Entrevista com a Banda Darkest (São Paulo)

Darkest logo

Darkest é outro nome que todo fã do metal mais extremo, aquele meio termo entre o Thrash e o Death, deve guardar num lugar especial da mente, pois possuem um grande futuro pela frente, o que é facilmente perceptível no EP “Human Decay”. Com músicas fortes e uma técnica acima da média, este disco vem trazendo ótimos resultados para esta banda paulista, o que acarreta em uma grande expectativa para o lançamento de seu álbum, que talvez esteja pintando ainda este ano. Nessa entrevista com Danilo (Guitarra), Artur (Guitarra e Vocais) e Daniel (Bateria) eles falam um pouco mais sobre a carreira da banda. Ao final da matéria está o link para o vídeo da música “Endless Pain”, confiram…

 

Vicente – Mesmo com tão pouco tempo de vida (menos de três anos), como vocês vêem a trajetória da banda até este momento? Como foi o inicio da Darkest?

Danilo: Estamos muito satisfeitos com os progressos feitos pela banda. Eu sempre achei que o processo seria mais gradual e acredito que posso responder por todos da banda (risos). Quer dizer, a julgar pelo tempo que levamos a completar o line-up da banda – àqueles que não sabem, o Daniel só completou a equipe após um ano da fundação do Darkest – imaginava que a gravação do nosso material não aconteceria tão cedo. Enfim, estamos aproveitando o ritmo contínuo do desenvolvimento da banda para expandirmos nossa divulgação cada vez mais. Quanto ao início da banda, vou tentar ser mais direto que das outras vezes (risos). Começamos a banda propriamente dita – ou seja, compondo músicas – em 2010. Como disse, éramos apenas o Artur, o Maurício e eu. Ficamos, durante esse ano, compondo boa parte do nosso set e à procura de um baterista. Depois de tentar alguns bateristas, encontramos o Daniel – isso no primeiro trimestre de 2011. Daí em diante, trabalhamos na finalização das músicas que farão parte do nosso debut e que compõem o EP.

Vicente – Como surgiu a ideia de batizar a banda com este nome?

Artur: Esse nome surgiu por puro acaso. Ficamos meses procurando por um nome que ainda não tivesse sido usado e “Darkest” foi aquele que ninguém usou – ao menos não sozinho. O grande trunfo desse nome é de justamente nos deixar livres para fazer uma música sem rótulos, digamos assim. Além de dar o tom que aparecerá em nossas letras: algo obscuro, deveras depressivo e mórbido. É claro que tratamos de diversos assuntos, mas todos eles têm um viés trágico, afinal, isso é a História.

Vicente – Vocês lançaram seu primeiro EP “Human Decay” em Novembro de 2012. Como foi a gravação deste disco?

Daniel: Por ser a minha primeira gravação em estúdio por takes estava meio apreensivo, afinal nem cheguei a falar com os caras do estúdio, já cheguei montando os pratos e o pedal na bateria. A primeira foi a que fiquei mais nervoso, que foi a “Endless Pain”, mas as outras já foram mais tranquilas.

Artur: Foi um dos pontos altos para nós até então. Foram quatro dias de muito trabalho e muita criatividade, nos divertimos muito com o processo e não vemos a hora de voltar para o estúdio e gravar mais faixas (risos). Poder ouvir gravado algo que estava na cabeça foi realmente emocionante.

Danilo: A gravação é um momento de descobrir nossos maiores defeitos técnicos. Muitas coisas são superadas em ensaios e shows, detalhes mínimos que só fazem a diferença quando registrados com plena definição. Sem dúvida, foi muito importante para nosso desenvolvimento musical. Além disso, gravar é muito divertido e gratificante e nos permite analisar nosso material de forma crítica e panorâmica. Tudo ficou mais simples por ter sido um trabalho gravado sem a menor pressão. Levamos o tempo necessário para exprimirmos nossa música como acreditávamos ser correto.

Vicente – E a resposta do pessoal e da mídia especializada, mesmo ainda sendo um pouco recente, tem sido a esperada por vocês?

