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Daydream XI. Para todos que ainda não conhecem, guardem o nome dessa banda gaúcha, pois ainda iremos ouvir falar muito sobre eles. Prestes a lançar seu primeiro álbum completo de estúdio, O Prog Metal executado por eles tem tudo para agradar os fãs deste gênero e, por que não, aos fãs do Metal em geral. Para falar um pouco mais sobre a carreira da banda e sobre o disco vindouro, conversei com o guitarrista Marcelo Pereira e com o vocalista Tiago Masseti, que resultou numa entrevista muito bacana. E ficamos na expectativa do que o futuro do Daydream XI nos reserva…

 

Vicente – Bom, inicialmente qual a avaliação que fazem dos 8 anos de existência da banda?

Marcelo: Acho que foram 8 anos de muito crescimento pessoal e profissional, resumindo tudo. Tivemos mais mudanças de formação do que imaginamos que teríamos no começo da banda, mas isso só aproximou ainda mais os que ficaram (e os que vieram).

Nesse tempo conseguimos lançar um EP, um single e compor as 11 músicas que vão fazer parte do disco, que resume bem tudo o que passamos.

Tiago: Sério que já foram oito anos? É tanta coisa acontecendo que fica difícil perceber que essa banda já faz parte da nossa vida há tanto tempo. Nós começamos com quinze anos de idade, agora estamos com vinte e três… O Daydream XI esteve presente em uma fase muito determinante do nosso crescimento como pessoas e como profissionais. Acho que a cada ano que passa nós nos sentimos mais à vontade trabalhando juntos e temos mais vontade de fazer um trabalho criativo e honesto.

 

DSC_5264Vicente – No inicio a banda chamava-se Osmium, mudando de nome para Daydream XI um tempo depois, correto? Por que ocorreu a mudança e como chegaram ao nome atual da banda?

Marcelo: Um dos principais fatores para a mudança do nome foi a existência de outras bandas com o mesmo nome. O nome Osmium passava a idéia de um som mais extremo, o que não é parte do nosso som.

Tiago: O nome Osmium era uma brincadeira de adolescentes, fãs de metal, que achavam que a ideia de um metal da tabela periódica nomear uma banda de metal era muito legal! Com o tempo nós percebemos que a proposta era ter uma banda mesmo, levar isso como profissão e não só como passatempo. O nome Osmium simplesmente não comportava isso. O nome Daydream XI foi escolhido de uma lista de pouco menos de 100 nomes que eu criei. Enviei a lista pra todos os integrantes da banda e pedi pra que cada um escolhesse os que mais gostavam. Cada um escolheu os seus cinco favoritos. Daydream XI apareceu em todas as listas! Foi unânime. O Daydream vem de devaneio, do ato de sonhar acordado, e o XI é um número que chamou nossa atenção por causa da Teoria-M, da física, que sugere um modelo onde o universo tem onze dimensões. As duas ideias conectadas abrangem possibilidades de temática e sonoridade. Nós queríamos, acima de tudo, um nome que não limitasse a banda. Se o nome fosse The Power of the Eternal Dragon Flame nós nunca poderíamos falar de viagem no tempo ou do poder da mentira nas letras.

 

Vicente – Após isso a banda lançou o EP “Humanity’s Prologue”. Conte-nos um pouco sobre este primeiro registro do Daydream XI?

Marcelo: Foi um trabalho bem complicado. Nós gravamos o EP em 2007 e só conseguimos lançar ele em 2009. Quando finalmente lançamos o Humanity’s Prologue oficialmente nós já estávamos começando a trabalhar no material do álbum e estávamos com um som bem diferente daquele primeiro material, por isso lançamos The Guts Of Hell não muito tempo depois. A melhor parte de gravar o EP foi o ver o quanto todos cresceram com o processo de gravação. A produção do Renato ficou excelente e a gente se divertiu muito.

Tiago: O EP foi fundamental no crescimento da banda, pois foi a primeira vez que gravamos algo pra valer, com um produtor envolvido, e isso fez toda a diferença. O Humanity’s Prologue serviu também como um termômetro pra medir a aceitação da banda com o público. Foi por causa do feedback em cima desse material que nós decidimos continuar levando isso a sério e compor o material para o álbum completo. O EP é realmente um prólogo do que está por vir. O encarte dele traz duas frases que representam muita coisa no álbum que está sendo gravado. Essas frases farão sentido agora.

 

Vicente – Em 2010 surgiu o Single “The Guts of Hell”. Como foi a composição desta faixa?capa certa DDXI

Marcelo: The Guts Of Hell começou com um riff (da introdução) que eu fiz em 2009. Mostrei pro Tiago, ele gostou e nós começamos a trabalhar em cima da ideia. Não demorou muito para termos uma estrutura para trabalhar o resto da música. O Tiago veio com a ideia da letra e as melodias e logo a música ficou pronta. Como não sentíamos que ela precisasse de mais trabalho (como outras músicas que já estávamos criando para o álbum) e queríamos lançar um material novo, a escolhemos para ser lançada como Single. Ela ainda é uma das minhas músicas preferidas de todas que fizemos e acho que ela se destacou bastante no seu lançamento.

