O Gothic Metal com vocais femininos já passou por melhores momentos, tanto aqui como mundo afora, e hoje em dia somente os medalhões do gênero e algumas bandas que trazem algo diferenciado conseguem sobressair-se no cenário musical. Quem vem conseguindo seu espaço lentamente nesse estilo são os britânicos do Pythia, que lançou neste ano seu segundo disco, The Serpent’s Curse”. Conversei com a vocalista Emily Alice Ovenden sobre esse novo registro da banda e sobre o cenário musical em geral, onde ela demonstra pés no chão, mas confiante em conquistar o espaço desejado pelo Pythia.

 

Vicente – Conte-nos um pouco sobre os cinco anos de existência da banda Pythia.

Emily A. Ovenden – Uma breve história nossa? Bem, surgimos em 2007 com o objetivo de reunir tudo o que nós amávamos no metal e lembrar ao mundo do quão grande o Heavy Metal britânico ainda pode ser. Todos nós tínhamos uma grande experiência de gravar e tocar ao vivo, então a banda se reuniu rapidamente e antes que prevíamos já estávamos tocando na frente de grandes multidões, apoiando shows como Tarja Turunen e Fields of the Nephilim. Continuamos em frente, gravamos dois álbuns, fizeram muitos shows mais, e espero ter deixado uma boa impressão nos fãs do metal, tanto no Reino Unido quanto no exterior.

Vicente – Mesmo com a existência relativamente curta, o Pythia vem construindo uma carreira sólida no metal. Quais são suas próximas metas?

Emily A. Ovenden – Embora eu ache que nós estabelecemos uma sólida base de fãs aqui no Reino Unido, ainda podemos construir mais e alcançar coisas maiores. Tocamos novamente no Bloodstock este ano, que é um dos maiores festivais de metal do país, e senti que nós realmente melhoramos, tanto em termos de nosso nível de desempenho e a resposta que obtivemos do público. Então, um dos nossos objetivos é continuar a crescer o nosso público interno.

Fora do Reino Unido, estamos realmente ansiosos para construir o nosso perfil e temos um acordo de distribuição na Europa dos nossos trabalhos, que parece realmente emocionante.

Mais adiante, tentaremos fazer com que a nossa música atinja a América do Sul, pois sabemos que a região é cheia de headbangers e nós adoraríamos ter a oportunidade de chegar e fazer alguns shows.

Ambos os nossos álbuns também foram lançados no Japão e parece que temos vendas constantes, então também adoraria trabalhar sobre isso e talvez chegar lá para uma turnê em algum momento.

Vicente – Vocês lançaram este ano “The Serpent’s Curse”. Como foi a gravação deste álbum?

Emily A. Ovenden – Foi um processo bastante lento, para ser honesta, mas muita coisa aconteceu em nossas vidas pessoais e por isso acho que, apesar do tempo que levou, estamos todos muito satisfeitos (e um pouco aliviados), quando finalmente foi concluído. Nós achamos que é melhor gravar assim que compomos a música, de modo a ter uma idéia de como as coisas vão soar antes de se comprometer com outra coisa. Então, realmente muitas das idéias principais e estruturas foram gravadas há algum tempo. Mas eu acredito que muitas bandas trabalham assim hoje em dia.

 

Vicente – E a reação dos fãs foi como você esperava?

Emily A. Ovenden – A reação foi ótima! Nós esperávamos que as pessoas respondessem à direção que levou a nossa música – mais rápida e mais intensa em todas as áreas e os fãs realmente entenderam de imediato. Mesmo nas primeiras apresentações ao vivo que fizemos após o lançamento do álbum, muitos dos fãs pareciam já conhecer as músicas novas e cantaram juntas todas as letras. Então, apesar de não saber o que nós estávamos esperando como uma reação, nós esperávamos que fosse positivo (obviamente) o que acabou por ser, e muito mais.

 

Vicente – The Circle foi lançada como um Single também. Como foi a composição dessa música?

Emily A. Ovenden – A canção foi escrita como todas as demais, como mencionei antes. Nós fizemos a estrutura, bateria e guitarra inicialmente, e depois eu escrevi as letras e melodias e brinquei com ela um pouco, até que funcionou. Eu não acho que nós necessariamente a escrevemos para ser um Single, na verdade, nunca fizemos nada pensando dessa forma. Nós acabamos de escrever o álbum e, em seguida, decidimos quais músicas funcionariam melhor como Single. Nós concordamos que Betray my Heart seria o primeiro Single, pois surgia como a música mais cativante e imediata, e isso influenciou na escolha de The Circle, uma vez que é uma música muito diferente, mas também muito cativante e memorável.

