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Hoje para você se sobressair em meio a centenas de bandas existentes e que continuam a surgir em nosso país é uma tarefa quase que impossível sem alguma espécie de ajuda. Mas nem todo apoio do mundo é suficiente, se a banda não tiver qualidade. E qualidade é o que não falta ao Semblant, banda paranaense que está completando uma década de existência agora em 2016.

Para falar mais sobre a carreira da banda e os planos futuros da mesma, realizei esta entrevista com o guitarrista Juliano Ribeiro. Confiram…

 

Vicente – Primeiro de tudo, nos conte como foi o começo de tudo para o Semblant? Como chegaram ao nome da banda?

Juliano Ribeiro – A Semblant começou suas atividades em 2006, inicialmente realizando covers de bandas admiradas pelos integrantes. Dos integrantes da primeira formação da banda, apenas o Sergio Mazul, nosso vocalista, e o J.Augusto, tecladista, permanecem no grupo. Pouco tempo depois, o foco passou para músicas próprias, o que culminou em dois lançamentos, o primeiro EP “Behold the Real Semblant” e o primeiro disco “Last Night of Mortality”. O nome da banda partiu da própria definição da palavra “semblante” em si – o aspecto na face de alguém, através do qual se percebe os mais variados sentimentos, seja a tristeza, a raiva, a alegria, a dor.

Vicente – Semblant está completando em 2016 dez anos de carreira. Como vocês vêem a trajetória da banda até este momento?

Juliano – A nossa trajetória, naturalmente, teve seus altos e baixos, mas continuamos seguindo em frente e essa perseverança trouxe resultados. Passamos por diversas mudanças de formação e problemas internos no passado, entretanto hoje estamos mais fortes do que nunca. A banda amadureceu muito nos últimos anos, principalmente após o lançamento do “Lunar Manifesto” e agora nosso foco está no que os próximos anos nos reservam.

Vicente – Vocês lançaram em 2014 o disco “Lunar Manifesto”.  Como foi o processo de composição e gravação do mesmo?

Juliano – Começamos a trabalhar no “Lunar Manifesto” logo após o lançamento do EP “Behind the Mask” em 2011. Passamos um longo período trabalhando nas novas composições até chegarmos ao estágio de gravação no segundo semestre de 2013. Ainda era o início da base da nossa formação atual e esse período foi importante para que conseguíssemos amadurecer as novas ideias e extrair o máximo de cada um dos elementos do grupo. O “Lunar Manifesto” foi gravado na cidade de São Paulo, com a produção de Adair Daufembach (Project46, Hangar, Holiness). A experiência de gravar com um profissional do gabarito do Adair foi determinante para o resultado final do disco. Acredito que crescemos muito como banda e isso fica evidente ao escutar o álbum.

Vicente- E a resposta dos fãs, tem sido a esperada por vocês?

Juliano – A resposta dos fãs superou qualquer expectativa que poderíamos ter antes de lançar o disco. Obviamente, acreditávamos na força do material, mas ninguém antecipava uma resposta tão forte. O disco foi muito bem recebido, tanto no Brasil quanto fora dele. Recebemos com frequência mensagens de pessoas do mundo todo, elogiando a banda e o disco. Saber que nossa música atravessou fronteiras e, principalmente, causou um impacto nas pessoas significa muito para a banda.

 

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Vicente – A banda gravou dois vídeos para divulgar o trabalho. O bom “What Lies Ahead” e o excelente e mais recente “Dark of the Day”. Como foi a gravação destes vídeos, e como surgiu a ideia por trás de cada um deles?

Juliano – Ambos os vídeos foram filmados na nossa cidade, Curitiba. O primeiro deles, “What Lies Ahead”, tinha como objetivo principal apresentar a banda e seus músicos de forma mais adequada para o público, por isso ele é um pouco mais simples que o mais recente. Em “Dark of the Day”, resolvemos fazer uma produção muito maior, inspirada pelo filme “Um Drink no Inferno”. Dessa inspiração, temos muitos dos elementos que aparecem no vídeo como as dançarinas, a cobra, as garotas caracterizadas como vampiras. O vídeo foi filmado no Teatro Paiol, lugar muito tradicional da cena artística curitibana.

Vicente – Inclusive é curioso vermos os comentários dos vídeos citados, pois muitos não imaginavam tratar-se de uma banda nacional. Esse foi o objetivo do Semblant desde o principio, fazer um trabalho o mais profissional possível?

