela época, tal a fidelidade e qualidade de sua sonoridade.

E “When We are Death” começa com a empolgante “Transparent Eyeball”, que possui uma levada bem legal e bons duetos de guitarra e teclado, além de um refrão marcante e mudanças de ritmo muito interessantes. Músicas como “Earth Over Us”, por exemplo, é puro The Doors, uma viagem sem escalas ao final dos anos 60. “Cosmic Truth” é daquelas para ouvirmos a noite olhando para as estrelas e assim pensando na imensidão acima. “When I’m Dead” é uma grande miscelânea de sonoridades típicas das épocas citadas, sendo uma boa surpresa do álbum. Existem aquelas músicas que podem ser consideradas uma espécie de balada, apesar do estilo mais viajante das mesmas como, por exemplo, “Mirror Boy” e “Green Gold”, ambas contando com um belo trabalho vocal de Mat McNerney. “Drugged Up on the Universe” tem um clima mais tétrico, com um quê de Pink Floyd/King Crimson, enquanto “Mushroom Spirits Doors” tem aquele ar do Deep Purple anterior a entrada de Ian Gillan e boas melodias. E tudo termina com “Hunter’s Prayer”, que possui uma carga mais dramática durante toda sua execução.

Se sua praia for uma som de difícil definição, mais “viajão” mesmo, pode ir atrás de “When We are Death” sem pensar duas vezes, pois não irá se arrepender. E no caso do Hexvessel, plagiando uma expressão bem batida, recordar é viver…

 

Nota: 8,5

 

Formação:

Mat McNerney – Vocal & guitarra

Jukka Rämänen – Bateria

Simo Kuosmanen – Guitarra solo

Niini Rossi – Baixo

Kimmo Helén – Teclados, trompete & violino.

Marja Konttinen – backing vocals & percussão

 

10 faixas – 43:34

 

Tracklist:

  1. Transparent Eyeball
  2. Earth Over Us
  3. Cosmic Truth
  4. When I’m Dead
  5. Mirror Boy
  6. Drugged Up On The Universe
  7. Teeth Of The Mountain
  8. Green Gold
  9. Mushroom Spirit Doors
  10. Hunter’s Prayer

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Resenha Dante Fenderrelli – Pleasures (2015)

Capa

 

Sempre é complicado fazer uma resenha de um álbum quando tu pareces não conseguir captar o que o artista realmente tentou passar com sua música. Foi o que aconteceu no caso deste “Pleasures”, primeiro lançamento solo de Dante Fenderrelli.

Dante é um multi instrumentista, e em “Pleasures” procurou resgatar um pouco o Rock anos 60 e 70, trazendo o mesmo para os dias de hoje. Apesar de ser, obviamente, um músico mais que competente, talvez o resultado esperado não foi alcançado. Muito disso em virtude da pobre produção do disco, mesmo que ele intencionalmente deveria soar cru. O problema é que existem diferenças no volume dos instrumentos, com os vocais baixos demais em detrimento das guitarras, alem de não soar da maneira correta. Na verdade o resultado ficou mais próximo do Grunge que do Rock n’ Roll.

As sete faixas que compõem “Pleasures” (sendo duas versões quase iguais de “She’s Just Falling”) soam cruas, simples e propositadamente desleixadas, um Rock mais sujo e lisérgico. Só que tudo acabou soando simples demais, e as letras contribuem para essa sensação, casando mais com uma banda Punk que uma de Rock n’ Roll. Como maior destaque temos a citada faixa de abertura (ou de encerramento, depende do ponto de vista), essa uma música com ritmo empolgante, com potencial até para hit e ótimos riffs de guitarra. Na verdade é esse instrumento que traz os melhores resultados, pois “Winds Should” e “Lady Violence” possuem ótimos riffs e melodias. Já “Got So Free” poderia ser uma Demo perdida do Nirvana, o que mostra o lado Grunge no trabalho de Dante.

Já no DVD que acompanha “Pleasures” temos cinco faixas (visto que “She’s Just Falling” aparece novamente duas vezes aqui), sendo que Making Love é um cover do Kiss. Apesar da boa edição de imagens, o DVD não traz grandes surpresas, com exceção do Videoart da música “She’s Just Falling”, que traz uma rapariga nua se banhando, o que não é de todo ruim (pelo contrário).

Enfim, potencial é algo que não pode ser negado que Dante possui, pois ele tem postura e alma roqueira, e criou alguns riffs de guitarra muito bacanas em “Pleasures”, mas talvez o desejo de fazer algo mais sujo e analógico tenha o feito perder um pouco o rumo. Mas nada que não tenha solução.

 

Nota:6,5

7 faixas (CD) – 19:08

Tracklist:

  1. She’s Just Falling
    2. Winds Should
    3. She Goes Now
    4. Lady Violence
    5. Got So Free [Live n Wild]
    6. She’s Dancing On
    7. She’s Just Falling [Live]

DVD:

1 – Making Love (Live)

2 – She’s Just Falling (Live)

3 – Lady Violence

4 – She Goes Now

5 – Got So Free (live)

6 – She’s Just Falling (Videoart)

Resenha Greg Lake & Geoff Downes – Ride the Tiger (2015)

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Vamos ver o currículo destes dois rapazes: Sr. Greg Lake (Baixista, Guitarrista e Vocalista) foi co-fundador das bandas King Crimson e Emerson Lake & Palmer. Já o Sr. Geoff Downes, tecladista de bandas como o Asia e Yes. Poucos podem dizer que possuem tais referências, certo?

E os dois, que já tiveram oportunidade de tocar juntos em algumas bandas, finalmente soltaram este álbum/Ep “Ride the Tiger”, com músicas escritas por ambos há um bom bocado de anos, e que nunca tinham sido lançados nesse formato, apesar da música “Love Under Fire” já ter saído em um disco do Asia, e a faixa “Affairs of the Heart” foi lançada pelo Emerson Lake & Palmer, as músicas restantes haviam ficado na gaveta por todo esse tempo, vendo a luz do dia somente no final de 2015.

E as músicas, em sua grande maioria, são voltadas para o teclado e baixo, já que os mesmos são os principais instrumentos dos músicos citados. E aquele “cheiro” do Pop/Rock década de 80 fica impregnado durante toda a audição de “Ride the Tiger”. Alguém mais desavisado, ou que apenas dê uma ouvida de leve no material, pode considerar o mesmo meio “brega” e datado, mas a verdade é que a competência destes dois monstros compensa qualquer falta de peso contido aqui.

As duas faixas citadas, “Love Under Fire” e “Affairs of the Heart” são duas baladinhas conduzidas pelo teclado e boa interpretação vocal de Greg Lake, mostrando uma voz afiada, mesmo que sem malabarismos. Ou seja, o simples, mas eficiente. Ambas excelentes, mas das duas, a que traz uma carga de emoção maior é “Affairs of the Heart”, sendo que a outra aparece ao final numa versão alternativa (que na verdade não difere muito da oficial).

Mas “Ride the Tiger” possui outros destaques também, como “Money Talks” (não, não tem semelhança alguma com o clássico do AC/DC) onde guitarras tímidas chegam a dar um leve sinal de vida, “Street War”, essa totalmente anos 80, quase uma viagem no tempo, e “Blue Light”, outra balada bacana, apesar de um pouco inferior as anteriores.

Não esperem encontrar peso aqui, e mesmo o progressivo mais elaborado das bandas pelas quais os artistas passaram, mas é um disco para se ouvir quando se deseja paz e tranqüilidade, de preferência se estiver à noite numa praia na companhia perfeita.

 

Nota: 8,0

 

7 Faixas – 32:01

Tracklist:

  1. MONEY TALKS
    2. LOVE UNDER FIRE
    3. AFFAIRS OF THE HEART
    4. STREET WAR
    5. CHECK IT OUT
    6. BLUE LIGHT
    7. LOVE UNDER FIRE (ALTERNATE MIX)

Resenha Chaos Synopsis – Seasons of Red (2015)

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Algum tempo atrás tive a oportunidade de resenhar o disco “Art of Killing” da banda Chaos Synopsis, constatando que tratava-se de uma banda muito acima da média, não somente no seu estilo. Agora, com seu novo álbum, “Seasons of Red”, a banda mostra que não foi um simples acidente de percurso tal qualidade. Chaos Synopsis não é mais o futuro do Metal nacional, mas sim o presente. Deixou a pecha de ser uma promessa para se tornar a realidade, e com toda a razão.

A qualidade sonora continua perfeita, o peso e violência que são vitais para o Thrash/ Death Metal, mas junto a isso a banda paulista acrescentou algumas melodias que deram um molho todo especial ao resultado final. Os mais puristas que não se assustem, pois o Chaos Synopsis não “amansou” seu estilo, mas sim o moldou de forma ainda mais coesa que anteriormente.

Tudo começa com “Burn Like Hell” com seu inicio acústico que chega a surpreender, mas que depois desencadeia uma brutalidade sonora absurda, não deixando pedra sobre pedra. Violência sonora que continua em “Gods Upon Mankind”, mal deixando espaço para respirar, já “The Scourge of God” mescla momentos mais cadenciados com outros extremamente velozes, mas tudo sem perder em momento algum o peso tradicional da banda, e possui uma levada diferente em sua metade que ficou bem interessante. Mas é com a faixa “Red Terror” que o bicho pega. Ali a banda mostra como fazer o verdadeiro Death Metal melódico, com seus riffs de guitarra que esbanjam bom gosto, mas com blast beats e vocais guturais que combinam perfeitamente. Talvez seja a minha preferida em “Seasons of Red”.

Só com estas quatro músicas o álbum já valeria a pena, mas ainda temos aqui as excelentes “Brave New Gold”, com seu andamento e riffs empolgantes, “State of Blood”, que começa bem Old School, mas que possui um andamento mais cadenciado em sua metade, e as duas faixas que fecham com chave de ouro “Seasons Of Red”, “Like a Thousand Suns” (veloz e brutal) e “Four Corners of the World”, que, em meio a riffs mais voltados para o Thrash, possui algumas melodias e solos de guitarras totalmente Heavy Rock, o que trouxe um brilho todo especial a faixa de encerramento.

Ao que tudo indica, os próximos anos serão de completa afirmação desta banda que mostra como se deve fazer um Metal de imensa qualidade. Só que os caras vão ter que se puxar para superar “Art of Killing” e agora esse grande disco “Seasons of Red”. Olha a responsa…

 

Nota: 9,0

Formação:

Jairo Vaz – Vocal, Baixo
Friggi – Bateria
JP – Guitarra
Luiz Ferrari – Guitarra

 

9 Faixas – 40:40

Tracklist:

1. Burn like Hell 05:29
2. Gods upon Mankind 04:51
3. The Scourge of God 04:55
4. Red Terror 02:59
5. Brave New Gold 05:19
6. Incident 228 03:25
7. State of Blood 05:26
8. Like a Thousand Suns 02:54
9. Four Corners of the World 05:22

 

Resenha – Mizantropia – Oblivion (2015)

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Muitos dizem que o Gothic Metal é um estilo que já deu o que tinha para dar, e agora seria tudo mais do mesmo. Talvez escutar esse disco da banda ucraniana Mizantropia mude essa opinião. A minha ao menos mudou…

Se não é a coisa mais original do mundo, é inegável que o trabalho da banda em “Oblivion” é espetacular, não devendo em nada as bandas top do gênero. E como eles colocam um peso extra em algumas das faixas, não seria exagero classificá-los como Extreme Gothic Metal.

Um dos destaques da banda é a vocalista Catherine Sinegina, com uma voz acima da média, não se contentando em soar apenas como uma simples cópia de outras vocalistas do gênero. Claro que tem um marmanjo urrando junto também, no tradicional estilo “a bela e a fera”. De destacar também o bom trabalho dos xarás guitarristas Serhii pelos riffs interessantes e a batera Anastasiya Kurchenko pelo belo (nesse caso redundante) desempenho em “Oblivion”.

Como as músicas são em sua maioria intituladas e cantadas em ucraniano (meus conhecimentos desta língua ainda não estão bem afiados, hehe), as que acabam chamando mais atenção são as faixas em inglês, como a espetacular “Dark Gathering” e a pesadíssima “Tomorrow Never Comes”. O disco possui duas bônus, a primeira um cover da diva Pop russa Alla Pugacheva, e a segunda meio nonsense, parecendo mais algo voltado para o Folk.

Mizantropia é altamente indicado para fãs de bandas como Moonspell, Draconian, Theatre of Tragedy, Paradise Lost e afins. Uma surpresa para mim, que desde já me tornei fã de mais uma banda ainda desconhecida por boa parte dos brasileiros, mas que, pela qualidade de seus integrantes, pode logo vir a mudar esse quadro…

Nota: 8,5

Formação:

Catherine Sinegina – vocais
Serhii Yasyr – guitarra
Anastasiya Kurchenko – bateria
Serhii Vojtenko – guitarra
Anton Abramov – baixo

11 faixas – 50:32

Tracklist:

1. Dark Gathering
2. Замок
3. На дне вечности
4. Poison of Life
5. Tomorrow Never Comes
6. За тобой
7. В ожидании битвы
8. Обломки пустоты
9. Не вижу взгляда
10. Бессонница
11. На коня!

 

 

Entrevista com a banda Antidemon (São Paulo)

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Tive o prazer de entrevistar, no agora já distante Novembro de 2012, pela primeira vez o Baixista/Vocalista Batista, da banda Antidemon. E agora novamente tenho esse privilégio, justamente num momento especial para a banda, que estará realizando, no próximo dia 30 de Janeiro de 2016, o show comemorativo aos 22 anos de carreira, longevidade que poucas bandas de Metal possuem em nosso país. E esse evento, que será realizado no Manifesto Bar (SP), tem tudo para ser histórico, não somente para Batista, Juliana (Bateria) e Marcelo Soldado (Guitarra), mas para todos os presentes, que estarão vivendo um evento único. Confiram…  

 

Vicente – Dia 30/01 a banda estará comemorando 22 anos de carreira, em um show especial no Manifesto Bar. Qual a expectativa para este evento tão especial para a Antidemon?

Batista – As expectativas são incríveis! Poder reunir pessoas que ao longo desses 22 anos estiveram apoiando esse trabalho por si só já é o máximo pra nós! Pessoas vindas de várias partes do País… Caravanas… Gente até de outros países se mobilizando, lutando pra juntar uma grana para pode vir. Isso tudo nos presenteia e nos fez desejar que esse dia chegasse logo. A outra situação que nos enche de expectativas é o fato de voltarmos a tocar na cidade de São Paulo depois de dois anos e pela primeira vez no Manifesto Bar.

 

Batista 01

 

Vicente – Fizemos uma entrevista em 2012. Após isso a banda já teve a oportunidade de tocar em vários países e regiões do Brasil. Como tem sido esses anos para a banda?

Batista – Sim! Muita coisa boa aconteceu. Agora completamos mais de trinta países visitados e de 2012 pra cá retornamos ao México pela quarta vez… Um tour incrível por Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua e Costa Rica… Depois na América do Sul tivemos um incrível tour de 10 shows em 10 dias na Bolívia… Depois Chile, Argentina e Uruguai. E a em 2013 a nossa quinta tour pela Europa… Onde participamos de festivais e eventos incríveis, pela Alemanha, República Tcheca, Eslováquia, Itália onde além de Milão e Torino fomos pela primeira vez a Sicília onde nos apresentamos em Sta.Margherita di Belice e Castellammare del Golfo. Depois Espanha, Portugal e pela primeira vez em países como a Hungria e Sérvia e a distante e impressionante Rússia onde nos apresentamos em Moscou, Tver, Saint Petersburg onde tocamos no Soundstorm Fest, e ainda Novgorod, Ivanovo e Dmitrov. E em terras brasileiras fomos de norte a Sul de leste a oeste… onde dos 26 estados brasileiros só nos resta ainda um a ser visitado, que é o Alagoas.

 

Soldado 02

 

Vicente – E vocês têm agora em sua formação o guitarrista Marcelo Soldado (ex-Korzus, Treta). Como tem sido tocar com o cara?

Batista – Desde agosto de 2012 o amigo Marcelo Soldado tem nos ajudado em muitos compromissos e sempre marcou nossas apresentações como sua incrível presença, carisma e muita habilidade. Nesses anos por levar a frente sua banda o “Coração de Herói”, nem sempre tem podido estar conosco, mas sempre que nos ajustamos em questão de datas ele tem completado o time e para nós é sempre uma alegria tocar com ele.

 

Juliana promo 04

 

Vicente – A referida entrevista de 2012 trouxe a tona uma série de discussões, visto ainda ser difícil para alguns a ideia de uma banda cristã tocar música extrema. Após estes anos acredita que esse quadro mudou, ou tudo continua a ser da mesma forma de antes?

Batista – Realmente acho que isso sempre será assim. Muitos ainda tem se colocado contra nós sem antes tentarem nos conhecer e saber nossos reais propósitos. Mas já estamos acostumados e firmes que nada poderá nos fazer desistir. Muitos novos amigos foram conquistados na cena, independente de serem Cristãos ou não, curtirem Black Metal ou o que for e mesmo assim podermos ser amigos, parceiros e nos ajudarmos, dividirmos o palco e lutarmos juntos. É realmente muito bom quando podemos ser amigos, independente de ideologia, e isso têm acontecido. Afinal como sempre digo: A Música, seja o Heavy metal ou qualquer outro estilo de som, deve ser feita para expressar o que cada um tem dentro de si e o que fala mais alto em seus sentimentos. Seja amor ou ódio, cultura ou religião, politica ou natureza, Deus ou o Diabo. Cada um expresse o que mais sente. Então porque, sentindo com tanta força Deus presente em meu coração e sentimento não posso expressar isso através da minha música?

 

Vicente – Quais são os cinco discos que marcaram sua vida, o fazendo enveredar para o mundo da música?

The Crucified – The Crucified – 1989

Seventh Angel – The Torment – 1990

Mortification – Scrolls of the Megilloth – 1992

Calvário – Ixoye – 1993

Metanoia- In Darkness or in Ligth – 1995

 

Batista no Jô 2014

 

Vicente – E, para finalizar, deixe um recado e um convite a todos que quiserem participar do grande show no Manifesto Bar.

Batista – Obrigado Vicente por mais uma vez nos apoiar e estar no front conosco…

Queremos convidar a todos para estarem no dia 30 de janeiro de 2016 para uma apresentação Histórica com o Antidemon. Os motivos são infindáveis para uma grande festa com todo o público que nos acompanha nessa saga a mais de duas décadas ininterruptas de muito trabalho e amor pelos nossos propósitos.

Chegou o dia de comemorar cada vitória alcançada, o tour bem sucedido por mais de 30 países e os acontecimentos incríveis que nos marcaram, relembrando juntos sons dos quatro álbuns lançados e já um prenúncio do que vem pela frente. Então dia 30-01-16 estamos te esperando no “Manifesto Bar” em uma noite única para todos que lá estiverem. Não haverá bandas de abertura, permitindo assim um “Set List” que certamente será memorável e violento ao mesmo tempo.

O Antidemon conta com a presença de tantos que pediram por essa festa e estiveram conosco batalhando nesses anos de estrada, e que foram e são muito importantes para que o Antidemon chegasse até aqui.

Dessa forma e com toda essa força o Antidemon quer marcar esse dia ao lado de todos que o apoiam e continuar escrevendo essa história, na certeza de mais décadas de vida pela frente.

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Entrevista com a banda Exodus (Estados Unidos)

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Existem bandas que são lendas por tudo que já fizeram na música, que são lendas por ainda continuar na ativa com uma energia de principiante, e aquelas que são lendas pelo total respeito que possuem de seus fãs. E tem o Exodus, que engloba esses três fatores enumerados. E o folclórico e gente boa vocalista Steve “Zetro” Souza concedeu esta entrevista para falar um pouco sobre a turnê que a banda estará fazendo no Brasil nos próximos dias, sobre a morte de Lemmy e a carreira como um todo da banda. E, em se tratando de Zetro, não me surpreendi ao receber a entrevista respondida a mão, visto que o mesmo declarou ser um péssimo digitador. Lenda é lenda…

 

Vicente – Vocês estarão tocando aqui no Brasil, agora em Janeiro. O que você espera destes shows. E o que os fãs daqui podem esperar do Exodus?

