Foto4

Hoje em dia vemos uma verdadeira enxurrada de bandas surgindo a todo momento no Brasil, algumas completamente descartáveis, e outras que realmente demonstram personalidade para continuar sua trajetória. Felizmente a banda Andragonia faz parte do segundo grupo, apesar de sua existência ainda ser relativamente recente.  Nessa entrevista os integrantes Raphael Dantas (Vocal), Thiago Larenttes (guitarra), Cauê Leitão (guitarra), Toni Laet(baixo) e Alex Cristopher (Bateria) falam mais sobre a carreira da banda, os passos futuros da mesma e sobre a cena musical nacional. Confiram e preparem-se para a chegada do novo EP “The Challenger”…

 

Vicente – A banda iniciou suas atividades em 2007, qual a avaliação que fazem da carreira do Andragonia, como foi o inicio de tudo?

Toni Laet – o início de tudo foi como qualquer banda começando. Amigos se juntando pra fazer rock. Eu acompanhei muito o início da banda, gravei os primeiros vídeos do ANDRAGONIA ao vivo. E como toda a banda em início de carreira as coisas são difíceis de acontecer, galera da banda trabalhando em outras coisas como loja ou farmácia. Os shows que rolam são ou shows gratuitos ou baratos e a grana vai toda pro promotor do evento ou pro dono do bar…

De lá pra cá muita coisa mudou. Principalmente a mudança na cabeça dos músicos e staff da banda buscando a profissionalização. Afinal, ter banda é fazer um baita investimento. Nada é barato quando se tem a pretensão de fazer um bom som. Desde valor de instrumento musical, aulas de música, aluguel de estúdio pra ensaio e gravação… Até as luzes e equipamentos de monitoração de áudio em um show. Estamos sempre aprendendo algo novo para melhorar nosso trabalho.

Vicente – E qual o principal motivo para a escolha do nome Andragonia?

Cauê Leitão – Andragonia é a junção das palavras Andragogia (estudo do comportamento do ser humano adulto) com a palavra agonia, o nome surgiu de uma idéia de uma letra, onde o assunto era andragogia, e ai surgiu essa fusão com a palavra agonia, todos acharam muito legal e diferente, e acabou que se oficializou.

Foto2Vicente – Apesar de relativamente recente, a banda tem uma discografia respeitável, com dois discos completos, um EP e outro que estará saindo em 2014. Vocês gostam do estúdio, do processo de criação e gravação?

Thiago Larenttes – Sim, o estúdio sem duvida alguma é uma grande escola, desenvolvemos nossa musicalidade e temos a possibilidade de testar arranjos e efeitos a todo momento.

Vicente – Seu último disco completo de estúdio foi “Memories” (2012). Como foi a composição e gravação das músicas neste álbum?

Thiago Larenttes – Cada membro da banda veio com uma ideia, um riff ou um arranjo, e os instrumentais surgiram antes das letras, as letras foram surgindo como se fosse um diário do antigo vocalista, contava momentos conturbados e difíceis para ele na época, por isso temos algumas musicas mais densas nesse disco, para ousar um pouco, eu misturei algumas batidas Eletrônicas em algumas partes, que trouxe uma produção interessante para época.

Vicente – E a resposta do público e da mídia especializada, foi a esperada pela banda?

Thiago Larenttes – Sim, de cara lançamos o clipe do single “At My Side” na Mix TV, depois ganhamos destaque na rede de download pago, iTunes, foi bem interessante para época.

Vicente – E o inicio de 2014 será a apresentação do novo EP da banda, intitulado “The Challenger”. Quais seriam as principais diferenças dos lançamentos anteriores?

Cauê Leitão – Hoje a banda é bem diferente em todos os aspectos, acho que estamos na melhor fase do grupo, em termos de maturidade e profissionalismo, além de que todos os integrantes estão focados 100%. A diferença na cara é o novo vocal, onde tem uma característica mais agressiva e visceral. Além disso, o som vai soar mais pesado e moderno, estamos muito empolgados e felizes com essa nova fase do grupo, podem esperar que vai vir chumbo grosso em 2014!(Risos)

Vicente – A faixa-título tem alguns detalhes bem interessantes, como o inicio com ritmos mais orientais, mas que logoImage front tomam a forma de uma das músicas mais pesadas da banda. Conte-nos um pouco sobre a composição de “The Challenger”.

