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O Pain of Salvation surgiu como uma das grandes promessas do Prog Metal, com discos que marcaram uma época e sua própria carreira, como Entropia (1997), The Perfect Element Part 1 (2000) e Remedy Lane (2002). Porém, desde o principio mostraram que eram uma banda que não prendia-se a um estilo musical, alterando-o conforme a vontade de Daniel Gildenlow. Com isso a banda tem lançado discos experimentais, que rompiam com o estilo acima citado, sendo sempre uma surpresa para os ouvintes, que não sabiam o que esperar da trupe sueca.

Se, para um músico criativo como Gildenlow, a estagnação musical é o fim, para os fãs de uma banda, a constante mudança de direção pode às vezes fazê-los perder interesse pela mesma. Os verdadeiros fãs do Pain of Salvation continuam acompanhando avidamente seus passos, mas o ouvinte ocasional acaba indo apoiar-se em outras bandas mais tradicionais.

Mas, eis que o principio de 2017 vê o nascer de “In the Passing Light of Day”, que pode ser considerado o 10º disco de estúdio oficial da banda. E esse é simplesmente o melhor disco da banda em 15 anos, que pode ostentar o titulo de obra-prima sem medo de soar prepotente. Aqui, toda aquela aura contida em seus primeiros álbuns está de volta, e os mais de setenta minutos de músicas constantes aqui passam num piscar de olhos, nunca soando descartável em momento algum.

Desde os primeiros acordes da pesada “On a Tuesday”, com seus 10 minutos de duração e variações entre peso e melodia, já fica claro que a banda acertou na mosca. E, ao saber que as letras de “In the Passing Light of Day” foram escritas por Daniel, narrando a doença quase fatal que o mesmo teve em 2014, onde passou quase 6 meses enfermo, já é de se esperar que o disco “dance” por emoções conflitantes como a dor, vida e morte, e com isso as músicas tenham uma aura emotiva bastante forte, com um certa melancolia imperando em toda sua duração.

Algumas músicas são destaques imediatos, como a bela “Meaningless”, a longa ” Full Throttle Tribe” e suas melodias marcantes, “Angels of Broken Things” e seu grande solo de guitarra. Além da ótima “The Taming of a Beast”. Mas a cereja do bolo fica com a faixa que dá titulo a obra. “The Passing Light of Day” é uma música especial, daquelas que ficam na nossa memória e de lá não saem mais. Com 15 minutos de duração, o normal é esperar uma música “épica” com muitas variações, e o que temos aqui foge desse “normal”. “The Passing Light of Day” é em grande parte uma música calma, melancólica, com uma carga emotiva acima do comum. Enfim, é uma daquelas músicas que tem a capacidade de fazer um disco bom se tornar ótimo, algo que poucas faixas conseguem.

“In the Passing Light of Day” é, assim espero, o prenuncio de um grande 2017 para a música em geral, e desde já é um daqueles álbuns que merecem um lugar especial para todo fã da banda e do Rock/Metal. Valeu a pena à espera…

 

Nota: 9,5

Formação:

Daniel Gildenlöw – vocais, guitarras, teclados adicionais, baixo adicional, bateria e percussão adicionais, acordeão, cítara.

Ragnar Zolberg – guitarras, vocais, teclados adicionais, samplers, acordeão, citara

Daniel D2 Karlsson – piano, teclados, vocais de apoio

Gustaf Hielm – baixo, vocais de apoio

Léo Margarit – bateria, percussão, vocais de apoio

10 Faixas – 71:51

Tracklist:

  1. On a Tuesday (10:22)
  2. Tongue of God (04:53)
  3. Meaningless (04:47)
  4. Silent Gold (03:23)
  5. Full Throttle Tribe (09:05)
  6. Reasons (04:45)
  7. Angels of Broken Things (06:24)
  8. The Taming of a Beast (06:33)
  9. If This Is the End (06:03)
  10. The Passing Light of Day (15:31)

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