Zetro – Eu espero uma destruição completa e grandes momentos. Os nossos grandes fãs brasileiros podem esperar certamente terem o melhor show da vida deles.


Vicente – Exodus tocou no Brasil algumas vezes durante toda sua carreira. Qual é a sua melhor lembrança, de seus shows anteriores aqui?

Zetro – A melhor lembrança é de o quanto receptivos são nossos fãs dai, o quanto são leais e bem informados, e, obviamente, o quanto são loucos.


Vicente – A banda gravou um vídeo muito engraçado sobre os Shows na América do Sul (aqui neste link: https://www.youtube.com/watch?v=hPXjZDhJKLc). Você pode ter certeza que isso trouxe ainda mais fãs para a banda.

Zetro – É tudo sobre boa diversão, uma violência amigável.


Vicente – Depois de mais de três décadas “Thrashing” por todo o mundo, quais seriam seus maiores objetivos para o futuro?

Zetro – Continuar “Thrashing” pelo mundo inteiro por pelo menos mais três decadas.

 

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Vicente – Seu último álbum de estúdio foi “Blood in Blood Out”, lançado em 2014. Depois de todo esse tempo, como você vê a gravação e composição deste álbum?

Zetro – É tudo um mesmo processo e uma mesma fórmula. Gary vem sempre com inspiradas linhas principais e “carrega” nossa força quando chega a hora de gravar.


Vicente – E talvez um novo álbum em breve?

Zetro – Estaremos praticamente o ano inteiro de 2016 em turnê mundo afora. Provavelmente somente ao final de 2016 iremos começar a discutir sobre um novo disco.


Vicente – Há poucos dias o Rock / Metal perdeu uma de suas maiores lendas, Lemmy. Como você recebeu essa notícia, uma vez que, além de músico, você é um entusiasta da boa música?

Zetro – Um grande amigo próximo meu, de tantos e tantos anos. Tive tantas boas experiências com todo o pessoal do Motorhead e Lemmy.


Vicente – Em poucas palavras, o que você pensa sobre essas bandas:
Motorhead:
A primeira das bandas mais extremas de Heavy Metal
Slayer
: A mais pesada banda no mundo
Destruction
: Aprovados no teste do tempo, grandes Thrashers alemães
Metallica
: Nossos parceiros no crime, desde o principio
Black Sabbath
: Únicos, eles são a razão para existir o Heavy Metal

 

Vicente – Finalmente, por favor deixe uma mensagem para todos os brasileiros que curtem o som de Exodus

Zetro – Obrigado por toda sua lealdade, fãs do Brasil. Obrigado por nos dar a oportunidade de retornar ao seu maravilhoso país, e assim compartilhar a música que todos amamos. “Horns Up Fuckers” .

 

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Resenha – Kamelot – Haven (2015)

 

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O Kamelot parece tomar o caminho inverso seguido pela grande maioria das bandas que passam por trocas de vocalistas. Enquanto a maioria perde seu prestigio e acabam muitas vezes maculando seu próprio nome, parece que a banda americana está seguindo o rumo inverso.

Se o salto de qualidade que a banda deu com a entrada de Roy Khan na vaga do limitado Mark Vanderbilt (me desculpe se existirem fãs do rapaz, mas ouvindo os dois primeiros álbuns da banda, “Eternity” e “Dominion”, você ouve muitas ideias legais, mas quando entra o vocal invariavelmente as músicas perdiam todo o encanto), com a saída do mesmo Roy muitos temiam pela continuação da banda, visto o alto conceito que o mesmo tinha perante os fãs. Mas Tommy Karevik mostrou que não ia deixar a peteca cair, e até mesmo parece acrescentar mais a banda, que não tinha um desempenho tão bom desde “The Ghost Opera” (2007).

E essa resenha poderia se basear somente na faixa de abertura, “Fallen Star”. Na minha opinião, essa foi uma das músicas mais legais que escutei lançadas em 2015, pois a mesma possui um senso de melodia absurda, uma orquestração extremamente bem postada (sem ficar muito alto-indulgente) , um refrão que, com apenas uma simples audição, você já está cantando junto, e um instrumental preciso. Fica meio clichê usar a frase “só essa música já vale o disco inteiro”, mas no caso de “Fallen Star” essa sentença é mais que correta.

Como de costume, a banda gravou dois vídeos formidáveis, e as músicas escolhidas foram as mais adequadas para este formato. “Insomnia” tem uma estrutura mais simples que a grande maioria das músicas em “Haven”, mas sendo agressiva e novamente com refrão contagiante, o que casa bem com o mercado americano, mas a qualidade inerente ao Kamelot continua presente ali. Já “Liar Liar (Wastland Monarchy)” é uma superprodução exuberante, e conta com a presença da (não tem como ser mais obvio nessa afirmação) bela Alissa White-Gluz, que mostra predicados mais que surpreendentes nessa faixa, com os seus tradicionais vocais, mas também com uma voz limpa que casou muito bem com a música em questão.

Falando em Alissa, a mesma também participa em “Revolution”, mas essa se trata de uma faixa mais comum, não possuindo o mesmo impacto da anterior, apesar do peso acima do habitual da banda.

“Haven” tem também as habituais baladas, e numa delas temos a participação especial de Charlotte Wessels (Delain). E é justamente “Under Grey Skies” a melhor delas, com refrão marcante e melodias na medida certa, talvez uma das melhores músicas do gênero já composta pelo Kamelot. Já “Here’s to the Fall” não tem o mesmo brilho, tendo uma sonoridade mais dramática e orientada para as cordas.

Além das já citadas músicas, não tem como deixar de se destacar a mais cadenciada e pesada “Citizen Zero”, que possui um ótimo solo de teclado por parte de Oliver Palotai, além de “Veil of Elisyum” e “My Therapy”, ambas voltadas para o tradicional Power/Progressive Metal da banda.

“Haven” traz uma aura um pouco melancólica nas letras, o que acaba fazendo com que as faixas carreguem esse sentimento, e isso é refletido igualmente na belíssima capa do disco, uma das mais legais do ano que passou.

Ainda temos muitas pessoas que possuem restrições quanto a sonoridade de bandas como o Kamelot, mas até mesmo estas não podem negar o grande trabalho realizado pelo quinteto, que com “Haven” parece ter galgado alguns degraus a mais em sua busca pelo reconhecimento (e por quê não dizer fama e fortuna, afinal de contas é o que todos buscam…). E mostra que Tommy Karevik definitivamente era o cara certo para preencher a lacuna deixada por Roy Khan.

 

Nota: 9,0

Formação:

Tommy Karevik – Vocal
Thomas Youngblood – Guitarra
Sean Christians – Baixo
Oliver Palotai – Teclado
Casey Grillo – Bateria

13 faixas – 52:53

Tracklist:

1 – Fallen Star
2 – Insomnia
3 – Citizen Zero
4 – Veil Of Elisyum
5 – Under Grey Skies
6 – My Therapy
7 – Ecclesia
8 – End Of Innocence
9 – Beautiful Apocalypse
10 – Liar Liar (Wasteland Monarchy)
11 – Here’s To The Fall
12 – Revolution
13 – Haven

 

 

Resenha – Quinta Travessa – Hora da Verdade (2014)

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Quinta Travessa é uma banda paulista de Metalcore, formada em 2008, e que em 2014 soltou este EP “Hora da Verdade”. Não adianta, o Metalcore é e sempre será um estilo adorado por alguns e odiado por tantos outros. Se você não engole de maneira alguma o estilo, não será o Quinta Travessa que mudará sua opinião, mas se sua praia for este estilo, podem deixar um espaço para conhecer esta banda nacional que faz um som bem interessante no que se propõem.

Formada por músicos competentes, em “Hora da Verdade” a banda apresenta 7 faixas consistentes, pesadas, que contam com uma gravação apropriada, o que faz com que escutemos de forma precisa todos os instrumentos (até o pobre baixo que às vezes fica esquecido em algumas produções). O som mais abafado, costumeiro no estilo, dá aquele toque particular que o Metalcore possui.

Apesar de pesadas, as músicas se parecem entre si, com as letras criticas que o estilo exige. São justamente as músicas que fogem um pouco do tradicional que chamam mais a atenção em “Hora da Verdade”, como na ótima “Céu”, com riffs mais variados e melódicos, e boas mudanças de vocal durante sua duração. Na minha opinião a melhor do disco. Também merece destaque a mais grooveada “Sem Pensar”, que também carrega no peso, inclusive vocal, e com o encerramento mais melódico em  “Verdade 2.0”.

Enfim, para você que não curte o Metalcore, que tal dar uma chance ao Quinta Travessa? E se este for teu estilo de música, o que está esperando para conhecer a banda?

 

Nota: 7,0

 

Formação:

Erick – Vocal

Thiago – Guitarra e Vocal

Kenji – Baixo

Daniel – Bateria

 

7 Faixas – 26:32

Tracklist:

1-Intro

2-Treta

3-Injetando Ódio

4-Céu

5-Parnaíba

6-Sem Pensar

7-Verdade 2.0

Resenha Evelyn – The Key to Understanding Suicides (2012)

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Apesar do retorno financeiro zero ao se manter um blog/colaborar com um site de Rock/Metal, não há como disfarçar uma pitada de satisfação ao receber pelo correio, vindo da distante Polônia, um disco da banda Evelyn para resenhar. Isso por que essa foi a primeira banda internacional que tive o prazer de entrevistar, no agora já distante mês de Maio de 2012. Esse tipo de retorno não tem preço.

Enfim, ainda pouco conhecidos no Brasil, a banda possui uma sonoridade difícil de descrever e principalmente assimilar, pois podem ser considerados uma banda de Gothic Rock, apesar de possuir elementos de Eletro Goth, Industrial, Metal clássico e vocais típicos de Black Metal. Ou seja, uma mistura que nem todos conseguem digerir facilmente.

E o próprio nome do disco já entrega o que se encontra aqui “The Key to Understanding Suicides”, e durante toda sua duração há um forte ar de melancolia nas faixas. Após a primeira faixa (uma simples intro de barulhos estranhos, quem já ouviu algo assim antes?) vem “Catatonic Euphoria”, talvez a música mais empolgante do álbum, com um bom mix de melodias e peso, principalmente nas camadas de guitarra do cérebro por trás da banda polonesa, o Guitar/baixo/bateria eletrônica Chorus. Mas a minha preferida é “Suicidal Melancholy”, música com belíssimo trabalho de teclado de Asteria, boas melodias de guitarra que contrastam com o vocal angustiado da Alexa. A bateria eletrônica, apesar dos avanços com relação há anos atrás, deixam a audição de “Romantic Aboulia” meio confusa, com aquela tradicional velocidade inumana do “instrumento”. E tudo termina com a instrumental “Schizophrenic Lullaby”, com ritmo mais cadenciado, mas novamente voltada para boas melodias e um final mais caótico.

Apesar da longa duração de todas as faixas (com exceção da Intro) as partes cantadas são poucas, o que pode cansar o ouvinte ao arrastar um pouco as músicas, mas não chega a apagar o bom trabalho da banda no disco como um todo.

Quem curte algo mais tradicional, talvez não venha a gostar de “The Key to Understanding Suicides”, mas é um bom disco, indicado para aqueles que gostam de músicas mais experimentais. E sem deixar de citar o belo trabalho gráfico da capa do disco, de alto nível.

 

Nota: 7,5

 

Formação:

Alexa – Vocal

Asteria – Sintetizador/teclado

Chorus – Guitarra, Baixo, bateria eletrônica

 

5 Faixas – 42:36

Tracklist:

  • Psychotic Disharmony (Intro)
  • Catatonic Euphoria
  • Suicidal Melancholy
  • Romantic Aboulia
  • Schizophrenic Lullaby (Instrumental)

Resenha – Uganga – Opressor (2014)

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É sempre salutar quando se vê uma banda com coragem de sair do lugar comum, da zona de conforto que a grande maioria dos grupos se “enfia” e ali ficam o resto da vida: A mesma música e a mesma visão incessantemente. O Uganga foge disso, e com “Opressor” acerta em cheio, de uma maneira que poucas bandas conseguem, isso não somente no território nacional.

Não há como indicar destaques individuais na banda, pois todos fizeram um trabalho formidável em “Opressor”. Manu “Joker” fez seu melhor trabalho frente a banda. Impossível imaginar o Uganga sem sua voz ecoando pelos alto-falantes. A dupla Christian Franco e Thiago Soraggi nos brindam aqui com riffs, solos e melodias muito acima da média. Raphael “Ras” Franco faz estremecer as estruturas com seu baixo e ainda tem Marco Henriques fazendo um trabalho de bateria mais que competente.

Se algumas músicas ainda soam mais tradicionais, no velho Thrash Metal com um quê de Thrashcore, como, por exemplo, a intro “Guerra”, “Casa” (e sua letra bacana e reflexiva sobre a vida na estrada) ou a mais Hardcore “Moleque de Pedra” (com vocal totalmente gutural/cavernoso de Juarez Tibanha), a regra em “Opressor” parece ser justamente não seguir regra alguma. A rifferama de “O Campo” combina com a força da letra, inspirada na visita da banda ao campo de concentração de Auschwitz (Polônia). Já a faixa-título “Opressor” é mais cadenciada, apesar de manter o peso lá em cima.

Mas a minha preferida é “Modus Vivendi”, que sai um pouco do estilo da banda, onde abusam de melodias e riffs que ficaram sensacionais, isso sem perder o peso habitual do Uganga. “Nas Estranhas do Sol” tem um refrão mais arrastado, grande trabalho de bateria e uma mudança bacana de andamento em sua metade. “Aos Pés da Grande Árvore” tem um inicio quase Doom Metal anos 80/90, mas que depois se revela uma das músicas mais pesadas em “Opressor”. “Who Are the True?” é cover da igualmente grande banda Vulcano, e não ficou devendo em nada a original, e tudo termina com “Guerreiro”, talvez a faixa mais audaciosa em “Opressor”, pois a mesma é quase acústica, e totalmente experimental, fugindo do que encontramos durante toda a audição do disco.

Não tenho nenhuma dúvida que “Opressor” foi um dos melhores discos lançados no, que parece agora tão longínquo, ano de 2014. E mostra que, quando bem aproveitados, vinte anos de estrada trazem a maturidade e qualidade tão perseguidas por centenas de bandas Brasil afora. Se é indicado? Só olhar a nota da bolacha e ali está a resposta…

 

Nota: 9,5

 

Formação:

Manu “Joker” – Vocal

Christian Franco – Guitarra

Thiago Soraggi – Guitarra

Raphael “Ras” Franco – Baixo e Vocal

Marco Henriques – Bateria e Vocal

 

13 Faixas – 43:57

Tracklist:

  • Guerra
  • O Campo
  • Veredas
  • Opressor
  • Moleque de Pedra
  • Casa
  • F.T
  • Modus Vivendi
  • Nas entranhas do Sol
  • Aos Pés da Grande Árvore
  • Noite
  • Who Are the True?
  • Guerreiro

Resenha El Tiro – Nem Todo Cão Vira Sabão (2014)

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A primeira vez que você escuta este que é o primeiro disco da banda paulista, você fica com aquela sensação de “hei, é legalzinho o som dos caras”, mas talvez não dê a devida atenção que “Nem Todo Cão Vira Sabão” deveria receber. Pois uma audição mais detalhada mostra que a sonoridade da banda, apesar da essência rock n’ roll, não se prende somente a isso, possuindo uma gama muito bacana de vários subgêneros.

Se sua praia for o Rock n’ Roll mais puro, podem escutar a faixa de abertura “Porks” e sua letra sacana, “Acelera Baby” com seu refrão marcante, a pesada “Hipocondria” e seu fantástico solo de guitarra, ou “Perto Demais” que tem aquele clima típico de bar de Rock . “A Hora e a Vez do Cabelo Nascer” tem um clima quase Punk pela velocidade de seus riffs, em outros momentos tem um quê do que o Metallica fazia nos anos 90 nos álbuns Load/Reload. “Rasputin” tem umas belas pitadas de Stoner Rock em seu andamento e riffs de guitarra. E ainda temos algo meio Punkabilly em “O Tiroteio”.

Se for um fã de Southern/Blues Rock, pode conferir sem medo “Fome de Lobo”. “Cego” possui um ritmo mais cadenciado, e virou um vídeo retro bem bacana.  Já “Azul” é mais suingada e igualmente empolgante, e virou o primeiro vídeo-clipe de “Nem Todo Cão Vira Sabão”. E não podemos esquecer as duas baladas do disco, que ficaram muito legais e nem um pouco piegas, “Por um Triz” e a saideira “Sono”.

A produção, comandado pelo guitar Fabio Alba, também é um destaque, pois todos os instrumentos soam da maneira como corriqueiramente deveriam soar. A cópia física do disco está a venda por míseros R$ 5,00, e esse preço não condiz com a qualidade apresentada aqui pelo El Tiro. Altamente recomendável para os fãs de um rock bem executado…

 

Nota: 8,5

Formação:

El Pil – Vocal

Fabio Alba – Guitarra

Rodrigo Viana – Guitarra

Fredy Muller – Baixo e Vocal de Apoio

 

(Todas as Baterias foram gravadas por David Bondesan)

 

12 Faixas – 49:07

 

Tracklist:

01. Porks
02. Acelera Baby
03. Azul
04. Fome de Lobo
05. Hipocondria
06. Cego
07. Perto Demais
08. Por Um Triz
09. A Hora e a Vez do Cabelo Nascer
10. Rasputin
11. O Tiroteio
12. Sono

Resenha – A Classic Rock Christmas – December People (2015)

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Enquanto muitas estrelas do rock gastam seu tempo fora das turnês deleitando-se em belas praias, em climas quentes, são aqueles que vendem milhares de discos e possuem todos os luxos imagináveis, outros passam os meses de Novembro e Dezembro na estrada para buscar recursos para aqueles que não têm a mesma sorte.

 

Essa é a ideia por trás da criação do December People, que durante essa época do ano excursiona por várias cidades dos Estados Unidos fazendo shows, onde arrecadam alimentos para as comunidades onde se apresentam.

 

Capitaneados pelo fundador da ideia, o baixista/vocalista Robert Berry (Sammy Hagar, Keith Emerson & Carl Palmer), esse disco em questão, “A Classic Rock Christmas”, tem na formação o guitarrista do Boston, Gary Pihl, o baterista da banda do Sammy Hagar David Lauser, o tecladista David Medd e o guitarrista solo Jack Foster. E não há como negar que a ideia é muito bacana, pois mesclam músicas de natal com outras músicas populares, criando assim algumas preciosidades como “Oh Come Emmanuel”, com seus vários riffs clássicos, a rocker “Here Comes Santa Claus”, e a bela “Oh Holy Night”. E ainda temos as onipresentes nessa época do ano “Jingle Bells”, totalmente Van Halen, e “Happy Xmas (War is Over)”, que combina algumas músicas dos Beatles também. Mas durante toda a audição de “A Classic Rock Christmas” você vai descobrindo músicas consagradas, um deleite para todos os admiradores do Classic Rock.

 

Alguns podem até dizer que não estão fazendo nada além de sua obrigação, por tudo que já conquistaram em suas vidas, mas vejo a questão justamente pelo outro lado, pois não precisam disso para se promover, mas a intenção de um mundo melhor faz com que saiam de seu conforto para tentar oferecer conforto aqueles que necessitam. Uma lição nessa época, que deveria ser aprendida por tantos outros…

 

 

Nota: 9,0

 

11 Faixas – 50:45

Tracklist:

1 -Silver Bells
2 – Oh Come Emmanuel
3 – Sleigh Ride/I’ll be Home for Christmas
4 – Oh Come All Ye Faithful
5 – Here Comes Santa Claus
6 – Good King Wenceslas
7 – That Time of Year
8 – Jingle Bells
9 – Auld Lang Syne
10 – Happy Xmas (War is Over)
11 – Oh Holy Night

Resenha Metalizer – Your Nightmare (2015)

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Após colecionar boas resenhas de seu debut, “Thrashing Force”, lançado em 2013, eis que agora, no ano de 2015, a banda do interior paulista solta seu segundo disco, intitulado “Your Nightmare”, onde dá um passo a frente em sua carreira.

