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É surpreendente para muitos a qualidade das bandas surgidas no Brasil nos últimos anos. Mas surpreendente apenas para quem não acompanha com mais regularidade nossa cena, pois o Brasil sempre foi e será um grande país na música pesada (no restante não vamos comentar…). Dentre estas, o Dynahead é uma das principais, com um som que não pode ser rotulado, e nem é necessário fazer essa classificação de sua música em A ou B, pois música deve ser tratada com arte, e não como uma simples nomenclatura. Nessa entrevista com o vocalista Caio Duarte, ele aborda justamente esse tópico, fala sobre o novo disco da banda “Chordata I” e a carreira como um todo da banda brasiliense.


Vicente –  Inicialmente, Fale um pouco sobre os nove anos de existência do Dynahead. Como foi o começo de tudo para vocês?


Caio Duarte:
Às vezes é difícil acreditar que tanto tempo já passou (risos). Eu e o Diego (baixista) éramos amigos há um bom tempo, e sempre compúnhamos músicas para nos divertir. O Dynahead surgiu disso, quando encontramos músicos dispostos a continuar esse trabalho com a gente, da forma mais legal: Um grupo de caras fazendo som por curtição e vendo o que saía.

Vicente –  Vocês estão lançando seu terceiro disco de estúdio “Chordata I”. Como foi a gravação deste disco?


Caio Duarte:
Ele foi gravado bem mais rápido que os outros. A experiência que adquirimos em estúdio agilizou muito o processo, que foi extremamente tranquilo em comparação aos anteriores… E isso reflete no resultado, que ao meu ver ficou muito melhor.

365507Vicente –  “Chordata” é um álbum dividido em duas partes, correto? Como surgiu a ideia?


Caio Duarte:
Exatamente. Quando terminamos de compor o disco vimos que tínhamos uma montanha de material legal, mais de uma hora e meia de música. Um único disco ficaria gigantesco, e como hoje em dia as pessoas não tem tempo (nem paciência) de ouvir um disco tão intrincado, decidimos dividi-lo para valorizar o material e dar condições para curtirem tudo direitinho.

Vicente –  Mesmo ainda cedo, qual acredita ser a principal diferença de “Chordata” para “Antigen” e “Youniverse”?


Caio Duarte:
Os dois primeiros discos, ‘Antigen’ e ‘Youniverse’, são bastante próximos musicalmente, e um é meio que a continuação natural do outro. No novo álbum buscamos nos reinventar: Por mais que nosso trabalho já fosse eclético, tentamos reafirmar nosso som do zero, e inserimos vários elementos e abordagens novas ali. Só o tempo vai dizer o que as pessoas acharam (risos).

Vicente –  Como foi a composição de “Chordata I”? Por ser um disco pensado com uma continuação, isso alterou de alguma forma a forma de compor da banda?


Caio Duarte:
Ele foi composto de uma forma parecida com o anterior, mas relativamente bem mais rápido, e na verdade foi pensado como um disco só. Só depois que vimos o tamanho que ele tinha ficado que decidimos rearranjá-lo como uma obra em duas partes, e adequei as letras a isso.

Vicente –  Fale um pouco mais das letras do disco, visto que é uma parte primordial da música do Dynahead.


Caio Duarte:
O disco anterior, ‘Youniverse’, foi um álbum conceitual inspirado em Cosmologia, na origem e desenvolvimento do Universo. O ‘Chordata’, de certa forma, se insere dentro do conceito do anterior, pois ele é inspirado na Biologia: Na origem da vida na Terra, na seleção natural que a desenvolveu e na complexidade que dela emergiu. A primeira parte vai do início da vida até o surgimento do conceito de sociedade, e a segunda parte segue daí até o ser humano moderno.

