Os mais puristas às vezes ficam ressabiados quando surgem bandas que fazem um misto de Thrash com Hardcore, nomeado por muitos de Crossover. Quando em mãos erradas, realmente o resultado pode não ser dos melhores, mas isso é algo que não acontece com o Hicsos. Bons músicos, músicas com a agressividade do Hardcore aliadas com a atitude e técnica do Thrash, a banda mostra que, se feito por quem entende, a música se torna poderosa. Realizei essa entrevista como Antonio Saba (guitarra), Marco Anvito (baixo e vocal) e Marcello Ledd (bateria), onde dão uma geral sobre a trajetória da banda e sobre o futuro CD “Circle of Violence”.

 

Vicente – Inicialmente, Falem um pouco sobre as duas décadas de existência do Hicsos. Como avaliam a trajetória da banda desde então?

Antonio Saba – São vinte e dois anos de muito trabalho, dedicação, conquistas e decepções. Mas estamos ai para mais vinte anos, porque é o que a gente gosta de fazer…Se a gente agüentar (risos)

Marco Anvito – Fizemos muitos shows bons e ruins, tivemos alegrias, tristezas e decepções, fizemos amigos, conhecemos novos lugares e em um balanço geral posso dizer que foi tudo muito bom e se pudesse faria tudo de novo. São 22 anos fazendo o que mais gostamos, METAL !!

Marcello Ledd – Eu conheço esses caras desde o início e só entrei em 97, portanto são 15 anos de dedicação, então acho que também posso avaliar essa trajetória como algo que está valendo a pena, temos novidades que em breve estarão a mostra e que valem toda a luta, desde que eu entrei e mesmo antes, ficaram o Anvito e o Sabba. Só perdura quem tem “culhão” e vontade de chegar lá pelas vias do Metal, sem “mi mi mi” e sem frescuras e “playboyzisses”!As próximas notícias serão as melhores da carreira da banda e nada vai nos parar.

Vicente – Seu ultimo disco de inéditas completo foi o “Technologic Pain” de 2007. Como foi a gravação do mesmo, rolou tudo como esperavam?

Antonio Saba – Nós gravamos o “Technologic Pain” com o Marcello Pompeu e Heros Trench (Korzus) em São Paulo. Foi uma rotina cansativa de gravações, mas superou nossas expectativas. Gostamos muito do resultado final.

Marco Anvito – Aprendemos muito na gravação desse CD, foram muitas experiências passadas por esses dois grandes ícones de Metal nacional. Esse disco nos rendeu muita coisa boa, e me orgulho de cada gota de suor derramado para aprontá-lo.

Vicente -E o retorno dos fãs?

Antonio Saba – O retorno não poderia ter sido melhor. Tocamos em lugares que nunca havíamos tocado antes e as pessoas cantando nossas músicas e pedindo para tocar mais. Vendemos praticamente todas as cópias do álbum e ainda nos rendeu uma tour pela Europa que foi fantástica. Para uma banda de Metal brasileira de música autoral…Foi perfeito.

Vicente -O Hicsos faz um Thrash Metal furioso, que algumas vezes chega até mesmo a “resvalar” no Hardcore, inclusive pelas letras da banda. Como vocês vêem esse cenário hoje em dia, tanto no Brasil como no mundo?

Antonio Saba – Hardcore é um dos meus estilos musicais predileto, então sofro influência direta nos momentos de criação das músicas e letras. No Brasil temos o Ratos de Porão e no Exterior o Hatebreed que são bandas que misturam bem o Metal com Hardcore e são monstruosas.

Marco Anvito – Thrash e Hardcore são estilos que sempre caminharam muito juntos. São estilos sempre em crescimento e sempre vimos uma cena forte para esses 2 estilos. O Hicsos é uma grande mistura desses 2 estilos no meu ver.

Marcello Ledd – Eu ouço muito Hardcore e adoro esse estilo, quase tudo que penso na hora de compor sai por essa linha, principalmente na parte das letras, mas também amo o Thrash Metal, como a rapaziada disse, temos influências dos dois lados e talvez isso faça essa mistura que é muito bem vinda por nós.

Vicente -Vocês estão compondo as músicas para um terceiro disco, correto? Como está correndo esse processo?

