543373_431927210172933_972320115_n

Continuando a saga anos 90, esta banda conterrânea do Moonspell, que lançou dois grandes álbuns na referida década, “Diva” e “Swallow”, disco em que conheci pela primeira vez o som da banda. Depois a banda teve uma pequena pausa em suas atividades retornando com outros dois ótimos álbuns, “Redemption” e o mais recente “Abyss Masterpiece”. Nessa conversa bacana com Ricardo Dias, ele revela mais detalhes sobre o mais recente disco, sobre a carreira do Heavenwood e da relação Brasil/Portugal no Rock/Metal.

 

Vicente – Para começar, conte-nos um pouco sobre a banda e seus quase vinte anos de atividade.

Ricardo Dias – O HEAVENWOOD foi formado em 1992 sob o nome anterior de DISGORGED desde cedo praticando uma espécie de Death Metal melódico com características muito próprias, o que desde cedo distanciou a banda de outras Portuguesas com a sua sonoridade pesada, mas ao mesmo tempo melódica. Em 1994 lançamos a nossa primeira demo-tape “As Illusive as a Dream” tendo um impacto muito forte na cena portuguesa. Em 1996 com “Emotional Wound” abraçamos uma sonoridade ainda mais melódica e demos o salto até á internacionalização com o contrato por dois álbuns com a gravadora germânica MASSACRE RECORDS lançando “Diva” e Swallow “. Além dos lançamentos na época  tivemos muitos concertos com CRADLE OF FILTH, MOONSPELL, IN FLAMES, ATROCITY, THEATRE OF TRAGEDY, LAKE OF TEARS entre outros. Penso que o fato de termos sido a primeira banda portuguesa a atuar no WACKEN OPEN AIR foi um prêmio mais que merecido para o HEAVENWOOD. Entretanto tivemos de fazer uma espécie de parada com a banda por vários motivos regressando aos lançamentos em 2008 com ” Redemption ” onde tivemos a oportunidade de partilhar a nossa música com a maestria de Jeff Watters do ANNIHILATOR, Gus G do OZZY OSBOURNE / FIREWIND e de Tijs Vanneste dos belgas OCEANS OF SADNESS. Já no 2º album de 98 ” Swallow ” tivemos as brilhantes participações da LIV KRISTINE e do mestre KAI HANSEN do GAMMA RAY !! O 3º album ” Redemption ” foi uma nova rampa de lançamento ao editarmos por uma gravadora nacional e conseguindo exportar com sucesso para todo o mundo o nome e a música do HEAVENWOOD. Tivemos a excelente experiência de trabalhar na mixagem do álbum com JENS BOGREN no FASCINATION STREET STUDIOS na Suécia, além de inúmeros concertos. Entretanto sentimos que tínhamos levado a máquina ao máximo das suas capacidades sendo importante uma nova internacionalização pelas mãos da nova gravadora do HEAVENWOOD, a francesa LISTENABLE RECORDS que é sobejamente conhecida pela lançamento de GOJIRA, TEXTURES entre outros e com eles assinamos por 3 álbuns. Em 2011 lançamos ” Abyss Masterpiece ” um álbum que abraça orquestrações compostas pelo russo Dominic Joutsen, dando um realce mais nobre as letras inspiradas numa das primeiras grandes poetisas portuguesas, a Marquesa de Alorna D. Leonor. Este álbum conta com a participação da norueguesa SPHYNX do RAM-ZET no tema ” Leonor ” e foi mixado e masterizado com maestria pelo alemão Kristian “Kohle” Kohlmannslehner (CREMATORY, POWERWOLF, BENIGHTED) no Kohlekeller Studios na Alemanha.

 

Vicente – Anteriormente a banda chamava-se Disgorged, mas mudou para o nome atual alguns anos depois. Qual o motivo da mudança, e como chegaram ao nome Heavenwood?

Ricardo Dias – O nome de HEAVENWOOD foi retirado do tema “Judith Heavenwood” e teve que ser quase que obrigatório, pois o nome de DISGORGED não combinava com a personalidade do HEAVENWOOD.

527254_459171314115189_672698436_nVicente – Vocês lançaram ano passado seu quarto disco, “Abyss Masterpiece”. Conte-nos como foi a gravação e composição do mesmo.

Ricardo Dias – O album foi gravado em Portugal no ULTRASOUND Studios com o Daniel Cardoso (Anathema, Head Control System) e depois viajou até á Alemanha para ser misturado e masterizado. Foi uma experiência única nos mais variados sentidos, desde da obrigação de simplificar a complexidade das orquestrações com a nossa musicalidade, estudar e redigir os poemas de D. Leonor adaptando ao conceito do HEAVENWOOD. Foi um álbum moroso, pessoalmente falando dei muitas, mas muitas horas de mim tendo a perfeita noção que não é um álbum de fácil digestão às primeiras audições, mas a minha ideia foi a de compor um álbum com longevidade, face a falta de emoção existente em grande parte dos álbuns lançados atualmente. Foi um risco, mas na vida e na música temos de ser assim…Arriscar com honestidade.

