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Apesar de todos os reveses que as nossas bandas passam ao longo de sua trajetória, é incrível a capacidade que possuem de prosseguir e lançar discos cada vez mais espetaculares. No caso do Soulspell, essa constatação vale ainda mais, pois a ambição de fazer um projeto nos moldes do Avantasia e Ayreon por aqui, e o mesmo ter tanta, ou até mais, qualidade que os citados, é motivo de grande orgulho de nossa parte. Nessa entrevista, Heleno Vale, baterista, compositor e idealizador do Soulspell, fala mais sobre o recente disco da banda, o grande “Hollow’s Gathering” e sobre tudo que cerca a banda, além dos planos para o futuro próximo. E já ficamos na espera de um novo disco e o prosseguimento desta promissora história do Metal nacional…

Vicente – Inicialmente, conte-nos um pouco sobre a trajetória da banda. Como surgiu a ideia por trás do Soulspell?

Heleno – A ideia do Soulspell surgiu em 2005 quando decidi compor algumas músicas para minha banda. Eu criei uma história, juntamente com meu grande amigo Eduardo Frezza e comecei a criar uma trilha sonora para a mesma. Logo percebi que essa trilha deveria ser cantada por diversos vocalistas que interpretassem seus personagens. Foi assim que tudo começou em Lençóis Paulista-SP, com músicos e vocalistas completamente desconhecidos, mas talentosíssimos.

HelenoMeioCorpo– Vocês lançaram ano passado “Hollow’s Gathering”. Como foi a gravação do mesmo, rolou tudo como esperavam?

Heleno – Sem dúvida. O processo rolou normalmente e percebemos que estamos cada vez mais aprendendo a trabalhar juntos e a gerenciar todas essas etapas. Inclusive para o próximo disco começamos a trabalhar bem mais cedo (desde dezembro de 2012), para que não haja imprevistos e possamos lançar um disco melhor elaborado e mais “recheado”, provavelmente em 2014.

Vicente – E o retorno do pessoal e da mídia especializada, mesmo ainda recente, é o que esperava?

Heleno – O retorno da mídia cresceu muito nesse disco. Acredito que o motivo principal seja o amadurecimento das composições e fortalecimento do nome do projeto ao longo dos últimos anos. Além disso, posso destacar o fato de que esse foi o primeiro disco que pudemos fazer a promoção desde o começo junto ao nosso selo internacional. Estou bastante feliz com as resenhas, entrevistas e destaques da mídia.

Vicente – Como foi a composição das músicas, já existia uma concepção de que a música “xis” ficariaDaisaCorpoInteiro perfeita com tal músico? Ou apenas após tudo estruturado você procura os músicos que acha mais adequados para o disco em questão?

Heleno – Durante o processo de produção acaba acontecendo as duas formas de criação que você citou. Não temos um processo pré-definido de composição, pois isso acaba engessando as músicas. O principal foco nesse aspecto é sempre a “emoção”. Se a música não emocionar o ouvinte, ela não serve pra nada. Tentamos sempre manter esse foco, independentemente de quem participará na canção.

Vicente – De quem foi a ideia e quem foi o responsável pela capa do disco, pois a mesma é fantástica.

Heleno  – Obrigado. O responsável pela capa é o artista Felipe Machado (Blind Guardian, Rhapsody Of Fire). Ele é realmente fantástico. Apenas passei o contexto pra ele e ele criou essa arte maravilhosa. Pretendemos trabalhar com ele novamente em breve, apesar de queremos também testar novos artistas nessa parte. As 3 capas do Soulspell até o momento foram feitas por 3 grandes artistas diferentes: J.P.Fournier (Avantasia), John Avon (Magic) e Felipe Machado. Pretendemos realizar uma busca para encontrar um novo artista especial para a quarta capa e caso não encontremos alguém tão especial, tentaremos fechar novamente com um desses 3 grandes nomes.

54Vicente – Tanto o trabalho em si quanto a preocupação em todos os aspectos são um dos pontos altos do Soulspell, que realiza um trabalho extremamente profissional. Esta foi a proposta desde o principio?

Heleno – Essa é e sempre foi a proposta e confesso que ainda não atingimos nem 50% da nossa meta com relação ao profissionalismo. Queremos nos tornar um projeto reconhecido mundialmente e temos paciência e estrutura de trabalho para conseguir isso a médio/longo prazo. Em 2013 estamos mexendo muito mais com essa parte, fechamos finalmente uma parceria forte com uma assessoria de imprensa, fechamos parcerias nacionais e internacionais para a realização de contatos internacionais e gerência do projeto. Enfim, vocês podem aguardar um Soulspell muito mais forte já em 2013 e, principalmente, podem esperar um quarto disco que seja um divisor de águas para o profissionalismo do projeto em todos os aspectos.

 

Vicente – Outro ponto alto de “Hollow’s Gathering” é a história. Conte-nos um pouco sobre ela e como surgiu a ideia?

