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Attractha é mais uma das gratas surpresas surgidas no Brasil nos últimos anos. A banda paulista agrega ao seu som saudáveis doses de Heavy Metal/Hard Rock. Para falar sobre toda carreira do grupo, realizei esta entrevista com o baterista Humberto Zambrin e o guitarrista Ricardo Oliveira onde, numa conversa bem bacana e elucidativa, falam também sobre os planos futuros e sobre o mundo da música em geral. Confiram e prestigiem esta que é uma das boas promessas do nosso país.

 

Vicente – Após 7 anos de banda, qual a avaliação que fazem da trajetória do Attractha?

Humberto Zambrin (bateria): Olha, realmente dos 7 anos, posso dizer que produtivos foram 4, de 2010 até hoje. 2010 foi quando iniciamos as gravações que deram origem ao Engraved, mesmo sem a formação da banda estar completa. Anteriormente a isso, realmente a banda era um embrião, com muitas mudanças, muitas ideias, mas faltava efetividade, pois não havia uma formação estável. Nosso problema sempre foi a voz, que nunca encontrávamos alguém que estivesse dentro do que a gente queria… Quando tudo se acertou, em 2012, com a chegada do Marcos de Canha (vocal) e do Guilherme Momesso (baixo), a coisa foi muito rápida e tenho que dizer, além de excelente, foi surpreendente! Durante esses anos todos fomos reunindo contatos na mídia, dentro e fora do Brasil, então assim que nos “lançamos” já começamos a ter uma repercussão muito legal, no mundo todo! Apesar da recente saída do Marcos, já retomamos a produção com um novo vocalista, então eu diria que, até o momento, a trajetória foi ótima e um pouco acima do que a gente esperava, para uma banda que ainda só tem um EP e um clipe como registros!

Vicente – Vocês lançaram em 2013 o EP “Engraved”. Como foi a gravação do mesmo? O resultado final foi satisfatório?

Humberto: Sendo bem honesto, não esperávamos que o resultado ficasse da forma que ficou e nos rendesse tantos elogios. Na verdade, em 2010 começamos a gravar as 4 músicas para termos um registro, como uma demo mesmo, para nos ajudar a procurar vocalistas. Era muito difícil conseguir assediar bons músicos sem ter um material decente em mãos. Então, o que fizemos foi uma demo em 2010 com essa finalidade. Em 2011, após “n” tentativas fracassadas com vocalistas, decidi parar com tudo e procurar outras coisas, mas o Ricardo acabou me convencendo a voltar. Quando voltamos e nos unimos aos novos caras, a coisa ficou tão boa, que pensamos: vamos trabalhar aquela demo mesmo para termos algo pronto, com voz e etc… mas a ideia era ter uma demo! O que ocorreu é que o trabalho começou a ir tão bem, que começamos a dar outra forma. Não foi planejado no inicio, mas no meio das gravações de voz, já estava claro que não seria só uma demo. Digo, a produção estava muito legal, então foi natural que aquilo se tornasse um “algo mais”! As baterias são as originais, gravadas em 2010…eu não mexi em nada, apesar de atualmente os arranjos estarem ligeiramente diferentes daquilo. Sou preguiçoso e gravar bateria dá muito trabalho! Kkkkkk Além da grana, claro! Então aproveitamos as baterias e o baixo gravados na época. Gravamos as vozes em dois estúdios distintos, para captarmos umas coisas diferentes, regravamos algumas linhas de guitarra e os solos… daí o trabalho começou! O Ricardo Oliveira (guitarra) também é produtor e engenheiro de som, e junto com o Henrique Baboom, que estava no comando das gravações desde 2010, fizeram um excelente trabalho de mixagem do som e posteriormente o Alessandro Cabral e o mesmo Baboom trabalharam comigo na masterização… demos o nosso máximo para ter um material decente e, até agora, só temos recebido elogios! Depois, como qualquer produto, tínhamos que pensar na embalagem, daí eu vim com a ideia gráfica, onde o Guilherme me ajudou bastante…E assim o EP aconteceu!

Vicente – E o retorno dos fãs e da mídia especializada, tem sido a esperada por vocês?

