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Grata surpresa essa banda gaúcha. Surpresa, pois o som da Hecatombe é de difícil definição, mas fácil assimilação, alguém nem sempre tão simples de ser conquistado. Nessa entrevista com o baterista Boll3t, ele fala sobre a carreira da banda, a constante busca pela excelência em seu som, o cenário musical no Brasil e as suas principais influências. Ao final da entrevista tem o link para o vídeo muito legal da música “Inner Pain”. Confiram que vale a pena…

Vicente – Como vocês avaliam a trajetória da Hecatombe? Como foi o começo da banda?

Boll3t – Em nossa trajetória, nosso objetivo principal sempre foi a evolução, como artistas, músicos e pessoas. Nossos passos são em sua grande maioria planejados, então estamos seguidamente avaliando essa trajetória, para saber se seguimos no caminho escolhido ou se devemos modificar algo. Alguns passos ou decisões dependem de fatores externos, o que às vezes atrasa um pouco essa escada da evolução, mas não é por causa de pequenos percalços que deixamos de seguir no caminho. O início da banda, como acredito que é o caso da grande maioria, foi recheado de erros, causados principalmente pela inexperiência, mas também por uma boa dose de amor ao rock e a vontade de sermos ouvidos. Acho que uma coisa que marcou o nosso início foi que, mesmo sem as condições ideais, sempre tivemos coragem de dar a cara a tapa e apostar em nossas ideias, e acho que essa vontade de mostrar o nosso trabalho foi o que possibilitou a banda seguir trabalhando.

Vicente – A banda tem uma trajetória curiosa, pois começou como uma banda mais voltada para o Punk Rock, e aos poucos foi moldando seu estilo até chegar no som atual, um misto de Rock Alternativo e Metal. Como rolou todo esse processo?

Boll3t – Esse processo foi bastante natural, na realidade. No início, tínhamos uma mente bem “fechada” para música, ouvíamos poucas bandas e essas bandas eram nossa influência. À medida que você vai entrando em contato com uma ampla diversidade musical, você vai entendendo e gostando da riqueza daquilo. Hoje nossas influências musicais são extremamente amplas. Como o conceito da banda sempre foi mostrar a nossa essência, essa mudança de estilo (que é constante e ainda hoje vai acontecendo) é uma busca constante da nossa identidade.

Vicente – E a banda também mudou algumas vezes seu nome, até chegar ao atual Hecatombe? Como surgiu a ideia de denominar a banda desta forma?

Boll3t – Escolha de nome sempre é um processo bastante árduo e delicado. Queríamos um nome que representasse tanto o som que fazemos quanto a mensagem que passamos em nossas letras. Hecatombe acabou sendo o nome perfeito, pois em nossas músicas buscamos expressar o caos e a confusão mental que as pessoas e a sociedade como um todo se encontram.

inner-pain-hecatombeVicente – Vocês soltaram ano passado a música “Inner Pain”. Conte-nos como foi a composição dela?

Boll3t – A composição de Inner Pain foi a mais trabalhosa que já tivemos como banda. Desde seu primeiro esqueleto até a versão final, foram 2 anos de trabalho, diversos refrões, versos, terceiras partes, introduções, linhas de bateria, riffs de guitarra, linhas de voz e etc. Mudamos tudo diversas vezes, sempre tentando extrair o máximo de cada parte, sempre tentando tirar a melhor performance de cada instrumento. Acho que as únicas coisas que permaneceram intactas foram o riff principal e o groove da música, que, afinal de contas, é a espinha dorsal da ideia, e mudando isso a música perderia seu propósito. No Hecatombe, sempre compomos todos juntos, trabalhamos juntos na ideia de alguém. Nesse caso, o riff principal da música foi criado pelo Wood e a letra por mim e Mark.

Vicente – Como foi a gravação do clipe da música “Inner Pain”? Foi desgastante como muitas vezes é uma gravação de um vídeo, ou levaram tudo numa boa e curtiram fazer esta gravação? Pois o resultado final foi excelente…

Boll3t – Curtimos muito fazer esse clipe, pois conseguimos planejar cada passo da produção. Ficamos em estúdio por 4 dias para gravar o áudio, e 3 dias seguidos sem sono para as filmagens. A equipe, os figurantes voluntários e os apoiadores foram todos excepcionais, e entraram de cabeça junto com a gente no processo, se doando ao máximo para que o resultado ficasse acima das expectativas. A crítica e a resposta do público e imprensa têm sido fantásticas, e somos muito gratos por tudo isso.

Vicente – E os objetivos da banda para 2013? Podemos esperar um álbum novo este ano?

Boll3t – Os planos para 2013 são de fazer algumas turnês e gravar o nosso álbum de estréia. Ninguém, mais do que nós, espera por esse disco, e estamos nos empenhando ao máximo para que possamos gravá-lo ainda em 2013.

Vicente – O último lançamento da banda foi o DVD “Crossing No-Fly Zone” (2010), que foi um disco04 bastante original. Conte-nos um pouco sobre esse álbum.