Vicente – Antes de “The Serpent’s Curse”, foi lançado o Single “Betray my Heart”. Na verdade, ambas as músicas (Betray e Circle) se tornaram vídeos, que são um diferencial do Pythia, a incrível produção de seus vídeos. Conte-nos um pouco sobre ambos os vídeos.

Emily A. Ovenden – Nós realmente ficamos satisfeitos com a forma como ambos os vídeos saíram, apesar de serem dirigidos por pessoas diferentes e, com isso, saindo de formas bem distintas. Betray my Heart foi uma idéia bastante simples – apenas nós tocando em um local legal em preto e branco. Combinava com a letra e a música e era bastante simples e indolor para gravar. A magia foi adicionada posteriormente por Peppa, o diretor, que também fez o remix incrível da música que nós lançamos como um b-side.

The Circle foi mais um vídeo conceitual, com o visual sendo um pouco mais explícito do tema nas letras. Filmamos um pouco no local e o restante em um estúdio (bem, a garagem do Tim, na verdade!). E o brilhante Graham Trott filmou e o transformou em um produto pronto. É muitas vezes difícil de fazer um vídeo conceitual e não parecer meio bobo, mas este funcionou muito bem – muito mais do que poderia esperar!

Vicente – Qual é a maior diferença entre “The Serpent’s Curse” para “Beneath the Veiled Embrace”?

Emily A. Ovenden – Como mencionei antes, eu acho que tudo em “The Serpent’s Curse” é maior. As melodias e harmonias são maiores e mais épicas, as letras são mais instigantes e desafiadoras. Musicalmente, criamos movimentos mais rápidos do que antes e realmente abraçamos alguns detalhes de metal extremo que apareceram no primeiro álbum. Isso não é tirar os méritos de BTVE – nós ainda estamos muito orgulhosos daquele álbum – mas, como é inevitável, nós crescemos como pessoas e como grupo desde então e, assim “The Serpent’s Curse” é mais polido como um todo.

Vicente – Neste álbum, você escreveu uma das mais conhecidas músicas da banda, “Sarah (Bury Her).” Quais são suas músicas favoritas deste disco?

Emily A. Ovenden – Isso muda todos os dias. Eu amo todas as nossas músicas e elas todas estão em mim. Estranhamente Sarah é provavelmente uma das que menos curto, mas é certamente uma música que o pessoal parece gostar muito.

Vicente – Como é a cena no Reino Unido para o Rock e Metal?

Emily A. Ovenden – Com a história do Reino Unido no metal há um certo orgulho em tudo o que o país produziu, mas, ao mesmo tempo, muitas vezes sente-se que o verdadeiro Heavy Metal desapareceu daqui e que são as bandas, principalmente européias e americanas, que as pessoas estão a seguir. Algo que está no cerne do que impulsiona o Pythia, é o desejo de trazer o Heavy Metal britânico de volta ao país e mostrar que podemos enfrentar, de igual para igual, os pesos pesados do metal de todo o mundo.

Sendo um país tão pequeno, pode ser difícil, principalmente fora de Londres, mas há muitos fãs lá fora, e eles vão sair e apoiar as bandas que tenham algo a oferecer.

Vicente – O que você sabe sobre o Rock e Metal no Brasil?

Emily A. Ovenden – Bem, todos nós já ouvimos falar do Rock In Rio claro, portanto, a impressão que temos é que o metal é muito grande ai e vocês demonstram uma recepção calorosa para bandas que chegam para apresentar-se em seu país. Eu não estou familiarizada com muitas bandas de metal brasileiras, além de Sepultura e Angra, de forma que precisamos ver mais bandas brasileiras que vêm para a Europa!

Vicente – Em poucas palavras, o que você pensa sobre essas bandas:

Sonata Arctica: Eu amo, em particular, o seu material anterior. Ele tem uma grande voz.

Within Temptation: Eu acho que Sharon tem uma voz muito bonita. Muito bom ver uma mãe de três filhos ainda detonando e parecendo incrível!

Stratovarius: Eu os vi ao vivo muito recentemente e achei o show musicalmente transcendental.

Lacuna Coil: Eu não me importo com o que os outros pensam, eu gostava de seu corte de cabelo!

Kate Bush: Uma das minhas favoritas de todos os tempos, uma artista verdadeiramente única.

Vicente – Por fim, deixe uma mensagem para todos os brasileiros que curtem ou queiram saber muito mais sobre o som do Pythia

Emily A. Ovenden – Ei Brasil, nós gostaríamos de ir e tocar para todos vocês! Vamos fazer isso acontecer.

Betray My Heart: http://www.youtube.com/watch?v=FuNEdO8jdGM

The Circle: http://www.youtube.com/watch?v=tThW8JY9GMc