Uganga

Após um longo, longo e incontável tempo sem acesso a internet (mais uma maravilha dos provedores de acesso do nosso país) finalmente estou de volta com as matérias. Apesar de ter ficado tudo acumulado, e com isso irei levar um tempo considerável para arrumar tudo, aos poucos vão começar a pintar entrevistas e resenhas normalmente por aqui.

 

Começando hoje com uma das bandas mais interessantes surgidas no Brasil nestas últimas duas décadas. 20 anos de batalha em prol da música que, como mesmo citam, ainda está longe de terminar. O Uganga é formado por Manu “Joker” (vocal), Christian Franco (guitarra), Thiago Soraggi (guitarra), Raphael “Ras” Franco (baixo e vocal) e Marco Henriques (bateria e vocal), e aqui Manu “Joker” fala sobre o trabalho da banda, seu passado e o que o futuro reserva para uma banda que demonstra, mesmo com todas as dificuldades, que continua a crescer aqui e lá fora…

 

 

Vicente – E já se vão 20 anos de banda, numa batalha pela música que não tem fim. Qual o balanço que fazem da trajetória da Uganga?

Manu “Joker”: Acho que foram anos muito divertidos, com alguns percalços, muito trabalho duro, mas na maior parte do tempo foi uma viagem muito boa, e muito louca também (risos). É uma vida cara!  Vinte anos não é brinquedo… Na verdade ESTÁ SENDO uma viagem, não vejo o Uganga parando num futuro próximo.

 

Uganga_Eurocaos_Pequena

Vicente – Vocês lançaram este ano seu primeiro disco ao vivo, “Eurocaos ao Vivo”. Qual tem sido a reação do publico e da mídia ao disco?

Manu “Joker”: As resenhas foram surpreendentes! Sinceramente foram além do que esperávamos, mesmo sabendo que tínhamos um bom material em mãos. Pensei que o fato de ser algo extremamente cru e sem overdubs pudesse desagradar alguns, mas foi o contrário! Tivemos somente notas altas, tanto aqui quanto no exterior. Mas o principal é que a resposta dos fãs também está muito boa. Segundo o pessoal da Sapólio Radio (selo que lançou “Eurocaos Ao Vivo” no Brasil  em parceria  com a Incêndio Shop)  nosso cd está vendendo muito bem, assim como nos shows.

 

Vicente – Por que o lançamento de um disco ao vivo nessa etapa da carreira da Uganga? E a escolha da apresentação na Alemanha, no Razorblade Festival, algum motivo especial para a escolha desse show em particular?

Manu “Joker”: A oportunidade de lançar esse álbum ao vivo nos foi oferecida quando da nossa primeira tour pela Europa em 2010. Conseguimos uma boa gravação praticamente de graça com o pessoal do Razorblade Festival, só precisamos pagar o técnico. Ter sido nesse show foi ótimo, pois tocamos para um público bem participativo  e isso ajudou o material a soar ainda melhor. Os selos animaram-se a lançar e organizamos todo o material juntamente com o Vulcano do Hellish War. Sentimos que faltava mais alguma coisa, já que o set list do show priorizava nosso álbum de estúdio mais recente (Vol.03: Caos Carma Conceito),  por isso colocamos as faixas bônus e os vídeos. Levando em conta que também investimos bastante na parte gráfica, acho que o resultado final ficou bem interessante.

 

Vicente – Como foi a seleção do repertório, visto todo o tempo de estrada da banda e seus três discos já lançados.

Manu “Joker”: Se soubéssemos previamente que o álbum seria lançado, talvez tivéssemos tocado material mais antigo, mas fomos pra primeira tour gringa promover o “Vol.03”,  que havia saído por lá via Metal Soldiers Records (Portugal), esse foi o foco e as faixas daquele disco foram as que priorizamos. Só depois decidimos que esse show sairia num álbum completo e não como bônus de outro lançamento ou algo do tipo, mas ai já era tarde. Pra falar a verdade, esse foi um dos fatores que nos fez colocar mais faixas bônus no “Eurocaos”.

 

Vicente – “Eurocaos” traz alguns bônus interessantes, como por exemplo, a execução de Troops of Doom (Sepultura) e Nightmare (Sarcófago), gravadas em Portugal. Conte-nos um pouco sobre como foi executar estes dois clássicos do Metal nacional.

Manu “Joker”: O show de Portugal foi gravado pelo Fernando da Metal Soldiers Records e oferecido à banda. Gostamos da captação e como o repertório era parecido, aproveitamos somente os covers que lá foram dois, já que o pessoal do selo pediu alguma coisa do Sarcófago. Fizemos nossa versão de “Troops Of Doom” que costumamos tocar nos shows do Uganga e colocamos “Nightmare” também, pois é uma faixa que tem a ver com minha história na banda. Fizemos uma versão menor e na segunda parte fui pra batera e meu irmão cantou. Isso rolou em outros shows como no Roça’N’Roll em Varginha/MG, mas não estamos fazendo mais. Foi algo legal de ter feito, ainda mais se levarmos em conta a rivalidade entre as duas bandas, algo que nunca dei a mínima, diga-se de passagem. Por sorte ainda tínhamos gravado  músicas para tributos ao Stress e Pastel De Miolos e colocamos duas vinhetas que é algo já tradicional em se tratando de Uganga. Pronto, tínhamos um belo material em mãos!

