Ester Segarra

A Grécia não tinha uma grande representatividade no Metal até o surgimento do Rotting Christ ao final da década de 80; Com seu Black Metal tomou de assalto o mundo metálico com álbuns que se tornaram clássicos como “Thy Might Contract”, “Triarchy of the Lost Lovers” e “A Dead Poem”, sendo este o primeiro que escutei da banda. Capitaneados pelos irmãos Sakis e Themis, eles irão desembarcar aqui no Brasil em Março para uma série de shows. Com extrema boa vontade para falar dos shows aqui e do novo álbum da banda (Kata Ton Daimona Eaytoy, que estará sendo lançado em Março), o líder Sakis concedeu esta entrevista para o blog, e ficamos na expectativa dessas apresentações que prometem…

Vicente – Vocês irão tocar no Brasil em março. O que você espera dos shows aqui, e que os fãs daqui podem esperar do Rotting Christ?

Sakis – Eu não sei o que eu posso esperar de nossos irmãos brasileiros do Metal (Mesmo eu tendo uma suspeita!), Mas o que posso garantir é um show sangrento infernal do nosso lado, uma viagem pelo ocultismo e pelas trevas… E esta é a nossa promessa.

Vicente – Depois de muitos álbuns e músicas marcantes, é difícil decidir o setlist de um show do Rotting Christ? Quais são as novas músicas que certamente entrarão no set list?

Sakis – Preparar uma lista para cada turnê é um dos nossos piores pesadelos, por termos 12 álbuns “sobre nossas costas…” e por não querermos desapontar alguns de nossos fãs é que gastamos um valioso tempo preparando o set list. Então tentamos incluir músicas de toda nossa discografia, algumas músicas novas e muitas canções do passado. Ás vezes nós temos mesmo shows especiais, incluindo exclusivamente as músicas do inicio da nossa carreira. Tipo um setlist mais da velha escola, mas na próxima turnê em sua terra  vamos misturar toda nossa carreira.

Vicente – Vocês vão lançar em Março seu novo álbum “Kata Ton Daimona Eaytoy”. Como foi a gravação e as composições deste álbum?

Sakis – Mais de um ano compondo e mais de um ano meditando e falando comigo mesmo, a procurar os caminhos ocultos da minha alma para ver se tinha algo a dizer levaram a 11 músicas novas que foram gravadas durante mais de 4 meses no Deva Sounds Studios em Atenas e mixado durante duas semanas na Suécia no Facinations Street studios. Eu não me recordo de trabalhar tanto em um álbum e eu acredito que eu vim com  o mais apócrifo álbum do  ROTTING CHRIST. Nosso melhor resultado desde THY MIGHTY CONTRACT.

360530Vicente – Para você, qual é a maior diferença entre o “Kata Ton Daimona Eaytoy” para os demais álbuns do Rotting Christ?

Sakis – “Kata Ton Daimona Eaytoy” é uma viagem, uma viagem pelo conhecimento de civilizações antigas no ocultismo que renasce no lado escuro de cada um deles. São referências das antigas civilizações dos Incas e Maias, passando pelos antigos gregos e mitos eslavos, línguas antigas podem ser ouvidas aqui e ali, e todas estas preenchem um quebra-cabeça multicultural que caracteriza este álbum e que o torna diferente dos anteriores.

Vicente – O álbum conta apenas com você, Sakis e seu irmão Themis nas gravações. Como você vê a nova/atual formação do Rotting Christ? 

Sakis – Tudo tem um começo e um fim nesta vida, então era o momento de apenas os membros fundadores da banda seguirem com o ROTTING CHRIST. Com isso eu e meu irmão mantivemos o espírito vivo e criamos o álbum. Themis gravou a bateria e eu o restante dos instrumentos, bem como a produção. Nada realmente mudou com relação ao álbum anterior, mais ou menos foi feito da mesma forma, mas desta vez eu demonstrei mais paixão do que nunca e eu acho que o resultado recompensou. Já os novos membros, atualmente estamos a trabalhar com dois caras novos, com os quais nós fizemos alguns shows na Europa e parece que eles tem o sentimento e a idéia da banda, então talvez eles possam ser membros permanentes, mas isso é algo que vai levar tempo.

Vicente – Você produziu o álbum também, com a ajuda de Jens Bogren na mixagem e masterização. Você prefere trabalhar desta maneira?

Sakis – Eu trabalho diferente em cada álbum, com diferentes produtores e engenheiros. Eu produzi e fiz a mixagem dos últimos álbuns, e fiz o mesmo com a produção do novo, mas eu escolhi um cara muito bom para a mixagem e o resultado eu percebi bem e me senti recompensado. Esta é a minha “estratégia” como banda, ter diferentes sons e renovar a música da banda.

Vicente – Conte-nos um pouco sobre as letras em “Kata Ton Daimona Eaytoy”, qual é a mensagem que a banda tenta passar para seus fãs?

Sakis – Como eu disse antes “Kata Ton Daimona Eaytou” é uma viagem, uma viagem pelo conhecimento de civilizações antigas no ocultismo, onde renasce o lado escuro de cada uma delas. Não sei se há um significado claro, isso é algo que sempre deixo livre para você interpretar, mas definitivamente a tradução livre do título é algo como “ Faze o que tu queres” onde você possa criar uma pequena mensagem para você mesmo.

Vicente – Rotting Christ é uma das maiores bandas extremas do mundo, uma grande influência para muitas bandas novas. Quais são seus maiores objetivos daqui para frente, talvez algo que você ainda não tenha alcançado após todo esse tempo?

Sakis – Não tenho razões para reclamar. Quando eu estava formando a banda meu sonho era um dia fazer um show, agora eu posso dizer com orgulho que alcançamos o show de número mil. Tenho vivido tanto tempo a maneira Metal de viver, que ser motivo de admiração de novas bandas e influenciar sua música me faz sentir no mínimo orgulho. Eu tenho alcançado meus objetivos, então eu meio que estou tentando inventar novos (porque não  há vida sem sonhos) e este sonho é continuar a fazer isso até a minha morte porque Metal é minha vida. Simplesmente isso.

Vicente – Quando você começou na música, quais foram as suas maiores influências, que inspiraram você?

Sakis – Todos os da primeira geração do Black Metal, e me refiro claro a bandas como BATHORY, CELTIC FROST e VENOM. Estas bandas levaram-me a uma viagem sem fim pela música obscura.

 

Vicente – Em poucas palavras, o que você pensa sobre essas bandas:

Samael: Eu gosto de seus primeiros álbuns e eu os admiro por sua originalidade.

Venom: Não há vida … Metal … sem Venom!

Thou Art Lord: O meu outro lado da criação.

Celtic Frost: Talvez a mais obscura banda que já foi criada neste planeta.

My Dying Bride: eu gosto da melancolia e a atmosfera que eles criam com sua música. Não é meu estilo favorito, mas é claro que fazem boa música e são igualmente uma grande banda .

Vicente – Por fim, deixe uma mensagem para todos os brasileiros que amam o som do Rotting Christ

Sakis – Dizer que temos vocês em um lugar marcante em nossa alma pode soar apenas como mais um elogio, mas não é… É a realidade.

Até logo, quando finalmente iremos encontrar vocês…

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