Juliano – Acredito que qualquer banda que tenha a ambição de conquistar algo com sua música precisa apresentar o trabalho o mais profissional possível. Sempre buscamos atingir o nível mais alto possível no que fazemos, seja nas nossas músicas, produção dos nossos discos, aspecto visual do grupo, para valer todo o investimento que o fã faz no nosso trabalho.

 

Vicente – A sonoridade do Semblant vai muito além do Gothic/Symphonic Metal, trazendo uma aura muito mais agressiva e soturna do que os gêneros citados. Vocês se incomodam com este tipo de rótulo a sua música?

Juliano – Pessoalmente, tenho alguns problemas com determinados rótulos colocados em nossa música, embora tenha consciência de que se trata de algo natural e inevitável. Somente acredito que os rótulos não chegam perto de abranger a totalidade do que é a sonoridade da banda. Como você mesmo disse, nossa música é muito mais agressiva e soturna do que outras bandas enquadradas na mesma vertente musical e o rótulo podem impedir que uma pessoa familiarizada com as vertentes mais extremas do estilo, por exemplo, procure o nosso trabalho.  Acho que qualquer fator limitador no trabalho artístico causa certo incômodo, mas como eu disse anteriormente, é natural e inevitável.

Vicente – Vocês já pensam em um sucessor para “Lunar Manifesto”, ou o objetivo ainda é divulgar mais o atual disco para mais pessoas conhecerem o trabalho da banda?

Juliano – Continuaremos divulgando o “Lunar Manifesto” durante o ano de 2016, mas também já começamos o processo de composição do próximo álbum, que pretendemos lançar no ano que vem. Temos vários shows sendo agendados no momento para continuar a divulgação do disco, tanto no Brasil quanto no exterior. No segundo semestre, mudaremos o foco em definitivo para o próximo disco.

Vicente – O Brasil vive um período econômico conturbado, o que influencia em todos os mercados, e com o meio musical não seria diferente. Como vocês vêem o atual momento brasileiro, principalmente no que concerne as bandas autorais nacionais?

Juliano – Embora o momento atual brasileiro não seja dos mais favoráveis, vejo um fortalecimento no cenário das bandas autorais no país. Muitas bandas estão lançando trabalhos incríveis e sendo reconhecidas por eles. O profissionalismo das bandas está se tornando algo muito mais evidente e isso está fazendo com que a cena se fortaleça consideravelmente.

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas?

Kreator – Não conheço muito sobre a banda, mas tenho respeito pelo trabalho deles. Pessoalmente, tenho uma preferência pelas bandas americanas de Thrash Metal.

Moonspell – Uma das nossas maiores influências como banda. Recentemente, realizamos a abertura do show deles em Curitiba e foi uma experiência extraordinária. Nesse dia, inclusive, a Mizuho Lin, nossa vocalista, participou do show deles cantando a música “Scorpion Flower”, uma música que costumávamos tocar no passado.

Epica – Uma grande banda. Também não conheço muito a fundo o trabalho deles, mas os discos que escutei da banda são bem interessantes.

Paradise Lost – Outra grande influência, especialmente para o Sergio Mazul. Álbuns como “Draconian Times”, “In Requiem”, “Symbol of Life” foram muito importantes para alguns dos integrantes da banda.

Nightwish– Uma das bandas favoritas da Mizuho. Ela certamente poderia falar muito sobre eles. No ano passado, tivemos a oportunidade de abrir o show da Tarja Turunen, ex-vocalista da banda, em Curitiba e, sem dúvida alguma, foi um dos momentos mais marcantes da nossa carreira e, especialmente, da Mizuho.

Vicente – Para encerrar, deixem uma mensagem para os amigos e fãs, e para todos aqueles que desejam conhecer mais sobre o Semblant.

Juliano – Primeiramente, agradecemos todo o carinho dos nossos amigos e fãs pelo país inteiro. Somos extremamente gratos a todos vocês pelo apoio nesses 10 anos de carreira. Esperamos, em breve, encontrar e conhecer todos vocês em algum dos nossos shows. Gostaríamos também de agradecer a você pelo espaço e pelo apoio ao trabalho autoral no país. Para quem deseja conhecer mais sobre a Semblant, acesse a nossa página oficial do Facebook ou o nosso site oficial (www.semblant.com.br). Lá você pode encontrar novidades sobre a banda, os vídeos, entre outras coisas. O nosso disco “Lunar Manifesto” está disponível para venda e streaming nas mais diversas plataformas digitais como iTunes, Amazon, Spotify e também para venda no formato físico no site da Shinigami Records (www.shinigamirecords.com.br). Muito obrigado e até breve!