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A banda sueca Witchery está completando 20 anos de carreira em 2016, e para comemorar essa data acabam de lançar o seu sexto disco de estúdio, “In His Infernal Majesty’s Service”. Para falar sobre o disco, a carreira e tudo que envolve a banda foi realizada esta entrevista com o guitarrista e lider da banda, Patrick Jensen (The Haunted). Confiram o que Jensen tem a dizer para seus fãs brasileiros…

 

Vicente – Witchery completou 20 anos de existência. Como você vê a trajetória da banda depois de todo esse tempo de carreira?

Jensen – Nunca pensamos que a banda duraria 20 anos. Ou, talvez eu devesse dizer, não tínhamos nenhuma razão para duvidar que a banda também existiria depois de 20 anos, mas quando formamos a banda o fizemos por amor ao gênero e à música. No início, lançávamos quase um álbum por ano. Depois, por cerca de  2002-2003, diferentes membros da banda (inclusive eu) ficaram cada vez mais preocupados com outras bandas (The Haunted, Arch Enemy, Opeth, etc). Estou muito feliz que o Witchery ainda está na ativa. Sempre nos divertimos muito juntos e nunca houve qualquer pensamento sobre encerrar as atividades, apesar de parecer impossível encontrar tempo para ensaiar e escrever novas músicas juntos. Eu espero que ainda estaremos por aqui nos próximos 20 anos também!

Vicente – Vocês lançaram este ano o álbum “In His Infernal Majesty’s Service”. Como foi a gravação e composição deste álbum?

Jensen – Costumamos compor tudo nos ensaios. Eu venho com algumas idéias, todos nós experimentamo-las juntos. Costumamos ensaiar uma semana de cada vez. Começamos às 17 da noite e continuamos até 01 ou 02 da manhã. Durmo um pouco, então eu volto ao lugar do ensaio para trabalhar em novas idéias e tentar resolver o que ficou “sem solução” da noite anterior. Então o resto da banda vem para o ensaio aos 17 e começa tudo de novo. Acabei escrevendo todas as músicas e as letras deste álbum. Usei todo o tempo disponível em minhas mãos, então… Eu só fui em frente e escrevi a maldita coisa.

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Vicente – E o retorno dos fãs e da mídia especializada, mesmo ainda muito recente, está sendo como você esperava?

Jensen – Bem, para ser honesto, não tentamos criar muitas expectativas. Nós apenas fazemos o que nós gostamos e da maneira que for possível. Nós gostamos do álbum, é claro. Portanto, é realmente boa essa perspectiva, que os outros têm dado uma chance justa e também ouvem o que nós ouvimos.

Vicente – Alguma razão específica para o título ” In His Infernal Majesty’s Service”?

Jensen – Sim, estamos comemorando nosso vigésimo aniversário este ano. Rock’n’roll é a música do Diabo. O Diabo é “Sua Majestade Infernal”. Estamos tocando música do Diabo por 20 anos, então nesse sentido nós temos espalhado seu evangelho. Em outras palavras, estamos à seu serviço.

Vicente – “In Infernal Majesty’s Service” é um dos álbuns mais rápidos e agressivos da Witchery, você concorda?

Jensen – Na verdade não totalmente. Acho que temos álbuns que têm músicas mais rápidas, e talvez também álbuns com músicas mais agressivas. Eu acho que foi a produção de Daniel Bergstrand que realmente fez justiça a banda. Daniel notavelmente trouxe o melhor de cada música á tona. Talvez alguns dos álbuns mais antigos tenham sido mais polidos? Mas a atitude no novo disco é a mesma que em Witchkrieg, DFTR ou Restless and Dead.

Vicente – Um exemplo desta agressividade são as faixas “Netherworld Emperor” e “Nosferatu”. Fale um pouco sobre essas músicas em particular.

Jensen – Como eu mencionei anteriormente, nós nunca planejamos que tipo de música nós escreveremos. Tudo o que vem junto com uma idéia é aproveitada. Nosferatu foi escrito mais ou menos como em um fluxo. Talvez em menos de uma hora ou algo assim. Minha experiência é que músicas que, por assim dizer, “escrevem-se por si próprias” são também as músicas que se revelam as melhores. Elas soam menos forçadas. Elas soam como músicas de verdade. Nosferatu é uma dessas músicas. Um riff leva ao seguinte. “Netherworld Emperor” começou como um desafio que fiz a mim mesmo. Eu disse a mim mesmo para escrever o riff mais simples que eu poderia criar e, em seguida, tentar escrever uma canção a partir deste riff. Eu vim com o riff de abertura (que levei 1 minuto para “escrever”) e tomou forma a partir daí. Eu acho que o que realmente fez a canção ótima foram os vocais de Angus e o gancho que Niels adicionou ao refrão. Espero muito mais de Niels (Nielsen, tecladista da banda sueca “Dead Soul”) no próximo álbum de Witchery.

