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Banda

Valhalla

Local

Distrito Federal

Gênero

Death Metal

Ano de Formação

1990

 

O cenário Metal nacional normalmente é um reduto um pouco machista (quadro que não se altera muito em outros locais), mas existem bandas femininas que quebram essa barreira e conquistam seu lugar ao sol na música extrema. É o caso das meninas do Valhalla, com mais de duas decadas de atividade em prol do Death Metal. A banda atualmente conta em sua formação com Alessandra Tavares (Baixo), Adriana Tavares (Guitarra) e Ariadne Souza (Bateria e Vocais), que concedeu esta entrevista para o blog.

Vicente – Inicialmente, fale um pouco sobre os mais de 20 anos de existência da Banda Valhalla.

Ariadne Souza: A Valhalla foi fundada por Andréa Tavares, na época, vocalista, (irmã de Alessandra e Adriana), em 1990. No início de 1992 a banda registra oficialmente seu trabalho com a gravação da primeira Demo-tape, que traz também de volta a irmã Adriana Tavares (guitarrista) na formação. Em 1994 a banda lança pelo já extinto selo Sub Way, o LP intitulado “… In The Darkness of Limbo”, mas devido a constantes mudanças de componentes na banda, a Valhalla ficou desativada por algum tempo. Em 2000 ocorre mais uma baixa na formação, Andrea deixa a banda, ficando por conta das irmãs guitarristas darem continuidade ao trabalho iniciado e com a nova formação, foi lançado o MCD “For The Might Of Chaos… For The Force Inside”. Em 2001 a banda lança o CD “Petrean Self”, pela Hellion Records. Em 2005 eu entrei na banda e a Michelle assumiu os vocais, mas em 2009 houve uma nova mudança na formação e lançamos o MCD “Innerstorm” com três músicas com a Mônica Machado como vocalista. Infelizmente, depois disso a banda sofreu uma nova baixa na formação e foi o momento em que decidi assumir os vocais também. Agora em 2012 estamos gravando um novo MCD com 4 músicas e a formação atual é Adriana Tavares – Guitarra; Ariadne Souza – Bateria e vocal; Alessandra Tavares – Baixo.

Vicente – Vocês já tiveram diversas mudanças de formação durante todos esses anos. É complicado encontrar músicos dispostos a fazer um trabalho profissional no Metal?

Ariadne Souza: Sim. Justamente por passar por muitas mudanças na formação decidimos fazer algumas adaptações a fim de tornar a formação mais sólida. Hoje assumi também os vocais e a Alessandra passou para o baixo.

Vicente – Seu último lançamento foi o EP “Innerstorm”, em 2009. Conte-nos um pouco sobre ele, como foi a gravação, e a reação do pessoal ao trabalho?

Ariadne Souza: Na época do “Innestorm” a banda tinha nos vocais a Monica Machado, no baixo a Amanda Castillo e nas guitarras a Alessandra e a Adriana Tavares. Nossa intenção foi movimentar a banda, pois muitos achavam que havíamos encerrado as atividades. Infelizmente, logo após tivemos uma baixa na formação, período em que restou apenas eu e a Adriana.

Vicente – Anteriormente, vocês lançaram dois discos completos “… In the Darkness of Limb”, e “Petrean Self”. Qual a principal diferença destes discos para o EP na sua opinião?

Ariadne Souza: A diferença foi em relação à produção, pois no EP ela foi mais simples, e também pelo momento da banda. Enquanto o disco “In the Darkness” deu início aos trabalhos da Valhalla, o “Petrean Self” marcou o seu auge, em razão do contrato com a Hellion Records e pelos diversos shows realizados. O EP “Innestorm” teria sido mais bem aproveitado se não tivéssemos outra instabilidade com a formação, mas foi importante ao registrar um período da banda.

Vicente – Algum disco novo a caminho?

Ariadne Souza: Sim. Estamos com a mesma ideia do “Innestorm” para lançar um EP com quatro faixas que irão mostrar o novo trabalho da banda, diferente de todos os outros, com um som muito mais extremo e pesado.

Vicente – Ariadne, antes de entrar na Valhalla você tocou na banda Demolish, certo? Quando e como foi que você assumiu as “baquetas” na Valhalla?

Ariadne Souza: Sim, além da Demolish eu toquei em várias outras bandas desde quando comecei a tocar bateria em 2002. Por estar atuante no meio musical, a Alessandra Tavares entrou em contato comigo para fazer um teste para a Valhalla. Tirei algumas músicas do “Petrean Self” e logo em seguida entrei na banda. Isso foi em 2005.

Vicente – Além da bateria, você também canta no Valhalla. Em qual função sente-se mais à vontade?

Ariadne Souza: É…(risos) As circunstâncias me fizeram assumir essa árdua tarefa, mas que com o tempo acabei gostando muito e não pretendo abandonar. Com certeza meu instrumento é a bateria e me sinto muito mais à vontade nela. A atividade de vocalista exige uma grande comunicação e carisma com o público, algo que estou aprendendo a ter agora, e, isso se torna um pouco mais complicado por não ser usual uma baterista vocalista.

Vicente – Como avalia o cenário para as bandas nacionais nesse momento? Há mais espaço para divulgação e realização de shows, ou não houve nenhuma mudança substancial nesse sentido?

Ariadne Souza: Conversando com pessoas de outros lugares percebi que em vários estados do Brasil o público e os organizadores locais prestigiam muito mais as bandas de fora do que as da sua cidade. As pessoas não querem pagar os ingressos e alguns organizadores não disponibilizam equipamentos de qualidade. Infelizmente essa é uma realidade. Acredito que a facilidade e a velocidade na comunicação que a internet propicia favorece muito a divulgação e realização de shows, pois distâncias são encurtadas, o que era bem diferente quando se fazia tudo por cartas.

Vicente – O Metal sempre foi uma cena essencialmente machista. Vocês acham que ainda continua dessa forma, ou nunca enfrentaram problemas com relação a isso?

Ariadne Souza: Infelizmente ainda existe um certo preconceito, não apenas no meio do metal extremo. No entanto, tudo o que a Valhalla conquistou até hoje foi batalhando da mesma maneira que tantas outras bandas fizeram, independente de ser formada por mulheres. A partir do momento em que você acredita no que faz, defende suas ideias e objetivos e não se importa com julgamentos que os outros irão fazer, você ganha respeito com essas atitudes. Desde o início a Valhalla manteve a proposta de fazer um Death Metal mais tradicional e com isso conseguiu um público fiel. Para nós, isso é muito gratificante.

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

Sepultura: Muito boa no início e importante para o meio musical brasileiro frente ao exterior.

Arch Enemy: Gosto muito dos trabalhos antigos e do vocal da Angela.

Morbid Angel: Grande referência para a Valhalla.

Cannibal Corpse: Brutal!

Obituary: Gosto de alguns trabalhos.

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem a Valhalla e apostam no Metal Nacional.

Ariadne Souza: Agradeço a todos que admiram e acompanham o trabalho da Valhalla. Nossas expectativas daqui para frente são as melhores e vocês podem esperar muita brutalidade!(risos) Força, honra e Death Metal sempre!