Humberto: Da mídia, tem sido bem maior do que esperado!! Realmente a repercussão do EP aqui e no resto do mundo foi muito bacana! Enviamos o material pra mais de 10 países e, na maioria deles o trabalho foi muito elogiado! Claro que existem críticas negativas para algumas coisas também, o que é natural, e não escondemos isso! (risos). Mas as criticas são para alguns detalhes específicos, mas no conjunto todo, sempre muito elogiado. Está tudo lá no nosso site pra galera ler! O apoio dos fãs também é legal! Eu não gosto muito de usar essa palavra, porque nos coloca num patamar que acho que não estamos… Nós temos amigos e seguidores que nos apoiam, nos estimulam e acima de tudo fazem nossa música se espalhar por ai! Essas são nossas pessoas!! Fãs eu acho que tem o AC DC, o KISS e o Iron Maiden! (risos)

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Vicente – Vamos falar sobre o processo de composição de cada uma das músicas do EP, começando por “Darkness”:

Ricardo Oliveira (guitarra): Todo o processo de composição hoje é feito da mesma maneira pra todas as músicas, normalmente eu trago uma ideia e nós quatro juntos, fazemos a música tomar forma, sempre obedecendo o que nossos ouvidos e corações mandam, as vezes o Guilherme Momesso (baixo) vem com a ideia e o processo é o mesmo. Mas as músicas do EP não foram feitas desta maneira, então vamos lá: eu tinha toda a ideia de como gostaria que ficasse a “Darkness”, os riffs já criados e mapeados. Trouxe-a para o estúdio e junto com o Humberto fizemos o que é quase o que tem hoje, lógico que depois das influências dos outros integrantes, tiveram alguns retoques.

Vicente – Seguindo para a minha favorita “The Choice”:

Ricardo: “The Choice” foi um mandado, quando o riff inicial veio pra debaixo dos meus dedos, ela se fez em pouco mais de meia hora, fechou de uma maneira tão harmoniosa, que pouco se mexeu nela. É uma música cheia de detalhes, que em certo momento, achávamos que não seria tão bem aceita quanto esperávamos o que pra nossa surpresa, tem sido a mais elogiada e por consequência virou o nosso primeiro vídeo clipe.

Vicente – A “balada” “Blessed Life”:

Ricardo: Essa música é uma mistura de sentimentos, foi feita em uma fase triste da minha vida, quando perdi um amigo (irmão)… Saudades das coisas boas que tive na presença dele e pelo que ele era, tristeza pela perda, desespero por não ter o que fazer… Enfim, tudo isso feito pelo meu coração e depois muito bem escrita pelo Humberto, que soube captar todo esse sentimento que a música nos passou… Eu até fiquei na dúvida… “você o conheceu??” perguntando para o Humberto… (risos)

Vicente – E terminando com a poderosa “Beggining”:

Ricardo: “Beggining” foi a única do EP que foi feita da maneira que compomos hoje, trouxe as ideias para o estúdio e a partir daí fizemos ela tomar forma. É uma música mais cadenciada seguindo um pouco de influências novas e antigas que fizeram presença na minha vida.

Vicente – E os futuros planos do Attractha?

Humberto: Estamos um pouco atrasados com o processo de composição do nosso novo CD, até em virtude dos trabalhos com o novo vocalista, então estamos focados em escrever o novo material. Talvez uma parcial disso seja liberada antes, um single ou algo assim… depois é entrar em estúdio para gravar o mais cedo possível! Nossa meta era lançar o novo CD em Março de 2015, mas não vamos conseguir. O foco agora é tentar fazer isso até o meio do ano. Porém em Abril já voltaremos aos palcos, porque não dá pra ficar sem fazer shows! Claro, com o lançamento do CD já queremos ter um bom plano de shows atrelado a ele. Esse é nosso plano de curto prazo… a longo prazo, queremos dominar o mundo! (risos)

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Vicente – Como avaliam o cenário para as bandas nacionais nesse momento? Há mais espaço para divulgação e realização de shows, ou não houve nenhuma mudança substancial nesse sentido?

