Promo 2013 project46

Viver da música, algo que hoje em dia poucas bandas novatas conseguem, e até mesmo arriscam tentar, mas que a banda paulista Project46 demonstra ser possível, apesar de todos os percalços comuns a todos que tentam viver de sua arte. Com participação no Monsters of Rock no ano passado, e agora no Metal Allstars, a banda mostra que, com trabalho e profissionalismo, as coisas podem acontecer, mesmo num país tão complicado quanto o nosso. Confiram o que o baterista Henrique Pucci tem a falar sobre a carreira do Project46…

 

Vicente – Apesar de ter apenas seis anos de existência, o Project46 já possui uma grande experiência, tanto em estúdio como nos palcos. Como vocês vêem a trajetória da banda até este momento?

Henrique Pucci – Está sendo uma trajetória em exponencial, porque estamos trabalhando cada vez mais, e cada vez mais trabalho pra fazer, o que nos força a sermos mais eficientes, e estarmos sempre em boa forma, tocando bastante, com fôlego para mais shows, já que escolhemos isso como nossa profissão. A cobrança é sempre cada vez maior do público, mídia e de nós mesmos.

Vicente – Vocês lançaram há poucos meses o seu segundo álbum “Que Seja Feita a Nossa Vontade”. Como foi a gravação e a composição do disco?

Henrique Pucci – Seguindo a ordem cronológica, o processo do disco começou ouvindo muita coisa diferente de referência, tocando muito junto, fazendo jams, e vendo o que poderia surgir, ensaiando bastante. Somente depois de um ano nesse processo, começamos a escrever idéias, e começar arranjá-las, dando a cara do que poderia ser o cd, essa época coincidiu com uma época de muito ódio e indignação política em nosso país, o que nos inspira muito. Letras ácidas, e indignação sonora são elementos facilmente identificados nesse cd.

Vicente – E a resposta dos fãs e da mídia especializada, foi a imaginada por vocês?

Henrique Pucci – Percebi que nos relacionamos, porque passamos pelo mesmo momento, e a música é nossa voz, percebemos que estamos cantando o que muitas pessoas queriam gritar para o mundo, e que podemos ser as vozes dessas pessoas, dos fãs e até da mídia, pois vivemos a mesma realidade e momento.

Vicente – Qual a razão da escolha deste nome para o disco?

Henrique Pucci – As desgraças e sucessos muitas vezes são atribuídos a Deus, ou a outras pessoas, como se tudo de ruim ou tudo de bom fosse vontade de Deus, ou culpa de outras pessoas, o nome do disco é para que tomemos atitude e não termos como desculpas os outros ou porque Deus quis, mesmo porque existe o livre arbítrio, e que seja feita a nossa vontade e não a vontade de quem nos impõe.

project capa disco novo

 

Vicente – Qual acredita ser a principal diferença entre “Que Seja Feita a Nossa Vontade” com relação ao debut da banda, “Doa a quem Doer”?

Henrique Pucci – Umas das principais é a mudança de baterista, de Guilherme figueiredo para mim, Henrique Pucci, houve um amadurecimento musical, ampliação das referencias musicais, mais ódio e por consequência um disco mais rápido e mais pesado, com algumas musicas com afinação mais baixa.

Vicente – E como foi a gravação do vídeo para a música “Caos Renomeado”?

Henrique Pucci – Foi bem interessante, pois contamos com a participação dos nossos fãs, particularmente acho tirar foto e fazer clipe chato, prefiro shows e estúdio, (risos), mas devido ao profissionalismo de Daniel Ferro, Marcelo Borelli, e suas equipes, foi tudo fácil e bem produtivo, mas cansativo!!

Vicente – Vocês estão dedicando-se 100 % ao Project46, e todos sabemos da dificuldade de manter uma banda no Brasil, principalmente quando se trata de uma banda de Rock/Metal. Como está sendo esta experiência para vocês, e como avaliam o cenário nacional para este estilo?

