Foto divulgação 2014

Para os entusiastas do Doom Metal, a banda Mythological Cold Towers dispensa apresentações, visto ser um dos expoentes do estilo no Brasil. Mas para quem ainda não conhece, não perca tempo e procure saber mais sobre essa banda paulista que já está na ativa há duas décadas e com discos que marcaram a história do estilo por aqui. Para falar mais sobre a carreira da banda, realizei esta entrevista com o guitarrista Fabio Shammash, onde fala sobre o passado e o futuro da Mythological Cold Towers. Confiram…

 

Vicente – Já se vão 20 anos de banda. Como vocês avaliam a trajetória da banda e como foi o começo do Mythological Cold Towers?

 

 

Fabio Shammash – A trajetória foi digna de uma banda underground que busca uma identidade própria, dentro do seu próprio estilo, conseguindo respeito e admiração por aqueles que procuram uma música sombria e ao mesmo tempo monumental, sendo reconhecida em diversos lugares do mundo, inclusive no Brasil. O começo foi em 1994 e logo em seguida lançamos o primeiro álbum intitulado “Spheres Of Nebaddom”, o qual obteve críticas positivas, sendo bastante cultuado na cena Doom, até os dias de hoje.

 

 

Vicente – O último disco lançado pela banda foi o “Immemorial”. Após esse tempo todo, como você vê o álbum em si, gostaria de alterar algo nele, ou está totalmente satisfeito com o resultado obtido?

 

Fabio Shammash – Ficamos plenamente satisfeitos com o resultado, pois nossa intenção era resgatar a essência do primeiro álbum, trazendo aquela atmosfera do início dos anos 90, repleta de melancolia, desolação, mantendo nossa característica épica sempre presente nos álbuns do Mythological Cold Towers.

 

 

Vicente – Inclusive vocês fizeram um vídeo para a faixa-título? Conte-nos um pouco sobre essa gravação?

 

Fabio Shammash – O vídeo foi produzido pelo nosso baterista Hamon. Ele fez uma compilação de várias imagens de alguns shows que realizamos na Europa, em 2012.

 

 

 

Vicente – E sobre o novo álbum, será realmente nomeado de “Monumenta Antiqua”? O que tem para nos adiantar sobre esse futuro lançamento?

 

 

Fabio Shammash – Sim, será esse mesmo o título. O álbum já foi gravado e está em processo de masterização. Terá 08 músicas envoltas num clima nostálgico, sombrio e lúgubre. A arte da capa está sendo feito por Beto Martins, o mesmo artista que trabalhou em nossos 03 últimos álbuns e já adiantamos que será o nosso melhor trabalho! As letras retratam a beleza do mundo clássico, em termos de mitologia.

 

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Vicente – A banda lançou discos que ficaram na história do Metal nacional. Conte-nos um pouco de como foram as gravações dos discos “SPHERE OF NEBADDON – THE DAWN OF A DYING TYFFERETH”, “REMOTI MERIDIANI HYMNI (TOWARDS THE MAGNIFICENT REALM OF THE SUN” e “HE VANISHED PANTHEON”.

 

Fabio Shammash – Sphere of Nebbadon foi gravado em 1995, álbum que consagrou o nome da banda para a cena Doom mundial por possuir uma gravação soberba e densa e por ser o primeiro lançamento oficial de uma banda brasileira desse estilo. Remoti Meridiani Hymni (2000), neste trabalho, surge uma nova concepção dentro da música pesada no Brasil e no mundo, que envolve música épica e barbárica com temas cada vez mais opulentos e misteriosos. É o início de uma trilogia sobre as civilizações pré-colombianas que finalizamos no álbum “Immemorial”. The Vanished Pantheon (2005) é marcado pela sua complexidade e variação. Muitas influências progressivas e diversificadas, devido a maturidade na composição das músicas, sem perder o sentimento épico e profundo.

 

 

 

Vicente – A banda já teve a oportunidade de tocar na Europa, ao lado de grandes nomes do Metal. Como foi essa experiência?