Vicente –  Tem surgido uma safra interessante de novas bandas no Brasil que tentam não se prender a um único estilo, como o caso do Dynahead. Algo que deveria ser saudado, mas muitas vezes sofre algum repúdio dos puristas. Vocês já enfrentaram problemas do gênero?
Caio Duarte: Naturalmente, até por que maior parte do público tem um bloqueio psicológico contra o que vem do Brasil. Quando se trata de algo novo o distanciamento é ainda maior, pois as pessoas tendem a preferir o que já é familiar. Isso certamente torna o processo de conhecerem nosso trabalho muito mais lento do que se estivéssemos tocando algo da moda, por exemplo, mas é um desafio que topamos com prazer – afinal, música tem que ser tratada como música, rótulos são para prateleiras de mercado.

Vicente –  E como foi chegar ao som atual do Dynahead, que alia desde o Progressivo até o Thrash/Death8549482087_8edc5108e5 Metal?


Caio Duarte:
Foi  inevitável, já que o som reflete exatamente o que nós gostamos. Isso vai de Metal extremo a R&B e Clássico. Nunca paramos e falamos “vamos soar como uma mistura de  X com Y”, simplesmente criamos músicas que gostamos, experimentamos para tentar fazer a coisa mais interessante e, se ficar legal, é o que chamamos de Dynahead.

Vicente –  Atualmente fala-se muito dos problemas do cenário nacional quanto ao Rock e Metal. Vocês consideram que a cena nacional realmente piorou, ou tudo é uma questão de ponto de vista, de fazer um trabalho sério e o mais profissional possível?


Caio Duarte:
A cena definitivamente piorou, mas isso não se restringe ao Brasil e tampouco ao Metal: Isso é em toda parte, em todos os gêneros. Isso por que todo mundo agora tem a opção de ouvir o que quer, e acabaram os monopólios das grandes gravadoras e artistas. O que 15 anos atrás era uma megaindústria, hoje são microceninhas, com tudo de bom e ruim que isso acarreta. Por isso precisamos ver a situação como ela está agora, e não ficar desejando que as coisas voltem a ser como era, por que elas não voltam mais. Nossa forma de fazer isso é criando um som novo, aproveitando o momento atual, que é menos propício ao mercado, mas muito mais receptivo à arte.

Vicente –  Quais são as suas maiores influências?
Caio Duarte: É uma pergunta difícil, por que são muitas (risos). Mas qualquer artista original, que evoque emoções interessantes e desafie o ouvinte com sua música é uma influência para mim.

Vicente –  Em poucas palavras, o que acha das seguintes bandas:


Opeth:
Uma das melhores coisas que aconteceram no Metal nas últimas décadas. Elegante, ousado, faz referência ao passado criando algo novo. Hoje é uma banda de major, mas continua com algum controle criativo. Quantos artistas conseguem isso?
Soulfly:  O Max é aquele tipo de cara que pode fazer o que bem entende, que sempre acerta. Esse é um projeto essencialmente de vaidade, passou por momentos bem comerciais, mas ainda tem aqueles lampejos de genialidade que fizeram do Sepultura uma lenda.
Metallica: Banda seminal, extremamente influente, mas que hoje parece se limitar a manter o patamar comercial, e só curtir isso. Há duas décadas contribui muito mais para coluna de fofoca do que para a música.
Pain of Salvation: Admirável por ter tido muitas oportunidades comerciais, mas sempre priorizou a integridade. São músicos incríveis e que obtiveram reconhecimento em seus próprios termos, o que sempre é algo a se tirar o chapéu.
Tool: A típica banda que não teria ido longe não fosse a grande gravadora. Isso é um grande elogio, pois a música deles é original, inteligente e provocativa, prova de que as grandes gravadoras já foram mais espertas. No entanto, não fosse pela exposição midiática que vem lá de trás, ninguém daria bola para eles hoje, já que eles tocam o contrário do que se espera que se torne popular.

Vicente –  Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho da banda Dynahead e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam no Metal nacional.


Caio Duarte:
Muito obrigado pelo interesse em nosso trabalho e pela entrevista, e a todos os leitores!  No nosso site – www.dynahead.com.br – você encontra nossos dois discos anteriores para download gratuito, além de muitos vídeos bacanas. Continuem curtindo a boa música e o Metal brasileiro com orgulho, e espero vê-los em um show em breve!

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