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O Blazing Dog é daquelas bandas que honram o que chamamos de Heavy Metal no Brasil. Mesmo sem as facilidades que algumas bandas possuem, seja pela exposição na mídia (algumas bandas sem sequer disco lançado estão a todo momento aparecendo como salvadoras do Metal nacional, desnecessário citar nomes), ou pela localização privilegiada. Mas este grupo do Distrito Federal mostra que a paixão e satisfação pelo seu trabalho é tudo que necessitam para prosseguir nesse caminho. É o que o baixista Renan Guimarães deixa claro nessa entrevista, onde fala mais sobre a carreira da banda, o futuro disco e o ótimo Metallic Beast, seu primeiro disco lançado em 2009.

 

Vicente – Após quase uma década de existência, qual a avaliação que fazem da carreira do Blazing Dog?

Renan Guimarães: Fazer Metal nunca foi algo fácil, mas os anos em que o Blazing Dog está na ativa foram extremamente satisfatórios para a banda. Pudemos conferir de perto o quanto o amor pelo estilo move as pessoas e o quanto é prazeroso tocar algo tão envolvente quanto o Heavy Metal. Passamos por alegrias, dificuldades, percalços e vitórias, pois, assim como na vida, a banda tem seus altos e baixos. Mas os altos são sempre mais importantes e marcantes do que qualquer coisa que aconteça. Estamos muito empolgados com nossa fase atual e prontos para darmos os passos seguintes nessa jornada.

Vicente – Vamos falar do novo disco da banda, que estará pintando ainda em 2013, certo? Quais os principais objetivos da banda para este ano?

Renan Guimarães: Esse disco vai ser uma continuação do trabalho iniciado no Metallic Beast, vindo com mais peso e melhores técnicas de gravação. Já temos várias músicas prontas, estamos atualmente selecionando o material que fará parte do novo álbum e escrevendo as letras para esses sons. Esse ano gravaremos nosso primeiro DVD, projeto que está na gaveta desde 2010. Todos estão bastante empolgados e ralando muito para que tudo saia do jeito que planejamos.

BD 3Vicente – Qual a principal diferença que percebem na composição das novas músicas com relação as do aclamado “Metallic Beast”?

Peso. As novas músicas soam com um peso descomunal, mantendo o senso melódico que norteou o primeiro álbum. Tanto o acerto no timbre de cada instrumento quanto o amadurecimento da nova formação como banda gerou um novo contexto em estúdio e ao vivo. A sinergia no grupo está fantástica e temos certeza que conseguimos criar momentos mágicos em várias composições. Para conferir como estamos soando, assista um teaser da música The Shadow: https://www.youtube.com/watch?v=TEtvjHWq2TI

Vicente – Este disco foi a apresentação do Blazing Dog para os fãs do Metal. Conte-nos um pouco sobre a gravação e composição deste álbum.

Renan Guimarães: A composição do Metallic Beast iniciou-se logo após a formação da banda, no ano de 2004. Começamos ensaiando covers do Grave Digger e Fight, mas logo começamos o trabalho com sons próprios. No ano de 2007, quando tínhamos todas as músicas prontas, entramos em estúdio para iniciarmos o trabalho de gravação. Sofremos bastante para termos a bolachinha em mãos, pois o produtor demorou quase dois anos para nos entregar o trabalho pronto. Lembro que na época o Guns N´ Roses ainda não havia lançado o “mítico” Chinese Democracy e eu ficava pensando: não é possível que esses caras vão lançar o disco antes do Metallic Beast ficar pronto… e olha que depois do lançamento do disco do Guns, demorou mais de um ano para o Metallic Beast virar CD!

Vicente – A banda teve algumas mudanças de formação com o passar dos anos. Como está a atualBD 4 formação do Blazing Dog?

Renan Guimarães: Da formação original permanecem Carlos Sousa (vocal) e eu no baixo. Entraram Júlio Rasec e Raziel Reaver nas guitarras e Léo Cavalcante na bateria. Com esse time, o som ficou mais pesado, mantendo a dose de melodia de Metal clássico que vocês escutaram em nosso primeiro disco. Estamos prontos para registrar grandes trabalhos com essa nova formação!

Vicente – Atualmente fala-se muito dos problemas do cenário nacional quanto ao Rock e Metal. Vocês consideram que a cena nacional realmente piorou, ou tudo é uma questão de ponto de vista, de fazer um trabalho sério e o mais profissional possível?

Renan Guimarães: A cena vem passando por um momento de mudança. Não sei se é um ciclo de baixa ou se o comportamento do público mudou com a facilidade de acesso a qualquer tipo de material/vídeo/lançamento/raridade/coloque-o-nome-que-você-quiser-aqui pela internet. Provavelmente a segunda opção, o comportamento do ser humano realmente está se modificando com o advento da internet. As bandas hoje têm que se adaptarem a essa nova realidade e continuar interagindo com seu público por meio das novas ferramentas que surgem. E elas estão sempre em constante mudança.

Vicente – Qual a sua maior influência, aquele que o levou a querer ser um músico profissional?

BD 4 OKRenan Guimarães: Acredito que ser um músico profissional é viver exclusivamente da banda. Isso não ocorre no Blazing Dog, pois todos nós temos empregos que nos sustentam. Melhor assim, pois não encaramos o Blazing como trabalho. Sobre a minha maior influência, é difícil citar apenas um nome. Existem indivíduos que possuem qualidades extraordinárias em que me espelho. Sempre admirei muito Steve Harris por sua postura e dedicação ao Iron e Cliff Burton por fazer aquelas loucuras com distorção no baixo, além da atitude de pouco se importar com o que estava em voga no momento. A primeira vez que escutei (Anesthesia) Pulling Teeth foi um choque!

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

Raven: Escutei bastante o Life´s A Bitch no segundo grau. Sempre curti a vigorosa presença de palco e o seu pioneirismo, que serviu de grande influência para a geração que criou o Thrash Metal.

Metallica: Kill´em All foi o disco que me apresentou ao Metal e é um marco na história contemporânea da música. Nada foi como antes na cena após esse álbum. Uma das maiores e melhores bandas de todos os tempos.

Iron Maiden: Letras fantásticas, vocais estupendos e capas que nos fazem viajar sem sair do lugar. Um disco do Iron é uma aula de Heavy Metal do mais alto gabarito. Uma banda que tem grandes músicas para qualquer momento, seja ele qual for.

Saxon: Primeira grande banda de Heavy que assisti ao vivo, foi algo inesquecível. O vocal de Biff Byford continua intacto e é impressionante como até hoje lançam discos do mais alto escalão. Never Surrender!

Judas Priest: O epítome do que significa Heavy Metal. Sempre estiveram à frente de seu tempo e sempre inovaram em cada lançamento feito. Um clássico absoluto. É impressionante como cada vez que escuto um álbum do Judas, descubro algo diferente que nunca havia reparado antes.

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho do Blazing Dog e apostam no Metal nacional. 

Renan Guimarães: Parabéns por fazer parte de uma cena musical pulsante e verdadeira em um mundo onde o instantâneo e superficial ganham cada vez mais espaço. Agradecemos de coração todo o apoio e força que vocês têm nos dado. In Battle Invictus!

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