fotos nova pen

A história do Pentacrostic se confunde com a história do Doom/Death Metal nacional, pois fui uma das precursoras do estilo em nosso país. Um estilo que nem sempre tem o reconhecimento devido, ficando muitas vezes longe dos veículos de comunicação. Mas isso não interfere na paixão pelo gênero, nestes quase 25 anos de carreira da banda paulista. Nessa entrevista com o Baixista/Vocalista/Fundador Marcelo Sanctum ele faz uma retrospectiva completa da carreira da banda, sem “papas na língua”, o que fez desta conversa um grande apanhado de lembranças e já visualizando o futuro da banda. Confiram…

Vicente – Bom, para começar, qual a avaliação que você faz da trajetória da banda até este momento?

Marcelo Sanctum – Pentacrostic é uma banda que vem crescendo muito musicalmente desde o inicio de carreira, e muito respeitada no underground porque sempre tocamos o que realmente curtimos sem precisar impressionar ninguém .

Vicente – Tudo começou com a Demo “Welcome to the Suffering”. Conte-nos como foi esse inicio para a banda?

Marcelo Sanctum – Decidimos gravar essa demo em 1991 na cidade de Belo Horizonte (Minas Gerais), na época tínhamos muito contato com o pessoal das bandas de lá e foi ai que o falecido Oswaldo (vocal do SexTrash), nos deu total apoio para que a gente conseguisse realizar esse trabalho, não tínhamos nada na época e ele conseguiu nos acomodar em sua casa e pegou emprestado equipamento com o pessoal das bandas para a gente gravar, se não fosse ele não teríamos conseguido.  Foi um grande irmão, graças a ele o Pentacrostic conseguiu se destacar no underground, pois as coisas naquela época eram muito difíceis, e teve ate participação dele na demo, os gritos de agonia na intro foi ele quem fez.

Vicente – Daí surgiu o primeiro disco “The Pain Tears”. Como foi a experiência de gravar o primeiro álbum? Rolou tudo como esperavam?

Marcelo Sanctum – Após gravar essa demo as portas se abriram e a Hellion se interessou em lançar o primeiro trabalho em vinil ainda na época, e voltamos mais uma vez para BH para gravar, não tínhamos muito tempo de gravação em estúdio, pois foi a gravadora Hellion  que estava bancando tudo para nós, então corremos contra o tempo e fizemos o máximo que agente podia para assim poder lançar algo no Brasil que fosse uma revolução e no final deu tudo certo.

 

Vicente – Esse disco hoje em dia tem o status de clássico do gênero Doom/Death Metal. É um orgulho ser influência para as novas bandas do estilo que surgem hoje em dia no Brasil?

Marcelo Sanctum – Sim com certeza esse trabalho se tornou um clássico e claro que é um grande orgulho para a gente ver que muitas bandas foram influenciadas, já cheguei a ver muitos colocarem o nome de sua banda, zines, rádios etc usando os temas de nossas letras.

 

Vicente – Em 1996 vocês lançaram “De Profundis”, que consolidou de vez o nome da Pentacrostic no cenário nacional. Como foi a composição deste disco?

 Marcelo Sanctum – Foi um grande desafio compor esse álbum, na época acabei criando tudo sozinho porque a formação tinha mudado totalmente e como tínhamos contrato assinado com a Hellion, estava na hora de lançar algo novo e mais uma vez corremos contra o tempo, pois não dava mais para esperar e, como eu falei, foi tudo muito corrido, estávamos gravando e fazendo shows ao mesmo tempo, foi uma loucura, mas conseguimos superar.

 

Vicente – “Moments of the Afflictions” foi o terceiro disco. Qual seria a principal diferença dele para os discos anteriores?

Marcelo Sanctum – Acho que é um álbum mais trabalhado, onde tivemos mais tempo em estúdio para gravar, viajamos mais na gravação e a sonoridade dele é mais cadenciado .

 

Vicente – E por fim, em 2009 surgiu “The Meaning of Life”, um álbum que trouxe um som muito mais brutal, retornando com força as raízes Death Metal da banda. Foi um ato consciente o disco sair com essa sonoridade?

Marcelo Sanctum – Sim, foi um ato consciente. Queria lançar algo mais brutal, pois sempre estou pensando em fazer alguma coisa diferente, queria mais energia, mais desafio, e foi ai que criei mais uma vez tudo sozinho, infelizmente, pois a formação era outra também.

 

Vicente – E como foi a resposta dos fãs para “The Meaning of Life”?

Marcelo Sanctum – Foi ótima a resposta dos fãs, até mais do que eu esperava, tivemos muitos elogios e com esse álbum chamamos a atenção da gravadora HELLDPROD. da Holanda onde assinamos contrato e acabamos de gravar um EP com o titulo de “EMANATION FROM THE GRAVE”, que vai ser lançado somente lá fora, também foi lançado em 2010 pela Helldprod uma coletânea de 21 anos de carreira da banda contando toda a historia com o titulo de “THE PAIN YEARS”.

 

Vicente – E quais são os principais objetivos da banda para 2013?

Marcelo Sanctum – Queremos em 2013 fazer muitos shows e se preparar para um novo álbum também.

 

Vicente – Você acredita ser mais complicada uma exposição na mídia para quem toca Doom/Death Metal, em detrimento dos demais estilos?

Marcelo Sanctum – Acho que não tem espaço pra todo mundo, depende de cada um o limite que quer alcançar. Claro, se você monta uma banda e quer chegar a entrar na mídia, tem que batalhar muito e ter um pouco de sorte também.

 

Vicente – Como avalia o cenário para as bandas nacionais nesse momento? Há mais espaço para divulgação e realização de shows, ou não houve nenhuma mudança substancial nesse sentido?

Marcelo Sanctum – Hoje em dia tudo é mais fácil, qualquer um que monta uma banda consegue fazer uma turnê lá fora e aqui, vai de cada banda, pois quem batalha mais consegue mais. Porém tem que mostrar a diferença. Eu não vejo hoje em dia banda nenhuma se destacando como nos anos 80, que muitas bandas fizeram e ficaram para a historia, hoje em dia tudo é mais fácil, mas ninguém consegue fazer a diferença, infelizmente ta faltando isso.

 

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

 Paradise Lost: uma banda que já renegou o passado, não acho legal isso

My Dying Bride: muito foda o som no inicio e muito criativa, fez a diferença na época.

Morbid Angel: uma banda perfeita de Death Metal que fez e continua a fazer a historia.

Imago Mortis: uma banda que em nada me chama atenção e interesse de escutar o som.

Sarcófago: orgulho nacional, a maior banda do mundo. Ficou para a história do metal.

 

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho da Pentacrostic e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam no Metal nacional.

Marcelo Sanctum – Quero agradecer pelo espaço e a todos do underground que sempre nos apoiaram, pois estamos sempre na ativa, e posso garantir que sempre seremos uma banda underground. Todos que assistirem a um show do Pentacrostic irão ver um show cada vez mais produzido que o anterior, que todos apreciam com prazer o real Death Metal brasileiro, curtam mais e prestigiem mais os shows das bandas nacionais, não deixem de ir num show de banda nacional, principalmente de bandas dos anos 80, pois aqui temos as melhores bandas que fizeram e fazem a historia do metal. Quem deixa de prestigiar as bandas nacionais está perdendo, e muito, vendo a vida passar numa tela e quando decidir ver pode ser tarde demais, pois essas bandas poderão não existir mais e você não terá uma história para contar.

 870_logo