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A Baranga é o exemplo perfeito de como uma banda pode fazer um rock n’ roll pesado, profissional, e ao mesmo tempo soar como se fossem apenas uma banda se divertindo no palco. Já se passaram 10 anos desde o debut “Baranga”, e, assim como um bom uísque, parece que o tempo somente tem ajudado na evolução da sua música. Com o disco “5º dos infernos” se aproximando, um novo capitulo será escrito por eles. Nessa entrevista muito legal com o Guitarrista Deca e o Baixista Soneca, eles falam sobre o novo disco, o anterior “O Céu é o Hell”, toda a carreira da banda e o próprio cenário nacional, e claro, muito rock n’ roll e cerveja, que realmente é o que faz a vida valer a pena, não?

Vicente – Inicialmente como vocês avaliam a trajetória da banda até este momento?

SONECA: Estou satisfeito com o trabalho que foi feito e que estamos fazendo, conseguimos construir uma carreira e ter uma “história” que já está no quinto disco. No final, isso é o que vale!

DECA: Sou muito feliz por todos os discos que lançamos e vendemos, os fãs e amigos que fizemos e a possibilidade de ter ido tocar em muitíssimas cidades do Brasil e até mesmo em Santiago do Chile!

 

Vicente – Seu mais recente disco foi o ótimo “O Céu é o Hell”, de 2010. Conte-nos como foi a gravação e a composição deste álbum?

DECA: Obrigado por achar o disco ótimo! Fizemos tudo parecido com os outros discos. Eu trouxe boa parte das músicas e o Xande e o Soneca complementaram com outras. As letras foram feitas na parceria entre o Xande e o Soneca, e às vezes com colaboração do Paulão. A gravação foi de novo no Mr Som, estúdio do Heros Trench e Marcello Pompeu do Korzus, que já é uma segunda casa para nós. O processo de gravação foi o clássico e mais eficiente de gravar os instrumentos um de cada vez, colocar os amplificadores bem altos e descer a mão.

SONECA: Juntamos as ideias e riffs e trabalhamos os arranjos nos ensaios. No estúdio, a preocupação é deixar tudo com os timbres bacanas, e cada disco tem a timbragem que estamos curtindo no momento. É quase uma foto, um momento congelado no tempo.

Vicente – Sem sombra de dúvida um dos destaques do disco é a faixa-título, que inclusive virou um vídeo bem legal. Para aqueles que ainda não conhecem a banda, quais músicas indicariam?

DECA: Além de “O Céu é o Hell”, indico “Na Madrugada”, “Jogando os Dados” e “Noites Imundas”, porque são um pouco diferentes das outras no disco.

SONECA: Desse disco, além das citadas pelo Deca, curto bastante a “Deixa A Noite Saber”.

 

Vicente – E o novo disco? Alguma novidade para os fãs, que certamente estão esperando ansiosos por um novo registro do Baranga.

SONECA: Tá bem pesado, desde o “Whiskey Do Diabo” que não fazemos um disco tão pesado! E tem tudo pra ser o álbum com os timbres mais bacanas que já conseguimos em estúdio e o mais próximo de como a banda soa ao vivo!

DECA: E tem bastante novidade e detalhes! O mais diferente dos outros discos é que tem músicas que fogem ao nosso estilo, como são “Até Morrer”, que é pesadona e com vocal muito rasgado, e “Cachaça em Ação”, que tem um riff inspirado por Deep Purple e Rainbow – eu sou um puta fã do Ritchie Blackmore. O legal é que apesar de soarem diferente do que tocamos, tem a marca da Baranga!

 

Vicente – Vocês têm trabalhado regularmente com a Voice Music. Como tem sido essa parceria com eles?

DECA: O relacionamento com a Voice Music sempre foi legal e sem surpresas porque tudo sempre foi falado antes de cada lançamento. Para o novo disco, vamos apostar forte na distribuição digital para colocar os discos no iTunes e lojas online similares, e pra isso já estamos trabalhando com a One Rpm. Mas como também teremos CDs, porque vendemos bastante em shows e pelo nosso site, talvez continuaremos com a Voice, mas ainda não acertamos nada com eles.

SONECA: Assino embaixo! (risos)

Vicente – Desde o principio o Baranga vem mantendo a mesma formação, algo incomum nos dias de hoje. Qual o segredo?

SONECA: Realmente, isso é algo que não se vê todo dia. Talvez, a satisfação de fazer um puta som seja o principal fator. E também porque estamos sempre compondo, tentando acertar alguns detalhes nos ensaios pra fazer um show legal etc… O negócio é: menos chororô e mais trabalho! (risos)

DECA: Paixão pelo que fazemos e respeito mútuo! A gente sabe dosar a hora que é para falar, para ouvir, pra brincar e pra beber. Quando se faz parte de uma banda que está sempre ensaiando, compondo, gravando, lançando discos, viajando e fazendo shows, é importante saber respeitar o ânimo de cada um a cada momento e pensar sempre no melhor para a banda e para os fãs.

Vicente – E quais são os objetivos da banda para 2013? Com certeza ainda há muita cerveja para ser consumida, certo?

