48x30,5 fear of time 2013 - Cópia

Não é novidade a quantidade de bandas que o nosso país possui, em todos os estados e cantos que pudermos imaginar, mas é surpreendente a qualidade de uma boa parcela destes grupos, onde certamente a banda sergipana Tchandala se insere. Apesar de um bom tempo de estrada, a vontade de criar e mostrar sua música para todos é como se fosse de uma banda iniciante. E é essa vontade que o vocalista Dejair Benjamim deixa transparecer nessa entrevista, onde fala sobre o novo disco da banda, “Fear of Time” e a carreira da banda. Completam o time Tchandala Thamise Ducci (Guitarra), Sandro Souza (Baixo), Tony Souza (Teclados) e Pablo Rubinov (Bateria).

 

Vicente – E já se vão 17 anos de existência da Tchandala. Qual a avaliação que faz da trajetória da banda até o presente momento?

Dejair Benjamim – Esperamos ter contribuído para a cena brasileira, e ter participado da vida de algumas pessoas provocando as mesmas sensações e memórias importantes que a música, o público e outras bandas nos proporcionaram. Queremos continuar vivendo isso.

 

Vicente – Até por fugir um pouco do lugar comum, conte-nos como surgiu o nome Tchandala?

Dejair Benjamim – Tchandala é a casta mais baixa do hinduísmo, o nome foi extraído do livro “O anticristo” de Nietzsche. Achamos um nome forte e que fugia do tradicional.

capafinal cópiaVicente – A banda soltou no ano passado seu segundo disco completo de estúdio “Fear of Time”. Como foi a gravação do mesmo, rolou tudo como esperavam?

Dejair Benjamim – O processo de gravação foi mais complicado do que esperávamos, devido a diversos fatores. No final, ficamos muito satisfeitos com o cd, é uma grande evolução em relação a tudo que a banda fez até hoje, e sabemos que o próximo será ainda melhor.

 

Vicente – E o retorno do pessoal, tem sido o que vocês esperavam?

Dejair Benjamim – O público tem gostado. Temos recebido feedback positivo. Esperamos levar os shows e o cd para outros Estados, para que mais pessoas conheçam a banda. No inicio apenas pensamos em gravar um cd do qual tivéssemos orgulho, que fosse parte importante da nossa história quando olhássemos para trás, isso foi feito, então a resposta positiva do público se soma a isso de forma muito gratificante.

 

Vicente – Como funciona normalmente o processo de composição da Tchandala? E porque intitularam o disco com o nome de “Fear of Time”?

Dejair Benjamim – A banda inteira participa desse processo, seja na criação de um riff, de uma letra, de uma melodia, de um arranjo. Normalmente eu faço a maioria das letras e melodias, e apresento ao restante do pessoal,  daí todo mundo coloca a “mão na massa”, tudo que é sugerido é bem vindo, desde que não fuja do estilo Tchandala. Além disso, temos ajuda do nosso querido ex-integrante Pidele Menezes, que sempre chega com algumas idéias que aproveitamos.

 O tema “Tempo” é algo que mexe muito comigo, essa coisa do “prazo de validade” das pessoas. A letra da música Fear of Time, foi escrita em 2001 e surgiu de minha “paranóia” (rsrs) sobre o ciclo da vida, o lance de envelhecer, se aproximar da morte e chegar ao fim do ciclo. Realmente me batia um desespero quando eu pensava nisso. O que me deixa feliz é viver intensamente cada instante e construir algo do que me orgulho. Hoje estou tranquilo e conformado com esse lance do “amadurecimento” do corpo (velhice mesmo). Então achamos que a música seria perfeita como título do nosso segundo trabalho.

 

Vicente – A capa de “Fear of Time” ficou muito legal. De quem foi a ideia da mesma?SHOW

Dejair Benjamim – A ideia partiu da letra da música, conversamos sobre o que queríamos que a capa transmitisse, e passamos a essência para Alê Alcântara (The Warlord, Karne Krua, Alapada) e ele soube desenvolver muito bem, colocando vários elementos, influenciado pelo livro que ele estava lendo na época “O poder do agora” de Eckhart Tolle.

 

Vicente – Um dos grandes destaques do disco é a faixa “One Billion Lights”. Conte-nos um pouco sobre essa composição em especial.

Dejair Benjamim – O riff inicial foi composto por nosso amigo ex-guitarrista Carlos Cardoso, e o restante da banda desenvolveu toda a estrutura da música. A letra é do baixista Sandro Souza e eu modifiquei algumas coisas. Ela fala, de forma análoga, do sofrimento do sertanejo, um bilhão de luzes significa o sol escaldante queimando a esperança deste povo.

