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Novas bandas “borbulham” a cada dia, mesmo num país tão caótico como o nosso, ainda mais com relação ao apoio à  cultura, seja ela da maneira que for. Mas são poucas que conseguem seu lugar ao sol, e menos ainda as que realmente têm algo a dizer, algo pelo qual batalhar. Demonstrando um senso de profissionalismo e discernimento acima do comum, os catarinenses do Kid Joe aos poucos começam a  marcar seu nome em todos os apaixonados pelo Rock n’ Roll. E para saber mais sobre a banda conversei com Daniel Ribeiro (Vocal e Guitarra), Thiago Freitas (Baixo), Cassio Nogueira (Guitarra) e Leonardo Godinho (Bateria), onde falam sobre sua carreira, os planos futuros e conclamando as pessoas à saírem da mesmice e irem a luta….

 

Vicente – Antes de tudo, como vocês consideram a trajetória da banda até este momento? Como foi o começo de tudo para o Kid Joe?

 

Daniel Ribeiro: Considero muito difícil. O Kid Joe é uma banda que tem se formatado pra ser uma banda profissional no mercado musical, competitiva e acessível, e isso dá um trabalho gigantesco… Sobre o começo de tudo, ele é agora, estamos engatinhando ainda no mercado musical, temos somente um EP lançado com 6 músicas e estamos compondo o nosso primeiro CD… Além disso, tem vídeo clipe sendo produzido, novo site, enfim, o trabalho não para nunca.

 

Thiago Freitas: Olha, considero difícil como todo início para toda e qualquer empresa. Grandes empresas funcionam muito bem geralmente por terem muitos profissionais, e super bem qualificados cada um em suas áreas. Como ainda não temos condição de termos tantos funcionários assim, tivemos que aprender pelo menos como começar a fazer tudo, e a partir dali conseguimos direcionar cada um dos 4 membros para a área em que mais se identificasse e assim começamos a esboçar o que queríamos e também o que buscaremos em parceiros quando as oportunidades chegarem.  Sobre como foi o começo, ainda estamos bem no começo… Em breve responderemos com mais propriedade…

 

Cássio Nogueira: Como em qualquer profissão que a pessoa queira ser bem sucedida, não é fácil. Tivemos que aprender muitas coisas novas pra suprir todas as necessidades da banda como uma empresa. Aprendemos e estamos aprendendo, mas apesar de muito trabalho duro, a gente se diverte muito, afinal de contas é o melhor trabalho do mundo.

 

Leonardo Godinho: Estamos crescendo e evoluindo juntos gradualmente, aprendendo a respeitar nossos limites e pensar somente em nosso objetivo. A estruturação da banda nunca é fácil; definir uma base forte para se desenvolver firme, evitando erros no futuro por erros básicos, é o inicio de tudo. Definir uma formação sólida para o Kid Joe também foi imprescindível.

 

 

Vicente – Vocês lançaram no ano passado o EP “Nossas Armas”. Como foi a gravação e a composição do mesmo?

 

Daniel: Pra nós foi um grande aprendizado. Entrar num estúdio profissional, com um produtor que além de muito competente comprou a nossa ideia e quis nos produzir, foi o momento que mais aprendi sobre música na vida. Conceitos de dinâmicas, tocar pra música, compor pra música e já compor pensando em como será produzido, deu um salto na qualidade das músicas que estamos compondo agora.

 

Thiago: Foi incrível. Nunca tinha participado de nenhuma gravação até então. Passamos dias vivendo o que líamos, o que conversávamos e conseguimos visualizar várias situações que simplesmente não são aprendidas na teoria. Respirar de fato o que se faz não traz resultado diferente do que conseguimos na gravação do EP. Hoje vemos o quanto evoluímos e pensamos em “n” formas de quem sabe ter feito algo diferente. Acho isso natural, mas, sempre que questionados, ou até mesmo quando escrevemos sobre o EP, temos certeza da tamanha verdade que vivemos o que cada letra em cada estrofe fala.

