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Muito se fala sobre o Metal nacional, tanto para o bem como para o mal, mas acredito que estamos vivendo um período difícil com relação a espaço de shows e afins, mas muito prolifero se pensarmos em novas bandas. Uma dessas é o Bloodforge, que possui um som forte e envolvente, tendo tudo para deslanchar país afora. Neste entrevista a banda fala sobre a carreira, e demonstra paixão pelo estilo escolhido por eles, além de um grande e salutar profissionalismo em tudo que abrange a banda.

 

Vicente: Após 8 anos de banda, qual a avaliação que fazem da trajetória do Bloodforge?

Marcus Lopes (teclado, vocais guturais, backing vocals): Foram oito anos de muita luta, esforço, suor e lágrimas, pouco tempo de sono, desapego, cansaço, desânimo, alegrias e tristezas. Grandes amizades criadas. Mas certamente tudo isso contribuiu para nosso amadurecimento como músicos e principalmente como pessoas.

Doug Bathmann (líder, contrabaixo, vocal masculino principal): Como membro fundador, o Bloodforge foi muitíssimo importante na minha vida pessoal, e foi como uma terapia para que eu pudesse sair de uma fase pessoal muito ruim e mergulhasse na atual fase, muito satisfatória. Nesse tempo, os membros e famílias dos membros se tornaram uma só família, nos ajudamos, nos consolamos e também puxamos as orelhas uns dos outros, não só no que diz respeito a musica, mas à vida pessoal também.

Vicente: Vocês lançaram em 2010 o Single “Screaming Voices”. Como foi a gravação do mesmo?

Marcus Lopes: Foi muito corrido! O nosso guitarrista Rod Silva havia comunicado que teria de se ausentar da banda por um ano, se mudando para o estado do Espírito Santo, dentro de um mês após o inicio das gravações. Assim, ele tinha alguns dias para a gravação das partes dele, então, corremos pra gravá-las. Como já tínhamos gravado um Single antes, estávamos um pouco mais acostumados com o stress que ocorre normalmente nas gravações.

Vicente: E a resposta que obtiveram dos fãs, foi a imaginada?

Doug Bathmann, Marcus Lopes: Eu diria que superou nossas expectativas. Quando lançamos o projeto, não sabíamos se as pessoas iriam gostar, pois o estilo da banda mudou muito depois do single “Forged”, lançado em 2005. Não sabíamos se as pessoas esperariam algo mais nesta linha. Mas mesmo assim, a resposta foi bem positiva. Muitas pessoas elogiaram o single, e esta entrevista é um dos exemplos da boa receptividade. Mas não tivemos muito tempo para observarmos os frutos do “Screaming Voices”, pois na sequência já começamos a gravar o CD “Struggle”, no que estamos envolvidos até hoje. A previsão é que ele seja lançado até o fim deste ano de 2012.

Vicente: A voz da Estefania no Single está bem próxima da Simone do Epica. Ela seria uma das influências da banda?

Doug Bathmann, Marcus Lopes: Sem dúvida a Simone é uma das influências da nossa vocalista, Estefania. Mas quando falamos de influências para o Bloodforge como banda, nossas verdadeiras influências são as bandas de Thrash Metal da Bay Area, como Testament, Metallica e Megadeth, e alguma coisa de progressivo como o Dream Theater, além de outras como Black Sabbath, Dio etc. De bandas como o Epica, uma que realmente foi um incentivo e uma influência no início do Bloodforge foi o After Forever. Nós consultamos bandas como o Epica mais para ver como eles soam, a forma como algumas ideias de sinfonia + metal são arranjadas. Pessoalmente somos ambos grandes fãs de Epica, sendo que ambos prestigiamos o show da banda em São Paulo em 2010.

Vicente: Uma coisa que chama atenção é a qualidade, tanto de gravação quanto da capacidade técnica como músicos, do “Screaming Voices”. E a diversidade que conseguiram impor nos vocais e o instrumental, em relação a outras bandas do gênero, também é digna de nota. Foi difícil alcançar esse patamar de qualidade?

Doug Bathmann, Marcus Lopes: Antes de tudo, muito obrigado pelo elogio. É uma honra saber que estamos soando dessa forma, pois essa é nossa grande intenção como músicos. Como é sabido, exceto pela Estefania, nenhum membro do Bloodforge vive da música, todos nós temos nossos empregos paralelos, de onde tiramos nosso sustento. Isso significa que o tempo dedicado ao Bloodforge é o tempo que nos sobra livre após o trabalho, estudos e atenção para a família, tempo este que dedicamos pra praticarmos nossos instrumentos, ensaiarmos e escrevermos novas composições e arranjos. No processo de gravação e composição, pode-se dizer que nosso segredo é não se prender a nenhum estilo e nem a egoísmos e estrelismos pessoais, e deixar a coisa rolar. Como todos na banda ouvem Heavy Metal há muito tempo, todos temos nossas influências pessoais, e quando estamos compondo, ou mesmo tocando e modificando algo antigo, não nos prendemos a um estilo e opinamos livremente. Todos os membros da banda são muito abertos, e aceitamos e incentivamos novas opiniões, principalmente dos membros novos. Por exemplo, na música “A Chance”, que pode ser vista nos nossos shows e que será lançada no CD “Struggle”, tem uma parte totalmente “Black Metal”, com bateria, baixo e guitarra rapidíssimos, e os vocais tanto guturais como rasgados do Rod Silva. Esse estilo se encaixou muito no que a música queria passar naquele momento, e causou uma impressão interessante em todo o resto. Mas o segredo é não se prender a um estilo e nunca desprezar a opinião de um membro ou mesmo de um amigo que possa dar uma opinião.