Vicente – E o retorno do pessoal, foi o imaginado por vocês?

Ricardo Dias – Em termos de reviews sempre tivemos excelentes reviews de todo o mundo em termos de mídia e fãs!

Vicente – Winter Slave é uma grande música. Como foi a composição dela em particular?

Ricardo Dias – Baseada nas cartas que D. Leonor trocava com o seu Pai quando ela estava presa na masmorra, era muito nova.Ela foi presa por um crime que a sua família cometeu ou não contra o estado Português, por isso imaginemos uma adolescente sozinha numa masmorra  apenas com a vista da Natureza como amiga e confidente, leitura e pouco mais.

Vicente – E qual música do disco indicaria para quem gostaria de conhecer o Heavenwood, aquela que melhor sintetiza o som da banda?

Ricardo Dias – Difícil, muito difícil. Penso que HEAVENWOOD vale pelas obras e não pelos temas no sentido individual, sugiro que ouçam os 4 álbuns de forma organizada.

Vicente – Quais são os próximos objetivos do Heavenwood? Um novo disco em breve talvez?

Ricardo Dias – Sim estamos a trabalhar no 5º album que será baseado no ocultista francês Papus, já demos título, que será “The Tarot of the Bohemians”, será a 1º Parte.

Vicente – Como está a cena Portuguesa para o Rock e Metal hoje em dia? Há espaço adequado para423877_468002906565363_1004735362_n shows de bandas locais?

Ricardo Dias – Sim, existem inúmeras bandas e bastante espaço para as bandas mostrarem a sua música ao vivo, penso que não existe é muitas bandas e espaços com a infra-estrutura e qualidade necessárias para mais bandas com as necessidades que o HEAVENWOOD têm de ter ao vivo. Noto que as bandas estão mais exigentes consigo próprias e com os outros, isso é um bom sinal, mas ainda nota-se uma fraca exportação do Metal Made in Portugal, e isso lamento informar, mas é culpa de nós próprios.

Vicente – O que você conhece das bandas de Rock e Metal do Brasil?

Ricardo Dias – De todos os gêneros, ouço muita música vinda do Brasil independentemente do estilo. Penso que o Brasil é um bom exemplo a seguir pelos Portugueses. O Brasil tem um mercado interno, geograficamente falando, de uma dimensão colossal e o melhor que fizeram nesta fase foi investir forte no mercado interno. O Sepultura, O Sarcófago, O Ratos de Porão foram os primeiros além-mar abrindo portas para outros tantos. Mas defendo que tenham investido e aproveitado o vosso próprio mercado que, curiosamente, é difícil de entrar ou receber, por exemplo, bandas Portuguesas. Ou é falta de comunicação ou interesse de ambas as partes. É estranho, mas verdade.

 

Vicente – Apesar de irmãs de língua, vocês acreditam que falta uma maior integração entre as cenas de Portugal e Brasil, uma união maior em matéria de shows e divulgação de material?

Ricardo Dias – Lógico que sim, por mais que as bandas brasileiras acreditem e queiram ir diretamente para o mercado do centro da Europa, Portugal poderia ser a segunda casa das bandas brasileiras por questões geográficas, estratégicas e muito mais. Portugal deveria aumentar os laços culturais com o Brasil, sinceramente acho que é surreal.

 

Vicente – Quais são as principais influências para o Heavenwood?

Ricardo Dias – A vida, amor e alquimia dos sentidos.

Vicente – Em poucas palavras, fale um pouco sobre as seguintes bandas:

Katatonia: Aprecio muito os primeiros trabalhos, curiosamente denoto algumas características portuguesas na musicalidade e vocalização deles, uma espécie de fado…estranho

Sentenced: Banda enorme, muitas saudades !!

Moonspell: Orgulho, Amizade, Respeito… É a bandeira Portuguesa do metal além-fronteiras até a data.

Paradise Lost: Ícones de um estilo, penso que se esqueceram da fórmula musical que lhes concedeu o sucesso e pela qual milhões ficaram apaixonados

Black Sabbath: Deuses musicais

Vicente – Deixe um recado para os fãs Brasileiros, tanto aqueles que já conhecem, como para aqueles que desejam conhecer mais sobre o Heavenwood.

Ricardo Dias – Quero desde já convidar toda a gente a visitar o facebook oficial da banda em www.facebook.com/heavenwoodofficial  e que descubram uma banda que lhes fará pensar, ouvir com os ouvidos e alma, sentindo um pouco do que os Portugueses e os Brasileiros partilham em comum, o nosso DNA. Um forte abraço musical, votos de saúde e felicidade e que lutemos por uma humanidade com um pé na terra e outro no mar, alma viajante e fogo eterno no coração são estas as palavras com que me despeço para o meu povo irmão!

8042_431925486839772_600022965_n