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Hoje trago uma banda que recém está começando sua caminhada na música, mas que com certeza conseguirá conquistar seus objetivos, pois talento não lhes falta. Falo da banda Marie Dolls, que antes mesmo do lançamento de sua primeira Demo, já colocou no ar seu primeiro vídeo-clipe, para a música “Who Am I?”, cujo link está no fim da entrevista. A banda é formada por Mari Simões (Vocais), Renata Petrelli (Guitarras), Michelle de Campos (Baixo) e Danny Diniz (Bateria). Confiram e guardem esse nome para o presente e futuro: Marie Dolls…

Vicente – Inicialmente, conte-nos um pouco sobre a trajetória da banda Marie Dolls?

Renata – Na verdade, começou como um projeto. Eu tinha algumas músicas guardadas e achei que o momento estava propício para tira-las da gaveta, não gosto de ficar parada. (risos) Em abril desse ano, gravei o instrumental e chamei a Mari Simões que já conhecia de outros carnavais (vejam, eu odeio carnaval, mas é só um comentário retórico) para ser vocalista e letrista. Ela aceitou e então chamei a Dany Diniz para a bateria, que havia conhecido em 2011, e a Michelle conhecemos pela internet, à procura de uma baixista. Está com a gente desde outubro mais ou menos. De lá pra cá, estamos ensaiando nossos sons próprios da demo e já para o CD e alguns covers variados.

Vicente – Para quem ainda não sabe, como surgiu a ideia de batizar a banda com este nome?

Renata – O nome acabei inventando do nada, é mais um tom de sarro de que não somos marionetes de nada, política, religião. Só das nossas vontades.
Mari- Algo como o “Master of the Puppets”. No nosso caso, uma crítica a qualquer tipo de órgão repressor.


Vicente – A banda está lançando seu primeiro vídeo, para a música “Who Am I?”. Conte-nos um pouco mais sobre a gravação.

Renata – Como toda saga de filmagem, tem seus percalços antes, durante e depois. Foi na agência onde eu trabalho, nos cederam o espaço. O bombeiro do prédio chegou a ir lá um momento, mas deu tudo certo no final! Chegamos lá às 13h e saímos às 3h. Houve quem se
perdeu, quem passou mal, mas acontece né. Foi divertido e melhor ainda o resultado final.
Mari- Foi um grande aprendizado e um teste de resistência (risos). Posso citar também que foi uma maneira de termos certeza da formação da banda.

Vicente – E a Demo também estará sendo lançada? Quais são os próximos objetivos da Marie Dolls?

Renata:A demo também será lançada logo mais, precisamos acertar alguns detalhes, mas muito em breve teremos prontinho para todo mundo conferir um trampo de qualidade!

Mari: Nós pretendemos dar uma amostra do que vem por ai com três músicas. Sendo, uma baladinha, uma mais comercial e uma mais pesada. Acredito que em janeiro mais ou menos teremos todas as faixas gravadas.

Vicente – Apesar de já não ser mais novidade uma banda formada somente por mulheres, vocês ainda sentem alguma espécie de resistência por parte do público com relação a isso? Ou acreditam que o “machismo do rock” já é coisa do passado?

Mari- Ainda existe sim, mas de forma bem mais “discreta”. Uma banda é uma banda e músicos são músicos, não importa a formação. O que eu acho um saco na real é a atual super valorização de uma banda quando ela é formada apenas por mulheres, ou tem mulher em uma função raramente desempenhada por uma. Parece que ainda acreditam que o fato de uma mulher tocar algo em uma banda é algo  “extraordinário”, mesmo para hoje em dia, mas isso que eu falei é mais visto no metal mesmo, o nosso estilo é mais tranquilo.

Dani: Eu acho que isso já melhorou bastante de uns anos pra cá, hoje em dia muitas portas estão sendo abertas pras bandas femininas, principalmente as de rock. Em relação ao público, ainda rola dúvida e preconceito por parte de algumas pessoas, aquela coisa do “será que elas tocam mesmo?”, mas de forma geral eu encontro mais pessoas que elogiam e se interessam pelo trabalho da banda, do que o contrário.
Renata: Faço das palavras da Dani e Mari, as minhas.

DSC_0359e-2Vicente – O som da banda não se prende a um único gênero, sendo uma grande compilação de suas influências, desde o rock alternativo até mesmo o Metal. Como vocês classificariam o som de vocês para quem ainda não as conhece?

Renata: Bom, como é basicamente uma mistura de riffs mais pesados e cadenciados com uma voz mais pop e feminina, eu classificaria entre o rock e o metal alternativo que temos hoje em dia por aí, já que tem muita coisa dos anos 90 e de agora no som.


Vicente – Quais são as suas maiores influências, que as fizeram querer aprender um instrumento e seguir o muitas vezes tortuoso caminho da música?