 

Cássio: Foi demais, pude aprender muito com o Alexandre Green (nosso produtor musical), William Farias (nosso produtor nas vocalizações) e Caio de Cápua(nosso produtor Artístico), detalhes de dinâmica, o porque de cada nota estar onde está e como ela deve soar, tocar pra música, criar arranjos que dê um suporte ao que a letra diz, dias de grande aprendizado e muita diversão.

 

Leonardo: Acredito que o EP Nossas Armas foi o resumo de um trabalho longo e pesado. No estúdio tínhamos que pensar no que as pessoas queriam ouvir e o que queríamos passar. Foi um trabalho árduo da pré-produção do EP até a gravação; chegamos a lapidar algumas coisas em estúdio também. Cuidamos muito para tudo ser muito claro e muito bem cuidado para entregar um trabalho de qualidade em um mercado onde a mediocridade toma conta.

 

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Vicente – E o retorno do pessoal, foi o imaginado por vocês?

 

Daniel: Acredito que o retorno foi o imaginado sim. Sabíamos bem das nossas limitações, e onde poderíamos chegar com um primeiro trabalho. O legal com isso foram as pessoas que conseguimos atingir, inclusive algumas que agora fazem parte da nossa equipe como nosso técnico de som o Vinicius, e a nossa  Taynara que cuida do nosso merchandising…

 

Thiago: Foi sim. Ouvimos muitas coisas boas para o nosso momento, ouvimos dicas construtivas da forma que conseguimos absorver e aceitá-las, e sempre que ouvimos alguém que ainda não conhecíamos falando do EP, sempre lembramos o quanto temos coisas legais que o dia a dia faz com que entrem na normalidade. Isso é ótimo por um ponto: não temos o perfil de se tocar com comentários lindos de se ler e parar de buscar aperfeiçoamento musical.

 

Cássio: Sim, o retorno das pessoas tem sido muito bom. Desde comentários legais, até os mais críticos, usamos sempre pra crescer e aperfeiçoar nosso trabalho. Mas o maior retorno que se pode ter é quando você faz um show de covers e o pessoal pede pra você tocar suas músicas e quando toca, eles vibram mais do que com os covers… Isso é indescritível.

 

Leonardo: O retorno ficou muito claro em todas as resenhas positivas sobre o EP. Esse EP abriu algumas portas que foram decisivas para a profissionalização do trabalho. Participamos de algumas entrevistas, fomos tocar em SP. O mais legal realmente foi poder ouvir nossos fãs cantando e pedindo as músicas do EP nos shows. Isso é muito gratificante e faz você saber que esta no caminho certo.

 

Vicente – “Nossas Armas” traz algumas faixas marcantes, como “Nossa Arma”, “Controle” e “Despertar”. Mas qual seria aquela música que você indicaria para aqueles que não conhecem a banda, aquela que resume com perfeição o que é o Kid Joe?

 

Daniel: Por mim, “Despertar”.

 

Thiago: Eu adoro o fato do EP ter de forma muito clara a característica de cada um muito presente em cada faixa, proporcionando assim que consigamos abraçar de forma muito mais completa e duradoura todos os nossos fãs. Eu fico com Controle.

 

Cássio: É bem difícil pra eu ter que escolher apenas uma música, acho todas demais e também acho que todas representam muito bem a banda, mas como aqui tenho que escolher uma eu fico com Política “Pensou que eu dormia, ou via tv, cadê o dinheiro, que eu dei pra você? Achou que eu não ia me manifesta? Não tente mais me roubar!!”

 

Leonardo: Todas as músicas do EP tem sua individualidade mesmo dentro de um contexto forte. Eu acho que a música que define o que o Kid Joe é, é a Nossa Arma. Ela convoca os fãs para se juntarem a causa e virem junto na batalha com a gente. “Levantar lanças e escudos, Guerreiro Alado, Nossa Arma é o Rock ‘n’ Roll.”

 

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Vicente – As letras em “Nossas Armas” são em sua grande maioria bem politizadas. Qual seria a principal mensagem que a banda gostaria de passar para o público?