 

Fabio Shammash – Foi muito boa. Realizamos poucos shows, porém marcantes. Tocamos em Portugal, no lendário festival SWU, em Barrocellas, ao lado de várias bandas consagradas, entre elas, Candlemass, Hypocrisy, Angel Witch, Immortal e Asphyx. Foi um festival bem estruturado e com uma grande audiência. Depois fomos para a Irlanda e fizemos 03 shows por lá, onde fomos muito bem recepcionados, sendo dois deles tendo a abertura da banda irlandesa Dark Matter. Finalmente voamos para a Holanda, onde participamos de um dos melhores festivais de Doom, o Dordretch Doom Days. Tocamos com Saturnus, Ophis, etc. Foi uma experiência incrível para nós, pois há tempos planejávamos por essa oportunidade. Tivemos contato com os fãs europeus de Doom Metal e tivemos uma boa impressão de como as coisas realmente funcionam por lá.

 

 

Vicente – O Doom nunca deixou de ser um gênero maldito no Brasil, em detrimento de outros estilos. Qual seria o principal motivo, e acredita que boas idéias, como a União Doom Metal BR, podem alterar esse panorama?

 

Fabio Shammash – O Doom até então, era um estilo pouco cultuado e explorado no Brasil, país onde sempre foi conhecido por relevar expoentes mais agressivos do Metal. Sempre existiram bandas de Doom, mas não tinham tanta projeção local quanto as bandas de death, black ou thrash. Apenas algumas bandas como a nossa, Serpent Rise, HellLight se sobressaiam. Com o surgimento da União, há 03 anos, o quadro começou a mudar. A proposta da União Doom Br sempre foi de propagar o estilo e conquistar os mesmos espaços que outros estilos já fazem e, de certa forma, conseguimos conquistar muita coisa de lá pra cá. Está ocorrendo mais shows, aumentando os fãs do estilo. Estamos prestes a lançar a segunda edição da coletânea de bandas brasileiras, a Doomed Serenades, a fim de repetir o sucesso da primeira edição, que já se encontra praticamente esgotada.

 

 

Vicente – Como avalia o cenário para as bandas nacionais nesse momento? Há mais espaço para divulgação e realização de shows, ou não houve nenhuma mudança substancial nesse sentido?

 

Fabio Shammash – Hoje, com o acesso fácil à banda larga e às redes sociais, ficou mais fácil trabalhar na divulgação, sem dúvida. Sendo assim, temos muitas bandas surgindo a cada dia, prezando pela qualidade e sonoridade própria, não deixando nada a desejar em relação ao cenário internacional. Por outro lado, não há muito espaço para shows e quando existem, são disputados com shows de bandas estrangeiras, que ocorrem em todos os finais de semana (isso quando não ocorre vários show no mesmo dia e na mesma cidade). Diante dessa dificuldade, o musico brasileiro procura ser versátil, tentando participar de festivais com bandas gringas ou tocando em cidades onde não acontecem tantos shows.

 

 

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

 

Moonspell: banda icônica portuguesa muito importante que é consagrada no mundo inteiro.

My Dying Bride: Sem comentários, um dos mestres do Doom/Death mundial

Imago Mortis: não só respeito como admiro muito o trabalho da Imago, que possui um excelente vocalista.

Black Sabbath: O ponto zero, onde a história da música pesada começou. Cada riff criado por Tony Iommi criou um estilo. E, claro, muitos riffs originaram o Doom Metal. B.S. eterno!

Paradise Lost: Paradise Lost criou uma nova concepção de fazer Metal, mesclando peso, melancolia e influências góticas. Sempre foi uma banda inovadora

 

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho do Mythological Cold Towers e para aqueles que apostam no Metal nacional.

 

Fabio Shammash – Agradecemos a todos que nos apóiam nesses 20 anos de existência. Logo teremos um novo opus lançado e certamente não decepcionará aqueles que nos acompanham e admiram nossa proposta. Muito obrigado pelo espaço cedido ao Mythological Cold Towers.