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Nunca um nome surgiu de maneira tão singular e, ao mesmo tempo, encaixou-se tão bem a sonoridade de uma banda, pois o Electric Blues Explosion é verdadeiramente a explosão de um Blues elétrico, pesado, de técnica invejável e composições sólidas. E, para falar tudo sobre a banda e sua carreira, conduzi esta entrevista com o criador, vocalista e guitarrista Rodrigo Campagnolo, que fala também sobre suas influências, o tempo que passou tocando na Inglaterra e seus planos futuros. Confiram e, para aqueles que nunca ouviram, não deixem de ir atrás e conhecer o grande som do Electric Blues Explosion, pois vale a pena…

 

 

Vicente – Inicialmente, conte-nos como foi o começo da trajetória da Electric Blues Explosion?

 

Rodrigo Campagnolo – A Electric começou na verdade comigo tocando com trilhas, somente eu e minha guitarra, tocando algumas músicas de blues e blues/rock com o auxilio de backing tracks. Depois de alguns meses assim, eu resolvi convidar um baterista e um baixista para formarmos um trio e poder executar aquelas músicas como uma banda de verdade. Esse formato “trio” durou quase um ano. Vários músicos passaram pela banda ao longo desses oito anos. A Electric hoje está na sua sétima formação.

 

Vicente – Como foi nomear a banda, pois segundo você não foi algo exatamente bem planejado, certo?

 

Rodrigo Campagnolo – Ainda lá no início, antes de termos um nome, estávamos com nosso primeiro show marcado, e o dono do bar onde iríamos tocar, meu amigo, disse brincando: “poxa, vocês tocam blues, mas é mais pesado, podia ser algo como electric… blues…” e eu completei “… explosion” – e começamos a rir! Eu disse “não, não, vamos pensar em algo melhor que isso e te aviso”. Uma semana depois saiu no jornal sobre o show e lá estava o nome Electric Blues Explosion… Aí já era tarde (risos)… Acabou ficando… Mas acho que o nome acabou definindo muito bem o som que fazemos.

 

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Vicente – Vocês lançaram seu segundo disco “Strenght to Go On” no ano passado. Como foi a gravação do mesmo?

 

Rodrigo Campagnolo – Gravamos as baterias e alguns teclados num estúdio alugado. Guitarras e baixos foram gravados no meu home studio e demais teclados no home studio do tecladista. As vozes, violões, harmônicas e washboard, bem como a mixagem e a masterização foram no estúdio Digital Master, do meu amigo e parceiro de longa data em gravações, Juliano Boz.

 

Vicente – E a resposta que obtiveram dos fãs e da mídia especializada, foi à esperada?

 

Rodrigo Campagnolo – Foi muito mais do que o esperado. O trabalho vem nos dando um reconhecimento enorme na mídia especializada e o número de pessoas curtindo nosso trabalho e virando fãs da banda vem crescendo muito. Estou muito contente com tudo isso.

 

Vicente – “Strenght to Go On” traz, como habitual da banda, uma variação muito grande nas faixas, ainda que todas calcadas no Blues/Rock. Essa sempre foi a intenção do Electic Blues Explosion, não prender-se a uma única e simples fórmula?

 

Rodrigo Campagnolo – Eu nunca consegui compor músicas seguindo fórmulas, o que quer que essa palavra signifique. Componho música pelo prazer que isso me dá, e as composições são um espelho da minha alma e da alma dos integrantes da banda. Nossas influências são infinitas, então as possibilidades de criação também são. Temos uma direção e um estilo, mas o que acontece entre a primeira e a última nota não dá para prever até que a música esteja finalizada.

 

Vicente – Como foi a escolha do local e do repertório do DVD que acompanha “Strenght to Go On”? A qualidade do áudio e vídeo ficou muito boa, e ainda assim podemos considerar que foi um show intimista, certo?

 

Rodrigo Campagnolo – Quanto ao local, escolhemos por estar disponível na data que precisávamos. O set list do DVD tem as músicas do nosso primeiro cd e as do segundo – pelo menos a maioria delas. Divulgamos a gravação do DVD apenas para os amigos mais chegados, fãs e familiares. A sala de teatro que usamos para a gravação suporta até 220 pessoas sentadas, e eu queria que essas pessoas assistissem a gravação confortavelmente, para poderem apreciar as músicas e todas as nuances que eles oferecem. Diferente de um show num bar, por exemplo, onde o pessoal está de pé, fazendo festa e bebendo. Por isso considerei intimista, pois o público presente pôde captar uma boa performance da banda nos mínimos detalhes.

 

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Vicente – Além disso, vocês lançaram em 2011 o “Draw the Line”. Conte-nos um pouco sobre ele.