 

Daniel: Nosso trabalho é sempre fundamentado na literatura. Buscamos informações em diversas publicações, livros, e onde quer que possamos pesquisar, pra poder formar uma opinião e mostrar isso pras pessoas. O que queremos é mostrar que existe um segundo caminho, que muitas vezes foi mascarado pra que a grande massa não veja, mas ele está lá, e pode ser o melhor caminho. Não existe livre arbítrio se você só tem uma opção!

 

Thiago: Olha, como falamos muito claramente sobre temas que normalmente se divulga que são temas não discutíveis, acho que o nosso principal ponto é: discussão não é brigar, e muitas vezes não optamos por caminhos que ninguém esta indo, pois todos se esquivam de serem os primeiros para puxar a fila… Bom, agora já tem primeiros da fila, quem vem com a gente?

 

Cássio: Socorrer, Alertar, Libertar as pessoas de um sistema de manipulação, onde elas, geralmente são levadas a acreditar e seguir tudo que é imposto pelas grandes mídias, sem uma segunda opção. Nós damos as pessoas está outra opção, a opção de pensar por si próprios e lutar suas próprias batalhas contra uma ditadura de manipulação mascarada.

 

Leonardo: Estamos constantemente nadando contra a correnteza, palestrando no deserto; estamos sempre lutando contra a verdade absoluta que é imposta para se controlar as massas. Nossa principal mensagem é despertar o olhar crítico das pessoas para duvidar e discutir tudo que esta acontecendo… Acordar nossas mentes e sairmos do piloto automático que acontece com a rotina de todos hoje.

 

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Vicente – E quais os futuros planos da banda?

 

Daniel: No momento, terminar a composição do nosso primeiro CD, que se chamará “Medo”, e abordará todos os tipos de medos que vivemos e principalmente os que nem sabemos que estamos vivendo, e também como o medo é usado pra nos manipular diariamente em tudo o que fazemos. Com esse CD, pretendemos atingir outro patamar de qualidade do nosso trabalho, e com isso chegar aonde ainda não chegamos como banda.

 

Thiago: Gravar nosso primeiro CD, intitulado MEDO. Por mais que toda a teoria do nosso trabalho esteja linda e muito sólida, somente com o produto que nossa empresa tem como carro chefe alcançaremos tudo o que almejamos: Música. Nossas forças estão voltadas para as composições deste novo trabalho e a partir delas colocar nossas ações já definidas até aqui em prática.

 

Cássio: O foco agora é o CD(MEDO) que estamos produzindo, vem em um novo patamar, com certeza crescemos muito desde a gravação do EP “Nossas Armas”, o pessoal pode esperar que vem muito peso por aí.

 

Leonardo: Estamos totalmente focados no nosso álbum “Medo”, estamos trabalhando mais e mais todos os dias para compor e lapidar as melhores músicas que irão compor esse trabalho. Agora com uma identidade musical definida, esse trabalho será bem mais maduro que o EP, mais pesado e mais coeso nas ideias literais também.

 

Vicente – Atualmente fala-se muito dos problemas do cenário nacional quanto ao Rock e Metal. Vocês consideram que a cena nacional realmente piorou, ou tudo é uma questão de ponto de vista, de fazer um trabalho sério e o mais profissional possível?

 

Daniel: Que cenário??? Rock e metal não tem cenário… Parece estranho dizer isso, mas até as bandas que acreditamos serem grandes, sofrem absurdos pra tocar por ai, tirando algumas que tem um método de trabalho mais profissional, com pessoas certas cuidando dos negócios da empresa, o resto toca em lugar ruim, por pagamento ruim, com som ruim… Queremos entre outras coisas, mudar o cenário também, apesar de sabermos que isso é bem mais complicado e pode demorar muito mais. Aqui na Grande Florianópolis, fazemos parte da NEMUS, que está justamente juntando músicos, bandas, produtores, estúdios e todos que tem alguma relação com o cenário musical da região, pra poder crescer juntos. Temos o apoio da AEMFLO de São José, que forma núcleos empresariais de diversos setores, e agora somos uns dos núcleos, com reuniões mensais e projetos em diversos setores.