SONECA: Pra 2013, além das cervejas, o objetivo é lançar o “5º Dos Infernos” e cair na estrada!!!

DECA: Beber cerveja, sem dúvida! Mas isso não é objetivo pra gente… Quando a gente olha, já tem uma latinha gelada na mão (risos).

Vicente – O Rock em português (ou em “brasileiro”, como a própria banda define) esteve durante um período meio por baixo, mas nos últimos tempos surgiram grandes bandas como Matanza, Motorocker, Carro Bomba, o próprio Baranga, entre outras, que mostram que ainda tem muita lenha pra queimar nesse estilo. Vocês concordam, e quais bandas do gênero vocês mais admiram?

DECA: Já tem várias e boas bandas novas cantando 100% em português desde o primeiro ensaio. Todas essas que você citou eu gosto e são importantes pro Rock ‘n Roll pesado em português. Tem outras bem legais como o Overhead (Bauru/SP), o Don Capone (Urussanga/SC), o Martiataka (Juiz de Fora/MG), etc – a lista é longa! E nem precisa falar das clássicas como Made in Brazil, Patrulha do Espaço, Tutti Frutti, etc.

SONECA: Penso que, nascendo no Brasil, fazer Rock em Português é a coisa mais natural do mundo. Acho até engraçado, porque nunca perguntam pras bandas que cantam em inglês o porque disso, é uma inversão bizarra que ocorreu com o tempo. Cada um canta na língua que quer, só não vejo motivo plausível pra se cantar em inglês. Motivo estético nenhum, somente motivos comerciais. Se fosse levar em conta motivos comerciais, não seria músico ou estaria tocando sertanejo universitário! Quanto às bandas que eu curto…Golpe De Estado, Tutti-Frutti, Made In Brazil, Patrulha do Espaço, Som Nosso De Cada Dia, O Terço, Mutantes, Zumbis Do Espaço etc etc etc…(risos) das novas que o Deca citou, incluo o Tomada e o Cracker Blues. 

 

Vicente – Atualmente fala-se muito dos problemas do cenário nacional quanto ao Rock e Metal. Vocês consideram que a cena nacional realmente piorou, ou tudo é uma questão de ponto de vista, de fazer um trabalho sério e o mais profissional possível?

SONECA: Como disse numa resposta anterior…Pra fazer Rock, no Brasil, tem que deixar de chororô e trampar pra caramba. Ou você faz porque é apaixonado por Rock ‘N’ Roll ou fica em casa se lamentando. E tem muita gente entre: músicos, bandas, público, imprensa, pessoas de todo tipo, que deveriam deixar um pouco a internet e participar do lance na vida real, porque agir no mundo virtual não adianta nada.

DECA: Em vez de dar uma de sindicalista “exigindo” união de bandas e do público, em vez de ficar dizendo que brasileiro é paga-pau de banda gringa, em vez de montar banda de cover porque é mais fácil que compor músicas boas: tem que ralar pra compor sempre, lançar discos regularmente, ter um show ao vivo interessante para os produtores te contratarem e o público ter vontade de sair de casa e pagar um ingresso pra te assistir!

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

Patrulha do Espaço:

DECA: uma das principais bandas “culpadas” por existir Rock pesado no Brasil há mais de 30 anos!

SONECA: A Patrulha é uma instituição e o Rolando Castello Jr. é um dos melhores bateras que existem no planeta! Vi muitos shows, na época em que meu irmão fez parte da banda, e fiquei feliz de ter conhecido o Dudu Chermont, que fez parte da formação clássica e era gente fina pra caramba!!!

Carro Bomba:

DECA: Excelentes!!!

SONECA: A melhor banda de Heavy Metal do país! A resposta pra quem acha que “esteticamente” não dá pra fazer Metal em português.

AC/DC:

SONECA: A melhor banda de Rock de todos os tempos, depois dos Rolling Stones, porque eles estão na estrada há mais tempo! (risos)

DECA: O melhor exemplo de tudo que é extraordinário do Blues ao Rock pesado, musicalmente e em atitude, concentrado numa banda só!

Motorocker:

SONECA: Mais uma banda independente que é bem sucedida sem apoio da mídia.

DECA: Bem legal!

Motorhead:

SONECA: Exemplo a ser seguido. Nos últimos quase quarenta anos, lançam, em média, um disco há cada dois anos e caem na estrada em seguida. Tornaram-se gigantes, cultuados, e viraram lendas do Rock porque trabalharam muito, sem rostinhos bonitos e músicas pra tocar no rádio.

DECA: Incríveis, unanimidade mundial e especialmente importantes para a Baranga! Receber a visita no nosso camarim do guitarrista Phil Campbell carregando um balde cheio de cerveja gelada de presente foi um dos momentos mais marcantes da minha vida!

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho da banda e apostam na música nacional.

DECA: Obrigado e fiquem ligados no disco novo O “5o dos Infernos!” Esperamos encontrar vocês em breve!!!

SONECA: Apareçam nos shows, para se divertir e tomar uma cerveja com a gente! Valeu!

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