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Bom, esta banda nem precisa de muita introdução, sendo que faz quase 20 anos que a descobri quando tive a oportunidade de ouvir o disco Live (1990). Foi o típico caso de “amor ao primeiro acorde”. A principal banda de Doom Metal na atualidade, com mais de uma dezena de discos lançados, fazendo a alegria (tristeza?) dos fãs do estilo mundo afora. E foi com o baixista e líder da banda, Leif Edling, que tive a oportunidade de fazer esta entrevista, onde ele revela tudo sobre o disco “Psalms for the Dead”, o motivo pelo qual este foi o derradeiro álbum do Candlemass, a possibilidade de vir tocar no Brasil e detalhes sobre os três clássicos álbuns da banda. E como na semana fiz a matéria sobre o Eclipse Doom Festival que acontecerá na semana que vem, nada melhor que encerrar esta semana com a banda que dá razão ao amor pelo estilo citado.

 

Vicente – Vocês lançaram em 2012 o seu mais recente álbum “Psalms for the Dead”. Como foi o processo de composição e gravação deste álbum?

Leif Edling – Eu escrevi as músicas cerca de 6 meses antes de começarmos a gravar as Demos. Eu tentei não copiar o Death Magic Doom e me esforcei para um som mais amplo, dentro do estilo do Candlemass. Acho que elas ficaram ótimas!

Nós fizemos as Demos das músicas ao longo de um par de fins de semana em outubro, antes de nós começarmos a gravação em dezembro.

Pela primeira vez desde os anos 80, o álbum não demorou 10 dias para ser gravado do início ao fim. Nós na verdade levamos 3 semanas gravando e quase um mês na mixagem. Boa maneira de trabalhar!

Vicente – E a reação dos fãs foi a que vocês esperavam?

Leif Edling – Na maior parte sim. Death Magic Doom tem mais vitórias de vendagem e foi mais um “hit” instantâneo…. Mas este álbum tem tido uma grande resposta também. Os fãs consideram-no muito bom.

dancing500-300x300Vicente – Eu acho que você não sabe, mas aqui no Brasil “Psalms for the Dead” apareceu durante meses entre os principais discos do ano, e recebeu ótimas críticas da mídia especializada …

Leif Edling – Isso é música para os meus ouvidos (risos) Não sabia disso… Mas eu não estou surpreso, é um álbum muito bom! Nos Estados Unidos, foi eleito o melhor álbum de metal europeu na estação de rádio nº 1 de metal.

Vicente – Para você, quais são as maiores diferenças entre “Psalms for the Dead” para “Death Magic Doom”?

Leif Edling – DMD é um pouco mais difícil e um pouco mais metal, enquanto PFTD é um pouco mais melódico e com base na música.

Mesmo assim… Eu acho que algumas pessoas vão dizer que é um álbum típico do Candlemass de qualquer maneira.

Vicente – Este é realmente o canto do cisne da banda em estúdio? Qual é a maior razão para essa decisão?

Leif Edling – Porque, tanto para mim como para o resto da banda, leva cerca de um ano para fazer um álbum. Muito tempo, sem contar todo o estresse existente no processo.

Nós preferimos tocar ao vivo para as pessoas que querem nos ver. Gostamos mesmo é de tocar!

Vicente – Em uma entrevista há alguns meses atrás, você disse que, naquela época, sua música favorita em “Psalms for the Dead” era a faixa-título. Você ainda pensa assim?

Leif Edling – Pois é… Muito linda! Amo essa música! Toda vez que a toco ao vivo me dá arrepios!

Há muitas músicas legais nesse álbum, mas a faixa título é muito especial, eu acho.

 

Vicente – Como foi trabalhar novamente com Mats Leven?

Leif Edling – Ótimo! trabalhei com ele no Krux e em Demos do Candlemass, e agora, com ele na banda tudo funciona tão bem! No palco, somos uma banda matadora novamente!

 

Vicente – Após quase 30 anos, você consegue mesurar a importância de Candlemass ao redor do mundo? Eu creio que posso dizer isso, em nome de todos os fãs brasileiros, que realmente gostam de toda a carreira da banda…

Leif Edling – É fantástico saber que as pessoas adoram nossos álbuns, mesmo depois de tantos anos. E até mesmo os discos mais recentes obtêm uma grande resposta! É também muito divertido viajar e conhecer todos os fãs legais que temos.  Tentamos tocar ao vivo o máximo possível de todos os álbuns, para fazer com que todos saiam satisfeitos.

Vicente – Alguma chance dos fãs brasileiros verem um show do Candlemass aqui em breve? candlemass-preprod-photos-2-005

Leif Edling – Eu espero que sim. Na verdade… Ouvimos rumores que gostariam que viéssemos em agosto para alguns shows no Brasil. E estávamos prontos para ir, mas nunca recebemos nenhum retorno. Uma pena…

Mas tenho certeza que vamos chegar ao Brasil. Esperemos que em breve, talvez antes do Natal. Seria ótimo tocar ai novamente!

Vicente – Os três primeiros álbuns do Candlemass, “Epicus Doomicus Metallicus (1986), Nightfall (1987), e Ancient Dreams (1988) elevaram o status do Candlemass perante todos os fãs da banda. Quais são as maiores lembranças da gravação desses álbuns?

Leif Edling – Nós não tínhamos idéia do que estávamos fazendo quando gravamos Epicus. Não me lembro de muita coisa dessas gravações, mas devemos ter feito algo certo! Estava um frio insuportável naquele porão, mas fizemos o nosso trabalho e ficou ótimo.

NIGHTFALL tínhamos um controle maior, mas não conseguíamos obter o som que estávamos atrás, por isso tivemos que nos mudar para o famoso Stockholm Recording studio, onde Mats Lindfors deu o seu toque na mixagem e ficou ótimo! Esse foi o álbum que nos fez sermos descobertos no mundo!

Ancient Dreams foi mais complicado. A gravadora queria apressar o álbum, mas nós não estávamos prontos, e o resultado final não foi tão bom quanto poderia ter sido. Mas ainda hoje é um clássico e vai ser ótimo tocarmos o álbum inteiro no Debaser Medis em Estocolmo no dia 28 de dezembro.

Vicente – Quando você começou na música, quais foram suas maiores influências, que te inspiraram a ser um músico profissional?

Leif Edling – Angelwitch, Venom, Accept, Trouble, Iron Maiden, Motorhead, Black Sabbath, Witchfynde etc etc etc…

Vicente – Como é a cena na Suécia com relação ao Rock e Metal?

Leif Edling – É muito boa. Um monte de grandes e novas bandas suecas tocando em todos os lugares… Na cena retro tem muita coisa acontecendo… E todos os grandes nomes tocando aqui + as bandas estrangeiras. Não muito tempo atrás eu vi o Jex Thoth no Pussy-a-go-go Club em Estocolmo .

 

Vicente – Em poucas palavras, o que você pensa sobre essas bandas:

Black Sabbath: O maior!

Uriah Heep: Super músicas!

Angel Witch: Clássico!

Trouble: Heavy!

Rainbow: Ritchie Blackmore!

Vicente – Finalmente, por favor, deixe uma mensagem para todos os brasileiros que curtem o som do Candlemass:

Leif Edling – ESPERO VER TODOS VOCÊS EM BREVE NO BRASIL!

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