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A entrevista de hoje é com a banda catarinense Juggernaut, uma banda até certo ponto recente (8 anos de existência), mas que vem conquistando seu espaço de forma gradativa. Um dos responsáveis por isso é seu mais recente disco “Ground Zero Conflict” de 2011, e a banda promete mais para o futuro. Nessa conversa Célio Jr. (Guitarra), Cícero (Vocal) e Valda (Baixo) contam mais sobre a trajetória do Juggernaut, sobre “Ground Zero Conflict” e o futuro da banda. E para quem gosta de um Thrash Metal, mas com grandes influências de Death e até mesmo Rock Progressivo, aconselho acompanhar a carreira da Juggernaut de perto…

 

Vicente – Como vocês avaliam a trajetória do Juggernaut até este momento?

Célio Jr. Foram quase 8 anos de muita luta para continuarmos fazendo este trabalho. Eu avalio como positivo, principalmente pelas cidades que conhecemos e as amizades que fizemos e continuamos a fazer, tanto diretamente quanto indiretamente ligadas à cena Heavy Metal.

 

Vicente – E quais são os objetivos da banda para 2013? Talvez um novo álbum irá surgir neste ano?

Célio Jr.: Em 2012 a banda ficou meio que “na geladeira”. Foram diversos motivos, desde viagens e compromissos profissionais até indisponibilidade de outros integrantes, bem como mudanças de formação na banda. Isso afetou muito o trabalho de divulgação, fizemos pouquíssimos shows fora do nosso estado e isso se refletiu muito na divulgação do Ground Zero Conflict. Estamos com um novo baterista, o Alefer, que vem trazer sangue novo à banda. Pretendemos apostar em um EP para 2013, talvez com 2 ou 3 músicas inéditas e quem sabe o relançamento de umas músicas mais antigas. A gente já vinha trabalhando com a ideia da primeira tour Européia, que também precisou ficar em segundo plano, mas espero que este ano possamos concretizá-la para enfim executar os shows em 2014.

 

Vicente – O mais recente disco da banda é o “Ground Zero Conflict” de 2011. Como foi a gravação do álbum, rolou tudo como esperavam?

Célio Jr.: A gravação, o estúdio e nosso produtor foram 100%. Mas foi um álbum difícil de gravar. Nas músicas experimentamos uns tempos diferentes, fugindo um pouco daquele clichê 4X4. Obviamente que fazer algo nesta linha exigiu muito da gente e muitas horas de estúdio. Aliado a isso, tivemos um álbum 100% independente, arcado com nossos próprios recursos, isso também dificultou o lançamento do mesmo.

Cicero: No inicio pra mim foi muito difícil, tinha feito uma gravação em estúdio com outra banda que tinha, antes de entrar na Juggernaut, mas foi uma Demo gravada “ao vivo”, não tinha experiência alguma no assunto. Mas depois que peguei o ritmo, com a ajuda do produtor e da banda toda, tudo deu certo, o resultado me impressionou bastante.

Valda: Gravar na mesma cidade em que mora ou próxima dela sempre ajuda, podendo fazer alguns takes com mais tempo. Quando entrei na banda as músicas já estavam todas compostas e de minha parte tive apenas que criar as linhas de baixo, o que no final me agradou bastante, sendo músicas que hoje ouço e que mudaria pouquíssimas coisas.

 

155454_522462921105436_1542602509_aVicente – E o retorno do pessoal, tem sido o que vocês imaginavam?

Célio Jr.: Da parte de críticas, resenhas, foi tudo excepcional. Vemos sempre o pessoal muito curioso assistindo a banda nos shows, acho que conseguimos deixar uma marquinha diferente no disco. Claro que também tem aquela galera que agita, dá mosh, então atingiu todo mundo de certa maneira. O lado ruim, como já comentei anteriormente, foram os diversos empecilhos que rolaram no ultimo ano. Não pudemos nos dedicar com tempo e com assessoria de imprensa para a divulgação do álbum como gostaríamos.  É uma pena, sinto que esse disco tinha tudo pra ser lançado nos 4 cantos do Brasil, mas a realidade é que não vivemos de música, pelo contrário, muitas vezes a banda se torna até despesa, então a vida profissional tem que falar mais alto às vezes.

Vicente – Um dos grandes destaques do álbum é a música “Undercurrents”. Como foi a composição desta faixa em particular?

Célio Jr.: Legal esta pergunta. Em 2008 entrou na banda um grande amigo meu, o Emerson fundador e baixista do Jailor de Curitiba. Como o Jailor estava “parado” naquela época, surgiu o convite e ele topou entrar na banda e compor as músicas para o Ground Zero Conflict. E foi tudo assim, compondo em pares, que saíram as músicas. Essa em especial foi ele que me mostrou os riffs iniciais e eu complementei com algumas ideias. Depois de feitas minhas alterações, ouvimos e tocamos juntos, fizemos os ajustes e aí montamos as linhas de bateria e metrônomos. Tudo ali, em ensaio, ao vivo e na raça.