Cauê Leitão – A música partiu de uma idéia minha, que logo o Thiago comprou a idéia, e então começamos a trabalhar juntos, o Raphael chegou com a letra e algumas idéias de melodias vocais. Eu gosto muito desses climas árabes, indianos e orientais, acho que só agrega um valor musical muito interessante, e a proposta era soar o mais pesado possível, usamos a afinação “DROP C” com cordas 0.12, e essa mistura com o vocal agressivo conseguimos obter o resultado que desejávamos, ficamos realmente muito felizes com o resultado!

Vicente – A banda teve algumas mudanças de formação com o passar dos anos. Como vocês sentem a atual formação do Andragonia?

Toni Laet – Sim, pouca gente sabe que a banda era outra antes do álbum Secrets in the mirror. No início da banda eram 4 pessoas. Luke Gomes, Daniel de Sá, Yuri Boyadjian e Thiago Larenttes (esse último o único remanescente da formação original). A banda era boa, mas ficou melhor com a formação que gravou o Secrets in the Mirror. Ricardo DeStefano, Daniel de Sá, Rafael Melo, Yuri Boyadjian e Thiago Larenttes. Mas pouco antes do lançamento do disco o Rafael saiu da banda e entrou o Cauê Leitão. E assim ficou conhecida a formação considerada hoje CLÁSSICA do ANDRAGONIA, que gravou o disco MEMORIES em 2012. Eu já era muito fã do ANDRAGONIA antes, nesse instante então, deu muito orgulho dos meus amigos ali no palco, TV e internet.

Agora, eu inserido na banda, e com os novos companheiros Raphael Dantas e Alex Cristopher tenho que dizer que a formação atual vai provar o seu valor também, trabalhando muito como as outras o fizeram brilhantemente. Cada um que passou por aqui está registrado nessa história e sempre vamos lembra-los e fazer o possível pra dar continuidade nessa história de muito trabalho e reconhecimento. Sou tentado a dizer que apesar da banda já ter muita história e caminho percorrido, estamos só no começo… (It´s a long way to the top if you wanna rock n´ roll) …

Atualmente estamos muito empolgados com a ideia de fazer mais shows no Brasil e outros países da América do Sul e Europa. A ideia é ter muito trabalho.

Vicente – Atualmente fala-se muito dos problemas do cenário nacional quanto ao Rock e Metal. Vocês consideram que a cena nacional realmente piorou, ou tudo é uma questão de ponto de vista, de fazer um trabalho sério e o mais profissional possível? Como está a agenda de shows da banda?

Raphael Dantas – Bem, a cena metal realmente deu uma boa caída desde 2003 se não me engano, devido ao grande ciclo vicioso que se tornou o download gratuito dessas mídias no país, existem vários culpados, sejam os fãs acomodados em ter apenas uma pasta com a discografia da banda em MP3 no computador, seja também os CDs custando uma fortuna muitas vezes baseados em impostos que o governo enfia goela a baixo, onde um disco nacional deveria custar na faixa de R$ 25,00, por exemplo, vai de R$ 35,00 a R$ 40,00, ai fica mais complicado! Logo dificulta a vida dos fãs e dos músicos e até de quem vende nossos produtos, pois o faturamento é pequeno. E não vejo que a solução seja fazer trabalhos mais profissionais e etc… Pois tem bandas no nosso cenário que eu diria que não são só profissionais, diria que são hiper profissionais, o que realmente falta é retorno do publico, de comprar discos, camisetas, ir aos shows, ou seja, consumir o máximo possível da matéria prima das bandas, pois elas dependem disso pra seguir em frente e ter tempo maior pra se dedicar ao trabalho, e lançarem trabalhos cada vez melhores. Diferente da realidade de hoje onde fazemos milagres lançando trabalhos excelentes mesmo muitos de nós tendo que ter um segundo trabalho pra garantir pagamento de contas e sustento da família, só um pouco de conscientização consertaria esse problema. Quanto à agenda de shows estamos preparando um set-list muito energizado para desferi-lo na plateia no começo de 2014! Sem contar que estamos projetando uma tour Europeia para o mesmo ano!

Vicente – Qual a sua maior influência, aquele que o levou a querer ser um músico?

