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Michael Bahr (Vocal/Baixo), Marcos Camillo (Guitarra) e Maggot (Bateria). Esse é o trio que forma uma das bandas mais interessantes vinda do Paraná. Um trio cuja sonoridade remete imediatamente à bandas clássicas como Deep Purple, Metallica e Lynyrd Skynyrd. Uma fusão que pode até soar estranha a principio, mas após conhecer a música do BraveHeart fica muito clara. E para falar sobre a carreira da banda, realizei esta entrevista com eles. Confiram o que eles têm a dizer, e vejam ao final o clipe da música “Goodfellas”.

 

Vicente – Como vocês avaliam a trajetória do BraveHeart após mais de duas décadas de existência? Como foi o começo da banda?

Michael Bahr – Tudo começou pela amizade. Dois amigos de natação (Michael Bahr e Ronaldo Bohlke) resolveram colocar o que ouviam em suas músicas, mesmo que ainda não sabiam tocar direito. Foi fundada a banda em 1992, na cidade de Curitiba, com o nome: Black Aposteme, contendo também mais dois amigos, os irmãos Andre e Alexandre Rech. Na época, eu, Michael (vocalista e baixista do BraveHeart) era apenas baterista da banda, enquanto Ronaldo era o vocalista e guitarrista base. Era uma desgraça só (risos) mas sempre muito divertido. Toda banda no início se diverte muito, alguns perdem a vontade de tocar, porque cansam daquela mesmice, e outros continuam. A banda em 1994 acabou ficando apenas comigo e Ronaldo. Nesta época, fizemos muitas demo-tapes, feitas em casa mesmo, num estúdio improvisado na casa dos meus pais.

“Tentávamos vender as fitas, que era uma ‘chiadeira’ só, afinal gravávamos de uma fita para outra, sempre um novo instrumento, então imagina o resultado final, mas uma coisa achava o máximo, eram sempre músicas próprias”

“No final de 1998, foi decidido mudar o nome da banda, pois muitas pessoas não acreditam naquilo que estávamos fazendo, e gostaríamos de provar que poderíamos dar certo, então surgiu o nome BraveHeart. A inspiração veio do filme de 1993, de Mel Gibson. Ao contrário do que muitos pensavam no final da década de 90, o nome não era para fazer alusão a possíveis bandas de metal melódico que adoravam usar os temas medievais em suas músicas, e sim pela atitude demonstrada pelos personagens no filme, que homenageia o herói escocês.”

A banda contava então nesta época, comigo, Michael Bahr (vocal/baixo/bateria) e Ronaldo Bohlke (guitarra). Era o momento de conter um terceiro elemento, e foi chamado para as baquetas Bruno Novak. Em 2000 foi gravado o primeiro EP em mídia digital da banda, “Hiding Place”, e o trabalho foi divulgado em várias revistas, sites pelo mundo, levando-nos a abrir o show do Savatage em 2001.

Infelizmente, por problemas pessoais, Ronaldo teve que deixar o sonho pra trás em 2002, e a trajetória destes últimos 12 anos foi de pura paixão minha, que já contou com várias formações deste trio. Atualmente, a formação sólida dos dois últimos anos, trouxe uma renovada aos ânimos da banda, com Maicon “Maggot” Jhonny na bateria desde 2010, e Marcos Camillo da Silva desde 2012, desde então foram lançados singles, coletâneas, camisetas, bravegirls, videoclipes e algumas premiações.

Vicente – Vocês acabam de soltar a música “Goodfellas”. Conte-nos como foi a composição dela?

Maggot – “GoodFellas nasceu em uma jam no final de 2012 mais ou menos. Sempre temos uma momento no ensaio para as famosas jams, e dali sempre sai algo. Precisamos gravar no celular para não esquecermos o que vamos tocar.”

Marcos Camillo – “No início, como não havia letras, apenas a chamávamos de “ZZ Top”, pois achávamos o riff inicial com uma pegada Billy Gibbons. Apenas quando fomos gravar em abril/maio de 2013 que Michael colocou a letra que existe hoje, dando também o nome da música”.

Michael Bahr – “Tudo começa basicamente pelas mãos do Marcos. Ele trás um riff, ou do nada surgi um naquele momento, e começamos a tocar.”

Vicente – Como foi a gravação do clipe para esta música? Foi desgastante como muitas vezes é uma gravação de um vídeo, ou levaram tudo numa boa e curtiram fazer esta gravação? Pois o resultado final foi excelente…

Michael Bahr – “Uma das minhas paixões é o cinema. Sou professor universitário na área, e há muito tempo, meus alunos me questionavam porque eu não tinha videoclipes para o Brave. Pois é, algo faltava, e acredito que a união desta formação, me fez encarar este desafio, e os resultados considero excelentes. Começamos com Cold Mind, lançada na metade de 2013, que é o nosso primeiro videoclipe, que também introduz a história nesta trilogia que estamos criando. O processo para GoodFellas foi intenso. Desde Janeiro de 2014 estávamos em busca do local para nossa continuação da trilogia. Ao criarmos a nossa campanha das bravegirls, conhecemos um local muito bonito aqui no Paraná, que nos dava a sensação de não estarmos no Brasil. Então estava decidido que as gravações seriam feitas na colônia WitMarsum, que fica uns 50km de Curitiba. A partir deste instante, começamos a bolar o roteiro da história, que já nos dava alguns norteamentos, pelo que já havíamos pensando em Cold Mind. Então seria a hora de contar porque James (personagem de Cold Mind) estava tão atordoado com a carta que recebeu. A carta seria da Sally, a namorada que descobriu que James estava sendo ameaçado por Rodriguez em uma emboscada sem saída. Para isso, ela vai juntamente com suas amigas bolar algum plano para tirar Rodriguez da jogada, mesmo que isso faça ela ter que sumir da vida de James.