 

Rodrigo Campagnolo – Este foi nosso primeiro cd. Por mais ou menos um ano, vínhamos executando nos shows uma música própria – Draw The Line – a primeira composição que apresentei para a banda. Durante esse tempo, sempre que tocávamos essa música, pessoas nos procuravam pedindo de quem era, não imaginando que fosse nossa. Isso me fez perceber que estávamos maduros para tentarmos mais algumas composições. O CD foi gravado independente, de uma maneira bem simples e de certa forma às pressas, pois eu estava de viagem marcada para a Inglaterra e queria aproveitar para masterizar o CD lá. E deu certo. Quando retornei ao Brasil, prensamos o cd e fizemos o lançamento. Isso foi final de 2011.

 

Vicente – Vamos falar um pouco sobre sua passagem pelo LiveWire. Como foi essa experiência?

 

Rodrigo Campagnolo – LiveWire era a banda cover que meu amigo Fernando Costa tinha na Inglaterra. Eu passei quase um ano lá, tocando com eles. Fiz 58 shows, aproximadamente, por toda a Inglaterra. Conheci muitos músicos e muitas pessoas fantásticas, conheci outra cultura, pude ver alguns shows interessantes como, por exemplo, Joe Bonamassa (com quem tive o prazer de conversar após o show). Foi uma experiência maravilhosa que me fez crescer muito como músico e principalmente como pessoa. Muitas das músicas de “Strength To Go On” foram compostas enquanto eu estava lá.

 

Vicente – Estando lá fora, qual foi a principal diferença que percebeu no cenário musical inglês para o sempre complicado cenário nacional?

 

Rodrigo Campagnolo – Bom, pra começar, a valorização do músico. Somos tratados de uma maneira bem diferente daqui pelos donos das casas de shows, bares, contratantes e até mesmo o público. Fora isso, é mais ou menos igual – você tem que ralar, carregar seu equipamento, montar, desmontar. Poucas casas oferecem equipamento bom para a banda. O público, na noite, quer escutar cover… Nesse aspecto é igual aqui… Porém financeiramente lá é melhor. E claro, a principal diferença é que lá, pagode, sertanejo universitário, axé e funk tem um nome só – ROCK N’ ROLL!!!!!!!

Nas rádios é Queen, The Police, Whitesnake, Deep Purple, Foo Fighters, Ac/Dc, The Killers, Kings of Lion, Clapton, U2, Led Zeppelin, Gary Moore… só sonzeira!!!

 

Vicente – E os planos futuros da banda? Como está a agenda de shows da Electric Blues Explosion?

 

Rodrigo Campagnolo – No momento estamos passando, mais uma vez, por uma reformulação. Estamos sem tecladista pela primeira vez em anos, no formato trio novamente. Com o show adaptado para essa realidade, no momento acho que, tendo dois trabalhos de estúdio e um DVD, temos que ir pra estrada mostrar esse trabalho. Fazer o maior número de shows possível, levar nossa música para quem gosta. Temos muito palco pra tocar antes de pensarmos em novas composições e gravações. Adoro o palco. É ali que realmente nos realizamos, na frente do público, mostrando o que sabemos fazer de melhor, que é tocar ao vivo! Temos alguns shows agendados em Caxias nos próximos meses, alguns na região da serra e em novembro estaremos tocando no Mississippi Delta Blues Festival, o MDBF – maior festival de blues do sul do país, ao lado de várias atrações nacionais e internacionais. E adoraríamos tocar nos diversos festivais de blues que acontecem pelo Brasil durante todo o ano.

 

Vicente – Qual foi aquele artista ou banda que ouviu e te fizeram pensar “pronto, é isso que quero fazer da minha vida”?

 

Rodrigo Campagnolo – Eu poderia dizer Jimi Hendrix, Van Halen, Ac/Dc, Metallica e Yngwie Malmsteen (sim, Malmsteen!!).

 

Vicente – Em poucas palavras, o que acha dos seguintes guitarristas:

 

Gary Moore: foi o cara que me trouxe para o blues/rock. Quando vi Blues Alive pela primeira vez, deixei de lado a fritação desenfreada na guitarra e dei o primeiro passo para me tornar quem sou hoje como músico. Recomendo a todos os guitarristas.

 

Steve Vai: prefiro Joe Satriani, mas adoro Steve Vai! No Whitesnake ele foi fantástico e tenho todos os seus discos solos.

 

Jimmy Page: um dos inovadores de sua época.

 

Stevie Ray Vaughan: escutei a exaustão e escuto ainda hoje. Gostaria de tocar 10% do que ele tocava. Minha inspiração para timbre, composição, voz, guitarra… tudo! Gostaria de ter visto ao vivo.

 

Eric Clapton: Clapton is God. Ponto final.

 

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho da Electric Blues Explosion e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam na música feita em nosso país.

 

Rodrigo Campagnolo – A Electric não seria nada sem as pessoas que apreciam a boa música e que acreditam nos talentos nacionais. Se você conhece algum bar ou festival e gostaria que a Electric tocasse nele, entre em contato com a gente:

 

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Espero poder sempre fazer boas músicas para vocês. Keep rocki

n’!!!!!!

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