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Vicente – Embora a banda não tenha feito tantos shows em sua carreira, tem alguma chance de vermos Witchery no Brasil no futuro?

Jensen – Estamos absolutamente prontos para fazer shows. Agora que temos um baterista e vocalista que não estão presos em turnês pelo mundo, será muito mais fácil para nós tocarmos ao vivo. Estive no Brasil algumas vezes com o The Haunted e sempre foi ótimo. Nós definitivamente tentaremos ir para ai. E se houver qualquer promotor de eventos lendo isso, por favor, tenha o Witchery em mente porque queremos ir tocar no Brasil!

Vicente – Por favor, em poucas palavras, o que você pensa sobre essas bandas:

Arch Enemy – Amigos muito íntimos e uma banda que trabalha muito, mas muito duro mesmo. Eu acho que eles fizeram perto de 350 shows de seu último álbum! Eles merecem todo o sucesso que estão obtendo!

Black Sabbath – Uma enorme inspiração para mim. Mesmo que Ozzy tenha cantado em alguns álbuns incríveis, foi a voz do Dio no Live Evil que realmente me capturou quando um garoto de 10-11 anos. Eu tenho muitas vezes dito que o álbum Live Evil foi o  “responsável” por eu me tornar um músico profissional. Witchery também incluiu a canção do Black Sabbath “Neon Knights” no EP Witchburner, que é a faixa de abertura no Live Evil. Todos nós tínhamos que escolher uma música e essa foi a minha escolha.

Venom – Não é uma banda que ouvi muito, mas eu tinha amigos que tocaram muito seus álbuns. Eu gosto de músicas como Witching Hour, Satanichist, Manitou, Black Metal etc

Slayer – Uma grande influência em mim pessoalmente. Estou honrado em poder dizer que sou um bom amigo de vários membros da banda. Foi-me perguntado há alguns anos se eu poderia substituir Gary Holt, enquanto ele fazia um enorme show com o Exodus no Chile (apoio ao Iron Maiden, eu acho). Eu queria fazê-lo, mas infelizmente o The Haunted tinha seus próprios  shows reservados para a mesma semana e, com isso, Pat O’Brien de Cannibal Corpse acabou fazendo os shows com o Slayer.

Deicide – Eu estive totalmente viciado no Deicide quando o primeiro álbum saiu. Quando eles vieram para a Suécia na turnê do Legion, fui vê-los em Estocolmo. Isso foi em 1992, eu acho. Uma bomba havia sido plantada atrás de uma saída de emergência atrás do palco. No meio de uma música da banda de abertura Gorefest, o público sentiu como se estivessem sendo atingidos pelo rosto por um travesseiro invisível. Sem luzes de uma explosão ou qualquer cheiro. Foi apenas um enorme golpe invisível no rosto. Gorefest continuou a tocar, mas logo foram interrompidos pela segurança que disseram para eles saírem do palco. Decide não queria se sentir ameaçado e não poderem tocar, então eles subiram no palco e, apesar da polícia estar lá e as luzes da casa estarem acesas, começaram a tocar Day of Darkness. Uma policial feminina aproximou-se e desligou o amplificador do baixo de Benton, mas Glenn apenas se virou e voltou a tocar novamente (risos). Acho que eles tocaram três músicas, mas a força de todo o palco foi cortada. Experiência muito legal! Acho que nunca descobriram quem plantou aquela bomba por trás do palco, mas isso aconteceu na época em que houve uma guerra entre puristas noruegueses do Black Metal e bandas suecas de Death Metal. Eu acho que o Deicide foi considerado pelos noruegueses de “não ser verdadeiro” e serem “posers”

Vicente – Por fim, deixe uma mensagem para todos os brasileiros que adoram o som da banda e querem saber muito mais sobre o Witchery

Jensen – Adoraríamos ir ao Brasil! Por favor, ajude a tornar isso uma realidade, para podermos ir e tocar para vocês! Obrigado também por seu apoio durante todos estes anos! Está na hora de retribuirmos tudo isso a vocês!

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