HDC MOA Promo 7 - Cópia

Após um pequeno recesso, estamos de volta ao “trabalho”, e nada melhor que retornar com uma matéria de uma das maiores bandas de Metal nacional.

O Headhunter DC já soma incríveis 26 anos de carreira, algo quase impossível em se tratando de uma banda de Death Metal, gênero que somente os fortes conseguem sobreviver e manter uma carreira de alto nível.

E, para falar sobre toda a carreira da banda baiana, realizei esta entrevista esclarecedora com o vocalista Sergio Baloff, que demonstra a verdadeira paixão pela música extrema.

 

 

Vicente – E já se foram mais de um quarto de século de uma batalha pela música que não tem fim, tempo em que a grande maioria das bandas ficaram pelo caminho. Qual o balanço que fazem da trajetória do Headhunter DC?

 

Sergio – A sensação é a do dever mais que cumprido mesmo (com o perdão do clichê), mas com a consciência de que ainda temos muito a fazer e conquistar, apesar dos vários anos de trajetória. São 26 anos de total dedicação, sacrifício, lealdade e paixão pelo Death Metal Underground, sem esquecer, é claro, muita diversão também, sem a qual também nada disso faria sentido. Fazemos parte da segunda geração do Death Metal, e creio que temos honrado da forma mais honesta possível esse gênero musical/ideológico e estilo de vida, não apenas com nossos lançamentos, mas também com nossa postura irrepreensível dentro da cena. Não temos nem nunca tivemos a obrigação ou obsessão de sermos famosos, de fazermos música para as grandes massas; aqui o ‘deathbanger’ vem antes do músico, então tudo flui de forma natural e, consequentemente, por muito mais tempo. Vivemos todos os altos e baixos possíveis da cena, vimos pessoas e bandas sumindo com a mesma velocidade com que surgiram, ouvimos discursos inflamados que mais tarde perceberíamos que se tratavam de pura fantasia adolescente; testemunhamos traições, máscaras caindo, mas sobrevivemos a tudo isso com a força e o poder que o Metal da Morte nos dá, difícil de se explicar através de breves palavras. Então o resultado é esse: mais de ¼ de século de morte total, sem jamais termos desistido ou virado wimps como tem sido comum entre as bandas de nossa geração.

 

Vicente – E o que esperam do futuro da banda, quais os planos imediatos para 2015?

 

Sergio – Como não podemos ter qualquer certeza sobre o futuro, encaramos o futuro como o aqui e o agora, então a ideia é mantermos-nos fortes o bastante para continuarmos nossa saga em prol do que gostamos, acreditamos e nos realizamos fazendo, sempre com a paixão, sinceridade e honestidade que nos são características. Para 2015, continuarmos tocando o máximo que pudermos e já termos um novo trabalho lançado, de preferência um novo full length..

 

Baloff by Sérgio Tullula 2014

 

Vicente – A Mutilation Records acabou de lançar um tributo para a banda. Como foi ficar sabendo desta ação e qual a participação da banda nesse processo?

 

Sergio – Estamos honrados pela iniciativa da Mutilation em nos prestar essa homenagem, assim como por todas as grandes versões executadas pelas bandas participantes. Eu coordenei todo o desenvolvimento do projeto, desde o convite às bandas, passando pela compilação das músicas, concepção da capa e layout. Estou muito satisfeito com seu resultado final. Mais do que um tributo a nós, trata-se de uma verdadeira congregação sônica em prol do Death Metal. Confiram e aguardem o volume 2!

 

Vicente – Conseguiam imaginar, lá no principio de tudo, um dia ter bandas se espelhando e tocando suas músicas como uma forma de homenagem?

 

Sergio – Obviamente que não, ainda que sempre tenhamos acreditado em nossa capacidade de desenvolver um trabalho de qualidade e identidade própria. Temos orgulho em termos, de uma forma ou de outra, contribuído com o desenvolvimento e manutenção do Death Metal mundo a fora, e apesar de nem sempre termos o reconhecimento por tudo o que temos feito dentro de nosso próprio país, uma homenagem como essa só nos dá ainda mais força e poder para continuamos honrando o Metal da Morte Underground como sempre fizemos. A propósito, um grande SALVE e um muito obrigado a todas as bandas envolvidas no projeto e à Mutilation Records pela iniciativa.

 

Lisboa PDR 2014

 

Vicente – E como surgiu a idéia de lançar o CD “Brazilian Deathkult Live Violence…”? Foi pensado mais como uma forma de homenagem aos fãs?

 

Sergio – A ideia surgiu desde quando percebemos que esse material estava sendo muito requisitado pelos fãs após o lançamento da versão em tape, a qual esgotou-se rapidamente por ter saído numa edição limitadíssima de apenas 100 cópias numeradas a mão, o que não deixa de ser uma homenagem a eles, que tanto o queriam novamente disponível. A Eternal Hatred Records está de parabéns pelo relançamento!

 

Vicente – Vocês lançaram em 2012 o disco “…In Unholy Mourning…”, que teve uma ótima recepção na mídia especializada. Como foi o processo de composição e gravação do álbum?

 

Sergio – O processo de composição fluiu, como sempre, muito naturalmente. Até a gravação do álbum foram vários ensaios até que tudo estivesse em conformidade com o que realmente queríamos, sem mencionar que esse seria o álbum de estreia do guitarrista George Lessa, então tínhamos que estar no melhor entrosamento possível com a nova line-up. Conseguimos através da gravação no Studio 60, sob engenharia de som de Jera Cravo, a ambiência, sonoridade e atmosfera que queríamos, o que nos deixou realmente satisfeitos com o resultado final do álbum.

