Alesana Promo (smaller)

Uma turnê no Brasil cancelada quase em cima da hora, o que impediu os fãs brasileiros de conferirem o atual momento da banda americana. E justamente sobre isso e muito mais que o vocal/guitarra/piano Shawn Milke fala nessa entrevista realizada em Janeiro. Com grande sucesso, principalmente lá fora, a banda pode sofrer um pouco com o “julgamente pela imagem”, mas quem conhece sabe que se trata de uma banda que cuida de todos os pormenores de sua carreira, com um cuidado ainda maior nas letras, o que complementa sua música de maneira eficiente, deixando de ser somente mais um na multidão, o que é difícil num mundo cada vez mais globalizado, onde tudo é mais do mesmo. Confiram e conheçam mais sobre o mundo de Alesana…

Vicente – Conte-nos um pouco sobre a trajetória da Alesana. Como foi o início da banda em 2004?

Shawn – Patrick e eu começamos a escrever música juntos em Baltimore, Maryland, em 2003. Nós decidimos que queríamos ir para o sul, para uma cidade que tivesse um pouco mais de cultura musical. Acabamos escolhendo Raleigh, Carolina do Norte. Após vários meses de composição que nós conhecemos Dennis e oficialmente foi formada Alesana. Foi pouco depois que Dennis e eu decidimos que queríamos ser uma banda baseada na literatura.

Vicente – Alesana iria tocar aqui no Brasil este mês (entrevista foi realizada em Janeiro), mas, infelizmente, este show foi cancelado. O que realmente aconteceu?

Shawn – Eu não sou de apontar o dedo, e certamente não irei difamar publicamente ninguém. Tudo foi reservado e estávamos prontos para ir. Com a permissão, anunciamos a turnê e, depois de muitas das coisas que foram prometidas (como quais as cidades que estaríamos tocando, os nossos planos de viagem, e nossas acomodações ao viajar tão longe de casa) foram de repente mudadas. As decisões que foram feitas estavam completamente fora de nossas mãos e não foi culpa nossa. Fizemos a nossa parte do contrato e, infelizmente, a outra parte não. Ainda mais triste é que a outra parte recorreu a mentiras para os nossos fãs quanto à razão pela qual tudo foi cancelado. É uma verdadeira vergonha e esperamos um dia ter a chance de ver os nossos fãs da América do Sul novamente.

Vicente – Seu último álbum foi ” A Place Where the Sun is Silent “. Como foi a gravação e a composição deste álbum?

Shawn – A Place Where the Sun is Silent foi algo muito divertido de fazer. É de longe o registro mais envolvente que já fizemos. A segunda parte da nossa trilogia Annabel, trouxemos um quarteto de cordas, coros, e pessoas para ler trechos em italiano. Nós colocamos no registro uma grande quantidade de piano e faixas de interlúdio. A idéia era fazer com que o disco se tornasse uma experiência completa. É como a música realmente costumava ser, e deveria sempre ser, e estamos tentando fazer a nossa parte para preservar a idéia de “álbum”. Isso foi uma grande parte da razão pela qual se optou por dividir o disco em dois atos, semelhante ao lado A e B de um disco de vinil.

Vicente – E a reação dos fãs foi como vocês esperavam?

Shawn – Tivemos reações mistas para APWTSIS. Nossos fãs de longa data entenderam de verdade o que estávamos tentando fazer, enquanto outros pareceram um pouco perdidos, pela natureza mais grandiosa do disco. Somos uma banda que acredita que cada álbum deve ser uma experiência nova, um amadurecimento de nossa composição, um crescimento de nossas histórias, e um avanço de nós mesmos como artistas. Alguns fãs só querem que você escreva o mesmo disco todas as vezes, mas nunca vamos fazer isso. Estamos igualmente e, separadamente, orgulhosos de todos os pedaços de arte e música que criamos. A idéia para nós é continuar pressionando e criando coisas novas e excitantes.

APWTSIS

Vicente – A capa de ” A Place Where the Sun is Silent ” é simplesmente fantástica. De quem foi a idéia?