Toda gravação é desgastante, tanto para direção, quanto para os atores. Não tínhamos muito tempo, pois contávamos com a boa vontade do nosso amigo Kowalski (dono do camaro 73) e teríamos que gravar tudo em um dia. Começamos as gravações as 06:00 da manhã de um Domingo, e fizemos todo o desenrolar da história com o carro até o final do dia, perto das 19:30Hrs. Depois tivemos outras cenas, que não dependiam do camaro, que foram agendadas para outras datas, além do estúdio que fizemos na casa da Suzy Curti (que atuou no papel de Sally), onde utilizamos o chromakey que seria fundamental para a estética do videoclipe. Queria fazer algo fora dos padrões do mercado de videoclipe, e minha inspiração nestes últimos anos tem sido os seriados norte-americanos. No total, estas gravações duraram 2 meses, pois era difícil achar os horários que todos os envolvidos poderiam estar presentes. A próxima etapa era a edição, e aí a coisa deu trabalho, até um computador novo precisei comprar, por que os efeitos ficaram muito pesados para a máquina que eu tinha, mas gostei bastante do resultado.

“Agora vamos para o final desta trilogia, que será da música ‘it could be right’, que mostrará o futuro destes dois personagens.”

Vicente – E vocês também fizeram um vídeo este ano para a faixa “Old House”, certo? Conte-nos um pouco sobre esse novo clipe.

Michael Bahr – “Em Janeiro de 2014, após o festival da rádio Mundo Livre aqui de Curitiba, onde ficamos em 3º lugar no geral de todos os gêneros musicais, aproveitei para pegar as imagens do nosso show, e resolvi fazer um videoclipe para uma música antiga da banda, a ‘Old House’ (do EP This house in my head, de 2006) e na época, quando criamos a letra, ela foi inspirada num dos filmes que havia realmente gostado que era ‘Os Outros’, acabei fazendo algumas modificações nas imagens e mesclei com as imagens do nosso show ao vivo.”

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Vicente – E o lançamento da coletânea da banda? Como surgiu a ideia de lançar um resumo de todos estes anos do BraveHeart?

Michael Bahr – “Estávamos querendo ter um material para lançar para o mundo, e colocar nas mídias como iTunes, Amazon e Spotify, e como estávamos fazendo apenas single’s em 2013, resolvemos pegar as músicas mais vibrantes nos shows, e fizemos uma coletânea da fase digital da banda. Então você encontra músicas de 2002/ 2006 e as de 2013.”

Vicente – E os objetivos da banda para o futuro próximo? Existe a possibilidade da banda fazer uma tour pelos Eua?

Maggot – “Atualmente estamos com uma agenda bem interessante para o final deste ano. Estamos novamente no festival Mundo Livre, onde este ano a final acontecerá juntamente com o Deep Purple, esperamos estar na final novamente, e ficar ao lado destes ícones do Rock. Também temos alguns outros festivais como o Curitiba Underground e a participação da feira de motociclismo aqui em Curitiba. Para fechar o ano, tivemos uma grande notícia, fomos escolhidos para ser a banda de abertura do Sepultura aqui em Curitiba no começo de Dezembro. Eu particularmente estou eufórico, comecei a tocar bateria por causa do Sepultura, e agora poderei estar ao lado da banda brasileira mais importante do nosso cenário do metal!”

Marcos Camillo – “Estamos nos programando a um tempo já para ir pra fora, e finalmente acho que estamos chegando ao caminho correto para nossa primeira mini-tour pelos EUA. A nossa ideia é mostrar nosso som nos estados do Texas e Califórnia no outono dos americanos, em Outubro de 2015.”

Vicente – Muito se fala sobre os diversos problemas da cena Rock/Metal no Brasil. Qual avaliação que vocês fazem da mesma, acreditam que ela melhorou, piorou ou está estagnada?

Michael Bahr – “Estamos vivendo um momento interessante para as bandas autorais. Nem vou entrar no quesito bandas covers, porque isto já se desgastou. As bandas de som próprio pararam de choramingar por bares, e começaram a se coçar para se destacar de outra forma no cenário underground. Muitas bandas aqui de Curitiba, por exemplo, estão tentando fazer coisas novas, diferentes, ‘sair da casinha’ para tentar mostrar o som de uma forma que outras culturas valorizem o trabalho que fazemos no nosso rock brasileiro, acho isto fantástico, ainda sonho com as pessoas no Brasil querendo conhecer bandas novas. Infelizmente, vai chegar um momento onde todas as bandas clássicas irão morrer, e espero que os ouvintes queiram buscar novas fontes para suas lamentações, alegrias, etc.”

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

Savatage: Harmoniosos.

Metallica: Mestres

Deep Purple: Ícônicos

Lynyrd Skynyrd: Insuperáveis

Motorhead: Deus

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho do BraveHeart e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam no Rock/Metal nacional.

Michael Bahr – “Chamamos as pessoas que se identificam com nosso som como: Família BraveHeart. Estão todos convidados a fazer parte desta família, nos acompanhando por shows, ou ouvindo nossas músicas, comprando nossos souvenirs, ou simplesmente acompanhando nosso trabalho pelas mídias sociais. É incrível esta experiência de criar uma música e as pessoas que você não conhece cantar e querer olhar em seus olhos, isto é impagável. A identificação é algo mágico. Obrigado por vocês também em acreditarem no nosso trabalho, Vicente e CIA , thank you so much!”