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O Razor é outra daquelas bandas que dispensam apresentação para todos aqueles que curtem o Metal oriundo dos anos 80, mais especificamente o Thrash Metal. Vindos do Canada, da mesma época que outras clássicas bandas como Exciter, Anvil, Voivod apareciam por aquele país gelado ao norte dos Eua, o Razor, assim com as citadas anteriormente, sofreu com altos e baixos em sua carreira, mudanças de formação, problemas com gravadora, etc… Mas sem nunca desistir ou perder de vista o mais importante para eles, tocar e mostrar sua música para os fãs. Aqui o baixista e membro fundador da banda Mike Campagnolo fala sobre a carreira da banda, o que está por vir, sobre as diferenças da cena nos anos 80 e atualmente, e manda um recado para os fãs brasileiros.

 

Vicente – Em 2013 Razor está completando 30 anos de existência (a entrevista foi realizada ao final de Dezembro). Você podia imaginar, quando começou, estar todo esse tempo “detonando” pelo mundo?

Mike Campagnolo – Sim, certamente tem sido um longo tempo, mas você nos fez sentirmos velhos agora. 30 anos, isso é loucura!

A banda certamente tem tido altos e baixos em muitos aspectos, mas estamos sentindo uma onda renovada de energia e vamos continuar a perseverar em nome do thrash metal!

Os tempos eram tão incríveis no início, éramos apenas quatro crianças de uma pequena cidade canadense, mas podíamos sentir a onda de um novo metal como Slayer e Metallica ganhando força e nós estávamos tão animados por estarmos lá tentando forjar nosso próprio caminho e foi muito emocionante mesmo.

Estamos tão felizes de ter uma forte base de fãs e estamos orgulhosos de ainda sermos parte da cena do metal hoje em dia. Devemos tudo isso aos fãs e nosso amor pela música, com certeza!

 

Vicente – Seu último álbum foi “Decibels”, um grande disco de 1997, após mais de seis anos de “Open Hostility”. Como foi a composição e gravação deste álbum?

Mike Campagnolo – Houve um tempo entre “Open Hostility” e “Decibels” quando parecia que o Razor não ia fazer mais nada. A maioria dos caras começou a perseguir interesses pessoais e familiares e não colocavam muita fé no negócio da música para gravar outro álbum.

Dave escreveu continuamente novas músicas e, basicamente, tinha bastante música escrita para o lançamento de “Decibels”. Conversamos com Bob Reid e ele falou vagamente “passem-me as músicas e eu vou ver se consigo colocar algumas letras nelas.” Ele basicamente mudou sua opinião com o tempo, isso provocou um novo interesse em trazer a luz um novo álbum. Bob escreveu uma série de letras nesse álbum e reunimos tudo no estúdio e se tornou o álbum “Decibels”             que vocês conhecem. Isso fez a banda começar uma turnê em apoio ao lançamento do disco e ainda estamos aqui hoje.

 

GE DIGITAL CAMERAVicente – E quando os fãs vão poder ouvir um novo álbum do Razor? Tenho certeza de que um monte de caras anseia por um novo disco da banda.

Mike Campagnolo – Tenho certeza que você tem ouvido isso já faz um tempo, mas um novo álbum está em andamento.

Houve tantas provações e tribulações que afetaram a banda, problemas de saúde, problemas pessoais ou apenas um momento ruim, que nunca senti como sendo este o momento certo para lançar um álbum, mas isso vai acontecer e valerá à pena toda a espera! Queremos que ele seja matador, que irá explodir sua cabeça e não quero nada menos que isso!

Haverá um Live in Japan  saindo em um futuro próximo apresentando nossos shows ao vivo no Osaka True Thrash Festival em 2012, seguido por algum material novo depois disso!

 

Vicente – Depois de três álbuns clássicos (Executioner’s Song, Evil Invaders e Malicious Intent) a banda sofreu com muitos problemas com a Attic Records. Você acha que isso trouxe alguma influência na história do Razor nos anos seguintes?

