Como novidade pinta esta banda italiana, cujo som passeia pelo Metal, Hardcore, o que comumente origina o mal-fadado Metalcore, mas que, no caso específico do Figure of Six, não é nenhum empecilho para quem quiser conhecer o som deles. Fiz esta entrevista com Matteo Troiano (Guitarra). A formação é completada por Enrico Scutti (Vocal), Peter Cadonici (Guitarra), Stefano Capuano (Baixo), Michele Mingozzi (Teclado) e Antonio Aronne (Bateria). Quem quiser pode entrar em contato com os membros via facebook.

 

Vicente – No próximo ano o Figure of Six irá celebrar 10 anos de existência. Como você vê a trajetória da banda até este momento?

Olá, sim no próximo ano serão 10 anos, parece que o tempo voa! Seria ainda mais tempo, porque começamos a escrever as músicas para o primeiro álbum antes disso, mas em 2003 foi completada a formação. São 10 anos de trabalho duro, sangue e suor. É também o período mais difícil para a música em todos os tempos, o que fez a nossa carreira ainda mais difícil, mas no final deu certo, e seguiremos sempre em frente, fazendo o melhor que pudermos, como nós sempre fizemos.

Vicente – Vocês lançaram em 2011 seu terceiro álbum, “Brand New Life”. Como foi a divulgação? Quando e onde foi gravado?

Na verdade, ele ainda está para ser lançado oficialmente. Nós tínhamos um acordo com uma gravadora alemã chamada Tiefdruck Musik, que deveria lançar o álbum em 2011, mas deu tudo errado, por isso decidimos lançar independentemente mesmo, até que encontramos um selo confiável para lançar o álbum. Tudo está indo bem e eu tenho que admitir que a estratégia “faça você mesmo” ainda funciona. Estamos chegando a mais pessoas, e estamos trabalhando duro para tocar o máximo que pudermos, porque acredito que tocar ao vivo ainda é a melhor forma de promover a sua banda.

O álbum foi gravado perto de nossa cidade natal, mais precisamente em Alfonsine. É um estúdio chamado Fear Studio, conduzido por nosso engenheiro de som Gabriele Ravaglia. Nós gravamos lá com a ajuda do nosso produtor Eddy Cavazza e por Tue Madsen. Depois fomos para a Dinamarca no Studio Antfarm em Aarhus, para concluir a mixagem. Depois enviamos o álbum para Roma, onde Riccardo Parenti trabalhou na masterização em seu próprio estúdio chamado Elephant Mastering.

Vicente – E a reação dos fãs foi como vocês esperavam?

Não ficamos com muita expectativa, mas a reação foi boa. Se você seguiu nossa carreira deve ter notado que substituímos o antigo vocalista (Jacko) em 2009. Com ele a banda estava mais orientada para o Metal / Hardcore devido ao seu estilo mais Hardcore de cantar. Em 2009, decidimos mudar de rumo e começar algo novo. Música pesada, Metal, mas com um toque mais Rock nos vocais. Entramos em contato para isso, com o ex-vocalista do Cheope, Erk Scutti, e tudo correu muito bem, profissionalmente e pessoalmente.

Vicente – Qual é a maior diferença entre o “Brand New Life” e os demais álbuns do Figure of Six?

Bem, como eu já disse, a maior diferença é a substituição do antigo vocalista. Tivemos problemas pessoais com ele, não só artísticas, de modo que substituí-lo significou um sopro de ar limpo para a banda. O que queríamos para o novo álbum era algo renovado, algo que cumpriria plenamente nossas necessidades de fazer algo diferente do Metal / Hardcore, ou como você quiser chamá-lo. Nós precisávamos que nossa música soasse forte, melhorando em qualidade dos álbuns anteriores, mas ao mesmo tempo, sendo mais Rock, fora do estilo Hardcore, do qual não pertencemos mais. Conseguimos isso, mas como você sabe, tudo precisa ter o seu tempo para ser compreendido. Haverá um dia em que a maioria das bandas vai tocar desta forma. Anote isso!

Vicente – “Brend New Life” é um bom exemplo do som do Figure of Six. Quais são as músicas que você indicaria para quem ainda não conhece a banda?

Bem, Brand New Life é a primeira música que escrevemos para o novo álbum. Outras músicas do álbum que representam o novo som da banda, “My Perfect Day”, “Take Me Now”, “I Guess”. Se você quiser voltar ao passado e fazer uma comparação com o que éramos antes, então eu aconselho a você conferir “Morning Star” e “Go Away” dos álbuns mais antigos. Deixe-nos saber o que vocês pensam em www.facebook.com/figureofsix

Vicente – Além disso, vocês lançaram “Aion” e “Step One”. Conte-nos um pouco sobre cada um.