 

Vicente – Vocês já possuem uma longa experiência no palco, tendo tocado com nomes como Angra, Andralls, Viper, Shaman, Krisiun, Violator, Blaze Bayley, etc… Quais são as melhores recordações destes shows?

Dejair Benjamim – Tocar com grandes bandas tem a grande vantagem de aparecer na vitrine, de tocar para um público maior e tal, porém, nem tudo são flores. Às vezes nos deparamos com o estrelismo e arrogância de alguns, a pressão do tempo de show, de arrumação e tal. Temos várias ótimas lembranças de ter tocando ao lado de bandas que nos fizeram sentir parte do time, dentre elas destaco o Viper, pela receptividade dos caras. O Pit Passarel e o Felipe Machado foram excelentes companheiros, tomamos várias cervejas e ainda tive a honra de ser convidado para executar “Rebel Maniac” com eles. Também teve o Blaze Bayley, os caras são super tranquilos, chegamos a ceder o nosso equipamento para eles realizarem o show. O lançamento do cd também foi especial, com o local lotado e o público empolgado. Além disso, fizemos um ensaio aberto em 2012, e o estúdio ficou cheio de amigos e nos rendeu boas risadas e maior proximidade com muitos deles.

 

Vicente – Quais são as suas maiores influências?

Dejair Benjamim – Minha influência vem principalmente da velha escola, da época em que cada vocalista tinha o seu timbre vocal e não era uma mera cópia como se vê muito por aí hoje, excelentes técnicas, pouco sentimento e nenhuma personalidade. Meus vocalistas preferidos são Zack Stevens, Dio, Dee Snider, King Diamond, Halford, Mike Kiske, Blackie Lawless, entre vários outros. Dos vocalistas mais “novos” gosto do Fabio Lione e Iuri Sanson. As influências dos demais integrantes são bem variadas, por exemplo, nosso tecladista Tony gosta de Dream Theater e Rush, nosso baixista Sandro ouve muito Savatage, Halford, Hibria, Manowar, Cirith Ungol, o guitarrista Thâmise de Europe, Judas Priest, Dio e Pablo, nosso baterista gosta de Rush, Aghora, Cynic, Dave Matthews Band, Enchant, Porcupine Tree, etc.

 

 

1Vicente – Muito se fala sobre os diversos problemas da cena Metal no Brasil. Qual avaliação que você faz da mesma, visto o longo tempo que a banda já tem de estrada? Acredita que ela melhorou, piorou ou está estagnada?

Dejair Benjamim – O Heavy Metal é algo cíclico, existem épocas de escassez e outras de abundância, mas sempre existem bandas produzindo, isso é fato. Com certeza a cena evoluiu bastante em termos de produção em geral, a internet alavancou muitas bandas, colocando-as no mesmo patamar de público, porém, as dificuldades são as mesmas de sempre, por exemplo, a falta de apoio por grande parte das empresas, pelo menos no Brasil. Isso também ocorre em relação ao que é considerado cultura e representação do País. O tratamento não é o mesmo para bandas de metal. Mesmo as que cantam em português não são tratadas como algo que representa a cultura do Brasil. Por um lado isso é um complicador, por outro, só permanece fazendo metal quem realmente gosta, o que cria algo muito verdadeiro, se você olhar para a história das bandas que já estão aí faz um bom tempo.

 

Vicente – Tchandala é sergipana. Antes isso poderia ser um empecilho para uma maior divulgação, mas com as redes sociais, e o próprio crescimento da cena metal no nordeste, a localização de uma banda se torna menos importante hoje em dia, você concorda?

Dejair Benjamim – No sentido de divulgação, concordo plenamente. Hoje somos conhecidos a nível nacional com a divulgação do “Fear of Time” por redes sociais e sites especializados. Mas, no sentido de realização de shows, no caso do Tchandala, ainda é complicado, pois todos os membros trabalham em áreas que não a da música, daí, fica muito difícil de conciliar uma tour, mesmo tendo vários convites de shows fora do Nordeste como Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, além dos custos elevados para isso.

 

Vicente – Em poucas palavras, o que acha das seguintes bandas:

Judas Priest: uma das maiores, se não a maior referência do metal.

Dio: único

Rush: show de técnica e feeling.

Hibria: a melhor e mais original banda do Brasil nos últimos tempos.

Saxon: energia e resistência

 

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho da banda Tchandala e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam no Metal nacional.

Dejair Benjamim – Ouçam o nosso CD “Fear of Time” e confiram um Heavy Metal feito com muita paixão e dedicação.

Comprem CD´s, compareçam aos shows das bandas brasileiras, participem, produzam, façam crescer ainda mais a cena do metal nacional que é uma das maiores do mundo. Stay Metal!

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