Não há necessidade alguma de apresentar o Korzus para quem curte Metal, as quase três décadas em atividade falam por si só. Nem mencionar o grande respeito, recíproco, entre banda e público. Só é necessário um recado para quem está começando a conhecer o lado mais pesado da música: Não é preciso percorrer Europa e Eua procurando bandas do gênero, pois uma das maiores que existem está aqui no Brasil, Thrash Metal em sua essência. Confiram o que o baixista Dick Siebert disse, numa entrevista muito honesta e bem humorada.

 

 

Vicente – Ano que vem o Korzus estará completando 30 anos de existência. Quando iniciaram em 1983, chegaram a imaginar chegar a três décadas na estrada, numa forma de fazer inveja e ainda em ascensão?

D.S. É incrível pensar que já se passaram três décadas. Nem parece que faz tanto tempo! Dá muito orgulho de fazer parte desta história e ver a que nível o metal chegou e que não virou moda, mas sim um estilo de vida, uma cultura mundial. É gratificante ver que a gente sobreviveu e ainda está vivenciando tudo isso.

Vicente – A banda já lançou álbuns que se tornaram clássicos do Metal nacional, mas na minha opinião a maior virtude da banda são os shows, onde “o bicho pega”. De onde sai tanta vitalidade para continuar proporcionando grandes apresentações para os fãs?

D.S. Não vou revelar o segredo se não veremos uma pá de tiozinhos pulando que nem loucos!!

São vários fatores, mas o primordial é o prazer de tocar metal, fazer o que você gosta essa troca de energia com o público, o som e a proposta são verdadeiros, a parada está no sangue.

Cara, gosto de ver a rapaziada tirando o capeta do corpo. Adrenalina no pau.   Não é uma competição nem mesmo um ringue, mas quando a gente sobe no palco, como você falou o bicho pega.

Thrash Metal über alles!

Vicente – Seu último disco de estúdio foi “Discipline of Hate” de 2010. Como foi a gravação deste disco em especial?

D.S. Como todos os trabalhos realizados pelo Korzus, dentro das nossas condições e limites, fazemos o melhor possível.

A gente compôs 17 músicas e usamos três delas para bônus e uma para single. Fizemos três pré–produções para testar timbres, equipamentos e montar as músicas, isto é dar aquele tapa final.

Foi tudo bem elaborado, cada riff, cada nota, as linhas vocais do inicio ao fim. As gravações foram feitas no Mr Som e a produção ficou a cargo do Pompeu e do Heros e, claro, a banda por trás enchendo o saco.  O especial de tudo isso, foi o empenho, dedicação e realização de um trabalho honesto com o apoio dos amigos e pessoas envolvidas.

Vicente – E o retorno dos fãs, foi o esperado por vocês?

D.S. Sim, foi até além do esperado. O público recebeu bem o Discipline of Hate tanto aqui como na gringa. Numa época em que não se vendem mais tantos CDs, as vendas foram consideráveis. Nota-se também que os downloads na Internet superaram os dos CDs anteriores. O público que comparece nos shows também aumentou. O metal está numa boa fase.

Vicente – O disco foi muito elogiado, muitas vezes sendo considerado um dos melhores da banda. Qual sua música preferida nele, aquela que apresentariam para quem não conhece o som do Korzus?

 

D.S. Cada um da banda tem a sua preferida. Pessoalmente gosto de várias. Gosto muito da “Slavery”, mas apresentaria a “Truth”.

 

Vicente – Vocês gravaram vídeos para as músicas “I am your God” e “Truth”. Como foi a gravação dos mesmos?

D.S. A produção de ambos os clipes ficou a cargo da Idéia House e foram dirigidos pelo Mika (Ricardo Michaelis).

A música “Truth” foi à primeira escolhida e teve uma produção grandiosa apresentando mais a imagem da banda. O vídeo clipe foi gravado na casa de shows Espaço Lux e as imagens do telão foram gravadas no estúdio da Idéia House. Toda a criação e concepção ficaram a cargo do Mika e equipe. O clipe já conta com mais de 281000 acessos sendo o mais visto do Korzus.

Já a música “I Am Your God”, um single da banda que não está no “Discipline Of Hate”, fala da violência doméstica, infelizmente coisa muito comum no Brasil. Teve a participação da atriz portuguesa Tânia Reis e do ator Marcelo Goldino que inclusive já participou de novelas da Globo.

Vicente – E podemos esperar um disco novo nos próximos meses? Sei que todos estão ansiosos para isso.

D.S. O novo álbum já está sendo composto e estamos em pré-produção. Vamos começar a gravar ainda este ano e o lançamento está previsto para o primeiro semestre de 2013.

Vicente – O Korzus sempre teve total respeito do público, mas lembro que na época do famigerado “Metal Open Air” isso tomou uma proporção ainda maior, pois a banda foi saudada por todos pelo profissionalismo que demonstrou ao realizar um grande show no meio de todo aquele “problema”. Após alguns meses, como vocês vêem tudo aquilo que aconteceu, e a apresentação em si?

D.S. Como todos sabem, a organização foi um caos tanto para as bandas e pior ainda para o público. Foi uma pena terem deixado esta mancha na história do metal nacional. O pior é que vai passar um tempo e a rapaziada vai esquecer da turma que fez essa cagada.

Realmente nem a gente esperava conseguir tocar no meio daquela puta zona. Subimos no palco com sangue nos olhos e foi uma apresentação muita tensa. Mas ao mesmo tempo gratificante por poder amenizar um pouco o sofrimento do público que, aliás, se mostrou muito civilizado. Tem cara que tava há anos esperando ver a sua banda favorita, foi lá, pagou e ainda por cima pagou um sapo. Puta sacanagem!

Vicente – O cenário nacional vive um período meio conturbado, com algumas trocas de “farpas” e críticas via imprensa. Na opinião de vocês, como está a cena nacional? Existe tanto problema assim, ou é mais uma questão de ponto de vista, de buscar seu espaço da maneira mais profissional possível?

D.S. Não consigo ver isso. Na real quando vejo esse tipo de picuinha nem procuro me informar a respeito. É uma pena que esse tipo de atitude é coisa do ser humano e é impossível agradar todo mundo o tempo todo. Opinião é que nem bunda: cada um tem a sua.

Vicente – Qual a sua maior influência, aquele que o levou a querer ser um músico profissional?

D.S. Comecei a ouvir rock com o Kiss nos anos 70 e a partir daí veja no que deu. Quando comecei a tocar era apenas por diversão. As coisas foram fluindo naturalmente e quando fui ver já estava envolvido na música profissionalmente.

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

Slayer: a melhor banda do mundo. Para mim, os riffs mais irados!

Sepultura: a maior banda de metal nacional que representa o Brasil mundo afora.

Metallica: a maior banda de thrash

Destruction: Thrash metal alemão de primeira qualidade.

Dorsal Atlântica: banda dos anos 80 que hoje não significa nada para mim.

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho do Korzus e apostam no Metal nacional.

D.S. Obrigado a todos que leram a entrevista e que acompanham a banda.       Vejo vocês no mosh pit! Como é o final de uma entrevista, vai aí uma frase de efeito: o importante é o que você faz e não o que você é.

Clipe Truth: http://www.youtube.com/watch?v=rYJIFPFuxQk&list=UU9i3aSLoTB_lyZJA392LfFA&index=11&feature=plcp

Clipe I Am your God: http://www.youtube.com/watch?v=upxIRtdAubg&list=UU9i3aSLoTB_lyZJA392LfFA&index=5&feature=plcp