foto-4

Nessa onda Revival do Rock/Metal nacional que estamos vivenciando, de um lado trazendo de volta bandas clássicas e importantes da nossa história musical, de outro com grupos simplesmente entrando na carona e muitas vezes completamente descaracterizados da sua áurea época, fica difícil para uma banda não originária das décadas de 80/90 conseguir firmar seu nome de forma efetiva na cena pesada nacional. Difícil, mas não impossível, como prova a banda paulista King Bird, que conquistou os fãs com seu som voltado para o Hard/Southern Rock e o Heavy Metal. Nestes mais de 10 anos de carreira, João Luiz (Vocal), Silvio Lopes (Guitarra), Fábio César (Baixo) e Marcelo Ladwig (Bateria) mostram porque o bom e velho Rock nunca deve morrer. Nessa entrevista eles falam sobre a carreira da banda, o EP “Beyond the Rainbow”, a bela homenagem ao grande Dio, o novo disco que deve pintar em breve e outras curiosidades. Ao final confiram o vídeo para a música “Beyond the Rainbow”.

 

 

Vicente – Antes de tudo, como vocês consideram a trajetória da banda até este momento? Como foi o começo para o King Bird?

Silvio: Como todo trabalho com rock pesado no Brasil, no começo não é tão fácil achar lugares pra tocar e pessoas que acreditem no potencial da banda. Mas o que nos abriu muitas portas foi o nosso primeiro EP Gods’ Train, que foi muito bem aceito logo de cara. De lá pra cá continuamos na estrada, já lançamos mais 3 trabalhos de estúdio e estamos gravando nosso quinto trabalho. Como dizem os sábios do AC/DC “it’s a long way to the top if you wanna rock and roll”… E continuamos na nossa jornada!

Vicente – Vocês lançaram no ano passado o EP “Beyond the Rainbow” Como foi a gravação e a composição de “Beyond the Rainbow”?

João Luiz: A composição foi algo muito natural. Compor uma música em homenagem ao Dio não foi algo planejado… A gente tava em estúdio compondo músicas novas e esse som surgiu a partir de um riff do Fábio, nosso baixista. A gente foi compondo a música e na verdade só alguns dias depois, meio que fechando os arranjos foi que veio a idéia de escrever uma letra homenageando o Dio, porque achamos que o som lembra bastante a fase do Dio no Black Sabbath.

Marcelo: Gravamos este EP com o produtor Henrique “Baboom” Canale e gostamos muito do resultado final.

foto-1Vicente – E o retorno do pessoal, foi o imaginado por vocês?

Fábio: Cara, acho que foi além do que esperamos. As pessoas identificam de cara que essa música tem muito a ver com o Dio, mas sem deixar de ser uma composição do King Bird, saca…

Silvio: Principalmente depois que lançamos o clipe, a repercussão foi ainda maior. É uma grande honra pra gente que esse trabalho homenageando um cara tão importante como o Dio tenho sido muito bem aceito pela crítica e pelo público.

Vicente – No Ep, além da grande homenagem ao eterno Dio, vocês regravaram as músicas “24 Hours” e “Don’t be Late”. Algum motivo em especial para a escolha destas músicas?

Marcelo: Essas duas músicas acabaram ganhando versões um pouco diferentes por tocarmos ao vivo e tivemos vontade de registrá-las em estúdio. Por exemplo, já fizemos algumas apresentações acústicas e o pessoal curte bastante essa versão acústica de “Don’t be late”.

Vicente – Fale-nos um pouco sobre como foi gravar o vídeo de “Beyond the Rainbow”?

João Luiz: Olha, foi um trabalho muito legal que contou com a direção do nosso brother Marcos Chaves. Tivemos um período aí de planejamento e preparamos tudo pra que pudéssemos gravar em apenas uma noite o clipe. Nunca tínhamos feito uma produção nesse nível e posso te dizer que a gente curtiu muito fazer esse clipe e o resultado ficou mesmo acima do esperado.

Fábio: Sentimos que a música ganhou o complemento visual que merecia.

Vicente – E o novo disco, poderia nos adiantar alguma coisa sobre a gravação e a própria composição do mesmo?

Silvio: Bom, esse disco tem algumas composições que já vínhamos trabalhando há algum tempo, mas que sentimos que precisavam ter a maturação devida antes de começarmos a gravar. Na minha opinião esse será provavelmente o disco mais eclético que já compusemos. Tem sons bem pesados, na praia do som “Beyond the Rainbow”, mas tem bastante Rock’n’Roll, Hard Rock e Southern Rock…

Fábio: Como sempre não nos prendemos em uma fórmula ou objetivo, cada vez mais a gente deixa rolar as composições naturalmente e mantemos aquilo que é unânime, saca, aquilo que todos da banda curtem.

Vicente – Vocês comentaram que o mesmo seria mais pesado e, ao mesmo tempo, mais eclético que os anteriores, certo? Qual acredita ser afoto-5 principal diferença para os demais discos do King Bird?

Marcelo: Pois é, como o Silvio já comentou achamos que esse disco está mais maduro. Até pelo tempo que já estamos juntos na estrada o entrosamento pra composição e arranjo das novas músicas vem rolando mais facilmente. Acho que é isso, um trabalho mais maduro.

Vicente – Atualmente fala-se muito dos problemas do cenário nacional quanto ao Rock e Metal. Vocês consideram que a cena nacional realmente piorou, ou tudo é uma questão de ponto de vista, de fazer um trabalho sério e o mais profissional possível?

João Luiz: Aí você tocou num ponto chave, bicho! Dificuldade pra se fazer som pesado no Brasil sempre vai ter, mas tem muita gente que mais reclama do que trabalha de verdade, de forma séria e buscando entender o público e os desafios. Cara é difícil, mas na boa… É viável. A gente acredita nisso.

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

AC/DC: A genialidade do simples com o extremo bom gosto. Uma banda com uma personalidade única.

Dio: Mestre dos mestres. Uma das vozes mais incríveis do mundo.

Led Zeppelin: A banda que extrapolou o Blues e o Progressivo, possivelmente inventaram o “Hard Rock”.

Deep Purple: Várias bandas em uma só, todas geniais em seus registros de estúdio e ao vivo.

Black Sabbath: A banda que mais influenciou banda de som pesado na história. Monstros.

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho da banda King Bird e apostam no Rock/Metal nacional.   

Silvio: A gente agradece a todos os fãs e amigos que tem nos apoiado nestes já 11 anos de banda. Nós temos trabalhado pra devolver pra todos que acreditam e curtem o nosso som um trabalho com muita qualidade, profissionalismo e principalmente tesão. Tanto em estúdio quanto no palco queremos transmitir o máximo dessa energia positiva e dessa vontade de fazer rock’n’roll que a gente recebe das pessoas a nossa volta. A gente quer mais, sempre mais. O Rock’n’roll é vício que a gente não quer curar, a gente quer contaminar!!

“Beyond the Rainbow”: https://www.youtube.com/watch?v=o6qJfsZBwW4

foto-3