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Banda gaúcha com alma inglesa. Uma maneira de classificar a banda Cachorro Grande. Com uma sólida carreira de quinze anos, sete discos de estúdio lançados e turnês de sucesso Brasil afora, a banda já consolidou seu nome no cenário do rock nacional. E para falar dessa carreira vitoriosa, alem do novo disco, realizei esta entrevista com o baixista Rodolfo Krieger. Confiram, tanto a entrevista como o novo disco da banda, Costa do Marfim…

 

 

Vicente – Como vocês avaliam a trajetória da banda até este momento, passados quinze anos de sua criação. Como foi o inicio de tudo e, para aqueles que ainda sabem, como surgiu a ideia de batizar a banda de Cachorro Grande?

 

Rodolfo Krieger – Uma linda história de amor. É assim que nós vivemos. Como se vivêssemos em uma Kombi pintada, em 1967, em San Francisco. Sempre passamos por muitas coisas, mas nunca deixamos nos abalar. As coisas que a gente mais gosta de fazer é cair na estrada e gravar discos. Pretendemos fazer isso o resto da vida. Nós cinco, abraçados.

 

O nome Cachorro Grande veio da expressão “briga de cachorro grande”, mas o que foi decisivo foi a opinião do nosso baterista Gabriel, que disse que o nome não era bom.

 

Vicente – Vocês lançaram este ano seu novo disco, “Costa do Marfim”. Como foi a gravação e composição do álbum?

 

Rodolfo Krieger – Em janeiro de 2014, fomos de navio para a África e lá ficamos durante 30 dias, enfornados no estúdio Kudum. Só tínhamos feito algumas pré-demos em um gravador vintage de quatro canais. Chegando lá, no primeiro dia, já demos REC e saímos gravando o disco sem ensaios.

 

Vicente – E o retorno dos fãs tem sido o que vocês imaginavam?

 

Rodolfo Krieger – Sim, todas as pessoas que eu conheço vêm me elogiar. Adoraram o fato de a banda ter mudado de cara. Mas, o mais importante, é que nós estamos muito satisfeitos. Nunca fiquei tão feliz na minha vida com um disco.

 

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Vicente – “Costa do Marfim” traz uma sonoridade um pouco diferente do habitual da banda. Esse som foi buscado de forma proposital desde o principio das gravações, ou foi surgindo com o decorrer do tempo?

 

Rodolfo Krieger – Nunca tínhamos gravado um disco em outro país e acho que isso contou muito. Novas culturas, novas amizades, novos drinques. É muito louco aquele país. Pretendo voltar agora, apenas para visitar e não para ficar trancado com cinco cabeludos dentro de uma sala. As praias são incríveis e, com certeza, tudo isso contou muito na gravação do Costa do Marfim. Seria impossível não transparecer na gravação o local e o transe que você está naquele momento.

 

Vicente – Vocês fizeram um vídeo para a música “Como era Bom”. Como foi a gravação do mesmo? De certa forma ele casou bem com a sonoridade do disco…

 

Rodolfo Krieger – Quem dirigiu o clipe foi o Charly Coombes, um cara que é muito talentoso em todos os aspectos. Além de ser um grande compositor, um grande cantor, um grande instrumentista, acabou se mostrando um ótimo diretor. Acho que ele sacou a linguagem do clipe de “como era bom”, pois essa música tem muito do clima de Manchester. Está estampada a influência de Happy Mondays, Stone Roses e toda aquela turma. E o fato de ele ter vivido na Inglaterra e desfrutado de toda essa cena local, ele entendeu direitinho qual era a mensagem da banda Cachorro Grande.

 

Vicente – Como tem sido a rotina de shows? E os planos futuros da banda?

 

Rodolfo Krieger – Todo fim de semana, estamos tocando pelo Brasil afora. Acabamos de lançar o disco Costa do Marfim nas capitais e vamos ficar 2015 excursionando pelo Brasil.

 

Vicente – A grande mídia e o mercado musical brasileiro estão praticamente voltados somente ao Funk, Sertanejo Universitário e afins, fazendo com que o rock fique quase que marginalizado. Como vocês vêem esse cenário musical no país?

 

Rodolfo Krieger – Um lixo! Eu odeio todos esses gêneros acima. É muito revoltante saber que existem bandas sensacionais escondidas em alguns buracos do país e que tem um monte de artista medíocre tocando nas FMs. Acho que todos os gêneros musicais podem ter o seu espaço, mas não tomar conta dele.

 

Vicente – O rock gaúcho sempre teve muita força no cenário, com grandes bandas despontando desde a década de 80. Como vocês vêem essa cena nos dias de hoje. Quais bandas vocês destacariam, tanto hoje em dia como antigamente?

 

Rodolfo Krieger – Se formos falar do rock do Rio Grande do Sul, posso citar duas bandas muito sensacionais: Replicantes e DeFalla. Mas a verdade, é que a Cachorro Grande sempre foi influenciada pelas bandas dos anos 80, mas não pelas gaúchas. Sempre ouvimos muito Titãs, Ira! e Violeta de Outono.

 

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

 

The Beatles: A melhor banda do mundo de todos os tempos!

Oasis: O melhor genérico da melhor banda do mundo de todos os tempos!

The Rolling Stones: A segunda melhor banda do mundo de todos os tempos!

Barão Vermelho: Uma pena o Cazuza não estar vivo. Talvez o Brasil não estivesse essa palhaçada que está hoje.

DeFalla: Uma banda que sempre esteve à frente de seu tempo.

 

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho da Cachorro Grande e apostam na música nacional.

 

Rodolfo Krieger – Escutem muito Beatles e Rolling Stones nas horas vagas. Deem uma sacadinha no Costa do Marfim.

Cachorro Grande_Crédito Cisco Vasques