Foto Republica

Participar do Rock in Rio e fazer bonito é a melhor apresentação que uma banda pode ter. E foi isso que o Republica fez na edição de 2013. Mas até aquele momento foram mais de vinte anos de estrada, três discos lançados e muito suor para ver seus sonhos realizados. Nessa entrevista, Luiz Fernando Vieira (Guitarra), Leo Belling (Vocal) e Jorge Marinhas (Guitarra) falam mais sobre o grande momento vivido pela banda, sua passagem pelo mega festival e os planos futuros do República…

 

 

Vicente – Inicialmente, em resumo, qual a avaliação que fazem destas mais de duas décadas de trajetória da banda? Como foi o inicio de tudo e a razão da escolha do nome Republica?

Luiz Fernando Vieira – A banda surgiu em 1991 como uma reunião de amigos, como quase sempre acontece, e dali sonhos nasceram. Passamos por várias formações e dificuldades, dois discos importantíssimos, até chegar hoje com o terceiro álbum, o “Point of No Return”, que representa muito bem a fase e o astral da banda. Todos engajados e contribuindo muito para o sucesso da banda. É uma fase ótima e só tende a melhorar, afinal, nós realmente acreditamos no som que fazemos e vamos continuar por muito tempo levantando a bandeira do Rock and Roll pesado nacional! Sobre o nome, foi uma conjuntura de fatos políticos que passamos e a vontade de ver um país melhor, nossa boa e velha Republica e, principalmente, pela definição da palavra Republica, como ficou evidenciado na capa do primeiro álbum.

Vicente – A banda tem conseguido uma grande repercussão de seu terceiro disco, “Point of no Return”. Como foi a gravação e composição do mesmo?

 

Leo Belling – Todo processo de feitura de um álbum leva tempo e todas as decisões têm que ser tomadas com muita cautela e certeza. No nosso caso não foi diferente, tanto na fase de composições quanto de pré-produção, incluindo ainda arte, capa, produção, mixagem e masterização. A escolha do Luis Paulo Serafim, que é um grande amigo da banda, foi um processo natural e desde o início tínhamos o nome dele como certo pra conduzir e levar a sonoridade da banda a outro patamar. Buscávamos algo mais maduro e preciso, e como a nossa maior preocupação era imprimir no álbum toda a nossa prévia pesquisa de sonoridade e timbres com personalidades únicas, o LP (Luis Paulo Serafim) é definitivamente “o cara” pra se ter ao seu lado. Passamos um ano compondo as novas faixas e gravamos uma pré-produção ao vivo em estúdio e logo apresentamos ao LP, que analisou tudo com muita eficiência e nos apresentou um plano de trabalho e gravações, que foi seguido a risca do início ao fim. Trabalhar com ele foi um processo muito divertido, de muito aprendizado e extremamente profissional. Buscamos juntos dentro do estúdio a combinação perfeita para o nosso som, testando afinação, diferentes instrumentos, amplificadores, periféricos, pedais, microfones até chegarmos a uma mistura perfeita e obter timbres que demonstrassem a força e peso do som do Republica. É um trabalho meticuloso, exaustivo, mas que quando é bem conduzido faz muita diferença no resultado final. Outra grande contribuição do LP no processo foi a incansável busca pela performance perfeita dos tracks de cada instrumento ou voz gravada. Ele não é um cara de cortar e colar e sim de valorizar a performance do músico em benefício do todo. E ele é bem exigente quanto a isso dentro do estúdio! Como produtor ele nos deixou bem a vontade e conversávamos muito sobre cada detalhe. Ele é um cara que tem um ouvido absurdo e nada era feito sem uma intenção clara em busca do resultado final.

REPUBLICA - POINT OF NO RETURN ALBUM COVER

Vicente – A masterização de “Point Of No Return” ocorreu nos Estados Unidos e ficou a cargo de Stephen Marcussen, que já trabalhou com Rolling Stones, Kiss, Black Sabbath, Alice In Chains e Foo Fighters. Como foi a experiência de contar com o trabalho de uma pessoa tão conceituada no cenário?

Leo – Sobre a masterização, último processo na cadeia de produção de um álbum, foi também extremamente eficiente. Buscamos um cara que consideramos um dos melhores profissionais de master do mundo, um dos mestres dessa arte. A escolha dele foi justamente em função da nossa busca por uma sonoridade grande, forte e única. E ele chegou no resultado exato que queríamos, coroando um trabalho de quase dois anos.

Vicente – E o retorno do pessoal, foi o esperado pela banda, ou superou as expectativas?

Jorge Marinhas – Superou. E muito! Só o fato de termos sido convidados para apresentação em dois dos maiores festivais de rock do planeta, o Lollapalooza e o Rock In Rio, já mostrou que o trabalho que foi feito em “Point Of No Return”  foi muito bom. Agora é esperar para 2015 nosso novo trabalho.

Vicente – Músicas como “Time to Pay”, “Life Goes on” e “Dark Road” são alguns dos destaques de “Point of no Return”. Mas qual seria a música preferida de vocês, aquela que indicariam para quem não conhece o som do Republica?