A letra eu escrevi e foi baseada no livro “Undercurrents: A Life BeneaththeSurface” que é um relato pessoal sobre obsessão, depressão e o tratamento de choque, o eletro pulso, aplicado a certos doentes mentais para tirar-lhes a ansiedade. A palavra “undercurrents” tem essa ambiguidade, da corrente elétrica no cérebro e como seus efeitos para a memória e a vida de uma pessoa são devastadores.

Valda: No quesito gravação foi a música que mais deu trabalho, fizemos várias mixagens para que ela se complementasse as demais faixas, onde sempre parecia que ela tinha algo soando estranho, mas que no fim vimos que o próprio andamento dela é que deixava ela diferente e acabamos por chegar num veredicto e parar por aí mesmo.

 

Vicente – O som do Juggernaut é aquele Thrash Metal tradicional, mas que algumas vezes chega até a flertar com o Death Metal pelo peso das músicas. Como vocês vêem esse estilo hoje em dia?

Célio Jr.: O Death metal na linha do grande Death e Control Denied é claramente uma grande influência para nós, mas não é somente este estilo, o disco recente tem bastante influência de metal e rock progressivo também. Falando do Death Metal atual, acho que cresceu bastante o publico que curte este estilo, não falo apenas daquele Death Metal mais técnico, mas também do mais extremo. Você vê hoje uma banda como o Krisiun, por exemplo, que faz um som extremo e eu até diria “anti-comercial” mas que tem um público fiel. Os caras tão aí, na humildade, levando a bandeira do Brasil e do RS pra todos os cantos do mundo. É legal ver isso.

Valda: Eu sou suspeito a falar, pois curto muito Death Metal, mas prefiro aquele Death com certa dose de melodia, não aquelas melodias exageradas, tem que ter um meio termo, amo bandas como Hypocrisy, Gorefest, Bloodbath, Opeth, Dismember, Borknagar…

 

Vicente – Muito se fala sobre os diversos problemas da cena Metal no Brasil. Qual avaliação que vocês fazem da mesma, acreditam que ela melhorou, piorou ou está estagnada?

Célio Jr.: Lógico que melhorou muito, principalmente na aceitação do estilo pela sociedade. Ainda tem discriminação, mas não se compara a uns 15 ou 20 anos atrás. O problema é que a cena metálica vive fases que mudam de tempos em tempos e agora vejo que gente vive aquela onda do “headbanger de facebook”. Tá cheio de gente por ai que é muito Banger atrás de um teclado de computador, mas nunca dá as caras em show nenhum. Também tem aqueles que têm banda e só aparecem em eventos quando a própria banda vai tocar. Daí, depois de tocar, juntam o equipamento, ficam 5 minutos no evento e vão pra casa. Depois vem com aquele discurso moralista de “união”. Isso é o que eu mais vejo hoje.
Quando eu comecei a tocar na Rhestus em 1999 não se falava em banda de Thrash. Aliás, era um estilo marginalizado, pois todo mundo só queria saber de tocar metal melódico.
Agora o Thrash virou modinha, tem o lado ruim disso, por exemplo, aquela garotada andando de colete hoje, pois todo mundo acha legal e menos de 6 meses depois estão em festa de sertanejo universitário. Ou as dezenas de novas bandas que surgem todos os meses e que são cópias descaradas umas das outras. Mas também tem o lado bom, pois como o estilo ficou mais “acessível” digamos assim, o número de shows aumentou muito. Mas isso também tem suas consequências. Em SC, por exemplo, na nossa região (que fica fora da capital) se você juntar tem umas 15 ou 20 cidades que rolam shows, todas muito próximas e que somadas não têm 500 mil habitantes. Não é difícil ver 2 shows acontecendo no mesmo dia, na mesma cidade, com publico dividido e os produtores levando prejuízo.
Outro cancro que vejo são as bandas cover que infestam os eventos, daí você gasta uma grana gravando discos, tem que abrir mão muitas vezes até da família pela paixão de tocar e fazer um som e as pessoas simplesmente preferem ir lá ouvir ídolo cover que muitas vezes é mal executado.

Valda: No meu ver, desde que comecei a tocar a 20 anos, vi poucos altos e baixos em relação a shows e festivais, alguns festivais começaram e pararam, mas outros vieram no lugar, porém, são poucos os organizadores que atualmente fazem algo pra valer, com uma boa aparelhagem, divulgação e respeito pelas bandas. Como o Célio disse, as bandas cover é que matam e que muitas vezes é considerada como a “headliner” do festival por executar bem as músicas da banda original, acho isso um tanto ridículo, pois qualquer um que estudou música sabe executar com perfeição aquilo que já foi criado, quero vê-los criar, fazer algo tão bom quanto a banda que copiam. Não tenho nada contra as bandas cover, apenas acho que o lugar delas é em barzinhos onde você vai tomar uma com os amigos no final do dia e a mesma estivesse lá tocando, como se fosse uma rádio ligada em uma estação de rádio rock, ou seja, sem ter que pagar para ouvi-los, apenas um atrativo da casa. 