Heleno – A história do Soulspell está escrita desde antes de o primeiro álbum. Eu considero isso um grande diferencial, pois se cria um clima especial e uma expectativa muito grande de um disco para o outro. Não há projetos no Heavy Metal que se baseiem inteiramente e sejam tão focados em sua história, como é o caso do Soulspell. Por isso, estamos tentando adequar nosso show a essa característica tão especial. Quem for a um show do Soulspell em 2013 deve assistir a cenas inesquecíveis e emocionantes de teatro + narrações + figurinos especiais + música + participações, enfim, tudo que contribua para deixar esse show de Heavy Metal mais moderno e interessante pra vocês.

Vicente – É praticamente impossível enumerar todos os músicos que participaram deste disco, tanto64 nacionais como artistas estrangeiros. Como foi chegar a cada um deles?

 Heleno – Cada um foi uma história diferente. Há um contato muito pessoal para cada um deles. Contatos geram contatos, nossos antigos participantes foram decisivos nessa busca.

Vicente – Para você, qual a principal diferença entre “Hollow’s Gathering” para os primeiros discos da banda?

Heleno – A principal diferença é o amadurecimento das composições, porém some-se a isso a mudança de sonoridade e o crescimento das participações especiais com peso. O clima tenso e músicas rápidas foram herdados dos discos anteriores.

36Vicente – Qual é o próximo passo do Soulspell? Quais são os objetivos para 2013?

 Heleno – São muitos: gravação e lançamento do novo vídeo clipe; realização de shows mais teatrais; produção do quarto álbum com novas e mais especiais participações; lançamento de livro; gravação de DVD etc. Não sei ainda se conseguiremos realizar tudo isso em 2013.

Vicente – Como você vê o cenário no nosso país nesse momento? Acredita que piorou ou houve uma pequena melhora na divulgação e espaço para shows?

Heleno – Primeiramente temos que ter em mente que esse cenário nunca foi fácil, muito menos no Brasil. Então, se está difícil, não deveria ser novidade. Está pior que antigamente? Sim, parece-me que estamos vivendo um momento de transição muito complicado, mas de nada adianta ficarmos lamentando ou reclamando ou acusando. Penso que o mundo dá voltas e temos que nos adaptar e, principalmente, nos manter vivos até que as coisas melhorem. Além disso, creio que não devemos aguardar passivamente essa mudança. Quem faz as revoluções é o povo, portanto temos que participar ativamente desse momento difícil, tanto os fãs, como bandas, como empresários, como donos de casas de shows etc.  Vamos trabalhar e ajudar todo esse período a passar mais depressa, para que o Rock reine novamente. Eu acredito no ressurgimento do Rock e Heavy Metal e tenho fé que uma segunda época de ouro está por vir.

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

Avantasia: Influência estrutural e sonora para o Soulspell. Inteligência de seu criador. Oportunismo. Ao meu ver alcançou tamanho sucesso devido ao momento vivido pelo Heavy Metal e ao vocalista Michael Kiske ter aceitado voltar ao Metal no momento da criação do projeto. Sorte, trabalho e talento! Receita perfeita para o sucesso.

Ayreon: Evolução incremental ao longo dos álbuns, momentos de genialidade e dono de um dos melhores álbuns de Metal de todos os tempos 01011001. Uma influência ainda maior para o Soulspell.

Angra: Oportunismo no momento certo. Vejo os problemas externos sendo muito prejudiciais para a banda. Era o time perfeito pro estilo Speed Metal quando foi criado. São e sempre serão importantes para o Metal brasileiro. Acredito que hoje em dia precisam de uma possível volta do André Matos para despontarem novamente, porém, podem manter um bom nível com algum outro grande vocalista. Influência para o Soulspell.

Helloween: Pioneirismo no Metal Melódico, dependentes de uma possível volta do Kiske para liderar o mercado mundial do Heavy Metal novamente. Influência para o Soulspel.

Blind Guardian: Criaram um novo ramo dentro do Metal, devido à voz diferente do Hansi Kürsch. Inovação. Bom gosto. Grande influência para o Soulspell. Depois do Iron Maiden é minha banda de Metal favorita.

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Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho do Soulspell e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam no Metal nacional.  

 Heleno – Agradeço a você pela entrevista e a todos os amigos e fãs que a leram. Pra finalizar, posso dizer que estamos lançando um novo vídeo clipe e tenho certeza que esse é um material de divulgação muito importante hoje em dia juntamente aos shows. Recomendo que todos assistam nossos 2 vídeo clipes e compareçam se possível a algum show, pois estamos preparando algo muito especial e diferente de tudo que já houve no Heavy Metal. O Soulspell está se estruturando e optou por partir definitivamente para integrar teatro e música em cima do palco, coisa que ninguém está fazendo atualmente e que pode tornar muito atraente e inovador seus shows. Obrigado a todos! Compareçam aos shows de Heavy Metal Nacional sempre e comprem os álbuns sempre que possível! Custa pouco pra você e pode valer muito para o Metal nacional a longo prazo!

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