 

Thiago: O cenário simplesmente virou teoria, mas, não podemos tirar a responsabilidade das bandas que estão sem o que oferecer, e não fazendo por merecer pelo que exigem. Acredito que somente quando as bandas se tocarem que o melhor para todos é o melhor para todos, o negócio começara a mudar. Ninguém lembra que está dentro da palavra todos…

 

Cássio: Hoje em dia não existe cenário, alguns vão dizer que existe sim, o que existe atualmente não pode ser considerado um cenário, ou até pode se for caótico. É triste dizer isso, mas chegou a isso também por descuido das próprias bandas, que na grande maioria, não levam a música a sério, acham que ser do rock é simplesmente ficar bêbado e tocar. Temos focado muito em profissionalismo e notamos que muitas casas de show se surpreendem com isso. O cenário só vai mudar, quando as bandas começarem a se valorizar e trabalhar com profissionalismo pra mudar o cenário que hoje é caótico para um cenário realmente profissional e rentável e fica a dica pros que dizem que música paga mal, tenho certeza que Metallica, Ac/Dc, Kiss, Iron Maiden, Barão Vermelho, Paralamas, Capital e muitos outros achem isso.

 

Leonardo: O Rock não é um som de massa, não tem apoio algum de revistas e mídias de massa. É muito difícil manter um mercado que não se tem um público considerável, ainda mais quando se faz um som onde não estamos ali para entreter as pessoas, estamos ali para balançar suas cabeças e fazer essas quererem mudar. Estamos trabalhando duro para criar e manter nosso público.

 

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Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

 

AC/DC:

Daniel: A própria definição de Rock ‘n’ Roll.

Thiago: Menos é mais! E o menos deles é mais que o mais de todo mundo… (risos)

Cássio: Rock ’n’ Roll, umas de minhas principais influências.

Leonardo: Tudo no lugar, Tudo combinando.

 

Motorhead:

Daniel: Peso!!! A prova de que não precisa ser bonito pra fazer sucesso na música. (risos)

Thiago: A palavra a esquerda do: na definição som pesado!!!

Cássio: Muito Volume uhulll! (risos)

Leonardo: Força, Rapidez e Fúria.

 

Rush:

Daniel: Virtuosidade e musicalidades perfeitos…

Thiago: PERFEITO!!! Minha principal influência.

Cássio: Demais a técnica e musicalidade deles.

Leonardo: Musicalidade e sentimento, a cada música uma viagem.

 

Barão Vermelho:

Daniel: Referência nacional.

Thiago: Referência nacional.

Cássio: Referência nacional.

Leonardo: Referência nacional.

 

Iron Maiden:

Daniel: Inquestionável… Uma de nossas influências.

Thiago: Não existe resultado diferente para trabalho duro.

Cássio: Seriedade e profissionalismo de ponta

Leonardo: Um espetáculo, uma empresa e grandes músicos.

 

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho da banda Kid Joe e apostam no Rock/Metal nacional.  

 

Daniel: Levantar lanças, escudos, guerreiros alados!!! Nossa arma é o rock ‘n’ roll!!! Contem com o Kid Joe pra dar a força psíquica necessária pra levantar da cama e mudar o mundo!

 

Thiago: Quando falamos ou fazemos algo diferente da grande maioria, também obtemos aceitação diferente da grande maioria. Não será fácil, mas, quanto mais gente a fim de seguir com o Kid Joe e sua ideologia, cada passo será mais duradouro e leve de se dar…

 

Cássio: Fiquem ligados nas novidades em nossas redes sociais e em breve nosso novo site, ouçam Kid Joe e cuidem-se, não se escondam mais, vamos lutar por nossos direitos e liberdade juntos ao Kid Joe, Levantar lanças e escudos, guerreiro alado… Nossa arma é o rock n roll

 

Leonardo: Muito obrigado a todos e aguardem que logo logo teremos novidades, site novo, clipe novo, músicas novas… Esse ano promete. Se juntem a luta… Nossa missão começou, olhem para nós e despertem.

 

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