Henrique Pucci – Difícil, porque exige que você seja uma boa empresa, além de ter que compor bem, tocar bem e se apresentar bem, características geralmente que passam longe de músicos mas nem tanto no Project46, mas com certeza muitas vezes ficamos presos as limitações do underground, tudo que temos na banda, foi com dinheiro conquistado pela banda, ou pelo menos retornado, o que nos deixa muito felizes, e nos prova que para conseguir algo é necessário investir muito esforço, e também dinheiro, que não é fácil de ganhar, temos que fazer por merecer.

Vicente – Como foi a participação da banda no Festival “Monsters of Rock” em 2013?

Henrique Pucci – Esse foi memorável, eu até havia comprado o ingresso, pois quando anunciado nem desconfiava do que estava por vir. Ficamos surpresos com a quantidade de camisetas do project46 no público e como as pessoas cantavam nossas letras, foi um show onde percebemos que realmente aquele é nosso lugar, ficamos muito a vontade naquele palco grande, como se já fizéssemos isso sempre, trocamos muita idéia com as outras bandas, momentos como quando fomos elogiados pelo pessoal do hatebreed foram inesquecíveis , ganhamos muitos fãs ao longo do show e por todo Brasil. Foi uma oportunidade que nos ajudou muito. E para esclarecer, nunca pagamos para tocar, preferimos trabalhar e ensaiar.

Vicente – E agora, dia 22 de Novembro, vocês estarão participando de outro grande evento, abrindo para o Metal All Stars. Qual a expectativa?

Henrique Pucci – Temos consciência da grandiosidade do evento, estaremos lado a lado de nossos ídolos, tocando junto, zuando junto, &*^@^* junto… Admirando, trocando muitas experiências e mostrando toda força do Brasil, mas sem pagar pau (risos)

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

Korzus: Ícone, medalhão, representante do Metal Brasileiro, passaram por quase toda a história do metal brasileiro, umas das bandas que mais devem ter tocado no Brasil, imagina quantas histórias pra contar os caras não tem, e ai vem em 2014 e lança um álbum pra chutar todas as bundas, muito foda, caras true…

Slayer: Uma religião, quem pode falar mal do Slayer? Acho q só o dave Lombardo kkk… Sonoridade integrada em todos os anos de vida, uma das minhas bandas mais ouvidas, dormi praticamente todas as noites de quando estava na oitava série ouvindo Decade of Agression, e imaginando como deveria ter sido esse show.

Slipknot: um tapa na cara, símbolo de uma mudança no Metal, quase a criação de mais um gênero, “New Death metal” mesmo eu odiando rótulos, mas muitas vezes necessários, levaram o metal na época a um passo adiante, tanto, que conquistaram fãs bem novos.

Sepultura: Nosso orgulho nacional, em tours pela Europa éramos respeitados como músicos de peso, em grande parte pela existência do Sepultura, ajudou a colocar o Brasil no mapa do cenário mundial do Metal, Chegaram a ser a maior banda de Metal do mundo. Desde que conheci Sepultura, sempre ouço, álbuns clássicos, muita musica boa. Agradeço o Sepultura por ter existido.

Pantera: Único. Dimebag, gênio, quem foi no show do Pantera no Olympia sabe, um dos melhores shows da minha vida. Salvou o Metal, junto com algumas outras poucas bandas, na época negra para o Metal, a era grunge.

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho do Project46 e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam no Rock e Metal nacional.

Henrique Pucci – Obrigado por todo apoio que vocês fãs, mídia, e amigos, e bandas amigas, juntos fazemos o metal bem mais forte, se aprofundem, procurem informação, não aceitem que te digam o que você tem que ouvir, tem muito trabalho bom no meio de trabalhos ruins, apareçam nos shows, façam parte da sua cena, contribua, é muito valioso para todos nós.

Grato

Maiores informações sobre o show do Metal All Stars: https://www.facebook.com/metalallstarsbrasil

 

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