Danilo: Desde o começo da divulgação do EP, a resposta do público tem sido muito positiva. A resposta da mídia especializada começou a dar sinais após integrarmos o cast da Island Press, nossa assessoria de imprensa. Alguns blogs e sites já publicaram resenhas um tanto animadoras e interessantes sobre o “Human Decay”. Eu particularmente não havia sequer criado expectativas sobre essa resposta da mídia. Afinal, não havia referências de lançamentos anteriores, não havia uma projeção. Mas posso dizer que me surpreendo constantemente com esse retorno.
Daniel: Como o Danilo disse as repostas estão sendo muito motivadoras, estamos tendo uma divulgação ótima vendo que é uma coisa ainda nova, sem acontecimentos anteriores… Mas ainda assim queremos mais, afinal estamos sempre correndo atrás e, no meu caso, dedicando praticamente 100% do tempo, nem que seja pensando nas musicas composições, shows a marcar, feedbacks, etc…

Darkest - Human Decay 

Vicente – Um dos grandes destaques do EP é a música “Endless Pain”, que inclusive virou um vídeo muito legal. Conte-nos um pouco sobre a composição desta música em si e como foi a gravação do vídeo?

Artur: Primeiramente, muito obrigado. “Endless Pain” foi a primeira música que nós fizemos, antes mesmo do Daniel entrar na banda. Nossa ideia nessa música foi de criar algo fortemente influenciado pelo Thrash Metal dos anos 80, ou seja, uma música com muitos riffs e num andamento bem acelerado. “Endless Pain” possui um caráter niilista. Ela é um grito por ajuda, um grito de sofrimento. Ela reflete um período de incertezas e muitas angústias em minha vida.

Daniel: Aliás, todas as músicas do EP foram formuladas antes de eu entrar. Logo, quando entrei, era todo ensaio me passando as músicas e repassando as que já tinha feito a batera. Em relação à gravação do vídeo, foi uma gravação até que simples. Foram feitos um ou dois takes de cada um tocando a música inteira e após isso foi feita a edição que, pessoalmente, achei muito bacana.

Vicente – E essa música demonstra uma das grandes influências do som da Darkest, o Thrash Metal anos 80, que combinados com o Death Metal da década seguinte seriam as principais influências da banda, certo? Mas mesmo assim, o som soa atual e não datado, algo difícil de conseguir nos dias de hoje.

Artur: Certamente. Nossas influências básicas vem do Thrash Metal ‘old school’ e do Death Metal, principalmente do Death europeu, e podem ser percebidas nas quatro faixas desse EP. Acredito que essa combinação dê o caráter mais moderno para nosso som, muito embora não seja um som moderno de bandas dessa nova leva do Thrash Metal ou Metalcore. Como já disse, não queremos ficar presos a um determinado gênero ou subgênero do Metal, e acho que, por mesclar diversos elementos, acabamos por fazer um som que se assemelhe a diversas ‘escolas’ e mesmo assim não esteja inserido em nenhuma delas, sendo até difícil de rotular. Acho que isso faz uma música soar de seu tempo e ao mesmo tempo não soar datada.

Daniel: Como disse uma vez o Artur: “nosso som é moderno demais para sermos considerados uma banda pertencente a esse revival do Thrash Metal “Old School”, mas somos old school demais para sermos considerados como uma banda de Thrash Metal moderno”. (risos)

Vicente – E podemos esperar para este ano o lançamento do seu primeiro disco completo? Como anda a composição das músicas, poderiam adiantar alguma coisa?

 

Daniel: Bem, a intenção é de, se possível, fazer o debut ainda esse ano. Isso vai depender de como será a repercussão da banda. Em relação à composição, já temos 8 músicas prontas desde quando gravamos o EP, só não foram gravadas porque ficaria muito pesado o custo. Mas fora elas, estamos em processo de composição sim, e posso adiantar que está ficando incrível… Apesar de eu ser suspeito em classificar (risos).
Danilo: Na verdade, a maior parte do debut já foi finalizada e algumas músicas que farão parte dele já foram inclusive apresentadas em nossos shows. Apenas algumas estão em processo de finalização, mas já estão estruturadas. Posso garantir que o play será bem diversificado e revelará muitas de nossas influências.

Artur: Todas as dez músicas que farão parte de nosso debut estão prontas, sendo que a décima nem foi apresentada aos outros membros da banda ainda (risos), agora é uma questão de ensaiá-las e fazer os últimos acertos antes de entrarmos em estúdio. Estamos muito ansiosos para gravar nosso debut e lançá-lo o quanto antes. Ainda assim, estamos em busca de algum selo ou suporte para sua futura distribuição.

Vicente – Quais são as suas maiores influências?