 

Vicente – A banda teve um grande cuidado com os detalhes do álbum, como a capa e o encarte, que traz tanto as letras em inglês quanto em português, algo interessante visto que nem todos possuem um domínio completo da língua inglesa, fazendo assim com que todos compreendam o que a banda quer passar com suas músicas.

 

Sergio – Sim, tudo isso foi como um grande presente aos fãs por tudo que representam para nós e também para, ao menos, tentarmos compensar um pouco os longos 7 anos de espera pelo lançamento do álbum. Acho que no final a espera valeu a pena.

 

HDC IUM Promo 26 - Cópia

 

Vicente – Todo esse tempo de estrada já trouxe muitas histórias. Qual teria sido o melhor e o pior momento do Headhunter DC em um show?

 

Sergio – São muitas as histórias, cara, entre bons e maus momentos, o que não poderia ser diferente em se tratando de uma banda com quase 30 anos de existência. Quem sabe um dia não registramos tudo em um livro… Mas certamente entre os melhores momentos em nossa carreira está o nosso show com o Possessed em Recife, 2008, quando o pai do Death Metal, Mr. Jeff Benjamin Becerra, subiu ao palco durante o nosso show e convocou cerca de 1.200 bangers a gritarem o nosso nome, o quais obedeceram em uníssono. Fudidamente e eternamente memorável!!!

 

Vicente – Vocês fizeram alguns shows lá fora juntamente com o pessoal da Nervochaos, certo? Conte-nos um pouco sobre como foram as apresentações na Europa.

 

Sergio – O balanço da tour europeia em 2013 é altamente positivo, uma incrível experiência através de uma jornada deathmetálica através de 9 países, com 18 shows em 22 dias. Alguns shows foram realmente memoráveis, como o de Wermelskirchen e Wiesloch na Alemanha, Montaigu na França, Barroselas em Portugal e Warsaw na Polônia. Além disso foi realmente grande encontrar pessoalmente velhos irmãos do Underground, fazer novos contatos e beber boas cervejas pelo Velho Mundo. Esperamos retornar para um novo giro em 2016.

 

Vicente – Muito se fala sobre os diversos problemas da cena Metal no Brasil. Qual avaliação que vocês fazem da mesma, visto o longo tempo que a banda já tem de estrada? Acreditam que ela melhorou, piorou ou está estagnada?

 

Sergio – Cara, eu acho que altos e baixos na cena sempre irão existir, quero dizer, algumas coisas evoluem, outras regridem; em alguns aspectos a quantidade se sobrepõe à qualidade e por aí vai… então acho que sempre existirão os dois lados da moeda na cena nacional. Cabe a nós que fazemos parte dela fazer o nosso papel para que a mesma sempre evolua de forma sadia, para bandas e para o público, e esse papel vem da consciência de cada um sobre o que é e o que não é Metal Underground. Infelizmente toda essa “virtualidade” da cena atual limitou um pouco essa consciência por parte das novas gerações, então cabe a elas se mirarem mais nos primórdios da cena, quando as emoções e atitudes eram mais reais, e tentarem trazer o verdadeiro espírito do UG de volta, sem utopias, é claro, mas com as raízes fincadas no passado e com os olhos sempre no futuro. Com base nisso, acho que esse quadro atual finalmente mudará um dia.

 

Vicente – Em poucas palavras, o que pensa sobre as seguintes bandas:

 

Exodus: Responsável pelo melhor disco de Thrash Metal da história, “Bonded By Blood”! Baloff lives!!!

Sepultura: Grandes pioneiros do Metal da Morte mundial junto com o Possessed, Hellhammer e Death. Apesar de gostar de algumas (poucas) músicas do “Beneath…” e “Arise”, o que vem após o Schizophrenia não me interessa…

Venom: A banda que abriu meus horizontes para o Metal Extremo. Se existe uma única banda verdadeira de Black Metal, essa é o Venom, o resto é o resto!

Krisiun: Criadores de um estilo copiado por muitos, mas sustentado por poucos. Merecedores de tudo o que conquistaram pelo foco que tiveram e continuam tendo pelos seus objetivos.

Sarcófago: Revolucionários do Metal Extremo no Brasil. Do “I.N.R.I.” para trás todos os seus materiais são supremos para mim. Odeio quando chamam o “I.N.R.I.” de Black Metal! Pqp!!!

 

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho da banda Headhunter DC e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam no metal nacional.

 

Sergio – O fim está próximo!!!!!!!!!!!!!!!! Haha !!! Bem, disso todos nós sabemos, então primeiro permita-me agradecer pela entrevista e pelo suporte para com o Headhunter D.C.. Headhunter Death Cult está há 27 anos ininterruptos nos mais obscuros caminhos do Underground, de modo que JAMAIS devemos ser confundidos com aquele tipo de bandas que costumavam tocar Death Metal somente quando o gênero costumava ser “cool”, quando era a tendência do momento e , em seguida, começaram a tocar música gay por anos para depois tentar um retorno às raízes clamando por nunca terem esquecido nem traído o Death Metal… fuck!!! Nós cruzamos 3 fudidas décadas sem nunca trair nossas raízes, então Metal da Morte significa muito mais para nós do que simplesmente música ou entretenimento… é o nosso estilo de vida… e de morte! Fodam-se os trendies !!!!!!!!! Todos vocês maníacos, entrem em contato para uma real aliança deathmetálica e contem sempre conosco no eterno caminho da morte total !!! vejo vocês na estrada do Death Metal! Proud to be Death… proud to be Metal !!!!!!!!!! ALL HAIL !!!!!!!!!!!!!! SIX SIX SIX !!!!!!!!!!!!!!!! \ m /

 

HDC LOGO 2012 PB