Boll3t – Crossing No-Fly Zone foi a nossa primeira grande chance de mostrar ao público nosso trabalho. Gravamos 9 músicas ao vivo no aeroporto de Caxias do Sul (RS) e mais 6 músicas inéditas na época, direto dos estúdios da ACIT em Porto Alegre (RS), também ao vivo. O DVD foi importantíssimo para nós, conseguimos uma visibilidade fantástica e o pessoal pode conhecer como soamos ao vivo.

Vicente – E o retorno que obtiveram com ele dos fãs e da mídia especializada, foi a esperada por vocês?

Boll3t – Esse retorno foi interessante. Conseguimos emplacar algumas músicas em grandes rádios americanas, e recebemos diversos elogios e ótimos reviews. Em alguns reviews o pessoal chegou até a questionar se o DVD era mesmo ao vivo devido a qualidade, e isso só nos deu ainda mais convicção de que estamos realmente no caminho certo e que todo o planejamento, ensaios e composições está valendo a pena.

Vicente – Muito se fala sobre os diversos problemas da cena Metal no Brasil. Qual avaliação que vocês fazem da mesma, acreditam que ela melhorou, piorou ou está estagnada?

Boll3t – Com nossas conversas com o pessoal de fora, percebemos que todo mundo reclama de sua cena. Não é um problema especificamente nosso. E a cena, na realidade, é a união de cada pessoa, veículo de imprensa, bar e banda isoladamente. Se cada um fizer um trabalho sério, ou tratar o trabalho dos outros seriamente, não teremos motivos para reclamar. Acredito que o principal problema no Brasil seja a profissionalização do meio, é muito difícil trabalhar quando grande parte dos serviços são feitos paralelamente, por hobby ou “no amor”. Essa entrevista, por exemplo, é uma prova disso. Perguntas detalhadas, profundas e feitas com pesquisa e conhecimento, muito diferente do padrão, que são perguntas prontas e superficiais. Se todo mundo buscar a valorização do seu trabalho, e estar em constante busca pela excelência, os fãs consequentemente darão valor a isso tudo.

Vicente – Uma curiosidade. Na página da banda no facebook são listadas diversas influências da banda, algumas até mesmo insólitas. Mas quais seriam realmente as principais influências da Hecatombe?

Boll3t – Somos influenciados por muita coisa como banda, e separadamente cada um tem influências e gostos diferentes. Conseguimos, ao longo dos anos, usar isso positivamente, buscando criar um som que não soe parecido com nada, aquele som que a pessoa escute e diga: Isso é Hecatombe. É muito complicado buscar uma principal influência, quando às vezes você começa a compor algo logo após ouvir algo incrível do Michael Jackson, por exemplo. Acho que quando você tem influências específicas, invariavelmente você acaba soando uma cópia daquilo. E buscamos fugir disso a qualquer custo.

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

Iron Maiden: Uma banda clássica, que conseguiu a façanha de poucos, que é de fazer exatamente sempre a mesma coisa, com a mesma qualidade e eficiência. Foi uma grande influência pra nós, principalmente nos anos iniciais.

Metallica: Uma referência para nós até os dias de hoje, uma banda que conseguiu evoluir e mudar de estilo sem perder a identidade, a qualidade e a energia. É a maior banda de metal de todos os tempos, pois popularizar o metal inclusive no mainstream, abrindo muitas portas para diversas outras bandas.

Avenged Sevenfold: Sei que tem muita gente que odeia o Avenged, que não gosta do visual californiano mega produzido deles, mas é uma grande banda de rock. Eles conseguiram, como poucos, unir metal pesado, new metal e metal melódico como poucos, sem forçar, criaram sua identidade. Graças a todos esses excelentes músicos, um grande número de moleques está gostando de rock, gente que está criando sua personalidade musical, e músicas grandes (de 5 a 6 minutos em alguns casos) voltaram a entrar na programação das rádios.

Slipknot: Somos grandes fãs de Slipknot, uma banda que popularizou batidas rápidas, afinações baixíssimas, solos velozes e vocais guturais. Também tem uma legião de fãs jovens, o que é sempre benéfico para nossa cena. Sabemos que tem muita gente dentro do metal que odeia tanto Avenged quanto o Slipknot, mas graças a essas bandas muita gente da nova geração está entrando no metal, e a cena morreria velozmente se essa renovação não fosse feita.

The Ramones: Mais uma banda clássica, que somos grandes fãs. Como o Maiden e o AC/DC, é uma banda que passou a carreira fazendo o mesmo som com muita competência. A pulsação que as músicas do Ramones tem deixam qualquer um empolgado. Na minha opinião, o Loco Live é o melhor disco ao vivo que tive o prazer de escutar.

 

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho da Hecatombe e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam no Metal nacional.

Boll3t – Obrigado por estarem com a gente por todo esse tempo, buscando entender nosso trabalho e apoiando a cena. Ser uma banda independente é muito difícil, e sem essa receptividade das pessoas tudo seria desnecessário. Continuem apostando no metal nacional, ouvindo as novas bandas, ouvindo as velhas, indo em shows e comprando discos (eu ainda compro!). Agradecemos a todos e a você Vicente pelo apoio e por acreditar no nosso trabalho. Para conhecer o nosso som, entre em nosso site www.hecatombe.com.br  e nos siga nas redes sociais. Keep Rockin’!!!

Inner Pain : http://www.youtube.com/watch?v=fMK5UgxDlvw

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