Shawn – Obrigado. Um sujeito chamado Justin Reich fez a capa depois de uma sessão de brainstorming comigo e Dennis. Queríamos captar a beleza elaborada e o resumo deste capítulo em nossa história. Considerando que “The Emptiness” era atraente pela sua simplicidade, pelo menos em um sentido de amor e perda, APWTSIS é um pesadelo encarnado. Queríamos que a arte trouxesse uma sensação desconfortável e de tirar o fôlego ao mesmo tempo.

Vicente – As letras dos álbuns de Alesana são acima da média das outras bandas do estilo. Esta é a proposta desde o início do Alesana, fazer algo diferenciado?

Shawn – Como mencionei anteriormente, Dennis e eu tomamos a decisão muito cedo de sermos uma banda voltada para a literatura. Fazendo a alusão e recriando literatura clássica para escrever nossas próprias histórias era ao mesmo tempo assustador e emocionante. É muito divertido ser capaz de assumir o nosso amor de contar histórias e aplicar tudo isso a nossa música.

untitledVicente – Vocês lançaram em 24 de dezembro o single “Fátima Rusalka”. Conte-nos um pouco sobre esta canção.

Shawn – Fátima Rusalka é um Single único. É onde APWTSIS termina e onde a peça final para a trilogia começa, é uma espécie de um salto na linha do tempo e poderia ser um pouco confuso, se não para Fátima Rusalka. Basicamente, na próxima parte da história, aprendemos que tudo o que pensávamos foi entendido erroneamente e Fátima nos ajuda a chegar lá. Musicalmente, queríamos chocar os nossos fãs. Considerando que APWTSIS foi uma experiência global descontraída e abstrata, Fátima Rusalka é implacável. Queríamos uma música que quando termina você percebe que estava segurando a respiração por cerca de sete minutos.

Vicente – E quando os fãs de Alesana verão um novo álbum da banda?

Shawn – Temos um EP que sai dia 01 de abril chamado “The Decade EP”. Este disco nos traz, e também aos nossos fãs, uma pequena pausa de histórias fechadas e explora a nossa carreira como banda durante os últimos dez anos. Vamos discutir nossa jornada, nossos altos e baixos, a nossa arte, e a indústria da música como um todo. As músicas são muito mais rock and roll  e tem sido uma grande diversão fazê-lo. “The Decade EP” tem muita energia e esta coleção de canções tem algumas das minhas coisas favoritas que o Alesana já fez. Não tenha medo, a trilogia Annabel será concluída em breve e a espera valerá muito a pena.

Vicente – Em poucas palavras, o que você acha sobre essas bandas:

Asking Alexandria – Bons amigos nossos e estamos muito felizes de vê-los ter um sucesso tão incrível. Eu cantei em sua música “Hey There, Mr. Brooks” alguns anos atrás.

A Day To Remember – Costumávamos fazer uma turnê com esses caras o tempo todo, quando todos nós estávamos apenas começando nossas carreiras. Definitivamente feliz em ver o seu sucesso.

Dillinger Escape Plan – Brutal como o inferno. Há boas bandas e, em seguida, há bandas que são mestres de seu ofício. DEP é uma dessas.

Green Day – Quando eu era criança eu escutei Dookie tantas vezes que ele parou de funcionar e eu tive que ir comprar o disco novamente. Eu acho que isso quase resume o quanto eu amo Green Day.

My Chemical Romance – A coisa engraçada sobre essa banda é que a primeira coisa que sempre vem à minha mente quando penso neles é como costumávamos brincar sobre vestir camisas pretas e gravatas vermelhas em nosso vídeo para Ambrosia. Aparentemente, eles tinham feito algo muito similar. A camisa preta / gravata vermelha não era mesmo a nossa ideia e nós nunca tínhamos visto o vídeo antes de filmar Ambrosia. Engraçado como as coisas acontecem.

Vicente – Finalmente, por favor, deixe uma mensagem para todos os brasileiros que curtem o som do Alesana e querem saber muito mais sobre a sua música.

Shawn – Nossos fãs brasileiros são alguns dos maiores do mundo, e nós prometemos fazer tudo o que pudermos para voltar e tocar para vocês! Até então, lembre-se sempre: Primeiro, o vazio assombra você, você perde a cabeça em um lugar que só vemos em nossos pesadelos, um lugar onde o sol é silencioso. Agora… Estão prontos para viajar através do tempo?