Existem países que são conhecidos por seus estilos musicais, como o Power Metal na Itália, o Black Metal na Noruega, e assim por diante. Já o Brasil, por sua própria diversidade cultural, tem uma imensa variedade de bandas e estilos. Mas um dos principais sempre foi o Death Metal, e para quem aprecia o gênero, uma ótima dica é o Necrobiotic. E para quem quiser conhecer um pouco mais sobre a banda, aqui está a entrevista que fiz com o guitarrista e vocalista F.A.C.O. Confiram o que o Necrobiotic tem a oferecer…

 

Vicente – Inicialmente, conte-nos um pouco sobre os quase vinte anos de trajetória do Necrobiotic?

F.A.C.O.: O Necrobiotic começou em 1994, aquela coisa de adolescente headbanger sabe, muita raça e vontade, boas bebedeiras e muito metal…Em 1997 foi lançada a Demo “Carnal Suffering of the War”, nós fizemos alguns bons shows na época….

Em 1999, todo mundo mais crescidinho, a banda acabou interrompendo as atividades, na época era impossível conciliar o Necro com o restante da vida. Voltamos em 2009, no meu primeiro final de semana após voltar a morar na nossa cidade natal já ensaiamos, ou tentamos ensaiar, Em 2010 foi gravado o Debut “Alive and Rotting” que foi lançado no Brasil em 2011 e na Indonésia, pelo selo No Label Records, em 2012.

Nestes últimos meses a banda mudou de formação algumas vezes, agora estamos ensaiando para podermos voltar aos palcos e preparando material novo para o sucessor do nosso Debut.

Vicente – Vocês ficaram mais de 10 anos parados, retornando com força novamente em 2009. O que rolou durante esse período “inativo”?

F.A.C.O.: Nós nunca deixamos de ser headbangers nesse período, mas era muito difícil manter o Necro, cada um morando em uma cidade diferente, uns estudando, outros casando…Eu toquei em algumas bandas de Death Metal, Doom Metal e Thrash Metal por onde passei, até me estabelecer na nossa cidade natal novamente e podermos reviver o Necrobiotic.

Vicente – E principalmente, o que os levou a reativar o Necrobiotic?

F.A.C.O.: Cara, a banda era muito boa, a ideia, as criações, a diversão, a amizade…Hoje é possível conciliar a banda com os demais afazeres… É algo que está no sangue, eu diria que programado no DNA.  Ajuda inclusive a manter a sanidade! Paixão pelo Death Metal!

Vicente – Vocês lançaram “Alive and Rotting” em 2010. Como foi a gravação do mesmo, rolou tudo como esperavam?

F.A.C.O.: Gravamos o “Alive and Rotting” no nosso estúdio de ensaio, numa correria fudida… a qualidade da gravação é boa, principalmente levando em consideração o que tínhamos a disposição. Superou nossas expectativas pessoais, mas no próximo a produção será bem superior!

Vicente – E o retorno dos fãs?

F.A.C.O.: Cara, tem sido muito bom…Estamos muito satisfeitos com nossos shows, ver alguém cantar uma letra sua é uma emoção bastante peculiar, algo que você fez também fazer sentido para mais alguém que não seja você mesmo…As vendagens dos Cds também tem sido muito boas, tanto aqui no Brasil quanto no exterior… O lançamento do disco pela No Label deu novas perspectivas para a banda, hoje nosso disco é distribuído em mais de 70 países, praticamente em todos os continentes…Isso é gratificante também. Necrobiotic around the World!

Vicente – As letras da banda são extremamente fortes. O que desejam passar para o pessoal com elas?

F.A.C.O.: O Necrobiotic surgiu com uma banda Splatter e nós investimos muito nesse tema, “filme de terror”, mas nós escrevemos sobre praticamente tudo, sobre sentimentos cotidianos, religião, ateísmo, satanismo, metal. Acho que nós tentamos nos expressar artisticamente, através de uma ficção Splatter/Trágica, ou apresentar um ponto de vista peculiar sobre o mundo em letras mais intimistas, por exemplo.