E o Metalizer já conquistou minha simpatia pelo simples fato de, no seu encarte, trazer todas as letras do álbum e sua respectiva tradução. Isso é consideração pelos seus fãs, e uma mostra que os pequenos detalhes contam sim muito. Mas nada disso adiantaria se o som fosse ruim certo?

E para a alegria geral da nação Thrasheira (existe isso?), o som acompanha e inclusive aumenta a boa impressão inicial. Já com a primeira faixa, “Weapons of Metalization” já dá para ter a certeza que aqui temos um Thrash Metal com algumas generosas pitadas de Speed, muito em conta dos vocais mais rasgados, ríspidos de Sandro Maués, que dão um quê todo especial as músicas do grupo. “Weapons of Metalization” inclusive nos remete a clássica “Whiplash” do Metallica, pela letra em louvor ao estilo de música preferido e propagado pelos músicos. “My Cage” acompanha a boa impressão, deixando o nível lá em cima e inclusive tornou-se o primeiro vídeo lançado pela banda. Uma das minhas preferidas é “A Bridge Across Time and Space”, por trazer uma sonoridade diferente ao que vemos no disco, até caindo mais pelo lado teatral, dramático, como o grande Rei King Diamond faz como ninguém.

A violenta “Still Alive” tem em sua letra a dura realidade enfrentada por todas as bandas que vivem (sobrevivem) no Underground. Uma realidade dura, mas verdadeira. Outra que foge um pouco do costumeiro é a instrumental “Cause and Effect”, com belas melodias, principalmente nas guitarras. “Zombified Generation”, apesar da letra interessante, fica um pouco perdida, parecendo em alguns momentos até com o Massacration por alguns exageros. Outra música que merece elogios é “Preacher of Hate” veloz e empolgante, além de ser uma das mais pesadas em “Your Nightmare”.

Para não dizer que tudo é só elogio, um dos poucos pontos negativos em “Your Nightmare” são as letras não muito inspiradas de algumas faixas, caindo meio que naquele lugar comum das bandas de Metal, e às vezes a pronuncia do Sandro em algumas músicas, mas nada que tire o mérito do grande trabalho realizado por ele e por seus companheiros de Metalizer. Muito indicado…

 

Nota: 9,0

Formação:

Sandro Maués (Vocal)
Douglas Lima (Guitarra)
Nilão Pavão (Baixo)
Thiago Cruz (Bateria/Vocal)

10 Faixas – 41:44

Tracklist:

01. Weapons of Metalization
02. My Cage
03. Street Dog
04. A Bridge Across Time and Space
05. Still Alive
06. Cause and Effect
07. Zombified Generation
08. Wake Up
09. Preacher of Hate
10. Life is Your Nightmare

Resenha Left Hand – Scientifical Plague (2013)

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Se você não gosta de um Metal mais pesado, daquele Thrash Metal que em alguns momentos tem um quê de Hardcore e chega a flertar com o Death Metal pela violência sonora, pode parar de ler esta resenha neste exato momento. Agora, se esse estilo for teu preferido, seja bem-vindo a conhecer o Left Hand e seu segundo EP, “Scientifical Plague”.

E o que a banda carioca apresenta aqui é música do mais alto nível, e a gravação/produção de “Scientifical Plague” ajudou e muito o resultado final, mais um belo trabalho da dupla onipresente do cenário nacional Marcello Pompeu e Heros Trench. E não é a toa que o som da banda é muito voltado para bandas clássicas do Thrash Metal, como Exodus, Claustrofobia e a própria Korzus, mas sem soar mera cópia.

Tudo começa com a furiosa “Countdow for a Life”, música que não deixa pedra sobre pedra, e é o perfeito cartão de visita da banda. Mas é com a faixa-titulo que o bicho pega. É difícil compor música tão perfeita no estilo como os caras fizeram. Tudo aqui funciona de forma correta, seja o grande vocal de Lenhador, as guitarras certeiras e matadoras da dupla Rafael e Chicano, inclusive com uma parte um pouco mais melódica em sua metade, ou a cozinha absurda de Castor (Bateria) e Rubens (Baixo). Na minha opinião, se a banda quisesse mostrar uma música que demostrasse perfeitamente o que é o Left Hand, “Scientifical Plague” obrigatoriamente deveria ser a escolhida.

Depois “Fire of Straw” mantém o nível lá em cima, com um clima meio Pantera em alguns momentos. “Last Bitter Tear” fica um pouco aquém das demais, mas ganhou um vídeo-clipe bem legal e divertido. E tudo termina no mesmo nível do inicio com “Submission”, com participação do próprio Marcello Pompeu e bateria insana em seu inicio, além de boas variações durante sua duração. Ao final, “Scientifical Plague” mostra que já está mais que na hora da banda soltar seu primeiro Full Length.

Preparados para uma bela dor no pescoço?

 

Nota: 8,0

5 Faixas – 20:10

 

Formação:

Lenhador – Vocal
Rafael – Guitarra
Chicano – Guitarra
Castor – Bateria
Rubens – Baixo

Tracklist:

  1. Countdown for a Life
  2.  Scientifical Plague
  3.  Fire of Straw
  4.  Last Bitter Tear
  5.  Submission

Resenha 2Polos – 2Polos (2013)

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Esse disco (O segundo da banda Potiguar, se não contarmos o EP Acústico de duas faixas lançado no ano anterior) do 2Polos, é daqueles que te trazem uma grata surpresa em todos os sentidos.

Inicialmente, a própria capa e o encarte do CD já te trazem aquela sensação legal de profissionalismo e seriedade que são tão importantes em uma banda que ainda busca seu lugar ao sol. Com tanta facilidade que temos hoje em dia de, com um clique, abaixarmos um disco inteiro, é salutar vermos uma banda se preocupando tanto com o visual de um álbum. Uma maneira de conquistar um fã, e não um ocasional ouvinte como os tantos que temos hoje em dia.

Claro que nada disso adiantaria se o som dos caras fosse ruim, certo? Felizmente a sonoridade do 2Polos mantém o nível lá em cima.

Se o nome da primeira faixa pode causar certo receio (culpa da mídia que bombardeia nossos cérebros com certos “artistas”), esse medo logo se dissipa pois é uma música matadora, desde seu principio com belos teclados e instrumental pesado e um vocal muito legal, além de um refrão contagiante e até mesmo uma parte cantada em francês. Não foi a toa que “Anita” foi escolhida para se tornar um vídeo da banda.

“Inocente” é igualmente legal, com variadas melodias e outro refrão que gruda na cabeça (uma constante em 2Polos). Já “A Máquina”, com sua letra critica, mostra outra faceta da banda, além de, adivinhem, trazer outro ótimo refrão.  “Até o Fim” traz aquela fórmula bem batida de estrofe-lenta e refrão-pesado, mas que, pela qualidade da composição, acaba se tornando um grande destaque do disco também.

“Efeito Colateral” também tem uma letra mais ácida e possui um peso até inesperado após conferirmos as primeiras faixas do álbum. “Seu Lugar” tem uma roupagem bem comercial (no bom sentido) uma música que poderia muito bem estar na mídia e trazer um pouco mais de atenção ao Rock n’ Roll. “Sétima Chave” tem uma bateria matadora (não à toa, já que é uma composição do batera Rafael Ramos) e “Um Livro Sem Final” é outra daquelas com andamento e refrão empolgantes.

“Tão Fácil” e “Reino da Ilusão” passam um pouco despercebidas, pois não empolgam tanto quanto as demais, apesar do belo solo de guitarra da primeira e o peso na guitarra e bateria da segunda. “19 de Agosto” é uma baladinha bacana, com um belo som de cordas e harmonias, uma música muito correta no que se propõe. O peso retorna em “Humaníase”, cuja letra em alguns momentos fica meio non-sense, e tudo termina na bela “Outono”, onde a melancolia impera e apresenta um trabalho fenomenal nos teclados, cortesia de Eduardo Taufic. Um final perfeito após toda a audição de “2Polos”.

Ótimos músicos, boas composições. Uma combinação que não tem como dar errado.

 

Nota: 9,0

Formação:

Vittor Melo – Voz
Eduardo Elali – Guitarra e voz
Alan Trindade – Guitarra

Felipe Farias – Baixo
Rafael Ramos – Bateria

 

13 Faixas – 53:35

Track-list:
1. “Anita”
2. “Inocente”
3. “A Máquina”
4. “Até o Fim”
5. “Efeito Colateral”
6. “Seu Lugar”
7. “Sétima Chave”
8. “Um Livro Sem Final”
9. “Tão Fácil”
10. “Reino da Ilusão”
11. “19 de Agosto”
12. “Humaníase”
13. “Outono”

Resenha Primator – Involution (2015)

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Sempre é complicado resenhar um disco que durante toda a audição tem algo que te incomoda, algo que parece não se encaixar ao som, e isso aconteceu neste que é o primeiro disco desta banda paulista.

A banda possui um instrumental empolgante em quase todas as faixas, mostrando serem músicos capacitados, mas tudo fica meio complicado quando o vocalista Rodrigo Sinopoli resolve encarnar o Detonator, além de alongar as vocalizações em demasia na maioria das faixas. Isso acaba fazendo com que as mesmas soem às vezes meio repetitivas nas partes vocalizadas, o que não acontece no instrumental. Fique claro que isso não se trata de simples e dura critica a voz dele, pois quando tenta soar mais agressivo fica legal, sem contar que algumas vezes parecer soar um pouco com o ótimo vocalista ex-Candlemass Messiah Marcolin, em outras com Geoff Tate, mas parece que em “Involution” a coisa não funcionou da maneira que deveria.

Um exemplo de quando tudo corre bem é no refrão de “Deadland”, que ficou bem bacana e deve funcionar muito bem ao vivo, e também em “Caroline”, onde seu vocal se encontrou legal com a letra e a proposta da música. Já quando resolve exagerar, como em “Primator”, tudo pode se tornar meio cansativo.

A primeira faixa, “Primator”, tem um ótimo solo de guitarra de Marco Dassié, e “Flames of Hades” é uma música sensacional, daquelas que dá prazer de se escutar e com novo grande trabalho de Marco e do baterista Alexandre Oliveira. Outra que temos o dever de deixarmos rolando várias e várias vezes é “Black Tormentor”, onde temos as clássicas “guitarras duplas”, marca registrada do Heavy Metal tradicional. “Let me Live Again” parece sofrer de um transtorno bipolar, pois consegue oscilar entre a beleza e a estranheza durante toda sua duração, apesar do (novamente) ótimo solo de guitarra. “Face the Death” é a mais pesada em “Involution”, grande música apesar de mais alguns exageros. “Praying for Nothing” é outra que acerta, com seu peso mais cadenciado. E a faixa-titulo “Involution” põe fim a tudo, talvez a que melhor represente a banda em uma simples audição.

No final, não há como dizer que “Involution” seja um disco fraco, pois não seria verdade, já que o mesmo possui muito mais acertos que erros. E acredito que, num segundo lançamento, esses excessos com certeza serão corrigidos e assim teremos uma nova banda a alegrar os fãs do Heavy Metal tradicional.

Nota: 7,5

Formação

Rodrigo Sinopoli​ (Vocal)
Márcio Dassié​ (Guitarra)
Diego Lima (Guitarra)
André​ dos Anjos (Baixo)
Alexandre Oliveira (Bateria)

 

10 Faixas – 48:24

Tracklist:

1 – Primator
2 – Deadland
3 – Flames Of Hades
4 – Caroline
5 – Black Tormentor
6 – Let Me Live Again
7 – Face The Death
8 – Erase The Rainbow
9 – Praying For Nothing
10 – Involution

Resenha Brutallian – Blow on the Eye (2015)

Capa

Você não recebe um CD de uma banda chamada Brutallian cujo disco leva o nome de “Blow on the Eye” e espera por melodias alegres e letras que exaltam o amor entre os seres humanos. O que temos aqui é o mais puro Heavy Metal tradicional, uma homenagem as saudosas bandas da década de 80, mas com um pé em 2015.

A Intro “A Prelude to Agression” (que nada mais é que um dialogo) é a brecha para a faixa-titulo, uma porrada que serve para mostrar toda a força do som do Brutallian, outra daquelas músicas perfeitas para a abertura de um show, destaque para o espetacular trabalho de Pablo Barros nessa faixa, digno de fazer Rob Halford sentir orgulho. “Black Karma” virou o vídeo do álbum, e mostra ser uma boa escolha da banda, pois a música possui um refrão daqueles que o público canta junto, mais um destaque do disco. Mas a casa cai abaixo com “Primal Sigh”, cujos riffs e cozinha mostram um poderio incrível, sendo a mais pesada de “Blow on the Eye”.

O ritmo cai um pouco com a calma e curta “Psycho Excuse” que não casou bem com a voz de Pablo, uma demonstração que não se pode acertar sempre, mas tudo volta ao normal com a curta, mas boa “You Can’t Deny Hate”. Outra das minhas favoritas aqui é “Hell is Coming With Me”, cujo riff sai um pouco do estilo apresentado, parecendo algo surgido de Zakk Wilde na época do “No Rest for the Wicked” e “No More Tears”, e ficou muito legal. “I, the Scoundrel”, com seu refrão marcante também agrada, e tudo termina com a igualmente poderosa “Pain Masterpiece”.

“Blow on the Eye” marca o nome do Brutallian como um dos principais representantes do Metal no Norte/Nordeste, e mostra a força que tal cenário ganha a cada dia no Brasil. Recomendado a todos adoradores do bom e velho Metal tradicional.

 

Nota: 8,5

Formação:

Pablo Barros – Vocal

Rhodes Johnson –Guitarra

Fabio Matta – Baixo

Rayan Oliveira – Bateria

 

9 faixas –  40:25

 

Tracklist:

1.A Prelude to Agression
2. Blow on the Eye
3. Black Karma
4. Primal Sigh
5. Psycho Excuse
6. You Can t Deny Hate
7. Hell Is Coming with Me
8. I, the Scoundrel
9. Pain Masterpiece

Resenha Os Doutores – Apenas um Começo (2015)

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Confesso que o nome da banda me deixou com um pé atrás antes mesmo de escutar este EP da banda paranaense, pois pode-se confundir com uma banda metida a engraçadinha ou com um sério complexo de superioridade.

Ledo e feliz engano, pois os doutores aqui citados fazem um rock n’ roll com doses generosas de Hard Rock muito bem executado e com letras em português de uma qualidade acima das que estamos acostumados a ver no mercado musical atual.

Tudo começa com a introdução que leva o nome de …”Intro” (ok, aqui a originalidade pecou), seguida por “Antes que Tudo Acabe”, a minha preferida em “Apenas  um Começo”, pelo fato desta música ter todos os “ingredientes” que transformam o Rock nesse ritmo tão amado por tantos. Guitarras pesadas e com riffs inspirados, um vocal que casou perfeitamente com a letra mais séria e uma parte final muito empolgante.

“Apenas um Sonho” se tornou clipe da banda, e é fácil entender o porquê desta escolha, pois é um Rockão daqueles de fácil assimilação, mas com peso legal e uma levada de guitarra em sua metade que chega a cativar o ouvinte. “A Vida Ensina” continua o caminho trilhado pelas anteriores e mantém o ouvinte interessado no que a banda tem a mostrar, com uma bela mudança de andamento no seu final,  e tudo termina com “Ta Tudo Bem” , música que parece muito com Barão Vermelho, mas com algumas guitarras mais voltadas para uma sonoridade estilo Eddie Van Halen.

No final, a primeira impressão que fica de “Apenas um Começo” é justamente isso, que trata-se apenas de um começo de uma banda que pode vir a ter um futuro promissor no Rock nacional cantado em nossa língua.

 

Nota: 8,0

Formação:

Roney Santos – Vocal e Guitarra

Dedé Almeida – Guitarra

Felipe Nobrega – Baixo

Sandro Menossi -Bateria

 

5 faixas – 14:28

Tracklist:

01.Intro
02. Antes que Tudo se Acabe
03. Apenas um Sonho
04. A Vida Ensina
05. Tá Tudo Bem

Resenha R-Vox – Outro Round (2014)

 

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“Outro Round” é o EP solo de R-Vox,  ex-vocalista das bandas Jason, Ekoa e Re-Volt, sendo o primeiro registro dessa nova etapa do artista carioca.

E “Outro Round” conta com todos os predicados que ele já apresentava em suas bandas, mostrando que possui um timbre em sua voz que torna a audição do disco algo muito tranqüilo e prazeroso,  pois possui uma harmonia melódica acima da média.

O disco começa com a “festeira” “Hora H, Dia D”, um convite a uma celebração de Rock n’Roll, prossegue com a faixa-título que virou vídeo “Outro Round”, com boa dosagem entre peso e melodia. A seguir vem a música mais interessante do registro, “A Paz”, com seu inicio calmo (seria um começo de Paz?), mas que se transforma em uma música que acerta em cheio, com vocal inspirado de R-Vox e solo perfeito de guitarra de Felipe Pavani (que fez um trabalho digno em todas as faixas). “Rock On” é, como o próprio nome diz, uma típica música de Rock, mais uma bela composição, e fecha com “Hello Hello”, que não acrescenta muito e, na minha opinião, é a música mais fraca do álbum.

Um senão de “Outro Round” seria que, para alguns, ele se aproxima muito de um Rock mais comercial, como algumas bandas nacionais que não precisamos relembrar. Mas a potente voz de R-Vox e as composições mais elaboradas tem força suficiente para fugirem desse lugar comum. Ficamos na expectativa do que um futuro registro nos trará.

 

Nota: 8,0

Formação

R-Vox – Vocal
Felipe Pavani – Guitarra/Baixo
Dave D’Oliveira – Bateria

Faixas:

  1. Hora H, Dia D
    2. Outro Round
    3. A Paz
    4. Rock On
    5. Hello Hello

Resenha Higher – Higher (2014)

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Apesar deste ser apenas o primeiro álbum da banda paulista,  O Higher, que tem em suas fileiras Cezar Girardi (vocal), Gustavo Scaranelo (guitarra), Felipe Martins (guitarra), que entrou na banda após a gravação, Andrés Zúñiga (baixo) e Pedro Rezende (bateria) não é nenhuma iniciante no ramo musical. Os músicos já possuem uma vasta experiência, não somente no Metal, mas também em outros gêneros musicais.
Cesar Girardi e Gustavo Scaranelo inclusive fundaram a finada Second Heaven há exatos 20 anos. E depois de um longo tempo de estudos e outros caminhos, novamente encontraram-se no Metal, agora com a formação da banda Higher.

E ai chegamos a seu auto-intitulado debut, contendo nove faixas do mais puro Metal, onde, até mesmo pelo histórico mais abrangente dos músicos, não vemos influencias de grupo X ou Y, mas sim um disco com sonoridade própria, sem prender-se a rótulos, apesar de ser essencialmente um álbum de Heavy Metal extramente pesado e com algumas nuances mais modernas.

Como destaques a ótima faixa de abertura “Lie”, que inclusive virou o vídeo de promoção de “Higher”, uma música com muito peso, mas ao mesmo tempo com boas harmonias e melodias, mostrando toda a criatividade e capacidade dos músicos. “Climb The Hill”, que foge um pouco dos estereótipos do gênero, com mudanças em seu andamento, ótimos solos e riffs de guitarra e harmonias vocais, que evidencia a experiência de seus músicos com o Jazz. Não há como deixar de lado a “quebra-pescoço” “Keep me High” (pusta riff legal)  e “Break the Wall”, música mais cadenciada (me recuso a chama-la de balada), mas que possui um solo fantástico de Gustavo Scaranelo e não deixa o peso de lado, algo constante durante todos os quarenta minutos de duração de “Higher”

Destaque também para a ótima produção do disco, que ficou nas mãos de Thiago Bianchi, e a capa, mais um ótimo trabalho do artista Carlos Fides, que segundo os próprios integrantes reflete o conteúdo das letras e a ideologia por trás de “Higher”

Ficamos na expectativa de um próximo disco da banda e que mantenham a pegada para assim termos mais um grande nome do Metal nacional em nossas fileiras…

 

Nota: 8,5

Faixas:

1- Lie
2- Illusion
3- Keep Me High
4- Climb The Hill
5- Like The Wind
6- Break The Wall
7- Time To Change
8- Make It Worth
9- The Sign

Entrevista com a banda Noturnall (São Paulo)

Noturnall 2015

O cenário nacional nunca foi fácil para as nossas bandas, ainda mais se compararmos com as estrangeiras, então sempre é bom ver um grupo que ultrapassa as fronteiras e coloca seu nome no Metal. O Noturnall, em seu pouco tempo de vida, já lançou dois álbuns e um DVD, fez turnês tanto pelo Brasil quanto lá fora, e ainda terá o privilegio de apresentar-se no Rock in Rio deste ano, feito que talvez consolide seu nome de vez na memória dos bangers deste nosso país. Para falar sobre toda a carreira da banda realizei esta entrevista com o guitarrista Leo Mancini, confiram que vale a pena…

 

Vicente – Inicialmente, conte-nos como surgiu a ideia de formar a banda, e como chegaram ao nome Noturnall?