Raphael Dantas – Bom, lembro-me de uma história bacana pra contar, lembro que uma vez eu estava em casa ouvindo algumas coletâneas de metal, onde tinha muitas bandas nacionais e internacionais, e um amigo meu tinha me dado uma coletânea em CD de uma revista chamada Planet Metal se não me engano, era a edição 7 que tinha uma música que entrou com muita força no meu subconsciente e não saiu até hoje! Que era a musica “Scream Of People” do primeiro disco do Symbols, cara! Eu enlouqueci ouvindo aquilo, era maravilhosa aquela quantidade de timbres que os irmãos Falaschi executaram naquela gravação, sem contar que as vozes deles juntas em harmonizações é algo absurdo de bom de ouvir, encaixam perfeitamente, a partir daí quis me tornar musico, mas foi algo meio demorado pois não achava que teria futuro como vocalista, ai passei alguns anos me desenvolvendo na bateria até o dia que algumas pessoas me provaram o contrario sobre o que eu pensava da minha voz. Mas sem duvida essa grande dupla foi e são as maiores referências para mim no nosso país!

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas: (Pain of Salvation/Rush/Iron Maiden/Meshuggah/Dream Theater)

Alex Cristopher – Pain of Salvation: Bom, pra mim o Pain of Salvation sempre foi uma ótima banda, com álbuns maravilhosos, mas para mim os melhores são os mais antigos, só que nunca deixando de ser uma ótima banda que sempre está se superando com suas composições!

Alex Cristopher – Rush: Sempre fui fã dos caras, ótimas composições e uma dinâmica incrível, muita banda hoje se espelha nos caras, principalmente bandas de progressivo, que sempre tem um pouquinho de  Rush, são os mestres do estilo!

Alex Cristopher – Iron Maiden: Pra mim foi uma influência muito importante, pois foi onde eu achei caminhos para começar a carreira de baterista de metal, sempre fui fã de todas as musicas!

Alex Cristopher – Meshuggah: Falar de Meshuggah é simples, peso, definição, um vocal bem agressivo, combinação perfeita pro estilo da banda, além de serem os pioneiros do Djent no mundo, pra mim é uma super banda!

Alex Cristopher – Dream Theater: Dream Theater pra mim é e sempre será uma escola de muitas técnicas, misturadas de ritmos bem elaborados, com um contexto excelente, sempre foi para mim uma das maiores bandas de metal progressivo do mundo!

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho do Andragonia e apostam no Metal nacional.

Cauê Leitão – Galera sem palavras para agradecer todo o carinho que estamos recebendo, podem esperar que em 2014 o Andragonia está chegando com os dois pés no peito, queremos ver todos vocês nos shows, valeu!

Raphael Dantas – Bom, desde já eu posto todo meu carinho e minha gratidão aos fãs do Andragonia e do metal nacional em geral, eu já me sinto em casa graças a eles, fiquei muito feliz com a recepção que os fãs da banda me deram, muitos vieram me procurar no facebook, me enviaram e-mails e todos eles muito amistosos e incentivadores me parabenizando pelo trabalho, sem contar que muitos deles já eram fãs do Caravellus também (minha ex banda) sei que é difícil pra todo mundo (Banda e Fãs) essas mudanças de formação , mas acho que o bom trabalho que fizemos no lançamento desse novo single foi uma prova de que o já era bom pode ficar muito melhor! E mais uma vez agradeço a confiança e amizade dos meus companheiros de banda Cauê, Thiago, Toni e o Alex.

Thiago Larenttes – Muito obrigado a todos os fãs que estão nos seguindo, e a todos que estão nos conhecendo, são vocês que fazem o Andragonia acontecer, fazem a banda trabalhar para trazer qualidade ao metal nacional! Grande abraço!

Toni Laet – Gratidão por todo o apoio e carinho. É muito bom ter vocês do nosso lado e muitas vezes nos empurrando (risos). Continue apoiando as bandas brasileiras e compartilhe as informações. Nos encontraremos nos shows, quero ver a galera bangueando a cabeça com a gente.

Alex Cristopher – Fala galera que curte o trabalho do Andragonia, só queria agradecer de coração o carinho de vocês, pois sem a força de vocês o metal nacional não seria nada, então vamos todos juntos erguer essa bandeira, e dizer que o metal nacional nunca vai acabar, desde já agradeço o apoio e o carinho de vocês, valeu galera!

Foto3