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Apesar de ter recebido há um bom tempo o primeiro disco do Noturnall, resolvi esperar baixar um pouco a poeira que a serie de resenhas positivas e algumas negativas que o álbum levantou após seu lançamento. E, uma coisa não pode se negar: Os caras foram corajosos ao seguir um caminho completamente do que era imaginado quando foi anunciada sua formação e, consequentemente, o lançamento de seu debut.

 

Pois seria fácil seguir o caminho mais fácil e apostar no Power Metal de suas bandas de origem, e assim manter os fãs conquistados ao longo destes anos. Mas o caminho escolhido foi o oposto disto, e o resultado é o que vemos em seu primeiro e auto-intitulado álbum.

 

Desde os primeiros acordes (e batidas) da peso-pesada “No Turn At All”, temos a certeza que algo diferente irá acontecer. Esta música é daquelas que passam por cima da gente como um trator, tamanho peso e intensidade que emanam dela, sendo provavelmente a música mais pesada do disco. Só que ela precede justamente a melhor música aqui, a fabulosa “Nocturnal Human Side”, com seus riffs tipo Pantera (em determinado momento Dimebag parece reencarnar em Leo Mancini), e a participação perfeita do mestre Russell Allen. Faixa digna de tornar-se clássica. Zombies possui sua introdução e refrão perfeitos para cantar junto nos shows, ainda demonstrando um peso de responsa. “Master of Deception” tem andamento menos comuns, bons solos de guitarra e teclado e grande trabalho de Aquiles na bateria. “St. Trigger” (não confundir com St. Anger), apesar de muito pesada, possui uma grande dose de melodia em seu refrão (uma constante ao longo do disco). A partir daqui o disco da uma “acalmada”, sendo que “Sugar Pill” seria a música mais próxima do que poderíamos imaginar da sonoridade do Noturnall, a única um pouco mais voltada para o Power. E em seguida temos a bela balada “Last Wish”, com seu ar de “Fairy Tale” (tudo bem, não é a mesma banda, nem mesmo o mesmo Shaman, mas que ficou um clima parecido…) com um trabalho primoroso de Thiago Bianchi. “Hate” é… bem… é uma música que transborda ódio, mas com momentos mais melódicos em dose certeira. E o disco termina com a (mais uma vez) pesada “Fake Healers” e a acústica “The Blame Game”.

 

Com relação aos músicos, quase nenhuma novidade. Thiago Bianchi tem um desempenho digno de nota, tanto nos vocais mais ríspidos quanto nos melódicos, Leo Mancini manda riffs e solos muito legais, grande trabalho. Igualmente podemos falar do tecladista Junior Carelli, que em determinados momentos tem um quê de Jordan Rudess no disco “Train of Thought”. Fernando Quesada demonstra aqui ser um dos melhores baixistas da atualidade no Metal nacional. E Aquiles Priester, bom, não tem nem o que comentar, pois a sonoridade mais agressiva do Noturnall casou perfeitamente com seu estilo, simplesmente matador. Destaque também para a produção cristalina do álbum e seu encarte, que aberto mostra a capa em tamanho maior, como nos bons e velhos tempos do vinil.

 

Para você que não se contenta sempre com mais do mesmo, está ai uma banda que veio para ficar…

 

 

Nota: 9,0

 

Tracklist:

 

1.No Turn At All

2. Nocturnal Human Side

3. Zombies

4. Master of Deception

5. St. Trigger

6. Sugar Pill

7. Last Wish

8. Hate

9. Fake Healer

10. The Blame Game