LÉO MANCINI – A banda Shaman estava em fase de gravação do novo trabalho. Após algumas diferenças de pensamento em relação a objetivos e estilo de som, resolvemos nos separar. Como o som estava totalmente diferente do estilo do Shaman, resolvemos assumir um novo nome. Era a hora de seguir em frente sem olhar para trás. Nós pensamos no nome Noturnall como uma abreviação do termo “No turn at all”. Isso significava para nós que não haveria volta.

Vicente – A banda já surgiu com a pecha de super grupo do Metal nacional. Como é lidar com isso, visto que acarreta muito mais responsabilidade do que com outras bandas iniciantes?

LEO – Acho o termo “super grupo” uma forma de ressaltar a trajetória da carreira dos membros da banda. Então nos sentimos gratificados pela forma como os apreciadores de metal nos enxergam.

A única responsabilidade que temos é com a música. Fazer o som para o mercado ou para que te respeitem mais é falsificar o que há dentro do músico e artista. Música boa é aquela que te feliz. Ficamos extremamente felizes quando as pessoas curtem nosso som, pois fazemos tudo com muita dedicação e amor.

Vicente – A banda lançou ano passado o álbum “Noturnall”. Como foi a gravação e composição do mesmo?

LÉO – Os mentores das composições são Fernando Quesada e Thiago Bianchi.

Incrível a quantidade de idéias melódicas e riffs que surgem. Depois que as composições estão com melodias e estrutura entram a parte de intrumental comigo, Juninho e Aquiles. Ai a música ganha o progressivo e tudo pode acontecer.

E aconteceu. Sentimos que criamos algo único e que respeita o que pensamos musicalmente.

A gravação foi feita no estúdio Fusão de Thiago Bianchi que assina a produção com Russell Allen e Fernando Quesada.

Capa Noturnall

Vicente – E o retorno dos fãs e da mídia especializada, foi o esperado pela banda, ou superou as expectativas?

 

LÉO – Trabalhamos e investimos muito para a Noturnall ter uma boa exposição.

Tivemos o que merecemos pelo que plantamos.

Vicente – O disco tem a participação mais que especial do mestre Russell Allen. Como foi trabalhar com o cara?

LÉO – Trabalhar com uma pessoa que você admira é incrível. Além de nos agraciar com sua voz, tivemos toques muito legais da produção vocal em estúdio.

Ele é um cara simples e acessível. Foi muito fácil trabalhar com ele o que ajudou para chegar a um trabalho de qualidade.

Vicente – E na esteira do sucesso de “Noturnall” saiu também o DVD “First Night Live”. Conte-nos um pouco sobre a gravação deste show especial realizado pela banda.
LÉO – Parecia loucura, fazer o DVD do primeiro show da banda. Estávamos todos ansiosos e, ao mesmo tempo, com aquele friozinho na barriga.

Tocar as músicas ao vivo pela primeira vez, com a casa lotada, sem repetir música, pois tínhamos horário para entregar o local, confiar na equipe de som, equipamento, iluminação, captação de som… Tem que ter um psicológico bom.

No dia do show, Juninho, eu e o Fernando tivemos algo que parecia uma virose (risos).

O show foi beneficente para as casas HOPE. Foi uma forma de realizar uma promessa de Bianchi, que se curou de um câncer no mediastino. Ele havia prometido fazer um show beneficente a crianças com câncer e cumpriu com mérito.

Fazer um som com Russell foi, desculpe a falta de adjetivos formais, de foder !!! Impecável e de uma presença incrível.

Graças a Deus tudo correu bem, com alguns imprevistos, mas nada que tirasse o brilho desse dia especial.

Capa Back To Fuck You Up_Noturnall_Low

Vicente – E logo os fãs da banda vão ser presenteados com o seu segundo disco, chamado “Back to F*** you Up” certo? O que vocês têm a dizer sobre este novo petardo, quais as principais diferenças para os álbuns anteriores?
LÉO – O cd se chama “Back to F*** you up” e segue na mesma linha de composições do primeiro, maaaaas está mais pesado e com muuuuuuuitas mais notas (risos) Os caras estão tomando energético (risos).

Vicente – Noturnall está confirmado como uma das atrações do Rock in Rio 2015. Como foi receber este convite?
LÉO – Um sonho realizado!!! É um sentimento único e que não tem preço! Estamos felizes e ansiosos para fazer o melhor show das nossas vidas!

Vicente – Vocês já fizeram turnês por todo o Brasil e também no exterior? Como foram estes shows e a receptividade do público, tanto aqui quanto lá fora?
LÉO – Fizemos Brasil e Europa. Tivemos grande receptividade em ambos continentes. Aqui no Brasil vimos o quanto ainda existem amantes do metal com sede de música e fazendo e tirando o melhor da banda, tanto musicalmente como na empolgação!

Na Europa fomos tratados sempre com muito respeito e o público ficava estático prestando atenção nas músicas. Ao final de cada música faziam altos gritos e aplausos, mas durante as músicas… Concentração !!! Muito legal conhecer outras culturas e formas de apreciação musical!

Vicente – Além do novo álbum, quais são os planos do Noturnall para o ano de 2015?
LÉO – Estamos focados no Rock in Rio e no lançamento do novo trabalho.

Próximos passos: Videoclipes, Shows da nova tour e RiR !!

Vicente – Em poucas palavras, o que pensa sobre as seguintes bandas:

Megadeth: LÉO – Feliz em ver um super guitarrista brasileiro sendo reconhecido, merecidamente, pela sua música, dedicação e foco. Eu torço e admiro muito o Kiko e comemoro cada conquista dele.

Pantera: LÉO –  Inspiração!

 

Dr. Sin: LÉO –  Amigos, super músicos e companheiros de ROCK !!!

Metallica: LÉO – Mestres da indústria musical levando o metal a massa!

Symphony X: LÉO –  Super músicos! Influência para várias bandas que estão surgindo!

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho da banda Noturnall e apostam na música nacional.

LÉO – Música é universal! Rotulem menos e escutem com o coração. Nacional ou Internacional não importa. O que importa é saber admirar quando o som é bem feito. E bem feito é quando te traz bons momentos.

Abração pessoal!!!
Mais informações:
http://www.noturnall.com

http://www.facebook.com/noturnall

http://www.twitter.com/noturnall

http://www.youtube.com/noturnallofficial

Entrevista com Cavalera Conspiracy

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Confesso que até hoje acho injusto que, dois irmãos que fundaram uma banda estejam fazendo sua carreira longe dela, mesmo que seja por vontade própria. Mas controvérsias a parte, a verdade é que o Cavalera Conspiracy firma seu nome no mundo da música pesada, agora ainda mais solidificado com seu terceiro disco, “Pandemonium”, lançado em 2014. Para falar sobre este álbum, realizei esta rápida entrevista com o baterista Iggor Cavalera. Confiram…

 

Vicente – A banda lançou ao final de 2014 seu terceiro disco “Pandemonium”. Como foi a gravação e a composição do disco?

Iggor Cavalera – Gravamos em Phoenix com o engenheiro de som John Grey, a composição foi exatamente igual a dos dois primeiros albums do Cavalera Conspiracy

Vicente – Logo em uma primeira audição vemos que a gravação de “Pandemonium” ficou bem “na cara”, um som mais cru e agressivo. Essa foi a intenção desde o inicio da produção do disco?

Iggor Cavalera – Sim, buscamos um som mais “lo-fi”, sem muita frescura.

Vicente – Eu diria que o disco traz um som mais variado que “Inflikted” e “Black Force Trauma”, vide músicas como “Bonzai Kamikazee”, “Not Losing the Edge” e “Deus Ex-Machina”, concorda?

Iggor Cavalera – Sim, acredito que nesse disco temos uma variedade maior de ritmos do que nos álbuns anteriores.

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Vicente – “Pandemonium” “traz também duas músicas com titulo em português, “Cramunhão” (a minha preferida) e Porra. Fale-nos um pouco sobre estas faixas em especial.

Iggor Cavalera – Cramunhão foi baseada na arte do Stephan Doitshcnoff, que também fez a capa do disco, porra é um típico lado B…

Vicente – Qual a razão da escolha deste nome para o disco? E com relação a capa, como nasceu a ideia, visto que é diferente do que normalmente vemos no estilo.

Iggor Cavalera – a ideia foi de mostrar um futuro caótico, que vem do passado.

Vicente – A primeira vez que vi vocês se apresentarem foi há 20 anos atrás, em 1994 no Gigantinho em Porto Alegre (o tempo passa…) em uma turnê conjunta Sepultura/Ramones. Quais as lembranças daqueles shows?

Iggor Cavalera – Foi uma das tours mais legais que já fizemos, na minha opinião os Ramones são muito mais fodas que os Rolling Stones. Foi uma honra dividir o palco com eles.

Vicente – Lembro que muitas pessoas iam somente para ver os Ramones, mas quando começava o show de vocês eles enlouqueciam até mesmo mais que no show dos americanos.

Iggor Cavalera – Sim , foi uma turnê memorável .

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Vicente – Faz mais de trinta anos que começou na música. Imaginava estar ainda na ativa, e ainda com toda a relevância que possui, após todo esse tempo?

Iggor Cavalera – Sinceramente, não tinha a mínima ideia.

 

Vicente – Em poucas palavras, o que acha das seguintes bandas:

Korzus: pioneiros do metal no brasil

Black Sabbath: no Bill, no Sabbath

Motorhead: Ace of Spades forever!!!

Dead Kennedys: a banda mais inovadora do punk de todos os tempos.

Pantera: Great times com esses caras.

Vicente – Uma mensagem para os fãs que curtem o trabalho do Cavalera Conspiracy e para aqueles que acompanham toda a sua carreira. 

Iggor Cavalera – keep rocking!!!!

Entrevista com a banda Chaos Synopsis (São Paulo)

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A banda paulista Chaos Synopsis lançou em 2013 um dos melhores discos de metal mais extremo do referido ano, uma compilação de assassinos seriais e peso absurdo. E a banda já prepara para os próximos dias o lançamento de seu novo álbum “Seasons of Red”, que promete manter o elevado nível já demonstrado anteriormente. Para falar sobre o passado e futuro da banda, realizei esta entrevista com o baixista/vocalista Jairo Vaz Neto. Confiram e preparem-se, pois “Seasons of Red” está para chegar…

 

 

Vicente – Inicialmente, qual a avaliação que fazem destes dez anos de trajetória da banda? Como foi o inicio de tudo e a razão da escolha do nome Chaos Synopsis?

Jairo Vaz Neto: foram 10 anos de muita diversão, muita estrada e muito rock, o que mais uma banda de rock precisa? Não acredito que tenha mudado muita coisa de lá pra cá, tirando a idade física dos integrantes, já que ainda somos moleques curtindo tudo que a estrada nos oferece. O nome Chaos Synopsis surgiu da ideia que seríamos a sinopse do caos, tudo que viesse de nossa música seria uma síntese de tudo envolto no caos, lírica e musicalmente falando.

Vicente – A banda lançou em 2013 o álbum “Art of Killing”. Como foi a gravação e composição do mesmo?

Jairo: no geral, cada um compõe seus riffs e mostra pros outros durante o ensaio e após essa parte vamos modelando a musicalidade para que faça parte do universo Chaos Synopsis, o que não foi diferente com “Art of Killing”. A gravação ocorreu no Oversonic Estúdios e o produtor Vagner Alba nos ajudou bastante a transformar nossas ideias no que veio a se tornar o álbum.

Vicente – E o retorno dos fãs e da mídia especializada, foi o esperado pela banda, ou superou as expectativas?

Jairo: esperávamos que a crítica e fãs gostassem do álbum, mas o resultado foi muito além do que esperávamos, ouvindo de vários fãs e revistas que aquele era um álbum excelente, alguns comentando sobre entrar em listas de melhores do ano, enfim, acredito que álbum elevou o nome Chaos Synopsis a um patamar não alcançado até aquele momento.

Vicente – O disco tem grandes momentos, como “Rostov Ripper” e “B.T.K (Bind, Torture, Kill)”, mas a melhor, na minha opinião, e a faixa que abre o disco, “Son of Light”, cujo refrão ficou genial cantado em português. Como foi a composição desta música em especial?

Jairo: normalmente nós fazemos as músicas e após prontas, escolhemos o tema e fazemos as letras, como “Art of Killing” trata de serial killers de várias partes do globo, tentamos inserir algo da língua nativa do país em questão, para uma ligação maior entre letra, música e também os fãs do país escolhido. “Son of Light” trata do assassino Febrônio, um brasileiro, então não teve como não fazer o refrão em português, era o que a música pedia e inclusive, o público inteiro aprovou e canta conosco esse refrão.

Vicente – Como surgiu a ideia de fazer cada letra/música “homenageando” um assassino serial? Isso mudou a forma da banda compor e gravar as músicas em “Art of Killing”?

Jairo: a primeira letra que escrevi para o álbum foi baseada no seriado de TV Dexter, que trata de um serial killer, a partir daí, em uma reunião resolvemos que seria legal tratarmos apenas deste tema no álbum, com isso eu e o JP escolhemos os assassinos que mais nos chamaram atenção e fomos dividindo as músicas, tentando encaixar da melhor maneira possível à música.

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Vicente – E logo os fãs da banda vão ser presenteados com o seu terceiro disco, chamado “Seasons of Red” certo? O que vocês têm a dizer sobre este novo petardo, quais as principais diferenças para os álbuns anteriores?

Jairo: “Seasons of Red” está até dia 09/05 em uma campanha de crowdfunding para seu lançamento, previsto para final de maio. “Seasons of Red” está sensacional, há alguns elementos novos, um pouco mais de harmonia e melodia e ao mesmo tempo mais brutal que o antecessor.

Vicente – Em 2009 vocês lançaram seu debut “KVLT OV DEMENTIA”. Após todo esse tempo como vocês veem o resultado do álbum, ficaram satisfeitos com o mesmo?

Jairo: acredito que todo álbum espelha o momento da banda e isso é único, imutável. Se fosse gravado hoje, com certeza teria suas mudanças, uma sonoridade diferente, porque somos caras diferentes hoje, mas ainda hoje ouvindo o álbum, fico satisfeito com tudo que conseguimos fazer com a pouca experiência que tínhamos, aquele álbum transborda uma fúria que me remete ao momento que vivíamos, de querer conquistar o mundo.

Vicente – A banda já teve a oportunidade de tocar na Europa em duas oportunidades. Como foi essa experiência para vocês? Quais as melhores e piores recordações destes shows?

Jairo: viajar é sempre sensacional, você aprende muito por estar em contato com culturas diferentes a cada dia, além do aprendizado musical e como equipe, por estar vivendo 24h todos os dias, sem descanso, junto aos companheiros da banda. Temos muitas lembranças maravilhosas, das pessoas, da diversão, da cerveja, dos shows, lembranças essas que apagam qualquer coisa ruim da memória. Vivemos o sonho de estar na estrada e vamos continuar vivendo esse sonho.

Vicente – Estando lá fora, quais foram as maiores diferenças que puderam perceber com relação ao nosso sempre complicado cenário musical?

Jairo: percebi que não existe diferença, as bandas locais são menos prestigiadas que as bandas de fora, simplesmente por serem de fora, por serem diferentes e oportunidade única pra eles de conferir. Tocamos em casas de shows grandes como temos aqui, tocamos em bares pequenos como também fazemos aqui, vendemos material em show mais do que as bandas locais como também acontece por aqui, a cena é assim no mundo inteiro.

Vicente – Além do novo álbum, quais são os planos do Chaos Synopsis para o ano de 2015?

Jairo: Vamos lançar o álbum e os primeiros shows já serão na Europa, com uma tour que deve passar por 08 países entre junho e julho e voltando para o Brasil já caímos na estrada aqui, pois lugar de rock é aí, na estrada.

Vicente – Em poucas palavras, o que pensa sobre as seguintes bandas:

Death: uma de minhas maiores influências;

Watain: não conheço praticamente nada, mas gostei do teatro de palco deles;

Suffocation: só existe uma palavra pra eles: brutalidade;

Morbid Angel: um molde de como o Death Metal tem que ser;

Sepultura: mestres do deathrash, pegada que não se encontra fora do Brasil.

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho da banda Chaos Synopsis e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam na música nacional.

Jairo: aguardem, pois nos encontraremos nos palcos esse ano e vamos todos nos divertir, rock ‘n’ roll não é mais que isso. Para aqueles que desejam participar da campanha de crowdfunding para o lançamento de “Seasons of Red”, entrem no link abaixo e confiram os vários pacotes disponíveis. http://www.kickante.com.br/campanhas/chaos-synopsis-pre-venda-seasons-red

Até mais.

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Entrevista com a banda Puddle of Mudd (Estados Unidos)

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Após mais de 20 anos, a banda americana Puddle of Mudd finalmente estará chegando ao Brasil para uma apresentação única em São Paulo no próximo dia 15 de Maio (maiores informações sobre o show ao final da matéria). E nesse rápido bate-papo o vocalista/guitarrista Wes Scantlin fala sobre esse primeiro show por estas bandas, confiram…

 

Vicente – Vocês estarão tocando no Brasil, agora em maio, pela primeira vez, depois de duas décadas de carreira. O que você espera?
Wes Scantlin – Uma platéia grandiosa. Agradecemos a todos pelo amor e nós estamos chegando para derrubar a casa…

Vicente – E o que os fãs daqui podem esperar do Puddle of Mudd?

Wes Scantlin – Uma performance Top. O melhor show que você já assistiu ou irá ver.

Vicente – Vocês já se apresentaram em muitos países no mundo em todos estes anos. Você acha que esses dias são melhores ou piores para os artistas, em particular para o Puddle of Mudd?
Wes Scantlin – Eles só ficam melhores, cada vez mais.

Vicente – Depois de 22 anos, como você vê a trajetória da banda? Como foi o início de Puddle of Mudd?
Wes Scantlin – Como um músico mais experiente hoje, eu finalmente me lembro dos meus começos humildes. Todo mundo começa de e em algum lugar.

Vicente – Seu último álbum foi “Volume 4: Songs in the Key of Love & Hate”. Depois de seis anos, como você vê este registro? Talvez algo que você gostaria de mudar nele?

Wes Scantlin – Eu vejo o álbum como parte da progressão da minha música. Estou orgulhoso do que o disco se tornou e não mudaria nada.

Vicente – Em 2011 vocês lançaram “Re: (disc) covered”. Como foi a escolha das faixas deste álbum? Conte-nos um pouco sobre este disco…

Wes Scantlin – Todos os artistas que eu “recriei” são impecáveis ​​e é uma honra lançar um álbum desses. Ali há brilho e paixão pela música.

Vicente – E quais são os planos de Puddle of Mudd para 2015?  Um novo álbum em breve?