Mike Campagnolo – Sim, com certeza. Razor foi pego na grande máquina das gravadoras e depois de muitas promessas não cumpridas pulamos fora e aprendemos a nadar em um mar diferente dos tubarões. O negócio da música é um animal diferente hoje do que era na época e isso meio que deixou um gosto ruim em nossas bocas. Nós pensamos em tentar o nosso próprio caminho, mas naquela época não havia um sistema de apoio para selos independentes, de distribuição fácil e estúdios caseiros como existem hoje. Havia apenas muitas “doninhas” tentando mudar você como um artista, e essas coisas que te fazem mais sábio, mais confiante e determinado a provar a todos e a si mesmo que você tem algo a dizer através de sua música. É uma das razões pelas quais o Razor ainda estar por ai hoje em dia, fomos determinados!

 

Vicente – Razor é uma das maiores e mais notáveis ​​bandas de Thrash / Speed ​​Metal no mundo, uma grande influência para muitas bandas novas. Quais são os seus maiores objetivos daqui para a frente, talvez algo que vocês ainda não tenham alcançado em todo esse tempo?

Mike Campagnolo – Bem, obrigado pelas amáveis ​​palavras!

Eu acho que é um grande motivador para o Razor ver todas essas bandas mais jovens e novas mantendo o espírito de Thrash Metal vivo. Isso nos motiva a sermos criativos de novas maneiras e nos dá um sentimento de realização, tanto pela criatividade e a longa duração que a nossa música já tem na cena. Neste ponto da nossa carreira o que queremos é tocar para os fãs e para satisfazer a nós mesmos, isso nos dá toda a satisfação que precisamos.

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Vicente – Depois de alguns anos em baixa, nos últimos anos o Thrash Metal vive um momento forte, com muitas bandas antigas voltando e outras aparecendo. Como você vê essa cena nos dias de hoje?

Mike Campagnolo – Acho que o Thrash/Rock/Metal vai ficar aqui por um tempo muito longo ainda. Sua popularidade pode decair ao longo dos anos, mas ele sempre volta pelo instinto animal em todos nós, de irritar autoridades, seus pais, vizinhos ou seja quem for. É uma chance de se soltar e esquecer todas as besteiras que vemos neste mundo cotidiano!

É ótimo ver um monte de bandas antigas que retornam, e a cena, embora mais diversificada e seletiva, está viva e bem!!

 

Vicente – Vocês já tocaram em muitos países no mundo, em todos esses anos. Você acha que esses dias são melhores ou piores para as bandas em geral e, especialmente, para o Razor?

Mike Campagnolo -Eu acho que tocar ao vivo, em muitos lugares como afirmei anteriormente, tornou-se algo mais seletivo, no sentido de que há tal variedade de bandas de Thrash Metal para se ver, seja  em um  local pequeno ou em um festival gigante como Wacken, onde há uma infinidade de bandas.

Se você buscar no Google os festivais de metal internacionais é impressionante ver quantos lugares existem para antigas e novas bandas, para dividir o palco e entreter  fãs insanos de Metal. Isso dá aos fãs a chance de ver bandas clássicas e novos talentos, por isso é uma situação em que todos ganham. Eu gosto de ver essas coisas!

 

Vicente – Como é a cena no Canadá com relação ao  Rock e Metal?

Mike Campagnolo – É certamente melhor do que nos velhos tempos dos anos 80. Os locais para tocar são em menor número e mais distante entre si, mas a aceitação por parte dos fãs é muito melhor para uma variedade de novos estilos. Temos alguns festivais como Heavy T.O e Calgary Metal Fest e a cena independente está viva e indo bem, mas não tanto quanto em lugares como Europa ou América do Sul.

 

Vicente – Em poucas palavras, o que você pensa sobre essas bandas:

Slayer: Foda, matador, uma das maiores bandas que tivemos o privilégio de tocar. RIP Jeff Hanneman!

Exciter: Heavy Metal Maniac ainda é um clássico!! Ainda Thrashing!

Rush: Primeira banda que eu vi, lendas canadenses! Anthem ainda detona!

Venom: Grande banda, caras legais. Para mim, o verdadeiro início do Black Metal!

Voivod: Caras incríveis, inovadores, um grande novo álbum!

 

Vicente – Finalmente, por favor, deixe uma mensagem para todos os brasileiros que realmente curtem o som do Razor.

Mike Campagnolo – Razor gostaria de agradecer a todos os fãs brasileiros por manterem o Razor vivo em seus corações todos estes anos e pelo apoio contínuo, e saibam vocês que estão em nossos corações e são a razão para mantermos tocando nossa música pelo mundo!!! Paz e Keep on Thrashing!!!

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