 

Vicente – E agora 2013 reserva o lançamento de seu primeiro disco completo. Como estão as gravações?

Marcelo: Já terminamos as gravações de bateria (e inclusive lançamos um videoblog no youtube). O trabalho do Bruno foi animal! Superou todas as expectativas que tínhamos (e elas não eram baixas)! Dentro de alguns dias vamos começar as gravações de baixo e guitarra. Eu estou particularmente ansioso para começar. Adoro todo o processo de gravação, só não é melhor do que tocar as músicas ao vivo.

Tiago: Tivemos alguns atrasos devido à vinda de um equipamento dos Estados Unidos, mas ainda estamos dentro do nosso cronograma e as coisas estão saindo muito bem. Gravar metal é um trabalho extenso, cheio de cuidado e perfeccionismo, então as coisas sempre demoram! Tem algumas coisas que complicam tudo ainda mais, como o fato de estarmos gravando uma música de mais de vinte minutos, mas o processo todo está sendo muito empolgante. A vantagem de gravar com um cronograma apertado é que tudo acaba sendo feito com uma gana maior. A cada dia que entramos no estúdio surge uma ideia nova pra deixar os arranjos mais interessantes. Além disso, tivemos algumas mudanças na formação da banda, que vão ser anunciadas em breve!

bruno gravac_a_oVicente – Mesmo ainda cedo, qual a principal diferença que estão percebendo nas composições com relação às músicas dos registros anteriores?

Marcelo: Todos nós amadurecemos muito como músicos. Aprendemos a trabalhar dentro de nossas limitações ao mesmo tempo em que aprendemos a expandir elas. Acho que estamos com um trabalho sólido, com refrãos fortes, riffs pesados e muitos compassos quebrados, claro (risos). Estamos prontos para surpreender positivamente todo mundo que já gostou dos trabalhos anteriores e também àqueles que não nos conhecem ainda.

Tiago: The Guts Of Hell vai estar no álbum, com algumas pequenas mudanças de arranjo, então a comparação é exclusivamente em relação ao EP. Acho que a principal diferença é que esse álbum já esboça uma identidade do Daydream XI. No EP estávamos começando e encontrar a sonoridade da banda (Open Minds foi a primeira música que fizemos juntos). As músicas novas têm temas e riffs que as pessoas já vão relacionar e dizer “isso é muito Daydream XI!”.

Vicente – A banda vem atualizando sua página no facebook com as gravações do disco. Como surgiu a ideia de compartilhar estes momentos e como vêem a Internet como uma ferramenta de divulgação de sua música?

Marcelo: Sempre vi a internet como uma grande porta para a divulgação do material. É um meio de nos comunicarmos diretamente com quem está ouvindo o som, tendo um feedback direto e sincero. Também vejo que o público gosta muito desse contato com as bandas e acho muito importante que isso seja sempre reforçado, por isso veio a ideia dos vídeos. Nós estamos já há mais de 2 anos sem lançar materiais novos e esse é o nosso jeito de dizer “Estamos vivos e bem! Vamos fazer a espera valer a pena!”

Tiago: A internet é a responsável por estar matando a indústria fonográfica da forma que conhecíamos e está trazendo um novo modelo que ninguém sabe ao certo ainda como vai ser. Dentro do metal, quem não estiver fazendo parte disso não tem a menor chance de fazer da música uma profissão. Fazemos questão de postar os vídeos o mais rápido possível, para que o público da banda possa acompanhar o que está rolando com o menor espaço de tempo entre o que eles estão vendo e o que nós vimos.

Vicente – Atualmente fala-se muito dos problemas do cenário nacional quanto ao Rock e Metal. VocêsDSC_5203 consideram que a cena nacional realmente piorou, ou tudo é uma questão de ponto de vista, de fazer um trabalho sério e o mais profissional possível?

Marcelo: Essa é uma pergunta muito complicada. Em primeiro lugar, acho o rock no Brasil muito disperso. Pra cada banda que aparece criamos um rótulo diferente e o próprio público acaba se segregando, ao invés de se unir. Eu nunca entendi o porquê disso. Aqui no RS temos muitas bandas incríveis e que se dão muito bem. Acho que ao invés de dizer “eu gosto de prog, por isso vou ouvir tal banda” ou “eu gosto de metal extremo, vou ouvir aquela banda”, pq não apoiar todas as bandas? Vejo bandas como o Hibria e o Distraught que sempre estão se apoiando e fazendo shows muito bem sucedidos juntos, mesmo sendo de estilos completamente diferentes.

Tiago: Eu acho que o Brasil nunca esteve tão bem servido de músicos de metal como está hoje. Cada vez mais surgem bandas com músicos incríveis! Com o nível de talento e performance que a cena vem apresentando acho que é injusto dizer que o metal no Brasil está mais fraco. O problema é que estamos no meio dessa transição de modelo da indústria, como falei antes. Mas isso não é privilégio do rock e do metal… Só quem vende disco e lota estádio hoje em dia é padre, sertanejo e a Ivete Sangalo! Acho que quem quer estar presente na cena tem que parar de reclamar e fazer um trabalho de qualidade, bem produzido, bem gravado e executar isso no palco, no show, olhando no olho do público… Hoje é isso que mais importa.