Wes Scantlin – Sempre escrevendo e sempre gravando. Está saindo agora dia 09 de junho de 2015

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SERVIÇO PUDDLE OF MUDD- SÃO PAULO – HSBC BRASIL

Dia: 15 de maio de 2015, Sexta-Feira.
Horário: 22h00
Abertura da casa: 2h00 antes do início do espetáculo
Local: HSBC Brasil
Rua Bragança Paulista, 1281 – Chácara Santo Antonio
In formações e compra de ingressos:
# BILHETERIAS HSBC BRASIL – Rua Bragança Paulista, 1281 / Chácara Santo Antônio
(Horário de atendimento até o dia 23/12: segunda a sábado, das 10h às 21h e domingos e feriados, das 10h às 20h).
# COMPRA POR TELEFONE – Ingresso Rápido – Tel: 4003-1212
(Horário de atendimento: segunda a sábado, das 9h às 22h)
(Formas de Pagamento: cartões de crédito Visa, Mastercard, Credicard, Diners);
# COMPRA PELA INTERNET
(www.hsbcbrasil.com.br / http://www.ingressorapido.com.br)
(Formas de Pagamento: cartões de crédito Visa, Mastercard, Credicard, Diners);
# PONTOS DE VENDA CAPITAL, INTERIOR E OUTROS ESTADOS
Consultar http://www.ingressorapido.com.br
Taxa de Compra através da Ingresso Rápido
Compra em ponto-de-venda: 15% do valor do ingresso
Entrega em domicílio Grande São Paulo: R$ 15,00
Entrega em domicílio São Paulo Capital: R$ 10,00
Retirada na bilheteria: R$ 5,00
Para a compra de ingressos para estudantes, aposentados e professores estaduais, os mesmos devem comparecer pessoalmente portando documento na bilheteria respectiva ao show ou nos pontos de venda da Ingresso Rápido. Esclarecemos que a venda de meia-entrada é direta, pessoal e intransferível e está condicionada ao comparecimento do titular da carteira estudantil no ato da compra e no dia do espetáculo, munido de documento que comprove condição prevista em lei.

BILHETERIA:
INTEIRA e MEIA:
Camarote: R$ 300,00 e R$ 150,00.
Frisas: R$ 250,00 e R$ 125,00.
Cadeira Alta: R$ 200,00 e R$ 100,00.
Pista VIP: R$ 250,00 e R$ 125,00.
Pista 1º Lote: R$ 120,00 e R$ 60,00.
Pista 2º Lote: R$ 140,00 e R$ 70,00.
Clientes HSBC têm pré-venda exclusiva e 25% de desconto. O limite é de 04 ingressos por pessoa e a promoção não é cumulativa com outros descontos.

Entrevista com a banda Republica (São Paulo)

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Participar do Rock in Rio e fazer bonito é a melhor apresentação que uma banda pode ter. E foi isso que o Republica fez na edição de 2013. Mas até aquele momento foram mais de vinte anos de estrada, três discos lançados e muito suor para ver seus sonhos realizados. Nessa entrevista, Luiz Fernando Vieira (Guitarra), Leo Belling (Vocal) e Jorge Marinhas (Guitarra) falam mais sobre o grande momento vivido pela banda, sua passagem pelo mega festival e os planos futuros do República…

 

 

Vicente – Inicialmente, em resumo, qual a avaliação que fazem destas mais de duas décadas de trajetória da banda? Como foi o inicio de tudo e a razão da escolha do nome Republica?

Luiz Fernando Vieira – A banda surgiu em 1991 como uma reunião de amigos, como quase sempre acontece, e dali sonhos nasceram. Passamos por várias formações e dificuldades, dois discos importantíssimos, até chegar hoje com o terceiro álbum, o “Point of No Return”, que representa muito bem a fase e o astral da banda. Todos engajados e contribuindo muito para o sucesso da banda. É uma fase ótima e só tende a melhorar, afinal, nós realmente acreditamos no som que fazemos e vamos continuar por muito tempo levantando a bandeira do Rock and Roll pesado nacional! Sobre o nome, foi uma conjuntura de fatos políticos que passamos e a vontade de ver um país melhor, nossa boa e velha Republica e, principalmente, pela definição da palavra Republica, como ficou evidenciado na capa do primeiro álbum.

Vicente – A banda tem conseguido uma grande repercussão de seu terceiro disco, “Point of no Return”. Como foi a gravação e composição do mesmo?

 

Leo Belling – Todo processo de feitura de um álbum leva tempo e todas as decisões têm que ser tomadas com muita cautela e certeza. No nosso caso não foi diferente, tanto na fase de composições quanto de pré-produção, incluindo ainda arte, capa, produção, mixagem e masterização. A escolha do Luis Paulo Serafim, que é um grande amigo da banda, foi um processo natural e desde o início tínhamos o nome dele como certo pra conduzir e levar a sonoridade da banda a outro patamar. Buscávamos algo mais maduro e preciso, e como a nossa maior preocupação era imprimir no álbum toda a nossa prévia pesquisa de sonoridade e timbres com personalidades únicas, o LP (Luis Paulo Serafim) é definitivamente “o cara” pra se ter ao seu lado. Passamos um ano compondo as novas faixas e gravamos uma pré-produção ao vivo em estúdio e logo apresentamos ao LP, que analisou tudo com muita eficiência e nos apresentou um plano de trabalho e gravações, que foi seguido a risca do início ao fim. Trabalhar com ele foi um processo muito divertido, de muito aprendizado e extremamente profissional. Buscamos juntos dentro do estúdio a combinação perfeita para o nosso som, testando afinação, diferentes instrumentos, amplificadores, periféricos, pedais, microfones até chegarmos a uma mistura perfeita e obter timbres que demonstrassem a força e peso do som do Republica. É um trabalho meticuloso, exaustivo, mas que quando é bem conduzido faz muita diferença no resultado final. Outra grande contribuição do LP no processo foi a incansável busca pela performance perfeita dos tracks de cada instrumento ou voz gravada. Ele não é um cara de cortar e colar e sim de valorizar a performance do músico em benefício do todo. E ele é bem exigente quanto a isso dentro do estúdio! Como produtor ele nos deixou bem a vontade e conversávamos muito sobre cada detalhe. Ele é um cara que tem um ouvido absurdo e nada era feito sem uma intenção clara em busca do resultado final.

REPUBLICA - POINT OF NO RETURN ALBUM COVER

Vicente – A masterização de “Point Of No Return” ocorreu nos Estados Unidos e ficou a cargo de Stephen Marcussen, que já trabalhou com Rolling Stones, Kiss, Black Sabbath, Alice In Chains e Foo Fighters. Como foi a experiência de contar com o trabalho de uma pessoa tão conceituada no cenário?

Leo – Sobre a masterização, último processo na cadeia de produção de um álbum, foi também extremamente eficiente. Buscamos um cara que consideramos um dos melhores profissionais de master do mundo, um dos mestres dessa arte. A escolha dele foi justamente em função da nossa busca por uma sonoridade grande, forte e única. E ele chegou no resultado exato que queríamos, coroando um trabalho de quase dois anos.

Vicente – E o retorno do pessoal, foi o esperado pela banda, ou superou as expectativas?

Jorge Marinhas – Superou. E muito! Só o fato de termos sido convidados para apresentação em dois dos maiores festivais de rock do planeta, o Lollapalooza e o Rock In Rio, já mostrou que o trabalho que foi feito em “Point Of No Return”  foi muito bom. Agora é esperar para 2015 nosso novo trabalho.

Vicente – Músicas como “Time to Pay”, “Life Goes on” e “Dark Road” são alguns dos destaques de “Point of no Return”. Mas qual seria a música preferida de vocês, aquela que indicariam para quem não conhece o som do Republica?

Leo – Na realidade a banda gosta do trabalho como um todo, mas é normal que cada um tenha sua preferência. Mas “Life Goes On” acabou sendo unânime e acabou virando um dos nossos clipes de divulgação. A música tem uma levada bem bacana e a galera adora. Está tocando na Kiss FM e os ouvintes sempre pedem.

 

Foto Republica 2015

Vicente – “Life Goes On” e “El Diablo’ se tornaram ótimos vídeos. Como foi gravá-los, cansativo como são as gravações ou a banda conseguiu divertir-se com os mesmos?

Jorge – Divertidíssimo! O grande diferencial do Republica é o senso de humor da galera. Não existem egos! Nós passamos dias muito legais e o pessoal da produtora foi muito bacana e nos deu um respaldo imenso para que tudo fosse feito da melhor maneira possível. Todos estavam focados em produzir o melhor material possível e é o que temos nesses vídeos.

 

Vicente – Como foi participar de um evento da grandiosidade de um Rock in Rio? Pintou aquele frio na barriga pela proporção do festival, ou vocês levaram tudo numa boa?
Luiz – Vocês podem imaginar a adrenalina que são esses mega festivais! Ainda mais com a parceria do Dr. Sin. Foi uma responsabilidade muito grande para nós, mas sabíamos da nossa  capacidade e do trabalho que temos feito, sejam em apresentações como o Rock In Rio, ou em qualquer show que nos apresentamos. Fazemos sempre com muita concentração e somos sempre muito elogiados pela pegada ao vivo que o Republica tem.

 

Vicente – Em sua opinião, quais foram os melhores e os piores momentos do dia em que participaram?
Leo – Não teve pior momento, pra ser bem sincero. Foi a realização de um sonho, um puta show com o público participando e lotando o Palco Sunset. Depois, uma porrada de entrevistas, encontro com grandes músicos e bandas e curtir os outros shows com sorriso de orelha à orelha.
Vicente – E os planos do Republica para 2015? Talvez um novo álbum a caminho, ou ainda é cedo para pensar no sucessor de “Point of no Return”?

Jorge – Os planos são ambiciosos. Muito trabalho pela frente, pois o estágio em que o Republica se encontra não é pata tréguas e sim de muita dedicação em todos os sentidos. Mas com certeza um novo disco até meados de Setembro é nossa prioridade e já começamos a compor esse novo trabalho.

 

Vicente – Vocês estão com shows marcados juntamente com o Adrenaline Mob e Noturnall. Qual a expectativa da banda?

Leo – Conhecemos os caras do Noturnall e do AMOB há um tempo e sempre pensamos em fazer essa tour juntos. Republica e Noturnall são bandas irmãs, assim como seus integrantes. É uma grande família que se ajuda nesse mercado foda do metal nacional. A expectativa é das melhores e fica a promessa que vamos arregaçar em cada cidade que passarmos. Vai entrar pra história do metal nacional, tenho certeza!

 

Vicente – Em poucas palavras, o que pensa sobre as seguintes bandas:

Metallica: Gênios no sentido de se reinventarem musicalmente e se manterem no topo do metal mainstream. Referencia de produção e pesquisa de sonoridade. Temos o maior respeito pela carreira construída por eles. (Leo Belling)

Mötorhëad: Verdadeiros guerreiros do rock and roll. Três caras que se mantém verdadeiros a essência do metal. São realmente fodas! (Leo Belling)
Dr. Sin: Amigos e parceiros de som. Tocamos juntos no Rock In Rio e isso só fortaleceu a amizade. São pioneiros do gênero no Brasil e merecem o maior respeito do mundo aqui no Brasil e fora. Abriram muitas portas pra muitas bandas. São exímios músicos e caras extremamente gente finas. Um grande salve à família Dr. Sin! (Leo Belling)
Black Sabbath: Pais do metal e referência constante a quem quer que esteja envolvido com som pesado, independente da formação da banda. (Leo Belling)
Kiss: Aula de performance e marketing musical. Não tem nada mais divertido que assisti-los ao vivo. Geniais. (Leo Belling)

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho da banda Republica e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam na música nacional.

Leo – Só temos a agradecer todos os fãs e pessoas que nos apóiam ou nos apoiaram ao longo de todos esses anos. Sem eles não faria o mínimo sentido continuar. Agradecemos também a todas as bandas e músicos que tocaram conosco nessa bela trajetória e em especial agradecemos aos nossos brothers do Noturnall, ao Andreas Kisser e todos do Sepultura também. Aos que ainda não conhecem, é só entrar no facebook.com.br/republicarock ou no republicarock.com.br que lá tem tudo sobre a banda: músicas, vídeos, fotos, agenda. Temos certeza que quem se arriscar a conhecer vai curtir e nos ajudar a chegar mais longe. Um forte abraço também a todos da mídia especializada que se aventuram e se arriscam a apoiar o metal e o rock nacional. Sem vocês a roda não gira! Abraços e Long Live Rock and Roll!

Mais Informações:

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Resenha Torture Squad – Esquadrão de Tortura (2013)

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Quando, em 2012, o vocalista Vitor Rodrigues anunciou sua saída do Torture Squad, muitos temeram que a banda tivesse um destino semelhante a outras que, no auge de sua popularidade, perdiam uma peça importante de sua “engrenagem”.  Após três anos, o que vemos é uma nova banda ganhando seu espaço, o Voodoopriest, e outra mantendo seu alto nível, no caso o Torture. Alto nível consolidado neste álbum “Esquadrão de Tortura”, um disco que transcende as fronteiras do Thrash Metal.

Ao ouvir o álbum, fica a sensação que a banda resolveu investir ainda mais no instrumental, após a perda de sua voz principal. O resultado é um dos melhores discos de Thrash Metal dos últimos tempos, pois, juntamente com o peso característico do agora trio, surgem belas melodias, variações no andamento, muito além do normal no estilo. As 11 faixas são completamente diferentes uma das outras, fazendo com que a audição de “Esquadrão de Tortura” seja ainda mais prazerosa. 

E, não bastasse a qualidade sonora, o disco é uma verdadeira aula de história, versando cada música sobre a época da ditadura militar, um álbum conceitual genuinamente nacional. E a preocupação da banda em colocar no encarte não somente as letras, mas sim a história por trás de cada letra e música, é algo digno de nota. Isso faz com que você ter em mãos o material físico de “Esquadrão de Tortura” seja algo imprescindível, para curti-lo da maneira ideal. Não é um disco para se baixar em mp3 e ouvir, é um disco à maneira antiga, soando o mais moderno possível.

Apesar do elogio anterior a parte instrumental, a voz de André Evaristo se encaixou muito bem a sonoridade do Torture Squad, muitas vezes soando como um misto de Tom Araya com Schmier (Ouçam “Architecture of Pain” e comprovem). Como destaque a pesada abre-alas “No Escape from Hell”, a ótima “quase” instrumental “Pátria Livre” (com vocal de João Gordo), a grudenta “Wardance” (o trecho entre os 2:30 e 3:30 minutos é daqueles que grudam em sua cabeça e de lá não saem mais), a, na minha opinião, melhor do disco “Conspiracy of Silence”, pois ela tem de tudo em seus mais de sete minutos de duração, inicio acústico, seguido por um andamento mais rápido e agressivo, guitarras mais melódicas e um final empolgante.

Não há duvidas que o Torture Squad mudou um pouco sua sonoridade agora como um Power Trio, deixando um pouco o lado quase Death Metal que possuía, mas continua com a mesma qualidade de sempre. “Esquadrão de Tortura” é imprescindível para os fãs não somente de Thrash, mas de todos os aficionados pelo Metal em geral…

 

Nota: 9,5

 

Formação da banda:
André Evaristo – Guitarra e vocal
Castor – Baixo e vocal
Amilcar Christófaro – Bateria

 

Tracklist:

1 – No Escape From Hell
2 – Pull The Trigger
3 – Pátria Livre
4 – Wardance
5 – Architecture Of Pain
6 – Never Surrender
7 – In The Slaughterhouse
8 – Conspiracy Of Silence
9 – Nothing To Declare
10 – For The Countless Dead
11 – Fear To The World

 

 

Entrevista com a banda High Fighter (Alemanha)

HIGH FIGHTER_7383 ©  by Frau Siemers Fotografiert

High Fighter é uma banda alemã ainda recente, e consequentemente ainda pouco conhecida no Brasil. Porém aqueles que têm a oportunidade de conferir o som da banda (vide vídeo abaixo), irão ver um grupo que aposta num ótimo Stoner/Blues/Heavy/ Sludge Metal. Realizei esta entrevista com a vocalista Mona Miluski, onde fala sobre o inicio do High Fighter, a gravação de seu debut e planos futuros da banda. Confiram e conheçam um pouco mais sobre o High Fighter…

 

Vicente – Primeiro de tudo, conte-nos um pouco sobre a trajetória do High Fighter, como foi o início da banda? E como vocês chegaram a este nome?

Mona Miluski É uma história curta até agora, mas há muita coisa por trás da banda.

HighFighter é uma banda totalmente nova, nascida no verão 2014 por ex-membros da banda de Heavy Metal A Million Miles de Hamburgo, Alemanha – onde eu e o guitarrista Christian Shi Pappas tocamos por um par de anos, bem como o grupo de Stoner Rock Buffalo Hump ​​com Ingwer Boysen na guitarra e Constantin Wüst no baixo, que haviam sido unidos pelo baterista ex-Pyogenesis Thomas Wildelau há anos.

Quando a nossa antiga banda A Million Miles se separou em 2013, Shi e eu lentamente recomeçamos tudo e com isso reunimos uma nova banda juntos no início de 2014, quando nos unimos com Ingwer na guitarra. Sua banda de longa data Buffalo Hump não tinha vocalista a esse ponto, de modo que tivemos a idéia de unirmos as duas bandas. E descobrimos que éramos uma fusão de 5 pessoas que gostavam de fazer umas jams, tocando músicas barulhentas e pesadas com influências de Stoner Metal, Sludge, Blues e riffs Doom. Depois de passar por várias idéias para o nome da banda, Thomas veio com High Fighter, e nós amamos imediatamente, sabíamos que seria o nome da banda. É um nome muito forte e poderoso, que também ainda dá espaço suficiente para a sua própria imaginação de um “High Fighter.”

Vicente – Vocês lançaram no ano passado o EP, “The Goat Ritual”. Como foi o processo de composição e gravação do álbum?

Mona Miluski Depois que formamos esta nova banda, nós trancamo-nos em jam sessions pesadas e intensas ao longo dos meses de verão (nosso inverno) de 2014. O High Fighter é cheio de energia criativa, assim, em um tempo muito curto, já tinhamos um monte de músicas matadoras prontas para serem gravadas.. Mas foi importante e muito claro para nós, que queríamos apresentar nosso som verdadeiro ao vivo – por isso, gravamos nosso primeiro EP ao vivo e em um único fim de semana -.„The Goat Ritual”- em nossa sala de ensaios. Sem edição, nenhuma super produção de estúdio e sem overdubs. Só nós – puramente e simplesmente ao vivo.

EP Cover Artwork © by Dominic Sohor Design

Vicente – E a reação dos fãs foi a que vocês esperavam?

Mona Miluski Nós não tínhamos idéia e nunca esperavamos esta reação incrivel e o grande feedback que recebemos no dia a dia do High Fighter. Nós sentimo-nos muito gratos de quantas pessoas descobrem e curtem nosso som.

Vicente – “2Steps Blueskill” tornou-se um belo vídeo. Como foi a gravação deste clipe?

Mona Miluski Obrigado! assim como o nosso EP, nós filmamos o vídeo em nossa sala de ensaios. Nosso baixista Constantin é um estudante de cinema, e nós queríamos ter um vídeo com a mesma vibração e qualidade, como o registro representa, por isso, pensei, por que não gravar a faixa de abertura do EP ‘2Steps Blueskill’ no mesmo local, como fizemos com o nosso primeiro EP! Estamos mais do que felizes como ele saiu, se voce tiver em mente que tudo isso é uma produção totalmente do-it-yourself.

High Fighter Live_by Frau Siemers Fotografiert

Vicente – O som de alta Fighter é uma mistura de Stoner, Heavy e Blues. Esta é a proposta desde o início da banda?

Mona Miluski É Claro. Somos todos provenientes de diferentes origens musicais, mas Sludge, Doom e Desert Rock sempre foram uma grande parte de nossas vidas e música. Nosso som é uma conclusão natural de nossas influências, de onde viemos e é a música a que nos pertencemos e sentimos.

Vicente – E os planos futuros do High Fighter? Vocês estarão em turnê com  o Sunnata agora em Abril certo?

Mona Miluski Sim, no início de abril estaremos na estrada para a nossa primeira turnê – e não podemos esperar mais por isto! Nesta turnê que nos levará através da Alemanha, Bélgica e Reino Unido, estaremos acompanhados por nossos irmãos Doom Sunnata da Polônia. Após essa turnê estaremos tocando em alguns grandes shows, em festivais no verão e ao mesmo tempo estamos já trabalhando em um primeiro álbum completo, que pretendemos gravar no final do verão de 2015.

High Fighter Live, photo by Anders Oddsberg_Scream Magazine

Vicente – Em poucas palavras, o que você pensa sobre essas bandas:

Black Sabbath: Lenda. Sem Black Sabbath, nós não estaríamos, provavelmente, aqui sentados e conversando.