Leo – Na realidade a banda gosta do trabalho como um todo, mas é normal que cada um tenha sua preferência. Mas “Life Goes On” acabou sendo unânime e acabou virando um dos nossos clipes de divulgação. A música tem uma levada bem bacana e a galera adora. Está tocando na Kiss FM e os ouvintes sempre pedem.

 

Foto Republica 2015

Vicente – “Life Goes On” e “El Diablo’ se tornaram ótimos vídeos. Como foi gravá-los, cansativo como são as gravações ou a banda conseguiu divertir-se com os mesmos?

Jorge – Divertidíssimo! O grande diferencial do Republica é o senso de humor da galera. Não existem egos! Nós passamos dias muito legais e o pessoal da produtora foi muito bacana e nos deu um respaldo imenso para que tudo fosse feito da melhor maneira possível. Todos estavam focados em produzir o melhor material possível e é o que temos nesses vídeos.

 

Vicente – Como foi participar de um evento da grandiosidade de um Rock in Rio? Pintou aquele frio na barriga pela proporção do festival, ou vocês levaram tudo numa boa?
Luiz – Vocês podem imaginar a adrenalina que são esses mega festivais! Ainda mais com a parceria do Dr. Sin. Foi uma responsabilidade muito grande para nós, mas sabíamos da nossa  capacidade e do trabalho que temos feito, sejam em apresentações como o Rock In Rio, ou em qualquer show que nos apresentamos. Fazemos sempre com muita concentração e somos sempre muito elogiados pela pegada ao vivo que o Republica tem.

 

Vicente – Em sua opinião, quais foram os melhores e os piores momentos do dia em que participaram?
Leo – Não teve pior momento, pra ser bem sincero. Foi a realização de um sonho, um puta show com o público participando e lotando o Palco Sunset. Depois, uma porrada de entrevistas, encontro com grandes músicos e bandas e curtir os outros shows com sorriso de orelha à orelha.
Vicente – E os planos do Republica para 2015? Talvez um novo álbum a caminho, ou ainda é cedo para pensar no sucessor de “Point of no Return”?

Jorge – Os planos são ambiciosos. Muito trabalho pela frente, pois o estágio em que o Republica se encontra não é pata tréguas e sim de muita dedicação em todos os sentidos. Mas com certeza um novo disco até meados de Setembro é nossa prioridade e já começamos a compor esse novo trabalho.

 

Vicente – Vocês estão com shows marcados juntamente com o Adrenaline Mob e Noturnall. Qual a expectativa da banda?

Leo – Conhecemos os caras do Noturnall e do AMOB há um tempo e sempre pensamos em fazer essa tour juntos. Republica e Noturnall são bandas irmãs, assim como seus integrantes. É uma grande família que se ajuda nesse mercado foda do metal nacional. A expectativa é das melhores e fica a promessa que vamos arregaçar em cada cidade que passarmos. Vai entrar pra história do metal nacional, tenho certeza!

 

Vicente – Em poucas palavras, o que pensa sobre as seguintes bandas:

Metallica: Gênios no sentido de se reinventarem musicalmente e se manterem no topo do metal mainstream. Referencia de produção e pesquisa de sonoridade. Temos o maior respeito pela carreira construída por eles. (Leo Belling)

Mötorhëad: Verdadeiros guerreiros do rock and roll. Três caras que se mantém verdadeiros a essência do metal. São realmente fodas! (Leo Belling)
Dr. Sin: Amigos e parceiros de som. Tocamos juntos no Rock In Rio e isso só fortaleceu a amizade. São pioneiros do gênero no Brasil e merecem o maior respeito do mundo aqui no Brasil e fora. Abriram muitas portas pra muitas bandas. São exímios músicos e caras extremamente gente finas. Um grande salve à família Dr. Sin! (Leo Belling)
Black Sabbath: Pais do metal e referência constante a quem quer que esteja envolvido com som pesado, independente da formação da banda. (Leo Belling)
Kiss: Aula de performance e marketing musical. Não tem nada mais divertido que assisti-los ao vivo. Geniais. (Leo Belling)

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho da banda Republica e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam na música nacional.

Leo – Só temos a agradecer todos os fãs e pessoas que nos apóiam ou nos apoiaram ao longo de todos esses anos. Sem eles não faria o mínimo sentido continuar. Agradecemos também a todas as bandas e músicos que tocaram conosco nessa bela trajetória e em especial agradecemos aos nossos brothers do Noturnall, ao Andreas Kisser e todos do Sepultura também. Aos que ainda não conhecem, é só entrar no facebook.com.br/republicarock ou no republicarock.com.br que lá tem tudo sobre a banda: músicas, vídeos, fotos, agenda. Temos certeza que quem se arriscar a conhecer vai curtir e nos ajudar a chegar mais longe. Um forte abraço também a todos da mídia especializada que se aventuram e se arriscam a apoiar o metal e o rock nacional. Sem vocês a roda não gira! Abraços e Long Live Rock and Roll!

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