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Banda de Doom Metal no Brasil tem que matar um leão diariamente, visto a falta de divulgação da mídia no estilo. E quando a banda em questão não se prende a um único gênero, criando uma sonoridade completamente particular, talvez essa tarefa se torne ainda mais complicada. Mas isso não assusta Rafael Augusto Lopes (Guitarra/Baixo), que nesta entrevista fala sobre o debut da banda, “Another Sleepless Night”, que tem colecionado reviews positivos em todo o país, sobre a cena musical nacional, e demonstra que, acima de tudo, é a paixão e a liberdade que fazem com que a música atinja seu objetivo, e assim seja tratada como merece, como arte…

                               

Vicente – A banda foi formada em 2012 e este ano já soltou seu primeiro registro. Como foi o começo de tudo para o Fanttasma?

Rafael Augusto Lopes: Eu tinha muitas músicas gravadas, algumas prontas, outras pela metade, queria fazer algo com isso, resolvi fazer um projeto, chamar outros caras pra me ajudar a gravar e finalizar o álbum. Chamei o Rafael Galbes e o Thiago Andrade e o Fanttasma nasceu.

Vicente – Vocês lançaram em Março deste ano o disco “Another Sleepless Night”. Como foi a gravação e o processo de composição do mesmo?

R.A.L.: Acabei compondo tudo sozinho, justamente pelo processo de composição ter acontecido antes da banda nascer. Foi bem tranquilo na verdade, compor sozinho é bastante demorado e cansativo, mas ao mesmo tempo é bastante tranquilo, pois você acaba controlando tudo.

Vicente – O retorno do pessoal está sendo o esperado por vocês?

R.A.L.: Sinceramente o retorno está sendo muito maior do que eu, particularmente, esperava. O som do Fanttasma é bastante livre, e esse tipo de coisa não costuma ser muito popular. Mas ficamos muito felizes com tantas mensagens de apoio de gente que realmente curtiu a nossa música.

Promo 2013Vicente – Inicialmente “Another Sleepless Night” saiu somente em mídia digital, mas agora vocês o lançaram também no formato físico. Esse era o desejo da banda deste o principio, ter o disco lançado da forma tradicional?

R.A.L.: Com certeza!  Buscamos isso desde a gravação, mas como eu não queria atrasar tanto o lançamento optamos por lançar digitalmente, mesmo sem um selo ou gravadora nos apoiando.

Vicente – Vocês tiveram vários convidados de peso nas gravações, certo? Como vocês chegaram a cada um deles.

R.A.L.:  Foi tudo bem natural. O Áscaris, do Imperium Infernale eu já conheço a mais de uma década, tocamos juntos por anos. A Fernanda Lira também, não há tanto tempo, mas já a conhecia de antes dela formar o Nervosa. O mesmo com o Daniel Wergan, que é ex-vocalista do Dying Embrace e tem uma voz maravilhosa. O único que eu conheci recentemente foi o Alexandre Herrera, grande saxofonista que fez uma trabalho foda, devo muito a todos eles por toda a dedicação que tiveram!

Vicente – Apesar de ser baseado principalmente no Doom Metal, o som do Fanttasma passeia por vários estilos musicais. Essa foi a proposta desde o princípio da banda, não prender-se a um único gênero?

R.A.L.: Cara, eu curto esse tipo de som desde moleque, toco guitarra e tenho banda desde os 14 anos. Pra ser muito sincero esse lance de rótulos já me encheu o saco! (risos)… Eu ouço e gosto de Metal tradicional, Hardcore, Doom, Black Metal, Stoner e mais um milhão desses subgêneros criados, então, pra mim, é tudo igual. Sei que muita gente não concorda comigo, mas tem gente que pensa como eu. O Fanttasma sempre será livre musicalmente, não quero me conformar dentro dos paradigmas de um “estilo”, pra mim, esse lance de seguir os padrões do estilo e deixar de compor o que realmente quer, pra tentar fazer a banda “dar certo”, é a coisa mais sem atitude que um músico pode fazer.

Vicente – Como avalia o cenário para as bandas nacionais nesse momento? Há mais espaço para divulgação e realização de shows, ouPromo 01 não houve nenhuma mudança substancial nesse sentido?

R.A.L.: Acho que está mais ou menos a mesma coisa de antes, nada vem fácil, os músicos tem que correr o tempo todo atrás de tudo, poucas gravadoras investem nas bandas, o que significa que além de estudar seu instrumento você precisa de um emprego que sustente sua banda enquanto não é profissional o bastante pra ser rentável, ou seja, é foda, e pelo visto vai ser sempre assim. Em nenhum lugar do mundo é fácil, mas num lugar onde Arte e cultura não valem muita coisa é muito mais difícil!

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

Katatonia: O que dizer da Suécia? (risos)… Gosto de todas as épocas do Katatonia, mas a partir do “Last Fair Deal…” acho que ficou perfeito.

My Dying Bride: Doom, puro e verdadeiro. A forma como o Aaron Stainthorpe canta sobre aquela massa de guitarras é fenomenal.

Cathedral:  Um dos pais do Doom Metal! Banda icônica, gosto muito do Forest Of Equilibrium.

Torture Squad: Meus irmãos, parte da minha vida e história. Aprendi muito no TS e tive a oportunidade de conhecer muita gente e muitos lugares.

Candlemass: Assim como o Cathedral, são pais do Doom Metal! A voz do Messiah Marcolin é foda!

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho do Fanttasma e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam no Metal nacional.

R.A.L.: Primeiramente muito obrigado ao “With Every Tear a Dream” pelo espaço cedido. Valeu todo mundo que tem apoiado o Fanttasma e tem nos mandado mensagens, comprado o álbum e espalhado nossa música por aí! Quem quiser ouvir nosso primeiro play é só visitar nosso Bandcamp, todo o álbum está disponível para audição. www.fantasma.bandcamp.com

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