Corrosion of Conformity: Definitivamente nossos heróis, nós recentemente, há duas semanas, tivemos o prazer e a honra de abrir para eles na nossa cidade natal Hamburgo.

Sepultura: Ah sim, Roots Bloody Roots. Álbuns lendários como Arise … O que seria a cena metal sem eles?

Cathedral: Doom na perfeição. eterno.

Moonspell: Granda banda! Embora nós não sejamos relacionados com seu gênero musical, sem dúvida, uma das melhores bandas góticas, e que a cena Dark Metal tem para oferecer, ao lado do Type O’ Negative.

Vicente – Por fim, deixe uma mensagem para todos os brasileiros que conhecem ou gostariam de saber muito mais sobre a música do High Fighter

Mona Miluski Se você gosta de músicas pesadas, repletas de influências Doom, Blues, Sludge e stoner rock, venha e nos veja no:

www.highfighter.de

www.facebook.com/HighFighter

www.highfighter.bandcamp.com

Esperemos ter a oportunidade de tocar no Brasil um dia! Obrigado pelo apoio ao rock & stay doom!

HIGH FIGHTER_7233_©  by Frau Siemers Fotografiert

Entrevista com a banda Coroner (Suiça)

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A banda suíça Coroner é daquelas que pareciam ter um grande futuro no Metal, com álbuns cada vez mais criativos, mas que, infelizmente, no seu auge acabou por encerrar suas atividades em 96, após cinco discos de estúdio. Quinze anos se passaram até a grande volta da banda, que desde então vem excursionando mundo afora e estará aterrissando no Brasil agora em Abril. E para falar destes shows por aqui conversei com o Baixista/Vocalista Ron Royce, que também fala sobre os planos futuros do Coroner.

 

Vicente – Vocês estarão tocando no Brasil agora em Abril. O que você espera? E o que os fãs daqui podem esperar do Coroner?

Ron – Estou ansioso para ver um público animado e entusiasmado, que já estava esperando um longo tempo para ver o Coroner pela primeira vez ao vivo na América do Sul. E eu espero que haja um grande número de pessoas em nossos dois shows em São Paulo e Recife. Os fãs de metal que virão para os shows podem esperar um show em alta voltagem com muitas canções clássicas do Coroner.

 

Vicente – Vocês já tocaram em muitos países ao redor do mundo em todos estes anos. Você acha que esses dias são melhores ou piores para as bandas, em particular para o Coroner?

Ron – Isto é o que eu, pessoalmente, ouvi de várias bandas: A situação nos dias de hoje é muito mais difícil em comparação com os anos oitenta e noventa. Porque os artistas não são capazes de vender tantos discos mais. Então, eles são forçados a sair em turnê cada vez mais, mas ainda ganhando bem menos dinheiro. No entanto, nós, os membros do Coroner, estamos em uma situação melhor, devido ao fato de que temos os nossos empregos, além da banda, por isso não somos obrigados a aceitar qualquer oferta dos promotores.

 

Vicente – Depois de quase 15 anos separados, Coroner retorna em 2011. O que aconteceu em todo este tempo e qual a maior razão para este retorno?

Ron – Depois que nos separamos em 96, cada um de nós se envolveu em nossos próprios projetos musicais; Tommy começou a “69 Chambers” com sua esposa e tem estado ocupado com seu estúdio de produção musical. A razão pela qual nos reunimos foi o grande pedido por parte dos fãs e algumas boas ofertas de diferentes promotores. E, claro, todos nós estávamos curiosos, a forma como iria soar, e se ainda seriamos capazes de botar para quebrar depois de tantos anos parados.

 

Vicente – E os planos futuros da banda? Talvez um novo álbum em breve?

Ron – Tommy, Daniel e todos os outros envolvidos estão trabalhando muito duro para em um pacote triplo, um DVD junto com um filme / documentário e cenas nunca antes publicadas. Eles estão quase terminando e isso vai definitivamente ser lançado este ano. Com certeza vai ser um presente para os fãs. Há também um novo álbum previsto, e nós iremos focar nele ele depois que voltarmos da turnê sul-americana, isso é também a razão por que não nos comprometemos a realizar muitos shows este ano, queremos nos concentrar em lançar o novo álbum em 2016.

 

Vicente – Em poucas palavras, o que você acha sobre essas bandas:

Ron – Kreator: Nós nos tornamos amigos próximos depois que nós tivemos a chance de abrirmos os shows durante a sua turnê nos Eua em 89, onde tocamos um total de 41 shows juntos.

Celtic Frost: É claro que devemos-lhes muito, porque Tom Warrior ajudou a produzir nossa primeira Demo, e ele também contribuiu escrevendo as letras e fazendo a parte vocal. Ele também apresentou o Demo para a gravadora, “Noise International”, onde fomos capazes de assinar um contrato para cinco álbuns consecutivos. Como apoio ao Celtic Frost e Kreator, nós também realizamos o nosso primeiro show em nossa cidade, Zurique.

Rush: Minha banda favorita de todos os tempos. Geddy Lee é a inspiração musical mais importante para mim.

Megadeth: De volta aos anos 80, quando começamos, também tiveram alguma influência sobre nós.

Voivod: Marky e Tommy acompanharam o Celtic Frost em sua turnê americana como roadies e, portanto, conhece-os pessoalmente, já que o Voivod estava abrindo o show do CF. Eles também estavam sob contrato com a “Noise Records Intl.”

 

Vicente – Por fim, deixe uma mensagem para todos os fãs brasileiros que realmente curtem o som de Coroner.

Ron – Gostaria de agradecer a todos que nos apoiaram lealmente durante todos esses anos e eu realmente estou ansioso para recebê-los em nossos shows

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Resenha Republica – Point of no Return (2013)

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Participar de um evento da grandiosidade de um Rock in Rio pode ser ótimo para uma banda, ou jogar no lixo seu nome, como em alguns casos (não vou citar nomes, até por que todo mundo já conhece os grupos arrasados pelas críticas). No caso do Republica, o festival foi uma bela divulgação do seu trabalho, e a banda passou com louvor pelo teste.

Não que a banda seja uma iniciante no cenário, pelo contrário, pois está na ativa desde 1991, ou seja, merecia seu lugar nos holofotes, e não caiu de pára-quedas em meio a grandes nomes da música mundial.

Eis que surge então seu terceiro disco, “Point of No Return”, mostrando que a banda continua em alta voltagem. Com grande produção de Luis Paulo Serafim (ganhador de três Grammys) e masterização de Stephen Marcussen, feita nos Eua, o álbum demonstra todo o potencial da banda. Vale citar também o belo encarte e a própria embalagem do disco, de primeiro mundo, mesmo em um terceiro mundo que cada vez mais não dá o devido valor a isso.

As 10 faixas, totalizando 46 minutos, mostram uma sonoridade Rock n’ Roll com boas doses de Metal, algo próximo ao que o Metallica fazia na década de 90 (mas sem maquiagem), sendo que todas as músicas demonstram a preocupação da banda em fazer um som profissional e de qualidade ímpar.

Isso fica claro em músicas como “Time to Pay”, com riffs que lembram Black Sabbath/Black Label Society, na mais animada “Why?”. “Life Goes On” virou vídeo, e é fácil entender essa escolha, visto que é uma música forte, que intercala momentos pesados com outros bem melódicos, um dos pontos altos do disco. Já faixas como “Goodbye Asshole” (com participação de Roy Z) e “No Mercy”  tem aquela sonoridade voltada ao Metallica época Load/Reload (como descrito anteriormente). “The Land of the King” tem um quê de Horror Show, inclusive em sua letra. Temos aqui também a Motorheadiana “Dark Road”, com ótimos solos de guitarra, a agitada “Fuck Liars” e encerra com “El Diablo”.

“Point of No Return” é um disco que solidifica de vez o nome do Republica no cenário nacional, um daqueles grupos que tem a chance de mostrar seu trabalho ao grande público, e é aprovado com louvor no teste…

Republica:

Leo Belling – Vocal

Luiz Fernando Vieira – Guitarra Solo

Jorge Marinhas – Guitarra rítmica e Vocais

Marco Vieira – Baixo

Gabriel Triani – Bateria

Nota:8,5

Tracklist:

  1. Time To Pay
  2. Why?
  3. Life Goes On

04.Change My Way

  1. Goodbye Asshole (feat. Roy Z)
  2. The Land of The King
  3. No Mercy
  4. Dark Road
  5. Fuck Liars
  6. El Diablo

Resenha Chaos Synopsis – Art of Killing (2013)

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Muitas bandas resumem-se a tocar sempre a mesma coisa, da mesma forma que milhares de outras antes delas.  E são estas que corroboram com a grande máxima do meio Metal: “Bandas boas são as antigas, as novas são somente meras cópias das mesmas”. Ainda bem que alguns grupos derrubam essa afirmação, e ainda mais legal quando uma dessas bandas vem aqui do nosso Brasil varonil.

“Art of Killing”,  segundo álbum da banda paulista Chaos Synopsis, é realmente um dos discos mais legais que tive a oportunidade de conhecer nos últimos tempos, principalmente no segmento mais extremo do Metal. E isso fica nítido já na primeira faixa, a primorosa “Son of Light”, com sua bateria absurdamente pesada , riffs certeiros e um vocal transbordando ódio, tudo que a parte lírica da música exige. Não seria absurdo dizer que “Son of Light” já vale o disco, mas que essa música é o ponto alto do álbum não é nenhum exagero.

Mas a violência (não gratuita) continua nas demais faixas de “Art of Killing”. Como no começo mais cadenciado mas ainda com um peso indescritível de “Vampire Of Hannover”, onde os guitarristas JP e Marloni dão simplesmente um show de riffs. Show esse que continua em toda a audição do álbum.

“Rostov Ripper” foi a primeira música apresentada pela banda aos fãs, e continua mantendo o nível nas alturas. Já a essa altura a banda já ganhou a parada e o restante da audição em “Art of Killing” transcorre da melhor maneira possível. Ainda deve se destacar duas ótimas faixas, “BTK (Bind, Torture, Kill)” cujo solo de guitarra remete a bandas de Southern Rock, ou seja, na contramão do que se espera de uma banda de Death/Thrash Metal, e justamente por isso ficou muito legal, pois casou perfeitamente com a música em questão. E a faixa que encerra o disco, a instrumental “Art of Killing”, traz uma serie de variações, fugindo um pouco do padrão mais pesado do restante do álbum.

“Art of Killing” é daqueles discos para ser ouvido como antigamente, com o encarte na mão, acompanhando as letras, pois as mesmas envolvem o ouvinte de forma extraordinária, pois versam sobre a historia de assassinos em serie, a arte de matar. Tudo isso faz com que o disco tenha aquele algo a mais, que o diferencie e coloque no rol daqueles que se tornarão clássicos de um estilo e/ou época.

O Chaos Synopsis está prestes a lançar seu terceiro disco, mas já carregam o “peso” de manter o nível lá em cima, pois sem dúvida alguma “Art of Killing” os colocou um patamar acima na lista das grandes bandas extremas do Brasil…

 

Nota: 9,0

 

Tracklist:

  1. Son of Light 04:28
    2. Vampire of Hanover 03:49
    3. Rostov Ripper 04:17
    4. Bay Harbor Butcher 03:40
    5. Demon Midwife 02:50
    6. Red Spider 03:37
    7. Zodiac 03:17
    8. B.T.K. (Bind, Torture, Kill) 04:13
    9. Monster of the Andes 03:20
    10. Art of Killing 06:18

 

Jairo – Insane Propaganda and Heavy Strings
Friggi – Madbeats
JP – Guitars ov Dementia
Marloni – Guitars ov Insanity

Entrevista com a banda Attractha (São Paulo)

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Attractha é mais uma das gratas surpresas surgidas no Brasil nos últimos anos. A banda paulista agrega ao seu som saudáveis doses de Heavy Metal/Hard Rock. Para falar sobre toda carreira do grupo, realizei esta entrevista com o baterista Humberto Zambrin e o guitarrista Ricardo Oliveira onde, numa conversa bem bacana e elucidativa, falam também sobre os planos futuros e sobre o mundo da música em geral. Confiram e prestigiem esta que é uma das boas promessas do nosso país.

 

Vicente – Após 7 anos de banda, qual a avaliação que fazem da trajetória do Attractha?

Humberto Zambrin (bateria): Olha, realmente dos 7 anos, posso dizer que produtivos foram 4, de 2010 até hoje. 2010 foi quando iniciamos as gravações que deram origem ao Engraved, mesmo sem a formação da banda estar completa. Anteriormente a isso, realmente a banda era um embrião, com muitas mudanças, muitas ideias, mas faltava efetividade, pois não havia uma formação estável. Nosso problema sempre foi a voz, que nunca encontrávamos alguém que estivesse dentro do que a gente queria… Quando tudo se acertou, em 2012, com a chegada do Marcos de Canha (vocal) e do Guilherme Momesso (baixo), a coisa foi muito rápida e tenho que dizer, além de excelente, foi surpreendente! Durante esses anos todos fomos reunindo contatos na mídia, dentro e fora do Brasil, então assim que nos “lançamos” já começamos a ter uma repercussão muito legal, no mundo todo! Apesar da recente saída do Marcos, já retomamos a produção com um novo vocalista, então eu diria que, até o momento, a trajetória foi ótima e um pouco acima do que a gente esperava, para uma banda que ainda só tem um EP e um clipe como registros!

Vicente – Vocês lançaram em 2013 o EP “Engraved”. Como foi a gravação do mesmo? O resultado final foi satisfatório?

Humberto: Sendo bem honesto, não esperávamos que o resultado ficasse da forma que ficou e nos rendesse tantos elogios. Na verdade, em 2010 começamos a gravar as 4 músicas para termos um registro, como uma demo mesmo, para nos ajudar a procurar vocalistas. Era muito difícil conseguir assediar bons músicos sem ter um material decente em mãos. Então, o que fizemos foi uma demo em 2010 com essa finalidade. Em 2011, após “n” tentativas fracassadas com vocalistas, decidi parar com tudo e procurar outras coisas, mas o Ricardo acabou me convencendo a voltar. Quando voltamos e nos unimos aos novos caras, a coisa ficou tão boa, que pensamos: vamos trabalhar aquela demo mesmo para termos algo pronto, com voz e etc… mas a ideia era ter uma demo! O que ocorreu é que o trabalho começou a ir tão bem, que começamos a dar outra forma. Não foi planejado no inicio, mas no meio das gravações de voz, já estava claro que não seria só uma demo. Digo, a produção estava muito legal, então foi natural que aquilo se tornasse um “algo mais”! As baterias são as originais, gravadas em 2010…eu não mexi em nada, apesar de atualmente os arranjos estarem ligeiramente diferentes daquilo. Sou preguiçoso e gravar bateria dá muito trabalho! Kkkkkk Além da grana, claro! Então aproveitamos as baterias e o baixo gravados na época. Gravamos as vozes em dois estúdios distintos, para captarmos umas coisas diferentes, regravamos algumas linhas de guitarra e os solos… daí o trabalho começou! O Ricardo Oliveira (guitarra) também é produtor e engenheiro de som, e junto com o Henrique Baboom, que estava no comando das gravações desde 2010, fizeram um excelente trabalho de mixagem do som e posteriormente o Alessandro Cabral e o mesmo Baboom trabalharam comigo na masterização… demos o nosso máximo para ter um material decente e, até agora, só temos recebido elogios! Depois, como qualquer produto, tínhamos que pensar na embalagem, daí eu vim com a ideia gráfica, onde o Guilherme me ajudou bastante…E assim o EP aconteceu!

Vicente – E o retorno dos fãs e da mídia especializada, tem sido a esperada por vocês?

Humberto: Da mídia, tem sido bem maior do que esperado!! Realmente a repercussão do EP aqui e no resto do mundo foi muito bacana! Enviamos o material pra mais de 10 países e, na maioria deles o trabalho foi muito elogiado! Claro que existem críticas negativas para algumas coisas também, o que é natural, e não escondemos isso! (risos). Mas as criticas são para alguns detalhes específicos, mas no conjunto todo, sempre muito elogiado. Está tudo lá no nosso site pra galera ler! O apoio dos fãs também é legal! Eu não gosto muito de usar essa palavra, porque nos coloca num patamar que acho que não estamos… Nós temos amigos e seguidores que nos apoiam, nos estimulam e acima de tudo fazem nossa música se espalhar por ai! Essas são nossas pessoas!! Fãs eu acho que tem o AC DC, o KISS e o Iron Maiden! (risos)

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Vicente – Vamos falar sobre o processo de composição de cada uma das músicas do EP, começando por “Darkness”:

Ricardo Oliveira (guitarra): Todo o processo de composição hoje é feito da mesma maneira pra todas as músicas, normalmente eu trago uma ideia e nós quatro juntos, fazemos a música tomar forma, sempre obedecendo o que nossos ouvidos e corações mandam, as vezes o Guilherme Momesso (baixo) vem com a ideia e o processo é o mesmo. Mas as músicas do EP não foram feitas desta maneira, então vamos lá: eu tinha toda a ideia de como gostaria que ficasse a “Darkness”, os riffs já criados e mapeados. Trouxe-a para o estúdio e junto com o Humberto fizemos o que é quase o que tem hoje, lógico que depois das influências dos outros integrantes, tiveram alguns retoques.

Vicente – Seguindo para a minha favorita “The Choice”:

Ricardo: “The Choice” foi um mandado, quando o riff inicial veio pra debaixo dos meus dedos, ela se fez em pouco mais de meia hora, fechou de uma maneira tão harmoniosa, que pouco se mexeu nela. É uma música cheia de detalhes, que em certo momento, achávamos que não seria tão bem aceita quanto esperávamos o que pra nossa surpresa, tem sido a mais elogiada e por consequência virou o nosso primeiro vídeo clipe.

Vicente – A “balada” “Blessed Life”:

Ricardo: Essa música é uma mistura de sentimentos, foi feita em uma fase triste da minha vida, quando perdi um amigo (irmão)… Saudades das coisas boas que tive na presença dele e pelo que ele era, tristeza pela perda, desespero por não ter o que fazer… Enfim, tudo isso feito pelo meu coração e depois muito bem escrita pelo Humberto, que soube captar todo esse sentimento que a música nos passou… Eu até fiquei na dúvida… “você o conheceu??” perguntando para o Humberto… (risos)

Vicente – E terminando com a poderosa “Beggining”:

Ricardo: “Beggining” foi a única do EP que foi feita da maneira que compomos hoje, trouxe as ideias para o estúdio e a partir daí fizemos ela tomar forma. É uma música mais cadenciada seguindo um pouco de influências novas e antigas que fizeram presença na minha vida.

Vicente – E os futuros planos do Attractha?

Humberto: Estamos um pouco atrasados com o processo de composição do nosso novo CD, até em virtude dos trabalhos com o novo vocalista, então estamos focados em escrever o novo material. Talvez uma parcial disso seja liberada antes, um single ou algo assim… depois é entrar em estúdio para gravar o mais cedo possível! Nossa meta era lançar o novo CD em Março de 2015, mas não vamos conseguir. O foco agora é tentar fazer isso até o meio do ano. Porém em Abril já voltaremos aos palcos, porque não dá pra ficar sem fazer shows! Claro, com o lançamento do CD já queremos ter um bom plano de shows atrelado a ele. Esse é nosso plano de curto prazo… a longo prazo, queremos dominar o mundo! (risos)

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Vicente – Como avaliam o cenário para as bandas nacionais nesse momento? Há mais espaço para divulgação e realização de shows, ou não houve nenhuma mudança substancial nesse sentido?