 

Vicente – Quais são as suas maiores influências?

Célio Jr.: É muito pessoal, cada integrante tem seus gostos. Eu particularmente sou muito influenciado no Death, como já comentei, mas gosto muito do rock e metal progressivo, como Rush, Marillion o Dream Theater que admiro muito. Gosto muito do Thrash mais direto também, como o Kreator, o Destruction o próprio Sadus que acho muito foda. Tem o heavy metal clássico que sempre fui fã, o próprio Iron Maiden, Grave Digger, Manowar.

Cicero: Pra mim o Chuck Billy do Testament sempre foi uma grande influência, a linha de vocal dele me impressiona bastante, mesmo depois dos problemas que ele já enfrentou. Mas cada banda tem sua qualidade, não importa se é Thrash/Death/etc, você sempre consegue tirar algum “proveito”.

Valda: Acredito que eu seja o mais eclético da banda, não procuro ouvir bandas por estilos, mas sim, pelo som que a mesma executa, tenho cd’s e vinis de bandas que vão do pop ao Black Metal, procuro tirar o melhor de cada uma e a cada momento você está a fim de ouvir algo mais calmo ou mais extremo, eu pelo menos sou assim. Por exemplo, tenho influência de dois baixistas totalmente extremos um do outro, Steve DiGiorgio e John Taylor.

 

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

Célio Jr.: Primeiramente quero dizer que a opinião é particular de cada membro e não reflete a opinião geral da Juggernaut.

Destruction:

Célio Jr.: Sem duvida nenhuma é uma das maiores influências da Juggernaut. Ver os caras no palco ainda hoje, com aquela energia toda é muito foda. E o Mike como guitarrista me influenciou demais.

Cicero: Foi um dos primeiros shows internacionais que assisti, em 2005, não conhecia muito a banda na época, mas a energia deles no palco me impressionou bastante, desde então virei fã.

Valda: Não sou um fã, mas gosto muito e pude vê-los em 2002 junto com o Kreator, foi matador.

 

Sodom:

Célio Jr.: Abrimos um show dos caras em 2012 e nos foi negado pelo vocalista do Sodom o desejo de tirar uma foto e conhecer a banda, alegando que o mesmo não estaria “disposto”. Foi uma pena, ficamos chateados com a atitude, mas tirando isso, o som dos caras é muito bom.

Cicero: Tirando esse fato negativo que o Célio comentou acima, não tem como você falar de Thrash Metal e não citar o Sodom, até hoje mantendo a mesma “pegada”.

Valda: O Tom foi um cuzão, mas o batera foi gente boa (risos) mas fora isso, é uma das Big Four do thrash da Europa.

 

Dorsal Atlantica:

Cicero: Gosto de bandas que tocam Metal com as letras em português, e em minha opinião o Dorsal foi um dos precursores disso. Ótima banda.

Valda: Conheci a banda quando entrei na Rhestus, onde até chegamos a tocar um cover deles, mas foi só isso, conheço pouco e nunca me chamou a atenção.

 

Kreator:

Célio Jr.: Certamente uma das bandas que mais admiro e certamente passei a gostar do Thrash metal quando na minha adolescência ouvi o Coma of Souls. Impressionei-me demais com a técnica e com a potência do vocal do Mille Petrozza. Sem dúvida nenhuma é uma banda antológica!

Cicero: Uma das primeiras bandas de Thrash Metal que ouvi, sempre admirei os trabalhos dos caras. Velocidade e técnica.

Valda: Uma das melhores bandas thrash, sendo esta uma das que mais curto, até o polêmico Endorama me agrada.

 

Korzus:

Célio Jr.: Em minha opinião, a mente criativa do Korzus se chama Silvio Golfetti. O admiro muito como musico e como a pessoa humilde que é.

Até ouvi alguma coisa atual dos caras, achei muito bem produzido, mas confesso que não acompanho mais como antigamente.

Valda: Vi alguns shows deles e o último trabalho me impressionou, ótimas músicas, excelentes músicos, só não entendo o porque de não terem estourado até hoje.

 

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho do Juggernaut e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam no Metal nacional.

Célio Jr.: Obrigado por todos que continuam nos apoiando, mesmo depois desse período de certa inatividade. Graças a vocês é que continuamos seguindo com esse trabalho árduo, porém gratificante. Aguardem, pois estamos separando novidades para 2013 e 2014. Entrem em contato conosco, todos os fãs e amigos serão sempre bem vindos! 
Facebook: www.facebook.com/JuggernautThrash

Site: www.juggernaut.com.br

Valda: Agradeço a todos que estiveram presentes nos shows e que de alguma forma ajudaram a banda adquirindo merchandise, fazendo a cena se manter cada vez mais forte. E aos que estão sumidos, tirem suas bundas do sofá, parem de reclamar que 15 ou 20 reais está caro pra ver tais bandas e façam a coisa acontecer.

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