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O Maestrick é daquelas raras bandas que, mesmo relativamente recente, possui uma postura e sonoridade de banda veterana, com total convicção do que desejam e o caminho a seguir para isso. Nessa entrevista o vocalista/pianista Fabio Caldeira e o baixista Renato “Montanha” Somera (a banda é completada pelo baterista Heitor Matos) falam sobre a carreira da banda, o mercado musical e o futuro da banda, mostrando que a música é, acima de tudo, sentimento e honestidade.

 

Vicente – Para começar, façam uma retrospectiva da trajetória do Maestrick até o presente momento. Como foi o inicio de tudo e a escolha do nome para a banda?

Renato “Montanha” Somera: Eu (Montanha) e o Fabio nos conhecemos desde 1992. Em meados de 1996 começamos a participar de bandas. Anos e bandas mais tarde criamos a banda Ramsés II. Nosso baterista saiu e encontramos o Heitor Matos que entrou no projeto. Já começamos a compor as músicas do Unpuzzle e depois gravá-las. Antes de lançar precisávamos de um nome: Maestrick.

Vicente – Seu primeiro lançamento foi o álbum “Unpuzzle!” que colecionou boas criticas, tanto aqui quanto no exterior. Após cinco anos de seu lançamento, como vocês avaliam o álbum? Teria algo que gostariam de ter feito diferente nele?

Fábio Caldeira: Eu tenho muita gratidão e muito orgulho do “Unpuzzle!” e com certeza eu não faria nada diferente. Pessoalmente eu penso que a utilização da palavra “álbum” não é atoa. Um álbum de fotos, por exemplo, é um registro de uma época e de quem você é naquele momento. No “Unpuzzle!” não foi diferente. Todos envolvidos fizeram o melhor que podiam naquela época e isso é algo totalmente positivo. É o sentimento que eu lembro e o que sempre vou levar comigo.

Renato: Eu avalio como um bom começo e foi um aprendizado monstruoso. Eu não queria mudar nada. Tudo que foi gravado representa o momento que estávamos.

 

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Vicente – E um novo álbum em breve? O que teriam para adiantar do mesmo? A sonoridade vai seguir a mesma linha do “Unpuzzle!”?

Fábio: O nome do disco é “Espresso Della Vita: Solare” e representa a parte diurna de uma viagem de trem de um dia, como uma metáfora para a vida. Ele terá doze músicas, representando o período das seis da manhã até as cinco da tarde. Definitivamente é um álbum do Maestrick. Quero dizer com isso que ele tem as mesmas convicções artísticas do “Unpuzzle!”, mas de lá pra cá já se passaram muitos anos e estamos em outro momento de nossas vidas. É um disco muito emocional e estamos mais certos do que nunca de quem somos e do que queremos.

Renato: Solare trará um som mais maduro e sempre honesto!

Vicente – Vocês lançaram este ano “The Trick Side Of Some Songs”. Como foi a escolha de músicas e artistas que aparecem no disco?

Fábio: A escolha foi algo muito natural. Nós pensamos em fazer uma sincera homenagem a alguns artistas que nos influenciaram de alguma forma. Ficamos dessa vez em músicas das décadas de 60 e 70 que abordavam elementos progressivos das bandas. Mas nada nos impede de fazermos outros “Trick Sides” em outros momentos e com outras propostas.

Renato: Entre as músicas escolhidas algumas já faziam parte do nosso repertório de shows.

Vicente – O legal de “The Trick Side Of Some Songs” é que, ao mesmo tempo que a banda não descaracterizou as músicas originais, conseguiram dar um toque mais moderno e mesmo personalizar as mesmas com a sonoridade do Maestrick. Foi difícil chegar a esse resultado?

Fábio: Foi extremamente natural e eu fico muito feliz que você pense assim, porque nossa ideia não foi em momento algum descaracterizá-las. Elas são perfeitas como são e nós as amamos assim. Mas queríamos apenas falar no “idioma” do Maestrick, ou seja, com a nossa forma de tocar e cantar. É puramente isso.

Renato: Foi um pouco complicado encontrar o meio termo entre a forma do Maestrick tocar e como as musicas são originalmente.

 

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Vicente – O mercado musical mudou muito em todos esses anos, com a questão do download e a própria divulgação nas redes sociais. Como inserir uma banda relativamente nova, como é o caso do Maestrick, nesse meio tão concorrido?

Fábio: É necessário primeiramente nos localizar. Saber quem somos e o que queremos. A partir disso, já convencido, você utiliza dessas ferramentas para se apresentar e convencer os outros. Não adianta transformar em um problema o que não é. Temos que jogar de acordo com as regras vigentes e desde que elas não ousem “corromper” nossa essência, faremos sempre nosso melhor.

Vicente – Qual foi aquele artista, ou banda, que fez com que decidissem enveredar por esse, muitas vezes, tortuoso caminho da música?

Fábio: Como dissemos antes, eu e Montanha nos conhecemos desde os oito anos de idade e temos banda desde os 10 ou 11 anos. Na época as bandas que ouvíamos eram o Nirvana, depois Guns, aí o Iron Maiden, Helloween, Angra, Metallica, Pink Floyd, Dream Theater. Todas essas bandas foram responsáveis de alguma forma por eu estar aqui.

Renato: Pra mim foram as bandas Angra, Helloween, Rush e Sepultura.

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

Fábio: The Beatles – Espontâneos, geniais e pioneiros. É a gênese de muita coisa
que foi feita depois.

Jethro Tull – Eu sou muito fã da forma como o Ian Anderson constrói seus textos, linhas vocais e arranjos instrumentais. Ele consegue ser o melhor vocalista possível para a banda e é isso que eu busco com o Maestrick.

Rush – São três amigos/irmãos que fazem o som que amam e que conquistaram o mundo com esse amor. Os três amigos/irmãos do Maestrick se espelham muito nessa postura e perspectiva.

Metallica – Eles mostraram que é possível equilibrar peso com o lado mais comercial com o Black álbum.

Queen – Uma das minhas bandas preferidas. Tenho tudo deles, desde livros até versões diferentes dos mesmos discos. O Queen foi um milagre musical pra mim e desde o começo estavam convictos de quem eram e do que queriam. É um grande exemplo, pois não mediam esforços e não mediam seus sonhos. Essa lição nós aprendemos.

Renato: The Beatles – Grande talento com perfeita simetria.

Jethro Tull – Irreverente e ousada.

Rush – A perfeita união de três gênios

Metallica – Som rápido, violento.

Queen – Grandiosidade e genialidade combinada.

Vicente – Por fim, deixem um recado para os fãs da banda e para todos aqueles que querem conhecer mais sobre o Maestrick.

Fábio: Desejo o melhor para as vidas de todos. Que vocês possam fazer o que amam, não importa o que seja. O Maestrick para nós é mais que uma banda, é uma parte de quem somos e do que buscamos como pessoas e artistas. Fica então o convite para que conheçam nosso trabalho, no “Unpuzzle!” e muito em breve no “Espresso Della Vita: Solare” onde vamos embarcar juntos em uma viagem inesquecível. Muito obrigado pelo espaço e pela atenção ao nosso trabalho a equipe do “With Every Tear a Dream” e espero que seja a primeira de muitas entrevistas. Luz, paz e arte!

Renato: Um grande abraço a todos e espero em breve falar com vocês novamente sobre o “Solare”.

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