Humberto: Olha, eu acho que o cenário está razoavelmente bom para as bandas, pois com as redes sociais e etc, você consegue divulgar bem mais o seu trabalho do que 10 anos atrás…agora para shows eu ainda acho que há muito amadorismo no cenário…Temos 2 situações que são clássicas e recorrentes: uma é a disputa de espaço entre bandas autorais e bandas cover, que é totalmente sem sentido…são públicos diferentes e propósitos diferentes. A divergência vem da disputa de local físico, porque infelizmente as casas que abrigam shows de Rock e Metal são as mesmas e elas acabam gerando parte desse problema. Outro cenário são os festivais, que acredito serem a melhor plataforma para as bandas autorais iniciantes, pois têm a oportunidade de mostrar seu trabalho para um número maior de pessoas e todas interessadas em conhecer musica autoral. O problema desses festivais, salvo algumas exceções, é a produção, muitas vezes amadora, que acaba não dando boas condições para as bandas se apresentarem… isso é um ciclo, sabe? Se você quer ser um produtor, deve começar pequeno, mas sempre com foco em qualidade. Para as bandas, a infra-estrutura é fundamental! Qualidade do som, retorno, PA, backline… tudo isso é importante para mostrar nosso trabalho com qualidade e é importante para o produtor que pensa a longo prazo, por que as pessoas irão voltar nos seus eventos sabendo que é bem feito…daí pode ir crescendo gradativamente! Existem alguns bons festivais undergrounds que rolam por ai que começaram assim e hoje são referencias… melhores até que alguns shows de bandas gringas que já vi aqui em São Paulo!

Mas de qualquer forma, temos que sempre manter o foco em trabalhar as apresentações de forma profissional e justa! Contratos, cachê, acertos, tudo deve ser respeitado.  Esse é o outro lado da moeda que nem sempre aparece…

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

Savatage: Foi um ícone do metal americano, a frente de seu tempo… porém o tempo os alcançou e os deixou pra trás… infelizmente acho que pelos projetos paralelos do John Oliva como o TSO, a banda deixou de ter atenção e acabou ficando ultrapassada. Acho o último álbum deles muito inferior ao predecessor

Mr. Big: O perfeito Hard Rock com técnica! Melodia e técnica na medida certa, sem exageros… eu gosto muito!

Dream Theater: Talvez a maior inovação no metal dos anos 90 e também os grandes culpados por uma geração de músicos de muitas notas sem melodia… inspiram muitos, mas não conseguem ser imitados! Eu gosto muito de ouvir DT, mas acho que muitas pessoas por conta deles acabaram esquecendo-se de fazer música pra mostrar só o que sabem fazer com seus intrumentos… sugiro, antes de ouvir Dream Theater, ouçam Yes, Genesis e Pink Floyd…

Black Sabbath: Reis! Não estaríamos aqui nessa entrevista sem esses caras… são o Big Bang do Metal…ali começou tudo!

Skid Row: Uma banda de Hard Rock injustiçada! Na minha opinião, muito melhores do que o Guns and Roses! Mais Hard, mais Rock! Pena que implodiu devido aos temperamentos dos músicos…Sebastian sem o Skid Row nunca mais foi forte, apesar das tentativas e o Skid Row sem ele virou uma mera banda punk, sem o brilho das boas bandas punks!

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho do Attractha e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam no Metal nacional.

Primeiro de tudo, agradeço a vocês pela resenha que fizeram do nosso CD! Foi prazeroso ler cada palavra! Obrigado mesmo!! Nós queremos agradecer a cada um que escuta nossa música, que vai ao nosso show, que acessa nossas mídias e etc… muito obrigado! Para quem não nos conhece, tudo pode ser visto em www.attractha.com! Lembrem-se: ouvir música é muito bom, e é algo que acompanha a gente o tempo todo, seja no carro, no celular, no YouTube… mas nada, nada se compara a ouvir música ao vivo, junto com seus amigos, bebendo uma boa bebida e se divertindo! Compareçam aos shows das suas cidades, prestigiem as bandas que vocês gostarem… não falem mal das que não gostam… simplesmente aproveitem as que são boas para vocês, porque há espaço para todos!! Um forte abraço a toda galera que acompanha o With every tear a dream!! Metal rules!!!

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Noturnall – Noturnall (2014)

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Apesar de ter recebido há um bom tempo o primeiro disco do Noturnall, resolvi esperar baixar um pouco a poeira que a serie de resenhas positivas e algumas negativas que o álbum levantou após seu lançamento. E, uma coisa não pode se negar: Os caras foram corajosos ao seguir um caminho completamente do que era imaginado quando foi anunciada sua formação e, consequentemente, o lançamento de seu debut.

 

Pois seria fácil seguir o caminho mais fácil e apostar no Power Metal de suas bandas de origem, e assim manter os fãs conquistados ao longo destes anos. Mas o caminho escolhido foi o oposto disto, e o resultado é o que vemos em seu primeiro e auto-intitulado álbum.

 

Desde os primeiros acordes (e batidas) da peso-pesada “No Turn At All”, temos a certeza que algo diferente irá acontecer. Esta música é daquelas que passam por cima da gente como um trator, tamanho peso e intensidade que emanam dela, sendo provavelmente a música mais pesada do disco. Só que ela precede justamente a melhor música aqui, a fabulosa “Nocturnal Human Side”, com seus riffs tipo Pantera (em determinado momento Dimebag parece reencarnar em Leo Mancini), e a participação perfeita do mestre Russell Allen. Faixa digna de tornar-se clássica. Zombies possui sua introdução e refrão perfeitos para cantar junto nos shows, ainda demonstrando um peso de responsa. “Master of Deception” tem andamento menos comuns, bons solos de guitarra e teclado e grande trabalho de Aquiles na bateria. “St. Trigger” (não confundir com St. Anger), apesar de muito pesada, possui uma grande dose de melodia em seu refrão (uma constante ao longo do disco). A partir daqui o disco da uma “acalmada”, sendo que “Sugar Pill” seria a música mais próxima do que poderíamos imaginar da sonoridade do Noturnall, a única um pouco mais voltada para o Power. E em seguida temos a bela balada “Last Wish”, com seu ar de “Fairy Tale” (tudo bem, não é a mesma banda, nem mesmo o mesmo Shaman, mas que ficou um clima parecido…) com um trabalho primoroso de Thiago Bianchi. “Hate” é… bem… é uma música que transborda ódio, mas com momentos mais melódicos em dose certeira. E o disco termina com a (mais uma vez) pesada “Fake Healers” e a acústica “The Blame Game”.

 

Com relação aos músicos, quase nenhuma novidade. Thiago Bianchi tem um desempenho digno de nota, tanto nos vocais mais ríspidos quanto nos melódicos, Leo Mancini manda riffs e solos muito legais, grande trabalho. Igualmente podemos falar do tecladista Junior Carelli, que em determinados momentos tem um quê de Jordan Rudess no disco “Train of Thought”. Fernando Quesada demonstra aqui ser um dos melhores baixistas da atualidade no Metal nacional. E Aquiles Priester, bom, não tem nem o que comentar, pois a sonoridade mais agressiva do Noturnall casou perfeitamente com seu estilo, simplesmente matador. Destaque também para a produção cristalina do álbum e seu encarte, que aberto mostra a capa em tamanho maior, como nos bons e velhos tempos do vinil.

 

Para você que não se contenta sempre com mais do mesmo, está ai uma banda que veio para ficar…

 

 

Nota: 9,0

 

Tracklist:

 

1.No Turn At All

2. Nocturnal Human Side

3. Zombies

4. Master of Deception

5. St. Trigger

6. Sugar Pill

7. Last Wish

8. Hate

9. Fake Healer

10. The Blame Game

 

 

Entrevista com a banda Headhunter DC (Bahia)

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Após um pequeno recesso, estamos de volta ao “trabalho”, e nada melhor que retornar com uma matéria de uma das maiores bandas de Metal nacional.

O Headhunter DC já soma incríveis 26 anos de carreira, algo quase impossível em se tratando de uma banda de Death Metal, gênero que somente os fortes conseguem sobreviver e manter uma carreira de alto nível.

E, para falar sobre toda a carreira da banda baiana, realizei esta entrevista esclarecedora com o vocalista Sergio Baloff, que demonstra a verdadeira paixão pela música extrema.

 

 

Vicente – E já se foram mais de um quarto de século de uma batalha pela música que não tem fim, tempo em que a grande maioria das bandas ficaram pelo caminho. Qual o balanço que fazem da trajetória do Headhunter DC?

 

Sergio – A sensação é a do dever mais que cumprido mesmo (com o perdão do clichê), mas com a consciência de que ainda temos muito a fazer e conquistar, apesar dos vários anos de trajetória. São 26 anos de total dedicação, sacrifício, lealdade e paixão pelo Death Metal Underground, sem esquecer, é claro, muita diversão também, sem a qual também nada disso faria sentido. Fazemos parte da segunda geração do Death Metal, e creio que temos honrado da forma mais honesta possível esse gênero musical/ideológico e estilo de vida, não apenas com nossos lançamentos, mas também com nossa postura irrepreensível dentro da cena. Não temos nem nunca tivemos a obrigação ou obsessão de sermos famosos, de fazermos música para as grandes massas; aqui o ‘deathbanger’ vem antes do músico, então tudo flui de forma natural e, consequentemente, por muito mais tempo. Vivemos todos os altos e baixos possíveis da cena, vimos pessoas e bandas sumindo com a mesma velocidade com que surgiram, ouvimos discursos inflamados que mais tarde perceberíamos que se tratavam de pura fantasia adolescente; testemunhamos traições, máscaras caindo, mas sobrevivemos a tudo isso com a força e o poder que o Metal da Morte nos dá, difícil de se explicar através de breves palavras. Então o resultado é esse: mais de ¼ de século de morte total, sem jamais termos desistido ou virado wimps como tem sido comum entre as bandas de nossa geração.

 

Vicente – E o que esperam do futuro da banda, quais os planos imediatos para 2015?

 

Sergio – Como não podemos ter qualquer certeza sobre o futuro, encaramos o futuro como o aqui e o agora, então a ideia é mantermos-nos fortes o bastante para continuarmos nossa saga em prol do que gostamos, acreditamos e nos realizamos fazendo, sempre com a paixão, sinceridade e honestidade que nos são características. Para 2015, continuarmos tocando o máximo que pudermos e já termos um novo trabalho lançado, de preferência um novo full length..

 

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Vicente – A Mutilation Records acabou de lançar um tributo para a banda. Como foi ficar sabendo desta ação e qual a participação da banda nesse processo?

 

Sergio – Estamos honrados pela iniciativa da Mutilation em nos prestar essa homenagem, assim como por todas as grandes versões executadas pelas bandas participantes. Eu coordenei todo o desenvolvimento do projeto, desde o convite às bandas, passando pela compilação das músicas, concepção da capa e layout. Estou muito satisfeito com seu resultado final. Mais do que um tributo a nós, trata-se de uma verdadeira congregação sônica em prol do Death Metal. Confiram e aguardem o volume 2!

 

Vicente – Conseguiam imaginar, lá no principio de tudo, um dia ter bandas se espelhando e tocando suas músicas como uma forma de homenagem?

 

Sergio – Obviamente que não, ainda que sempre tenhamos acreditado em nossa capacidade de desenvolver um trabalho de qualidade e identidade própria. Temos orgulho em termos, de uma forma ou de outra, contribuído com o desenvolvimento e manutenção do Death Metal mundo a fora, e apesar de nem sempre termos o reconhecimento por tudo o que temos feito dentro de nosso próprio país, uma homenagem como essa só nos dá ainda mais força e poder para continuamos honrando o Metal da Morte Underground como sempre fizemos. A propósito, um grande SALVE e um muito obrigado a todas as bandas envolvidas no projeto e à Mutilation Records pela iniciativa.

 

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Vicente – E como surgiu a idéia de lançar o CD “Brazilian Deathkult Live Violence…”? Foi pensado mais como uma forma de homenagem aos fãs?

 

Sergio – A ideia surgiu desde quando percebemos que esse material estava sendo muito requisitado pelos fãs após o lançamento da versão em tape, a qual esgotou-se rapidamente por ter saído numa edição limitadíssima de apenas 100 cópias numeradas a mão, o que não deixa de ser uma homenagem a eles, que tanto o queriam novamente disponível. A Eternal Hatred Records está de parabéns pelo relançamento!

 

Vicente – Vocês lançaram em 2012 o disco “…In Unholy Mourning…”, que teve uma ótima recepção na mídia especializada. Como foi o processo de composição e gravação do álbum?

 

Sergio – O processo de composição fluiu, como sempre, muito naturalmente. Até a gravação do álbum foram vários ensaios até que tudo estivesse em conformidade com o que realmente queríamos, sem mencionar que esse seria o álbum de estreia do guitarrista George Lessa, então tínhamos que estar no melhor entrosamento possível com a nova line-up. Conseguimos através da gravação no Studio 60, sob engenharia de som de Jera Cravo, a ambiência, sonoridade e atmosfera que queríamos, o que nos deixou realmente satisfeitos com o resultado final do álbum.

 

Vicente – A banda teve um grande cuidado com os detalhes do álbum, como a capa e o encarte, que traz tanto as letras em inglês quanto em português, algo interessante visto que nem todos possuem um domínio completo da língua inglesa, fazendo assim com que todos compreendam o que a banda quer passar com suas músicas.

 

Sergio – Sim, tudo isso foi como um grande presente aos fãs por tudo que representam para nós e também para, ao menos, tentarmos compensar um pouco os longos 7 anos de espera pelo lançamento do álbum. Acho que no final a espera valeu a pena.

 

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Vicente – Todo esse tempo de estrada já trouxe muitas histórias. Qual teria sido o melhor e o pior momento do Headhunter DC em um show?

 

Sergio – São muitas as histórias, cara, entre bons e maus momentos, o que não poderia ser diferente em se tratando de uma banda com quase 30 anos de existência. Quem sabe um dia não registramos tudo em um livro… Mas certamente entre os melhores momentos em nossa carreira está o nosso show com o Possessed em Recife, 2008, quando o pai do Death Metal, Mr. Jeff Benjamin Becerra, subiu ao palco durante o nosso show e convocou cerca de 1.200 bangers a gritarem o nosso nome, o quais obedeceram em uníssono. Fudidamente e eternamente memorável!!!

 

Vicente – Vocês fizeram alguns shows lá fora juntamente com o pessoal da Nervochaos, certo? Conte-nos um pouco sobre como foram as apresentações na Europa.

 

Sergio – O balanço da tour europeia em 2013 é altamente positivo, uma incrível experiência através de uma jornada deathmetálica através de 9 países, com 18 shows em 22 dias. Alguns shows foram realmente memoráveis, como o de Wermelskirchen e Wiesloch na Alemanha, Montaigu na França, Barroselas em Portugal e Warsaw na Polônia. Além disso foi realmente grande encontrar pessoalmente velhos irmãos do Underground, fazer novos contatos e beber boas cervejas pelo Velho Mundo. Esperamos retornar para um novo giro em 2016.

 

Vicente – Muito se fala sobre os diversos problemas da cena Metal no Brasil. Qual avaliação que vocês fazem da mesma, visto o longo tempo que a banda já tem de estrada? Acreditam que ela melhorou, piorou ou está estagnada?

 

Sergio – Cara, eu acho que altos e baixos na cena sempre irão existir, quero dizer, algumas coisas evoluem, outras regridem; em alguns aspectos a quantidade se sobrepõe à qualidade e por aí vai… então acho que sempre existirão os dois lados da moeda na cena nacional. Cabe a nós que fazemos parte dela fazer o nosso papel para que a mesma sempre evolua de forma sadia, para bandas e para o público, e esse papel vem da consciência de cada um sobre o que é e o que não é Metal Underground. Infelizmente toda essa “virtualidade” da cena atual limitou um pouco essa consciência por parte das novas gerações, então cabe a elas se mirarem mais nos primórdios da cena, quando as emoções e atitudes eram mais reais, e tentarem trazer o verdadeiro espírito do UG de volta, sem utopias, é claro, mas com as raízes fincadas no passado e com os olhos sempre no futuro. Com base nisso, acho que esse quadro atual finalmente mudará um dia.

 

Vicente – Em poucas palavras, o que pensa sobre as seguintes bandas:

 

Exodus: Responsável pelo melhor disco de Thrash Metal da história, “Bonded By Blood”! Baloff lives!!!

Sepultura: Grandes pioneiros do Metal da Morte mundial junto com o Possessed, Hellhammer e Death. Apesar de gostar de algumas (poucas) músicas do “Beneath…” e “Arise”, o que vem após o Schizophrenia não me interessa…

Venom: A banda que abriu meus horizontes para o Metal Extremo. Se existe uma única banda verdadeira de Black Metal, essa é o Venom, o resto é o resto!

Krisiun: Criadores de um estilo copiado por muitos, mas sustentado por poucos. Merecedores de tudo o que conquistaram pelo foco que tiveram e continuam tendo pelos seus objetivos.

Sarcófago: Revolucionários do Metal Extremo no Brasil. Do “I.N.R.I.” para trás todos os seus materiais são supremos para mim. Odeio quando chamam o “I.N.R.I.” de Black Metal! Pqp!!!

 

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho da banda Headhunter DC e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam no metal nacional.

 

Sergio – O fim está próximo!!!!!!!!!!!!!!!! Haha !!! Bem, disso todos nós sabemos, então primeiro permita-me agradecer pela entrevista e pelo suporte para com o Headhunter D.C.. Headhunter Death Cult está há 27 anos ininterruptos nos mais obscuros caminhos do Underground, de modo que JAMAIS devemos ser confundidos com aquele tipo de bandas que costumavam tocar Death Metal somente quando o gênero costumava ser “cool”, quando era a tendência do momento e , em seguida, começaram a tocar música gay por anos para depois tentar um retorno às raízes clamando por nunca terem esquecido nem traído o Death Metal… fuck!!! Nós cruzamos 3 fudidas décadas sem nunca trair nossas raízes, então Metal da Morte significa muito mais para nós do que simplesmente música ou entretenimento… é o nosso estilo de vida… e de morte! Fodam-se os trendies !!!!!!!!! Todos vocês maníacos, entrem em contato para uma real aliança deathmetálica e contem sempre conosco no eterno caminho da morte total !!! vejo vocês na estrada do Death Metal! Proud to be Death… proud to be Metal !!!!!!!!!! ALL HAIL !!!!!!!!!!!!!! SIX SIX SIX !!!!!!!!!!!!!!!! \ m /

 

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Entrevista com a banda Mythological Cold Towers (São Paulo)

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Para os entusiastas do Doom Metal, a banda Mythological Cold Towers dispensa apresentações, visto ser um dos expoentes do estilo no Brasil. Mas para quem ainda não conhece, não perca tempo e procure saber mais sobre essa banda paulista que já está na ativa há duas décadas e com discos que marcaram a história do estilo por aqui. Para falar mais sobre a carreira da banda, realizei esta entrevista com o guitarrista Fabio Shammash, onde fala sobre o passado e o futuro da Mythological Cold Towers. Confiram…

 

Vicente – Já se vão 20 anos de banda. Como vocês avaliam a trajetória da banda e como foi o começo do Mythological Cold Towers?

 

 

Fabio Shammash – A trajetória foi digna de uma banda underground que busca uma identidade própria, dentro do seu próprio estilo, conseguindo respeito e admiração por aqueles que procuram uma música sombria e ao mesmo tempo monumental, sendo reconhecida em diversos lugares do mundo, inclusive no Brasil. O começo foi em 1994 e logo em seguida lançamos o primeiro álbum intitulado “Spheres Of Nebaddom”, o qual obteve críticas positivas, sendo bastante cultuado na cena Doom, até os dias de hoje.

 

 

Vicente – O último disco lançado pela banda foi o “Immemorial”. Após esse tempo todo, como você vê o álbum em si, gostaria de alterar algo nele, ou está totalmente satisfeito com o resultado obtido?

 

Fabio Shammash – Ficamos plenamente satisfeitos com o resultado, pois nossa intenção era resgatar a essência do primeiro álbum, trazendo aquela atmosfera do início dos anos 90, repleta de melancolia, desolação, mantendo nossa característica épica sempre presente nos álbuns do Mythological Cold Towers.

 

 

Vicente – Inclusive vocês fizeram um vídeo para a faixa-título? Conte-nos um pouco sobre essa gravação?

 

Fabio Shammash – O vídeo foi produzido pelo nosso baterista Hamon. Ele fez uma compilação de várias imagens de alguns shows que realizamos na Europa, em 2012.

 

 

 

Vicente – E sobre o novo álbum, será realmente nomeado de “Monumenta Antiqua”? O que tem para nos adiantar sobre esse futuro lançamento?