Vicente – O som do Necrobiotic é um Death Metal com muitas influências de Grindcore e até alguma coisa de Thrash Metal pinta também. Essa é a proposta da banda desde o início, fazer um som realmente extremo?

F.A.C.O.: Sim, a intenção do Necrobiotic sempre foi fazer música extrema, mesmo que tenhamos influências diferenciadas, como você citou, não só de Thrash, mas de todo o espectro do metal, do Grindcore ao Doom Metal, sempre utilizamos isso dentro da perspectiva do Death Metal. Isso é o Necrobiotic.

Vicente – O pessoal já pode esperar algumas músicas novas?

F.A.C.O.: Sim, já temos 70 % do novo álbum pronto, já tocamos algumas músicas novas ao vivo…Devemos terminar a pré – produção desse novo álbum em breve, para lançarmos no ano que vem, essa é a intenção.

Vicente – Quais são as suas maiores influências?

F.A.C.O.: Death Metal, seja old school, seja brutal, seja  Doom…

Vicente – Como você vê o cenário no nosso país nesse momento? Acredita que piorou ou houve uma pequena melhora na divulgação e espaço para shows?

F.A.C.O.: O Brasil não tem uma cultura de massa que envolva o Metal, então, esta é uma cena marginal, underground, e é muito provável que seja assim para sempre.  Hoje, o número de shows com bandas nacionais é bem menor do que no passado, as bandas da cena nacional tem muita dificuldade para tocar, os promotores de evento tem dificuldade de promover seus shows… Agora põe uma desgraça gringa qualquer no meio, aparece gente que você nunca viu nos shows. Então, o que mais castiga a cena hoje é esse endeusamento de artistas estrangeiros, isso faz parte da cultura nacional em vários aspectos, e se repete no metal… Eu acredito que essa seja a principal diferença da minha época, em que trocávamos K7 e íamos a shows com bandas locais, da cena de hoje onde impera o Download e shows gringos meia boca que todo mundo idolatra.

Vicente – Em poucas palavras, o que acha das seguintes bandas:

F.A.C.O.: As opiniões abaixo são pessoais, não refletem o que outros membros da banda podem pensar a respeito.

Deicide: Karaokê – ouvir o 1º sem cantar as letras, eu não consigo. Banda excelente. Ficou muito apagada depois do “Once Upon The Cross”, só me despertou interesse de novo no “Stench of Redemption”. Os discos novos são mais ou menos…

Aborted: Brutalidade com pitadas de New Metal. Momentos maravilhosos e eventualmente meio chatos de tão técnico. Ao vivo é meia boca, pelo menos no show que fui…Estou perdendo o interesse pela banda.

Carcass: Uma grande influência pessoal, inovador! O Necroticism é um dos melhores álbuns que já escutei, Symphonies e Heartwork não ficam atrás. A ausência de limites criativos fez muito bem para eles, até lançarem o Swan Song, esse sim um disco fraco.

Cannibal Corpse: Adoro o “Bledding” e gosto muito do “Tomb”, eventualmente lançam algo bom, mas já fizeram sua contribuição…Não acho mais relevante.

Sextrash: Espetacular! Os primeiros álbuns eram sensacionais, até o Funeral Serenades eu acho bom, muita gente não gosta. Tem um da volta da banda que é bom também, Rape From Hell, salvo engano. Não gosto dos shows atuais, se bem que faz tempo que não vejo show deles.

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho do Necrobiotic e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam no Metal nacional.

F.A.C.O.: Colegas do reino underground, o Necrobiotic é feita por apaixonados por metal extremo! Se quiser conhecer nosso material, vá até o nosso myspace, www.myspace.com/necrobioticdeathmetal ,  lá estão disponíveis alguns sons de nosso primeiro álbum. Caso queiram entrar em contato com a banda, podem fazê-lo através do e-mail necrobiotic666@hotmail.com.

Obrigado pelo espaço!

Stay Rot!