Renata: Eu venho de bandas de metal, porém comecei no grunge. Então nossas composições, tem bastante mistura destas duas vertentes mesmo. Minhas maiores influências são o Jerry Cantrell do Alice in Chains e Dave Mustaine para tocar hoje em dia. Porém,quando comecei, foi embalada em Nirvana, Foo Fighters, Metallica e Iron Maiden.

Mari: Eu sempre gostei de cantar, mas ficava insegura demais por ser soprano ligeiro, ou seja, tenho a voz mais aguda de todas as classificações e poxa, eu queria ter aquela voz rouca meio sexy das artistas dos anos 70 e 80. Mas, não tem como mudar a natureza, né? Quando comecei, aos 17 anos, cantava limpo e gutural e uma banda, depois sai dela e fui pro gutural apenas em outra. Era a minha maneira de fingir que tinha uma voz mais encorpada (risos). Mas essa banda acabou e com o passar dos anos eu aceitei a minha voz e tentei trabalhar ela da melhor forma que pude. Quanto à guitarra eu tive uma infância e adolescência regada a muito rock e metal por causa dos meus pais e da falecida rádio 89 fm. Pedi uma bateria aos 12, mas ganhei um violão aos 14 e entre muitas idas e vindas me firmei como vocalista e guitarrista. As minhas principais influências na real não têm muito a ver uma com a outra, é algo como: Alice in Chains, Metallica, Nevermore, Katatonia, Garbage, Death, Anneke Van Giersbergen e por aí vai.

Dani: Inicialmente eu quis aprender bateria por curiosidade e nem tinha muito conhecimento musical na época… Mas hoje em dia me inspiro bastante em artistas como Dave Grohl, Joan Jett, Jojo Mayer e vários outros de gêneros musicais diferentes, cada qual com suas melhores características que tenho como exemplo.

Vicente – Como vocês vêem o cenário no nosso país nesse momento? Acreditam que piorou ou houve uma pequena melhora na divulgação e espaço para shows?

Renata: Acredito que a divulgação no geral melhorou, mas também banalizou. Tem bastante banda fazendo som de qualidade, mas muitos espaços, principalmente aqui em SP não existem mais, ou então dão prioridade a bandas cover, o que é bem estranho, já que temos shows toda hora das bandas verdadeiras por aí.

Dany: Hoje em dia há várias opções de lugares pra tocar em SP, visto que temos mais bares e casas de show por aqui, mas como a Renata falou muitos deles acabam dando prioridade pras bandas cover e também nem todos lugares valorizam o trabalho das bandas como deveria, já vi muito músico desanimando em relação a isso…

Mari: O mesmo que elas falaram… É triste, as pessoas valorizam mais os covers mesmo, e donos de bares de rock, não querem nem pagar as bandas de som próprio. Ou só começam a valorizar uma banda aqui quando ela consegue algo fora do Brasil e retornam para cá.

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

Alice in Chains: Renata: Inspiração e puro Feeling.
Dani: Uma banda com um som muito único…
Mari: Tá no meu top 3. Uma banda incrível que conseguiu um retorno acima do excelente mesmo com a ausência de seu vocalista original. Eu poderia escrever um livro sobre o Alice in Chains, mas vou parar por aqui.

The Runaways: Renata: Percussoras e de muita atitude.
Dani: Minha maior inspiração de all girl band.
Mari: Abriram as portas, só podemos agradecer.

Soundgarden: Renata: Uma das mais belas vozes.
Dani: Chris Cornell é uma boa referência musical pra mim.
Mari: Instrumental muito expressivo e uma das vozes mais cativantes que já ouvi.

Crucified Barbara: Renata: Hoje em dia, é a referência de que uma banda de meninas pode dar certo.
Dani: Referência que pode dar certo!
Mari: Sinceramente nem tenho o que falar, pois ouvi no máximo duas músicas e não me interessei em ouvir mais.

Black Sabbath: Renata: Para mim, uma das melhores e tem o melhor criador de riffs!
Dani: Nunca fui muito fã (risos)
Mari: Queremos um show no Brasil! Voltem! (risos)

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho da Marie Dolls e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam no Rock e Metal nacional.

Renata: Quero agradecer de verdade a todo mundo que está nos apoiando e quem está curioso pelo nosso trabalho! Estamos fazendo com muita dedicação, esforço e foco.

Dani: Agradeço muito a quem já nos apóia e convido a todos aqueles que ainda não conhecem a banda, a ouvir, assistir e opinar, pois o que faz uma banda crescer é sempre o público!
Mari: Valeu mesmo a todos que nos ajudaram até agora. Nós prometemos que muito mais virá por aí! Estimamos muito as opiniões e críticas, então sintam-se a vontade para comentar nos nossos vídeos e publicações.

Clipe:    http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=5Ge7jVbREg0#!

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