Vicente: Vocês regravaram nele a música Show you the Way. Algum motivo específico para a escolha desta música?

Doug Bathmann, Marcus Lopes: Desde que começamos, “Show you the Way” foi a nossa constante. Ela já foi lançada neste single (“Screaming Voices”), cantada pela Estefania, saiu na coletânea “No Racism, No Violence II”, cantada pela Cinthia Tchy, e saiu no EP “Forged”, cantada pela Sus Gramcianinov. Além das vocalistas, quase todos os membros que passaram pelo Bloodforge também a gravaram, e no início da banda, nos shows, era a música que o pessoal pedia “bis”. Então resolvemos que valeria a pena darmos esta última repaginada na canção. Mas ela não estará no CD “Struggle”.

Vicente: Salta aos olhos também a bela capa. Quem foi o responsável pela mesma?

Doug Bathmann, Marcus Lopes: A arte foi feita pelo artista Gade, de Santo André – SP, um amigo de infância, junto com o qual criamos o conceito do que a capa deveria passar, e ele conseguiu transformar isso da melhor forma possível em sua arte. Esta capa é um prelúdio para a capa de “Struggle”. Ela apresenta um problema, as “vozes gritantes” (“Screaming Voices”), e a capa é a retratação desse problema. O futuro CD “Struggle” tem a intenção de trazer esta luta e mais, a solução deste problema. “Struggle” significa “luta”, mas não somente com conotação de “briga”, mas também de esforço, uma luta interna. Dessa forma, quando você tiver ver a capa de “Struggle”, conseguirá identificar a capa de “Screaming Voices” em algum lugar dele.

Vicente: Como avalia o cenário para as bandas nacionais nesse momento? Há mais espaço para divulgação e realização de shows, ou não houve nenhuma mudança substancial nesse sentido?

Marcus Lopes: Na verdade, tem se tornado cada vez mais difícil. Definitivamente, o Metal não é um estilo popular no Brasil. As bandas precisam se conscientizar disso. Só sobrevive quem realmente ama o que faz.

Vicente: Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

Doug Bathmann: Acho que cada um dos seis membros tem opiniões diferentes de cada uma das bandas abaixo. Então, esta é a minha opinião particular, não da banda, Ok?

After Forever: Excelente banda, conseguiu trazer um bom peso a voz versátil de Floor Jansen. O fim da banda foi uma grande perda. Uma das influências desde o início do Bloodforge.

Nightwish: Outra ótima banda, mas que tomou um caminho muito específico com a saída da Tarja Turunem, o que particularmente não me agradou muito.

André Matos: Excelente músico, que tomou uma excelente decisão ao retomar essa turnê com uma das bandas da minha adolescência, o Viper.

Epica: Acredito que ganharam o peso ideal para preencher a lacuna deixada pelo After Forever. Excelente banda.

Tristania: Pessoalmente não tenho muito contato com o Tristânia. Esta é uma das bandas preferidas do nosso guitarrista Rod Silva.

Como já citado, nossas maiores influências são: Metallica, Megadeth, Testament, After Forever, Dream Theater, Judas Priest, Symphony X, Black Sabbath, Dio, Black Label Society, Pantera entre outros.

Vicente: Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho do Bloodforge e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam no Metal nacional.

Doug Bathmann, Marcus Lopes:

Gostaríamos de agradecer de coração a todos as pessoas que curtem e apoiam nosso trabalho, dos primeiros aos mais atuais amigos da banda.

Quando sabemos que nossa musica impactou alguém, o sentimento é de que valeu a pena todo e qualquer esforço que tivemos, mesmo que se fosse somente para aquela única pessoa estivesse ouvindo nossa musica.

Convidamos a todos que ainda não conhecem a banda a ouvirem nossas musicas, pois acreditamos que podemos agradar fãs dos mais variados estilos dentro de Metal. E leiam as mensagens das letras!

E um último agradecimento a todas as pessoas que lutam pelo Metal nacional, sejam elas músicos ou apenas fãs. Desejamos que todos sejam recompensados por manterem a chama acesa! E, se um dia pudermos lutar a seu lado, como temos feito hoje sozinhos, contem conosco!