Aion é o primeiro álbum que escrevemos, por volta do início de 2000. Nós terminamos os trabalhos em 2005, gravando e masterizando no mesmo ano. Foi lançado pela Copro Records.. Bem, o que posso dizer? É o primeiro álbum que lançamos… É genuíno, é forte, mas também melódico. É algo que você deve conferir se você está procurando por algo diferente na cena (morta) do Nu Metal. Depois fomos mais Hardcore com o segundo álbum, chamado “Aion”. É mais direto e poderoso. No entanto, você pode encontrar melodia, mas também falhas e talvez alguns riffs você pode agitar muito… Mas como disse anteriormente, não representam a banda como um todo. Minha idéia de Hardcore é diferente nestes últimos anos. Eu acho que os fãs desse gênero de música precisam coerência e desejam “a mesma coisa ao longo dos anos”. É por isso que não cabemos a essa cena. Nós sempre fomos mais artísticos em nossa maneira de escrever canções, o que nos levaria a ser uma banda nunca completamente compreendida, o que nunca foi nosso objetivo.

Vicente – Como é a cena na Itália para Rock e Metal?

Bem, está crescendo. Algumas bandas encontraram o sucesso no exterior, posso citar três ou quatro bandas que conseguiram assinar com selos grandes na Alemanha e EUA, por isso realmente não posso reclamar sobre a qualidade da música que oferecemos. O que deveríamos reclamar é a organização do Rock e Heavy Metal, na Itália. Proprietários de clubes parecem preferir bandas covers ou bandas-tributo, só porque eles têm retorno direto de dinheiro, em vez de procurar bandas locais criativas ou promover shows de grupos italianos. Digo isso do ponto de vista interno. Honestamente, eu deveria colocar alguma culpa no público italiano também. Algo sobre a sua preferência de ver shows estrangeiros (mesmo de menor qualidade), em detrimento de grandes grupos italianos. É algo que deve mudar na mentalidade geral das grandes gravadoras italianas, proprietários de clubes e do público. Não é tão fácil, porque é praticamente toda a classe empresarial da música, mas como nós crescemos em qualidade de bandas, eu acho que vamos crescer nisto também.

Vicente – O que vocês sabem sobre Rock e Metal no Brasil?

Tenho bons amigos no Brasil, em uma banda chamada Eminence. Por favor, mostre esta entrevista para eles! Eles são uma boa banda, e eu os conheço desde os tempos do “Aion” na Locomotive Records. Nós assinamos com o mesmo selo. O que eu posso dizer é que parece que vocês têm bons músicos, mas, como na Itália, devem mudar muito na organização da música em geral.

Vicente – Quais são as suas maiores influências?

Eu ouço um monte de música diferente. Eu não posso nomear qualquer influência. Eu escuto de Metal extremo a música Pop, do Rock dos anos 70 a 90, e assim por diante.

Vicente – Em poucas palavras, o que você pensa sobre essas bandas:

As I Lay Dying: Bom exemplo de uma banda de Metalcore. Eu gostei de seu primeiro álbum na Metal Blade. Não é algo que eu mesmo estou acostumado a ouvir no momento.

Slikpnot: Devíamos falar horas sobre o Slipknot. Eles combinam tantas e diferentes estratégias comerciais. Eles são mascarados como o Kiss, eles tocam pesado como Slayer, eles são inovadores na estrutura de sua formação, eles são comerciais como uma banda Pop. É um produto bem “embalado” se você entende o que eu quero dizer. Eles nunca teriam esse sucesso se não encontrassem o caminho certo para atrair a atenção, e eles fizeram isso da maneira correta. Eu gosto deles, uma boa banda.

Lamb of God: Boa banda também. Eu os vi não muito tempo atrás na Áustria, no Novarock Festival. Randy parece ser um cara bom e verdadeiro. Sinto muito pelo que aconteceu com ele, mas por outro lado eu acho que um cara morreu e alguma investigação tinha que ser feita. Eu não sei como isso vai acabar para ele. Espero que tudo seja apagado em breve. Musicalmente uma boa banda. Uma das bandas mais novas de Thrash que eu gostei depois do Pantera.

Lacuna Coil: Lacuna Coil. O que eu poderia dizer sobre eles? Um exemplo para todos os músicos na Itália. Eles tiveram a oportunidade de expor suas músicas no exterior há muitos anos. Eles também encontraram boas estratégias comerciais, a partir da música que tocam, que foi bem sucedida muito antes do Evanescence. Terminando com a garota agradável (desculpe Cristina) que trabalhou muito para muitas outras bandas depois deles. Nada de ruim a dizer sobre eles

Shadows Fall: Eu gosto muito deles. Eles são de Boston, onde eu tenho um bom amigo. Eles me lembram do Anthrax, que eu amo, e um pouco de Pantera também, mas tudo misturado e executado de uma maneira moderna. Bem, não é uma banda que vai durar muitos anos, como Pink Floyd, mas ainda uma banda muito boa.

Vicente – Por fim, deixe uma mensagem para todos os brasileiros que conhecem ou queiram saber muito mais sobre a música do Figure of Six

Gente por favor, verifique o nosso vídeo em http://www.youtube.com/watch?v=q08p2UtNIaA haverá um novo para a música chamada “My Perfect Day”. Em seguida, se informem sobre nós em www.facebook.com / figureofsix

Eu não conheço nenhuma palavra em português para dizer adeus, mas espero aprender algumas se um dia formos para o Brasil. Rock on!