Humberto: Olha, eu acho que o cenário está razoavelmente bom para as bandas, pois com as redes sociais e etc, você consegue divulgar bem mais o seu trabalho do que 10 anos atrás…agora para shows eu ainda acho que há muito amadorismo no cenário…Temos 2 situações que são clássicas e recorrentes: uma é a disputa de espaço entre bandas autorais e bandas cover, que é totalmente sem sentido…são públicos diferentes e propósitos diferentes. A divergência vem da disputa de local físico, porque infelizmente as casas que abrigam shows de Rock e Metal são as mesmas e elas acabam gerando parte desse problema. Outro cenário são os festivais, que acredito serem a melhor plataforma para as bandas autorais iniciantes, pois têm a oportunidade de mostrar seu trabalho para um número maior de pessoas e todas interessadas em conhecer musica autoral. O problema desses festivais, salvo algumas exceções, é a produção, muitas vezes amadora, que acaba não dando boas condições para as bandas se apresentarem… isso é um ciclo, sabe? Se você quer ser um produtor, deve começar pequeno, mas sempre com foco em qualidade. Para as bandas, a infra-estrutura é fundamental! Qualidade do som, retorno, PA, backline… tudo isso é importante para mostrar nosso trabalho com qualidade e é importante para o produtor que pensa a longo prazo, por que as pessoas irão voltar nos seus eventos sabendo que é bem feito…daí pode ir crescendo gradativamente! Existem alguns bons festivais undergrounds que rolam por ai que começaram assim e hoje são referencias… melhores até que alguns shows de bandas gringas que já vi aqui em São Paulo!

Mas de qualquer forma, temos que sempre manter o foco em trabalhar as apresentações de forma profissional e justa! Contratos, cachê, acertos, tudo deve ser respeitado.  Esse é o outro lado da moeda que nem sempre aparece…

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

Savatage: Foi um ícone do metal americano, a frente de seu tempo… porém o tempo os alcançou e os deixou pra trás… infelizmente acho que pelos projetos paralelos do John Oliva como o TSO, a banda deixou de ter atenção e acabou ficando ultrapassada. Acho o último álbum deles muito inferior ao predecessor

Mr. Big: O perfeito Hard Rock com técnica! Melodia e técnica na medida certa, sem exageros… eu gosto muito!

Dream Theater: Talvez a maior inovação no metal dos anos 90 e também os grandes culpados por uma geração de músicos de muitas notas sem melodia… inspiram muitos, mas não conseguem ser imitados! Eu gosto muito de ouvir DT, mas acho que muitas pessoas por conta deles acabaram esquecendo-se de fazer música pra mostrar só o que sabem fazer com seus intrumentos… sugiro, antes de ouvir Dream Theater, ouçam Yes, Genesis e Pink Floyd…

Black Sabbath: Reis! Não estaríamos aqui nessa entrevista sem esses caras… são o Big Bang do Metal…ali começou tudo!

Skid Row: Uma banda de Hard Rock injustiçada! Na minha opinião, muito melhores do que o Guns and Roses! Mais Hard, mais Rock! Pena que implodiu devido aos temperamentos dos músicos…Sebastian sem o Skid Row nunca mais foi forte, apesar das tentativas e o Skid Row sem ele virou uma mera banda punk, sem o brilho das boas bandas punks!

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho do Attractha e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam no Metal nacional.

Primeiro de tudo, agradeço a vocês pela resenha que fizeram do nosso CD! Foi prazeroso ler cada palavra! Obrigado mesmo!! Nós queremos agradecer a cada um que escuta nossa música, que vai ao nosso show, que acessa nossas mídias e etc… muito obrigado! Para quem não nos conhece, tudo pode ser visto em www.attractha.com! Lembrem-se: ouvir música é muito bom, e é algo que acompanha a gente o tempo todo, seja no carro, no celular, no YouTube… mas nada, nada se compara a ouvir música ao vivo, junto com seus amigos, bebendo uma boa bebida e se divertindo! Compareçam aos shows das suas cidades, prestigiem as bandas que vocês gostarem… não falem mal das que não gostam… simplesmente aproveitem as que são boas para vocês, porque há espaço para todos!! Um forte abraço a toda galera que acompanha o With every tear a dream!! Metal rules!!!

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