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O Kamelot parece tomar o caminho inverso seguido pela grande maioria das bandas que passam por trocas de vocalistas. Enquanto a maioria perde seu prestigio e acabam muitas vezes maculando seu próprio nome, parece que a banda americana está seguindo o rumo inverso.

Se o salto de qualidade que a banda deu com a entrada de Roy Khan na vaga do limitado Mark Vanderbilt (me desculpe se existirem fãs do rapaz, mas ouvindo os dois primeiros álbuns da banda, “Eternity” e “Dominion”, você ouve muitas ideias legais, mas quando entra o vocal invariavelmente as músicas perdiam todo o encanto), com a saída do mesmo Roy muitos temiam pela continuação da banda, visto o alto conceito que o mesmo tinha perante os fãs. Mas Tommy Karevik mostrou que não ia deixar a peteca cair, e até mesmo parece acrescentar mais a banda, que não tinha um desempenho tão bom desde “The Ghost Opera” (2007).

E essa resenha poderia se basear somente na faixa de abertura, “Fallen Star”. Na minha opinião, essa foi uma das músicas mais legais que escutei lançadas em 2015, pois a mesma possui um senso de melodia absurda, uma orquestração extremamente bem postada (sem ficar muito alto-indulgente) , um refrão que, com apenas uma simples audição, você já está cantando junto, e um instrumental preciso. Fica meio clichê usar a frase “só essa música já vale o disco inteiro”, mas no caso de “Fallen Star” essa sentença é mais que correta.

Como de costume, a banda gravou dois vídeos formidáveis, e as músicas escolhidas foram as mais adequadas para este formato. “Insomnia” tem uma estrutura mais simples que a grande maioria das músicas em “Haven”, mas sendo agressiva e novamente com refrão contagiante, o que casa bem com o mercado americano, mas a qualidade inerente ao Kamelot continua presente ali. Já “Liar Liar (Wastland Monarchy)” é uma superprodução exuberante, e conta com a presença da (não tem como ser mais obvio nessa afirmação) bela Alissa White-Gluz, que mostra predicados mais que surpreendentes nessa faixa, com os seus tradicionais vocais, mas também com uma voz limpa que casou muito bem com a música em questão.

Falando em Alissa, a mesma também participa em “Revolution”, mas essa se trata de uma faixa mais comum, não possuindo o mesmo impacto da anterior, apesar do peso acima do habitual da banda.

“Haven” tem também as habituais baladas, e numa delas temos a participação especial de Charlotte Wessels (Delain). E é justamente “Under Grey Skies” a melhor delas, com refrão marcante e melodias na medida certa, talvez uma das melhores músicas do gênero já composta pelo Kamelot. Já “Here’s to the Fall” não tem o mesmo brilho, tendo uma sonoridade mais dramática e orientada para as cordas.

Além das já citadas músicas, não tem como deixar de se destacar a mais cadenciada e pesada “Citizen Zero”, que possui um ótimo solo de teclado por parte de Oliver Palotai, além de “Veil of Elisyum” e “My Therapy”, ambas voltadas para o tradicional Power/Progressive Metal da banda.

“Haven” traz uma aura um pouco melancólica nas letras, o que acaba fazendo com que as faixas carreguem esse sentimento, e isso é refletido igualmente na belíssima capa do disco, uma das mais legais do ano que passou.

Ainda temos muitas pessoas que possuem restrições quanto a sonoridade de bandas como o Kamelot, mas até mesmo estas não podem negar o grande trabalho realizado pelo quinteto, que com “Haven” parece ter galgado alguns degraus a mais em sua busca pelo reconhecimento (e por quê não dizer fama e fortuna, afinal de contas é o que todos buscam…). E mostra que Tommy Karevik definitivamente era o cara certo para preencher a lacuna deixada por Roy Khan.

 

Nota: 9,0

Formação:

Tommy Karevik – Vocal
Thomas Youngblood – Guitarra
Sean Christians – Baixo
Oliver Palotai – Teclado
Casey Grillo – Bateria

13 faixas – 52:53

Tracklist:

1 – Fallen Star
2 – Insomnia
3 – Citizen Zero
4 – Veil Of Elisyum
5 – Under Grey Skies
6 – My Therapy
7 – Ecclesia
8 – End Of Innocence
9 – Beautiful Apocalypse
10 – Liar Liar (Wasteland Monarchy)
11 – Here’s To The Fall
12 – Revolution
13 – Haven