 

 

Fabio Shammash – Sim, será esse mesmo o título. O álbum já foi gravado e está em processo de masterização. Terá 08 músicas envoltas num clima nostálgico, sombrio e lúgubre. A arte da capa está sendo feito por Beto Martins, o mesmo artista que trabalhou em nossos 03 últimos álbuns e já adiantamos que será o nosso melhor trabalho! As letras retratam a beleza do mundo clássico, em termos de mitologia.

 

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Vicente – A banda lançou discos que ficaram na história do Metal nacional. Conte-nos um pouco de como foram as gravações dos discos “SPHERE OF NEBADDON – THE DAWN OF A DYING TYFFERETH”, “REMOTI MERIDIANI HYMNI (TOWARDS THE MAGNIFICENT REALM OF THE SUN” e “HE VANISHED PANTHEON”.

 

Fabio Shammash – Sphere of Nebbadon foi gravado em 1995, álbum que consagrou o nome da banda para a cena Doom mundial por possuir uma gravação soberba e densa e por ser o primeiro lançamento oficial de uma banda brasileira desse estilo. Remoti Meridiani Hymni (2000), neste trabalho, surge uma nova concepção dentro da música pesada no Brasil e no mundo, que envolve música épica e barbárica com temas cada vez mais opulentos e misteriosos. É o início de uma trilogia sobre as civilizações pré-colombianas que finalizamos no álbum “Immemorial”. The Vanished Pantheon (2005) é marcado pela sua complexidade e variação. Muitas influências progressivas e diversificadas, devido a maturidade na composição das músicas, sem perder o sentimento épico e profundo.

 

 

 

Vicente – A banda já teve a oportunidade de tocar na Europa, ao lado de grandes nomes do Metal. Como foi essa experiência?

 

Fabio Shammash – Foi muito boa. Realizamos poucos shows, porém marcantes. Tocamos em Portugal, no lendário festival SWU, em Barrocellas, ao lado de várias bandas consagradas, entre elas, Candlemass, Hypocrisy, Angel Witch, Immortal e Asphyx. Foi um festival bem estruturado e com uma grande audiência. Depois fomos para a Irlanda e fizemos 03 shows por lá, onde fomos muito bem recepcionados, sendo dois deles tendo a abertura da banda irlandesa Dark Matter. Finalmente voamos para a Holanda, onde participamos de um dos melhores festivais de Doom, o Dordretch Doom Days. Tocamos com Saturnus, Ophis, etc. Foi uma experiência incrível para nós, pois há tempos planejávamos por essa oportunidade. Tivemos contato com os fãs europeus de Doom Metal e tivemos uma boa impressão de como as coisas realmente funcionam por lá.

 

 

Vicente – O Doom nunca deixou de ser um gênero maldito no Brasil, em detrimento de outros estilos. Qual seria o principal motivo, e acredita que boas idéias, como a União Doom Metal BR, podem alterar esse panorama?

 

Fabio Shammash – O Doom até então, era um estilo pouco cultuado e explorado no Brasil, país onde sempre foi conhecido por relevar expoentes mais agressivos do Metal. Sempre existiram bandas de Doom, mas não tinham tanta projeção local quanto as bandas de death, black ou thrash. Apenas algumas bandas como a nossa, Serpent Rise, HellLight se sobressaiam. Com o surgimento da União, há 03 anos, o quadro começou a mudar. A proposta da União Doom Br sempre foi de propagar o estilo e conquistar os mesmos espaços que outros estilos já fazem e, de certa forma, conseguimos conquistar muita coisa de lá pra cá. Está ocorrendo mais shows, aumentando os fãs do estilo. Estamos prestes a lançar a segunda edição da coletânea de bandas brasileiras, a Doomed Serenades, a fim de repetir o sucesso da primeira edição, que já se encontra praticamente esgotada.

 

 

Vicente – Como avalia o cenário para as bandas nacionais nesse momento? Há mais espaço para divulgação e realização de shows, ou não houve nenhuma mudança substancial nesse sentido?

 

Fabio Shammash – Hoje, com o acesso fácil à banda larga e às redes sociais, ficou mais fácil trabalhar na divulgação, sem dúvida. Sendo assim, temos muitas bandas surgindo a cada dia, prezando pela qualidade e sonoridade própria, não deixando nada a desejar em relação ao cenário internacional. Por outro lado, não há muito espaço para shows e quando existem, são disputados com shows de bandas estrangeiras, que ocorrem em todos os finais de semana (isso quando não ocorre vários show no mesmo dia e na mesma cidade). Diante dessa dificuldade, o musico brasileiro procura ser versátil, tentando participar de festivais com bandas gringas ou tocando em cidades onde não acontecem tantos shows.

 

 

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

 

Moonspell: banda icônica portuguesa muito importante que é consagrada no mundo inteiro.

My Dying Bride: Sem comentários, um dos mestres do Doom/Death mundial

Imago Mortis: não só respeito como admiro muito o trabalho da Imago, que possui um excelente vocalista.

Black Sabbath: O ponto zero, onde a história da música pesada começou. Cada riff criado por Tony Iommi criou um estilo. E, claro, muitos riffs originaram o Doom Metal. B.S. eterno!

Paradise Lost: Paradise Lost criou uma nova concepção de fazer Metal, mesclando peso, melancolia e influências góticas. Sempre foi uma banda inovadora

 

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho do Mythological Cold Towers e para aqueles que apostam no Metal nacional.

 

Fabio Shammash – Agradecemos a todos que nos apóiam nesses 20 anos de existência. Logo teremos um novo opus lançado e certamente não decepcionará aqueles que nos acompanham e admiram nossa proposta. Muito obrigado pelo espaço cedido ao Mythological Cold Towers.

 

Resenha Cartoon – Unbeatable (2013)

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Os anos setenta voltaram. Essa é a primeira frase que vem a cabeça ao escutarmos este que é o quarto disco da banda Cartoon, “Unbeatable”. Não há como negar ou duvidar que o Cartoon é daquelas bandas que honram o chamado Rock Clássico. E é produto nosso, devendo ser louvado por carregar essa bandeira, em meio ao sem fim de novos estilos e gêneros musicais. É bom escutar Rock feito por quem entende do assunto.

E não seria exagero imaginar “Unbeatable” como se fosse algo lançado na década de setenta, apesar da gravação perfeita apresentada, graças ao ótimo trabalho de Khadhu & Tomás Alem na produção.

O disco abre com “Down on the Road Ahead”, rockão perfeito para iniciar um show, daquelas que contagiam o ouvinte logo na primeira audição, inclusive com um “quê” de Rush em seu primeiro disco. Seguida por “The Golden Chariot”, que parece ter surgido de uma jam session e levada bem voltada para os teclados, mas mantém a boa impressão inicial. “Until I Found You” é uma balada daquelas que emocionam pela melodia e bom gosto. “She” volta a trazer a energia de volta, e possui uma linha de baixo espetacular, daquelas que fazem a gente “cantar” junto (aqui fica uma observação, quase uma reclamação, pois em grande parte das bandas de Rock e Metal este é um instrumento subestimado, quase escondido nas gravações, mas quando bem executado, traz um brilho todo especial a música.) “Bridge to Nowhere” é uma rápida instrumental, que não traz grande novidade, e é seguida pela boa “Promises”, com seu belo inicio acústico, que me fez lembrar alguma música do Legião Urbana (só não consegui ligar a qual música, não sou expert na banda). “Lazarus Feet”, esta com uma guitarra mais pesada e harmonia de vozes que chamam a atenção, e em sequencia surge a ótima “No Coming Back”, com seu refrão melódico e que gruda na cabeça logo na primeira audição. “Time is Running” é puro Jethro Tull em seu começo, com a flauta e a entonação no vocal de Khadhu, lembrando o grande Ian Anderson, e o disco fecha com chave de ouro, com “On the Judgement Day”, talvez a música com “cara” mais moderna de “Unbeatable”, levada bem Rock n’ Roll e grande refrão.

O disco é relativamente curto, com seus 34 minutos de duração, mas que engloba tudo que é bom na música: Criatividade, energia, melodia. E as letras, em sua maioria otimistas, ajudam no aspecto final. O disco ficou literalmente rodando sem parar por mais de uma semana no aparelho do meu carro, e querem saber: Dá vontade de ouvir cada vez mais…

 

“Unbeatable” é daqueles discos indispensáveis para todos que curtem o grande Rock clássico/Hard Rock dos anos setenta, isso feito por quem está a quase duas décadas na estrada e entende muito bem do assunto. Escutem e embarquem numa viagem de volta a era dourada da música…

 

Banda:

– Khadhu Capanema | Vocal, baixo, esraj, sitar, violões 6 e 12 cordas e harmônica.

– Bhydhu Capanema | Bateria, percussão, tabla e voz.

– Khykho Garcia | Guitarra, violoncelo, violões, baixo e voz.

– Raphael Rocha | Teclados, piano, sintetizadores, violão e voz.

 

Nota: 8,5

 

Tracklist:

1- Down on the road ahead (Khadhu Capanema)

2- The golden Charriot (Khadhu Capanema)

3- Until I found you (Khadhu Capanema)

4- She (Khadhu Capanema)

5- Bridge to nowhere (Khadhu Capanema)

6- Promises (Khadhu Capanema)

7- Lazarus’ feet (Khykho Garcia)

8- No Coming Back (Khadhu Capanema)

9- Time’s running (Khadhu Capanema)

10- On the Judgement day (Khadhu Capanema)

Entrevista com a banda Fire Shadow (Paraná)

Foto Fire Shadow 2014

 

Existe uma infinidade de estilos musicais, e dentro do Metal novos gêneros são criados a todo instante, muitas vezes confundindo o próprio ouvinte. Nesse cenário, é ótimo conhecer e ouvir uma banda como o Fire Shadow, que apresenta o bom e velho Heavy Metal tradicional. Nessa entrevista, o vocalista Marco Lacerda fala mais sobre a banda, o novo EP “Phoenix” e o cenário musical em si. Confiram e, sem pensar duas vezes, procurem ouvir o que a banda paranaense tem a oferecer…

 

 

Vicente – Após mais de uma década de existência, qual a avaliação que fazem da trajetória do Fire Shadow?

 

Marco Lacerda – Olá, primeiramente obrigado pelo espaço! Então, essa trajetória de uma década foi cheia de altos e baixos, bons e maus momentos e principalmente: muito aprendizado e amadurecimento.

 

Vicente – Vocês lançaram este ano o EP “Phoenix”. Como foi a gravação do mesmo? O resultado final foi satisfatório?

 

Marco – Na verdade a gravação ocorreu em 2013, e o lançamento agora em 2014. Ficamos sim muitos satisfeitos com o resultado, valeu a pena todo o esforço e investimento na produção.

 

Vicente – E o retorno dos fãs e da mídia especializada, tem sido a esperada por vocês?

 

Marco – Temos tido um excelente retorno da mídia e dos fãs, aos poucos parece que tudo está acontecendo como havíamos planejado.

 

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Vicente – Vamos falar sobre o processo de composição de cada uma das músicas do EP, começando por “Scars”:

 

Marco – Scars foi uma pancada que surgiu com os Riffs do Francisco Kozel. Ele nos mostrou as ideias e eu instantaneamente tive as ideias de letra e linha vocal. Logo em seguida surgiram as outras partes instrumentais, foi um processo coletivo muito interessante.

 

Vicente – Seguindo para a ótima “Inner Battle”:

Marco – Essa música foi composta em um momento bastante difícil de minha vida, em que estava resolvendo algumas questões pessoais e tomando as rédeas de minha própria existência. Em uma tarde escrevi e compus as melodias e Riffs, assim como a letra, todas transbordando emoções. Levei a estrutura mais ou menos encaminhada para o restante da banda e eles a completaram com suas ideias, resultando no que vocês podem ouvir no E.P.

 

Vicente – Depois vem a minha favorita “Phoenix”:

 

Marco – Phoenix, foi uma música na qual tentamos retratar uma trajetória de vida, queríamos uma música que retratasse todos os altos e baixos da existência de qualquer sujeito. Pensando nisso escrevi a letra e fiz os riffs. Logo depois, a exemplo do que aconteceu com Scars e Inner Battle levei as ideias para a banda e eles concluíram de maneira fantástica.

 

Vicente – “From Darkness”:

 

Marco – Essa música foi composta em conjunto no ano de 2011 ainda, depois teve algumas mudanças nos arranjos e letra até resultar no que pode ser ouvido no EP.

 

Vicente – E terminando com a poderosa “Unbreakable”:

 

Marco – Unbreakable também é uma música mais antiga composta em conjunto pelo grupo e escrita por mim. Tínhamos a intenção de que ela fosse bastante direta e pesada. Acredito que conseguimos passar isso e encaixá-la no contexto do disco como um todo.

 

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Vicente – E os futuros planos do Fire Shadow?

 

Marco – Olha, temos alguns planos em mente para o nosso futuro, mas por enquanto ainda estamos muito focados na divulgação de nosso EP. Já temos alguns shows importantes marcados para continuar mostrando o material para cada vez mais gente. Quando as coisas derem uma acalmada pensaremos nos próximos passos.

 

Vicente – Como avaliam o cenário para as bandas nacionais nesse momento? Há mais espaço para divulgação e realização de shows, ou não houve nenhuma mudança substancial nesse sentido?

 

Marco – Olha, o cenário brasileiro é muito forte e tem muitas bandas de altíssimo nível, assim como um publico fiel.

Infelizmente passamos por uma crise no que diz respeito a musica autoral. Poucas casas abrem espaço para as bandas mostrarem o seu som próprio e vemos pouco interesse do publico para que isso mude, o que dificulta ainda mais, já que o empresário faz aquilo que a demanda exige.

 

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

 

Iron Maiden: Nossa maior influencia.

Judas Priest: Um ícone do heavy metal, sempre uma inspiração.

Grave Digger: Tivemos a honra de conhecê-los e tocar com eles. Fantástica Banda.

André Matos: Inspirador, um dos melhores vocalistas do planeta e orgulho nacional.

Saxon: Outro gigante do Heavy Metal nos influenciou e continua influenciando muito.

 

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho do Fire Shadow e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam no Metal nacional.

Marco – Primeiramente muito obrigado a vocês pelo espaço! Gostaríamos de agradecer a todos os guerreiros do que lutaram e continuam lutando conosco pelo metal nacional, são dez anos de estrada e muitas pessoas que já fizeram e fazem diferença para nós.

Quem tiver interesse em conhecer mais sobre a banda pode acessar nossas páginas oficiais:

https://www.facebook.com/FireShadowFans

www.fireshadowonline.com

 

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Entrevista com a banda Cachorro Grande (Rio Grande do Sul)

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Banda gaúcha com alma inglesa. Uma maneira de classificar a banda Cachorro Grande. Com uma sólida carreira de quinze anos, sete discos de estúdio lançados e turnês de sucesso Brasil afora, a banda já consolidou seu nome no cenário do rock nacional. E para falar dessa carreira vitoriosa, alem do novo disco, realizei esta entrevista com o baixista Rodolfo Krieger. Confiram, tanto a entrevista como o novo disco da banda, Costa do Marfim…

 

 

Vicente – Como vocês avaliam a trajetória da banda até este momento, passados quinze anos de sua criação. Como foi o inicio de tudo e, para aqueles que ainda sabem, como surgiu a ideia de batizar a banda de Cachorro Grande?

 

Rodolfo Krieger – Uma linda história de amor. É assim que nós vivemos. Como se vivêssemos em uma Kombi pintada, em 1967, em San Francisco. Sempre passamos por muitas coisas, mas nunca deixamos nos abalar. As coisas que a gente mais gosta de fazer é cair na estrada e gravar discos. Pretendemos fazer isso o resto da vida. Nós cinco, abraçados.

 

O nome Cachorro Grande veio da expressão “briga de cachorro grande”, mas o que foi decisivo foi a opinião do nosso baterista Gabriel, que disse que o nome não era bom.

 

Vicente – Vocês lançaram este ano seu novo disco, “Costa do Marfim”. Como foi a gravação e composição do álbum?

 

Rodolfo Krieger – Em janeiro de 2014, fomos de navio para a África e lá ficamos durante 30 dias, enfornados no estúdio Kudum. Só tínhamos feito algumas pré-demos em um gravador vintage de quatro canais. Chegando lá, no primeiro dia, já demos REC e saímos gravando o disco sem ensaios.

 

Vicente – E o retorno dos fãs tem sido o que vocês imaginavam?

 

Rodolfo Krieger – Sim, todas as pessoas que eu conheço vêm me elogiar. Adoraram o fato de a banda ter mudado de cara. Mas, o mais importante, é que nós estamos muito satisfeitos. Nunca fiquei tão feliz na minha vida com um disco.

 

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Vicente – “Costa do Marfim” traz uma sonoridade um pouco diferente do habitual da banda. Esse som foi buscado de forma proposital desde o principio das gravações, ou foi surgindo com o decorrer do tempo?

 

Rodolfo Krieger – Nunca tínhamos gravado um disco em outro país e acho que isso contou muito. Novas culturas, novas amizades, novos drinques. É muito louco aquele país. Pretendo voltar agora, apenas para visitar e não para ficar trancado com cinco cabeludos dentro de uma sala. As praias são incríveis e, com certeza, tudo isso contou muito na gravação do Costa do Marfim. Seria impossível não transparecer na gravação o local e o transe que você está naquele momento.

 

Vicente – Vocês fizeram um vídeo para a música “Como era Bom”. Como foi a gravação do mesmo? De certa forma ele casou bem com a sonoridade do disco…

 

Rodolfo Krieger – Quem dirigiu o clipe foi o Charly Coombes, um cara que é muito talentoso em todos os aspectos. Além de ser um grande compositor, um grande cantor, um grande instrumentista, acabou se mostrando um ótimo diretor. Acho que ele sacou a linguagem do clipe de “como era bom”, pois essa música tem muito do clima de Manchester. Está estampada a influência de Happy Mondays, Stone Roses e toda aquela turma. E o fato de ele ter vivido na Inglaterra e desfrutado de toda essa cena local, ele entendeu direitinho qual era a mensagem da banda Cachorro Grande.

 

Vicente – Como tem sido a rotina de shows? E os planos futuros da banda?

 

Rodolfo Krieger – Todo fim de semana, estamos tocando pelo Brasil afora. Acabamos de lançar o disco Costa do Marfim nas capitais e vamos ficar 2015 excursionando pelo Brasil.

 

Vicente – A grande mídia e o mercado musical brasileiro estão praticamente voltados somente ao Funk, Sertanejo Universitário e afins, fazendo com que o rock fique quase que marginalizado. Como vocês vêem esse cenário musical no país?

 

Rodolfo Krieger – Um lixo! Eu odeio todos esses gêneros acima. É muito revoltante saber que existem bandas sensacionais escondidas em alguns buracos do país e que tem um monte de artista medíocre tocando nas FMs. Acho que todos os gêneros musicais podem ter o seu espaço, mas não tomar conta dele.

 

Vicente – O rock gaúcho sempre teve muita força no cenário, com grandes bandas despontando desde a década de 80. Como vocês vêem essa cena nos dias de hoje. Quais bandas vocês destacariam, tanto hoje em dia como antigamente?

 

Rodolfo Krieger – Se formos falar do rock do Rio Grande do Sul, posso citar duas bandas muito sensacionais: Replicantes e DeFalla. Mas a verdade, é que a Cachorro Grande sempre foi influenciada pelas bandas dos anos 80, mas não pelas gaúchas. Sempre ouvimos muito Titãs, Ira! e Violeta de Outono.

 

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

 

The Beatles: A melhor banda do mundo de todos os tempos!

Oasis: O melhor genérico da melhor banda do mundo de todos os tempos!

The Rolling Stones: A segunda melhor banda do mundo de todos os tempos!

Barão Vermelho: Uma pena o Cazuza não estar vivo. Talvez o Brasil não estivesse essa palhaçada que está hoje.

DeFalla: Uma banda que sempre esteve à frente de seu tempo.

 

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho da Cachorro Grande e apostam na música nacional.

 

Rodolfo Krieger – Escutem muito Beatles e Rolling Stones nas horas vagas. Deem uma sacadinha no Costa do Marfim.

Cachorro Grande_Crédito Cisco Vasques