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Hoje em dia, com a profusão de redes sociais e fóruns de discussão, as frases que surgem com maior frequência nestes lugares são: “Faz tempo que não aparece nada de novo no Rock/Metal, tudo é cópia das bandas antigas, por isso que prefiro as mesmas” e “Odeio essas bandas que incorporam novidades em sua sonoridade, tentando ser diferentes, o legal é as bandas antigas, que nunca tentaram inventar e por isso são clássicas”. Uma incrível contradição, não concordam?

Começo esta resenha dessa forma, pois a banda em questão é daquelas que ousaram incorporar novos estilos, uma nova concepção em sua música. Deixaram de lado a mesmice e, com isso, trilharam um caminho perigoso, onde poucos sobrevivem (ou sobreviveram) no sempre sisudo mundo do Metal.

E a melhor critica que pode ser feita do Arandu Arakuaa em seu debut “Kó Yby Oré” é que simplesmente não pode ser feita comparação com nenhuma outra banda em nosso país ou lá fora. Não há como dizer que a música deles se pareça com a banda A ou B. O Arandu é Thrash, é Death, é Heavy e é Rock. É tudo isso e ao mesmo tempo algo completamente diferente. Foge do lugar-comum, como poucos conseguem.

O Arandu é a mistura do peso da cozinha de Saulo Lucena (Baixo) e Adriano Ferreira (Bateria), da bela voz de Nájila Cristina, mas é principalmente concepção da mente do “faz-tudo” Zândhio Aquino (Guitarra, vocal, teclado e mais uma série de instrumentos tribais), que assina como compositor das músicas em “Kó Yby Oré”.

Cantando em Tupi-Guarani, e utilizando muito de uma sonoridade que nos remete aos indígenas, tudo isso é feito com conhecimento de causa, e não por simples moda, como muitas bandas fizeram, principalmente na década de 90. É a vivencia da banda que faz com que essas inserções soem naturais, e não deslocadas. E, justamente por isso, o som do Arandu Arakuaa é de difícil assimilação em uma primeira audição, mas que, com o passar do tempo se torna uma grande e prazerosa viagem musical.

Difícil citar destaques individuais, mas eu diria que a soturna “Tupinambá”, a bela “A-KaiT-atá” e Gûyrá, que virou um ótimo vídeo que mostra a junção do Metal com a música indígena, merecem uma atenção especial.  “Kó Yby Oré” é um disco imprescindível, mesmo que apareçam pessoas que irão utilizar as manjadas frases do inicio da resenha.

Nota:9,0

Tracklist:

01. T-atá îasy-pe
02. Aruanãs
03. Kunhãmuku’i
04. A-kaî T-atá
05. O-îeruré
06. Tykyra
07. Tupinambá
08. îakaré ‘y-pe
09. Auê!
10. A-î-Kuab R-asy
11. Kaapora
12. Gûyrá
13. Moxy Pee Supé Anhangá