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Músicas como “To Be With You”, “Addicted To That Rush”, “Wild World”,  entre tantas outras, faziam a cabeça nos anos noventa daqueles que apreciavam o Hard Rock classudo feito pelo quarteto americano Mr. Big, formado por músicos sempre respeitados pela técnica apurada que possuíam, trazendo uma classe extra ao som da banda. O tempo passou, modas vieram e se foram rapidamente, mas que infelizmente deixaram marcas em muitas das bandas do gênero, como fica bem evidente nesta entrevista. Mas o vocalista Eric Martin, com ou sem seus companheiros, continua apresentando músicas que se tornaram clássicas com o grupo e outras tantas de sua carreira solo. E ele estará “aportando” no Brasil agora em março para alguns shows. E sobre suas outras vindas ao Brasil, sua trajetória e suas maiores influências é que ele fala nessa rápida entrevista concedida.   

Vicente – Nos últimos anos, você criou um real relacionamento com o Brasil, fazendo grandes shows aqui. Qual é a sua melhor lembrança dos eventos anteriores por aqui?

Eric Martin – O show do Mr. BIG na praia de Santos, em São Paulo foi, provavelmente, o maior concerto que já fizemos em nossas vidas. Havia 10.000 fãs em uma noite quente, com apenas a lua cheia para iluminar todos nós. Meus fãs brasileiros ainda falam sobre aquela noite mágica. Além disso, teve um no Blackmore em São Paulo com a minha banda solo “The Road Vultures”, completamente lotado, quente como o inferno, sem ar-condicionado e quase desmaiei de exaustão pelo calor… Mas de alguma forma a multidão me trouxe de volta à vida e nós detonamos naquela noite juntos.

Vicente – O que você espera desses novos shows aqui, juntamente com Jeff Scott Soto em março? E o que os fãs daqui podem esperar de Eric Martin?

Eric Martin – Jeff e eu somos grandes amigos, uma alma gêmea, quase como irmãos. Trabalhamos bem juntos.. A julgar pelo punhado de show que temos feito, parece que temos o mesmo tipo de multidão; que amam a diversão, enérgica, os fãs maníacos pelo Rock. Digo isso como algo muito bom. Eu tenho certeza que vamos trabalhar em algumas músicas para tocar juntos em um poderoso bis.

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Vicente – Você lançou em 2012 “Mr. Rock Vocalist”. Como se deu a gravação e a composição deste álbum?

Eric Martin – Sim, eu sei que é muito estranho falar sobre um álbum em particular. Eu gostei da série Mr. Vocalist no começo, mas este último foi o mais difícil de fazer. Deixe-me explicar: os 3 primeiros cds eram canções populares cantadas por mulheres e que eu tinha que escrever as letras (com base no original) e cantá-las em minha própria interpretação. Os compositores (as) das músicas originais femininas concordaram para que eu fizesse qualquer coisa que eu queria. No álbum MRV foi como arrancar os dentes. Todos os compositores / editores / vocalistas me deram tal fudida dificuldade que levou todo o divertimento para longe… Tornou-se como um trabalho. Eu amei alguns dos guitarristas convidados no álbum como John 5 e Richie Kotzen, eu gostei de trabalhar com Marty Fredrickson (produtor do Aerosmith) de novo e algumas das músicas eram legais. Mas o meu parceiro de composições Andre’ Pessis e eu arrancamos os cabelos fazendo aquele álbum, a ponto de nunca querer fazer isso de novo. Ahhh, mas nunca diga nunca né? Eu ainda estou me sentindo um pouco amargo sobre isso.

Vicente – E a reação dos fãs foi como você esperava?

Eric Martin – Eu realmente não tinha nenhuma expectativa… Eu fiz a sessão de fotos para o álbum e no dia seguinte eu fui em direção a outra coisa e, ironicamente, nunca ouvi uma palavra sobre isso.

Vicente – Eu sei que você respondeu este tipo de perguntas tantas vezes ao longo destes anos, mas como você vê agora a sua trajetória no Mr. Big? Qual é a sua melhor e a pior lembrança da época?

Eric Martin – Os melhores tempos foram no início, quando estávamos apenas começando, tínhamos grandes sonhos e nós estávamos tão encantados com o que estávamos criando como músicos. Os piores momentos foram as mudanças musicais da metade dos anos 90 nos Estados Unidos. Grunge ou qualquer que seja a definição acabou com um monte de bandas e chutou alguns de nós ao meio-fio. Não foi nada bonito, as gravadoras grandes que nos amavam viraram as costas para nós… É tudo um negócio eu entendo. Mas eu acho que isso nos feriu como uma banda de irmãos…

Mr+Big+em6

Vicente – Em poucas palavras, o que você acha sobre esses vocalistas:

Robert Plant: ele canalizou toda aquela alma do blues, e uivou e lamentou a sua própria maneira especial. Cada cantor na minha cidade queria ser ele.

Steven Tyler: pirata, sem vergonha… O Imperador de Satanás. Eu amo esse cara.

Dio: Dio para mim foi um Paul Rodgers medieval, uma das grandes almas do nosso tempo.

Axl Rose: Eu não tenho nada para dizer aqui… Eu espero não perder fãs com isso, mas eu nunca consegui sentir nada. Embora fosse uma grande banda… Ei, eu sou da velha escola você sabe – Plant, Rodgers, Tyler, Redding…

Ian Gillan: Salve! Senhor Powerhouse

Vicente – Finalmente, por favor, deixe uma mensagem para todos os brasileiros que curtem toda a sua carreira

Eric Martin – Vocês são tudo se vocês gostam de toda a minha carreira (você sabe que eu amo vocês)… A verdade vos libertará. Eu sei que alguns de vocês pensaram que a minha decisão de cantar na série MRV, bem como a música tema de Power Rangers não era a melhor direção… Estou aqui para dizer-lhes que eu fiz isso para os meus fãs no Japão e os meus filhos precisavam de sapatos novos. Mas se você ama MR. BIG e meus discos solo, este ainda divertido maníaco (Este sentimento soa familiar) e servo do rock and roll gostaria de agradecer do fundo deste coração que ainda continua batendo.

Vejo vocês em breve garotos.