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Uma das grandes bandas de Metal da Alemanha, ativos e com sucesso há mais de três décadas, e ainda lançando este ano “Return of the Ripper”, disco que vem sendo considerado um dos melhores da banda nestes últimos anos. E, para falar dessa fase da banda, do novo álbum e do cenário musical como um todo que realizei esta entrevista com o guitarrista Axel Ritt, que, sem “papas na língua” não tem receio de criticar duas bandas celebres na música, Judas Priest e Black Sabbath (nesse caso, mais especificamente Ozzy). Confiram…

 

Vicente – Depois de mais de três décadas na estrada, como você vê o atual momento do Grave Digger?

 

Axel Ritt – É impressionante. Tudo está se transformando, está cada vez melhor. Com o álbum atual, tivemos a melhor colocação nas paradas na história do Grave Digger, e a temporada de festivais está rolando muito bem também.

 

 

 

Vicente – Vocês lançaram este ano “Return of the Ripper”. Como foi a gravação e a composição deste álbum?

 

Axel Ritt – É o mesmo procedimento destes últimos 5 anos. Primeiro de tudo Jens e eu criamos os riffs. Eu mesmo, por exemplo, compus cerca de 70 riffs para o álbum. Então, os enviamos para Chris, que assim cria as letras e ideias das linhas vocais para os riffs mostrados. Após isso, nos encontramos no meu estúdio para fazer a pré-produção destes esboços e uma programação de bateria, feita por mim. Após os arranjos finais, a bateria eletrônica é substituída pela bateria de verdade, eu gravo as guitarras finais no Meadow Studios e o resto foi gravado no Principal Studios, na Alemanha.

 

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Vicente – E a reação dos fãs, ainda que muito cedo, tem sido como vocês esperavam?

 

Axel Ritt – Sim, nós só temos tido boas ou mesmo entusiasmadas reações. Não poderíamos esperar mais.

 

 

 

Vicente – O álbum tem músicas mais pesadas como “Funeral Hell” e “Killer Road Rage”, outras mais épicas como “War God” e, com certeza, canções clássicas de Grave Digger como “Grave Dessecrator”. Estas variações de sonoridade nas músicas foram feitas de propósito, para assim criar climas diferentes nas faixas?

 

Axel Ritt – Certamente que sim. Até porque, se fizéssemos apenas músicas de Power/Speed Metal, nós tornaríamos chatos após a quarta canção. Você tem que entreter as pessoas, e isso só pode ser feito com músicas de variadas sonoridades.

 

 

 

Vicente – As primeiras impressões aqui no Brasil de “Return of the Ripper” tem sido as melhores possíveis, talvez o melhor álbum da banda nos últimos 10 anos…

 

Axel Ritt – Obrigado, temos ouvido essas impressões em muitas resenhas, e isso foi exatamente a maneira que esperávamos que fosse ser. Colocamos tanto poder nas músicas quanto possível.

 

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Vicente – Qual é a principal diferença de “Return of the Ripper” para os outros álbuns do Grave Digger?

 

Axel Ritt – O álbum tem um nome diferente… É brincadeira (risos) Ele trouxe de volta a potencia e o peso dos primeiros dias, mas na linha mais forte que a banda já teve. Ele foi pensado para ser mais pesado, mais conciso.

 

 

 

 

Vicente – Como foi a sua entrada na banda em 2009?

 

Axel Ritt – Chris me ligou de sua casa de férias na Grécia e perguntou se eu poderia ajudar a apagar o incêndio na banda, porque o meu antecessor deixou a banda e havia alguns contratos por fazer. Os shows foram muito bons e, no final do ano, a banda me perguntou se eu gostaria de me tornar um membro permanente. A providência divina (risos)…

 

 

 

Vicente – Como é a cena na Alemanha com relação ao Rock e Metal?

 

Axel Ritt – Para ser honesto, não é mais difícil de estourar nos dias atuais, é impossível! A música está mais forte do que nunca com relação às nossas vidas, mas como um novato, você não pode ganhar dinheiro neste negócio mais, a maioria das bandas ainda estão perdendo dinheiro. A distribuição de música através do Spotify e Deezer, por exemplo, é ótimo para o cliente, mas um roubo legal para o artista. Quando você é um cara jovem, você pode viver esta vida, se for sozinho, por alguns anos, mas você nunca será capaz de alimentar uma família através da criação de suas próprias músicas em uma banda. Muito triste, mas é verdade, nós somos os últimos moicanos que são capazes de viver de sua música…

 

 

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Vicente – O que você sabe sobre o Rock e Metal feitos no Brasil?

 

Axel Ritt – Infelizmente, não muito, porque não conseguimos muita informação sobre o cenário da música brasileira aqui na Alemanha. Mas cada vez que tocamos em um dos festivais brasileiros, sempre tivemos um monte de bandas talentosas abrindo os shows.

 

 

 

Vicente – Em poucas palavras, o que você acha sobre essas bandas:

 

Black Sabbath: Na verdade, a pior performance ao vivo que eu já vi na minha vida. Você deve levar Ozzy para fora do palco até que ele seja capaz de cantar novamente ou, se ele não recuperar a sua voz, mantê-lo fora do palco. No momento não é se o seu desempenho tem sido bom ou ruim, é apenas o quão ruim ele está sendo. É uma vergonha para uma banda desse nível.

 

Saxon: Palmas para Biff, que é um dos últimos que ainda é capaz de cantar como ele fazia há décadas atrás. Ainda uma banda muito boa, eu nunca entendi por que eles não tiveram o mesmo sucesso que os outros protagonistas da NWOBHM.

 

Motorhead: O primeiro e único, há alguém no mundo que não conhece este homem? Os melhores votos para a melhora de sua saúde, mas estou com medo de que talvez tenha chegado a hora de pagar o preço por seu estilo de vida.

 

 

Accept: Um dos grandes nomes do heavy metal alemão. O baterista Stefan Schwarzmann e o ex-vocalista Udo Dirkschneider são bons amigos da banda, nos encontramos com eles várias vezes, durante a temporada de festivais…

 

Judas Priest: Houve o tempo em que eu era um grande fã do Judas, mas esses dias se foram, assim como a voz de Rob Halford. Seus shows ao vivo são mais para juntar dinheiro, fazendo isso com uma mentira para os fãs, dizendo-lhes que esta será a última turnê para atrair mais pessoas para o show e, em seguida, continuar a trabalhar como se nada tivesse sido dito…

 

 

 

Vicente – Finalmente, por favor, deixe uma mensagem para todos os brasileiros que curtem e querem saber muito mais sobre o som do Grave Digger

 

Axel Ritt – Esperamos vê-los em um de nossos próximos shows! Venha ver a banda, que com certeza você não se arrependerá!

 

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