Vicente – Qual a sua maior influência, aquele que o levou a querer ser um músico profissional?

Marcelo: Acho que minha primeira grande influência foi o Iron Maiden. Lembro de ficar impressionado vendo os ligados do Dave Murray e o quão melodioso e preciso o Adrian Smith era. Decidi que queria ser músico profissional quando assisti o Iron Maiden no Rock In Rio 3.

Tiago: Tem tanta gente que me influenciou de tantas formas como músico que não tenho como eleger a maior… Mas duas bandas que me marcaram muito e foram determinantes nisso foram o Iron Maiden e o Metallica, porque foram os primeiros contatos que eu tive com o Heavy Metal. Eles foram os responsáveis por fazer eu me apaixonar pelo estilo quando tinha uns onze ou doze anos de idade.

 

DSC_5277Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

Symphony  X:

Marcelo: Uma banda que merece muito mais reconhecimento do que eles têm hoje. Uma das minhas bandas favoritas!

Tiago: Uma das bandas mais consistentes do cenário do metal mundial. Os caras elevam as próprias capacidades a cada álbum e fazem isso de uma forma que não parece forçada. Eles são sem dúvida uma das nossas maiores influências. Ainda bem que é “em poucas palavras” se não eu podia falar por horas sobre eles…

Dr. Sin:

Marcelo: 3 dos melhores instrumentistas do Brasil na mesma banda? Não tem como dar muito errado! Acho que se tivessem um vocalista mais versátil eles seriam ainda melhores.

Tiago: Os caras são instrumentistas realmente muito bons. Edu Ardanuy é um guitar hero brasileiro cara, não fica devendo em nada pra gringo nenhum.

Pain Of Salvation:

Marcelo: Toda vez que eu ouço eles eu fico de queixo caído. Daniel Gildenlöw é um dos melhores vocalistas/instrumentista/compositor da nossa época. Apesar de eles não terem o mesmo sucesso, acho que eles fazem tanto pela música hoje quanto os Beatles fizeram nos anos 60 e Daniel é uma mistura de Paul McCartney e John Lennon com guitarras pesadas!

Tiago: Daniel Gildenlöw pra mim é um dos poucos músicos no metal que faz música como arte e não como peça de entretenimento. É um dos poucos que despeja os sentimentos dele nas composições, sem medo do que os fãs vão pensar. É um cara que compõe porque ele precisa daquilo e não porque quer dar algo que os fãs precisam. É uma das bandas mais incríveis do mundo. Eu tive o privilégio de falar tudo isso pra ele pessoalmente na última visita do PoS em Porto Alegre e agradecer a ele pelo trabalho que eles vêm fazendo. Foi uma experiência recompensadora.

Dream Theater:

Marcelo: Os gigantes do metal atual! Sempre foram uma enorme influência para mim, especialmente John Petrucci e Mike Portnoy.

Tiago: O Dream Theater é um dos principais responsáveis pelo Prog Metal que conhecemos hoje. Eu sou um grande fã. Algumas coisas ao longo da carreira deles fazem eu sentir falta de um pouco de honestidade e de alma, nas músicas e nas performances. Acho que eles sacrificaram um pouco a conexão com o público e o sentimento por trás das composições em prol de manter o status que eles possuem como gigantes, como referências de virtuosismo.

Angra:

Marcelo: Sempre foram a maior banda de metal do Brasil, junto do Sepultura. Foi uma grande influência para mim nos meus primeiros anos. Queria ver um retorno triunfal do Angra com um vocalista novo e um disco fantástico (como fizeram com o Rebirth).

Tiago: Assino embaixo! A ausência do Angra é algo que enfraquece a cena do metal no Brasil. Eu estou torcendo por esse retorno!

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho do Daydream XI e apostam no Metal nacional.

Marcelo: Fazer 11 perguntas foi proposital? Quero agradecer todo mundo que apoia e acredita no Daydream XI e no metal nacional! É pelo apoio de vocês que a cena vai se fortalecer. Quero também agradecer ao Vicente pela entrevista e deixar aqui os links para quem quiser saber mais sobre o Daydream XI.

Tiago: Muito obrigado ao Vicente e a todos os leitores! A todos os daydreamers por aí, muito obrigado pelo apoio e pelo contato que vocês vêm fazendo com a banda nos últimos anos. Continuem sempre comentando, nos dizendo o que vocês acharam do trabalho, que pra nós isso é muito importante. Em 2013 o Daydream XI vem com um álbum completo, cheio de novidades, e em breve nós estaremos de volta aos palcos pra apresentar esse trabalho que estamos gravando com tanto carinho! Esperamos ver todos vocês na estrada, cantando a plenos pulmões nos shows da banda!

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