Uganga 2013_Low

Vicente – Seu último disco de inéditas, “Vol. 3: Caos Carma Conceito” foi lançado em 2009. Após todo esse tempo, como vocês vêem este álbum, e se tem algo nele que gostariam de ter feito diferente?

Manu “Joker”: Eu nunca fico 100% satisfeito com os álbuns que gravo, mas ao mesmo tempo não mudaria nada, pois todos são reflexos da fase em que foram gravados, da formação em questão, etc. Acho “Vol.03” um disco muito bom, que nos abriu muitas portas e mostrou a cara desse line-up, mas prefiro focar no próximo disco que já está inclusive gravado.

 

Vicente – Então quando teremos um novo disco da Uganga, e qual acreditam ser as principais diferenças e similaridades dos trabalhos anteriores da banda?

Manu “Joker”: Como disse, o disco já está gravado e se chama “Opressor”. A previsão de lançamento é para o primeiro semestre de 2014, mas ainda não posso dar mais detalhes sobre isso. Vamos continuar trabalhando em parceria com a Sapólio Radio, mas nesse álbum teremos um reforço de outro selo que logo iremos anunciar. A Incêndio Shop agora cuida exclusivamente do merchandise da banda. Falar que esse será nosso melhor álbum é clichê, mas também é a mais pura verdade (risos). O estilo do Uganga está lá, mas ao mesmo tempo indo além. Definitivamente olhamos pra frente, valorizando o passado, mas sempre em frente.

 

Vicente – Muito se fala sobre os diversos problemas da cena Metal no Brasil. Qual avaliação que vocês fazem da mesma, visto o longo tempo que a banda já tem de estrada? Acreditam que ela melhorou, piorou ou está estagnada?

Manu “Joker”: Toda época terá suas facilidades e suas dificuldades, mudam os tempos, mas tocar em bandas pesadas continua sendo pra quem agüenta e não pra quem quer. Nós procuramos tocar bastante ao vivo, focar no profissionalismo e lançar produtos de qualidade que agradem nosso público, mas antes disso nos agrade também. Por outro lado mantemos tudo de maneira leve e divertida, pois pode ser extremamente frustrante tocar ao lado de quem você não gosta somente por obrigação.

 

European Tour 2013 Official Poster_Low

Vicente – E quais são os principais objetivos daqui para frente? Como está a agenda de shows, vocês retornaram à Europa em 2013, certo?

Manu “Joker”: Nossa meta para o primeiro semestre é lançar o “Opressor”. Acreditamos muito nesse álbum e não vemos a hora de pegar a estrada para promovê-lo. A tour de 2013 foi foda e queremos  que 2014 seja ainda melhor. Também lançaremos um clipe para a faixa “Guerra” que abre o cd novo e um documentário sobre a tour européia de 2013, ambos feitos pelo Eddie Shumway, que já trabalhou com a banda em nossos outros vídeos e nos acompanhou no segundo rolê pela Europa filmando  tudo.  Em 2014 vamos focar no Brasil, em especial em lugares onde ainda não tocamos como as regiões  Nordeste, Norte e Sul, e talvez alguma coisa na América Latina. Temos bons contatos na Argentina e no Chile, boto fé que vai rolar. Em 2015 voltamos à Europa!

 

Vicente – Em poucas palavras, o que pensa sobre as seguintes bandas:

Pantera: Pantera reinou soberano nos anos 90! Eles mantiveram o metal no topo na época das vacas magras e criaram clássicos eternos do heavy metal. Phil Anselmo é um dos meus vocalistas preferidos e o que falar de Dimebag? Um mestre das 6 cordas!
Sepultura: Fui muito influenciado pela fase com Max e Igor e fico feliz em vê-los  ainda na ativa  mandando bem, mesmo com tantas críticas. Admiro essa atitude e achei o disco novo muito bom, o melhor dessa formação em minha opinião.
Anthrax: Uma das minhas bandas preferidas e uma influência forte no som do Uganga.  “Among The Living” é um clássico do metal, apesar de gostar mais do vocal do John Bush (risos).
Slayer: Integridade a toda prova! Apesar de não estar entre as minhas preferidas no thrash metal, sou fã desde o início. Meu álbum preferido é o “South Of Heaven”.
Sarcófago: Uma banda revolucionária. Sarcófago é uma referência quando se fala de metal mineiro no mundo todo, gostem ou não os detratores. Particularmente, representa uma fase da minha vida da qual me orgulho bastante.

 

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho da banda Uganga e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam na música nacional:

Manu “Joker”: Em nome do Uganga gostaria de agradecer a todos que nos apóiam, vão nos shows, compram nosso material,  divulgam nossa música e nos dão força para seguir em frente.  Quem quiser saber mais sobre a banda acesse: www.uganga.com.br. Nos vemos na estrada!

 

Mais informações:
www.uganga.com.br
www.twitter.com/uganga
www.myspace.com/uganga
www.youtube.com/ugangamg
www.facebook.com/ugangaband

 

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