Antonio Saba – O álbum já está pronto e vai se chamar “Circle of Violence”, só estamos finalizando capa e encarte. Nosso processo de composição é sempre o mesmo: Um chega com uma ideia de letra e música, depois vamos mexendo até ficar legal.

Marco Anvito – Eu acho que é isso que faz nossa identidade, não temos músicas que um integrante compôs sozinho. Sempre é assim como o Saba falou, isso traz mais harmonia e torna essa mistura de Thrash com Hardcore mais evidente.

Marcello Ledd – É isso ai, sempre fica com a cara da banda por causa disso que o Anvito e o Sabba falaram, um grupo, sem líder e sem compositor único que é dono das musicas. No Hicsos sempre foi da banda o resultado final.

Vicente -Conseguem notar alguma diferença nas novas músicas com relação aos discos anteriores? Algo que possam adiantar para o pessoal?

Antonio Saba – No “Circle of Violence” as músicas estão mais trabalhadas e pesadas, as letras com temas bem sombrios.

Marco Anvito – Esse disco está com outra pegada, no meu ver bem mais violento que o “Technologic Pain”. Tivemos mais tempo para trabalhar nele e deixá-lo 100% como queríamos.

Vicente – Quais são as suas maiores influências?

Antonio Saba – Slayer, Biohazard, Hatebreed, Agnostic Front

Marco Anvito – Slayer, Testament, Kreator, Iron Maiden

Marcello Ledd – Led Zeppelin, Anthrax, Ratos de Porão e Agnostic Front, mas tenho muito mais coisas que me influenciam e não caberiam aqui.

Vicente -Muito se fala sobre os diversos problemas da cena Metal no Brasil. Qual avaliação que vocês fazem da mesma, visto o longo tempo que a banda já tem de estrada?

Antonio Saba – Acho que o maior problema do Brasil em relação à cena Metal, são os produtores de show que acham que banda tem que tocar de graça e sem nem um copo de água. Quando tocamos na Europa, em todos os shows ganhamos cachê, alimentação e estadia. Coisa que no Brasil é muito difícil acontecer. Já tocamos várias vezes porque gostamos muito.

Marco Anvito – Acho que basicamente é isso que o Saba falou, mas aqui no Brasil também tem algo muito ruim pra cena que é a super valorização por parte do público e produtores de bandas covers.  Acho banda cover legal, mas é inadmissível você ver um show de banda cover mais cheio que um de banda autoral. O público de Metal tem que valorizar mais o que tem aqui, pois temos ótimas bandas no Brasil.

Vicente -Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

Antonio Saba 

Slayer: A melhor banda do mundo

Anthrax: Já foi melhor…Prefiro com o Bush no vocal.

Agnostic Front: Hardcore roots!!!!

Biohazard: A segunda melhor banda do mundo.

Testament: Teve uma volta triunfante!!!!

Marco Anvito

Slayer: Deuses

Anthrax: Uma das melhores bandas em presença de palco

Agnostic Front: Hardcore sem frescuras!

Bioharzard: No estilo uma das minhas favoritas.

Testament: Semi-Deuses

Marcello Ledd

Slayer – um dos pilares do Thrash Metal

Anthrax – A melhor banda de Thrash do planeta, fodástica

Agnostic Front – Os pais do Hardcore e do Crossover , foda

Testament – Excelente banda, principalmente ao vivo.

 

Vicente -Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho do Hicsos e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam no Metal nacional.

Antonio Saba –  Obrigado a todos os fãs e amigos do Hicsos por nos apoiarem nesses vinte e dois anos de estrada. Sem vocês não estaríamos aqui hoje.

Marco Anvito – Visitem nossa página do Facebook, nosso site, fiquem por dentro das novidades, obrigado a todos que acompanham nosso trabalho, a todos os nossos amigos.  Estaremos de volta aos palcos em breve com novidades. Apóiem o Metal Nacional. Thrash Till Death.

Marcello Ledd – Obrigado a todos pelo suporte, aos reais amigos e a todos os fãs que conquistamos por todos esses 22 anos de batalha. Em breve teremos muitas novidades, venham para o Circulo da Violência musical do Hicsos