Artur: Tentarei ser breve, pois são muitas as bandas e artistas que me influenciaram (risos). Especificamente nesse EP acredito que bandas como Slayer, Megadeth, Kreator, Carcass, Morbid Angel, Sepultura e, acredite ou não, Helloween foram as que mais me influenciaram. Sinto que a cada entrevista citarei bandas diferentes (risos), mas é difícil escolher bandas ou artistas que me influenciaram, pois toda e qualquer banda que eu ouvi me modificou de alguma maneira, portanto, moldaram-me como músico e compositor. Uma pessoa nunca entra no mesmo rio duas vezes (risos).

Daniel: Tenho certa dificuldade em falar de influências, pois nunca penso em uma banda quando vou compor, apenas faço algo que me vem na cabeça na hora, que é graças a que vim ouvindo ao longo do tempo. Mas creio que em relação à técnica eu já vi muitas coisas do Aquiles Priester, Gene Hoglan, Dave Lombardo, Richard Christy e até de um batera de jazz brasileiro chamado Ramon Montagner e também do Chad Smith no seu jeito de tocar.

Danilo: Assim como o Daniel, não acho muito simples falar de influências (risos). Guitarristas que costumo citar são Matias Kupiainen (Stratovarius) e Kiko Loureiro; desta vez, falarei também dos meus ídolos da guitarra rítmica, embora alguns da lista mandem muito bem em solos (risos). Mille Petrozza (Kreator), Chuck Schuldiner (Death), Dave Mustaine e Michael Amott (Arch Enemy) são os exemplos para essa entrevista (risos). Quando se está aberto a diversas bandas, fica difícil tomar apenas um grupo seleto como referência. As influências variam conforme aquilo que ouço em determinado momento. 

Vicente – Como vocês vêem o cenário no nosso país nesse momento? Acreditam que piorou ou houve uma pequena melhora na divulgação e espaço para shows?

Daniel: Pelo meu ponto de vista, rock bares eram, são e sempre serão voltados para bandas cover, afinal é o que atrai publico que não conhece a banda. Então fica difícil de conseguir um lugar para tocar, sendo a alternativa buscar por festivais.

Artur: Bem, nesse assunto tenho uma opinião controversa que talvez nem valha a exposição. Direi apenas que o espaço continua reduzido, pois, como o Daniel disse, a maioria dos bares e casas de shows procura apenas por bandas cover, já que é isso que o público comum quer. Com o aumento dos shows internacionais em São Paulo, está ficando muito difícil para bandas autorais conseguirem shows. No quesito divulgação, a internet abriu muitas portas. O problema é que, com tantas informações disponíveis, as pessoas simplesmente ignoram o que é divulgado. Parece que podemos divulgar nossa música para o mundo todo, mas o mundo está ocupado demais olhando fotos de comida no Instagram.
Daniel: Ou da corrente do facebook com uma criancinha cheia de hematomas falando que vai ganhar 5 centavos por compartilhamento. (risos)
Danilo: Não estou querendo declarar guerra às bandas cover (risos), mas é exatamente isso que ocorre. As casas de shows em São Paulo estão mais interessadas nesse tipo de banda. Afinal, a casa visa lucros e precisa atender à demanda. Talvez a falta de interesse do público em buscar novas bandas nacionais consista também no número reduzido de bandas com uma proposta que não seja mera reprodução de grandes referências do metal. Há bandas interessantes aqui no Brasil, mas o ‘cenário’ é um tanto hostil para que estas se revelem.

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

Death:

Daniel: Nunca haverá banda igual

Artur: Certamente uma grande influência. A melhor banda do Death Metal americano
Danilo: Uma banda que simplesmente mudou meu jeito de ouvir metal.

 

Testament:

Artur: É uma das poucas bandas realmente relevantes dentro do Thrash Metal. O trabalho de guitarras deles serve de inspiração para qualquer guitarrista do gênero.
Danilo: Alex Skolnick e Eric Peterson formam uma das maiores duplas de guitarras do metal de todos os tempos. O equilíbrio entre o shred e riffs matadores.

 

Sepultura:

Artur: O que dizer da maior banda brasileira de todos os tempos? “Arise” continua sendo um dos melhores álbuns de Thrash Metal que ouvi na vida.
Danilo: Em relação ao Sepultura, sou um daqueles fãs que apenas volta os olhares ao passado da banda. Com certeza “Arise” é o álbum que mais impõe respeito ao mundo entre todos já feitos por bandas brasileiras.

 

Kreator:

Daniel: Um dos melhores lançamentos de 2012.

Artur: Minha banda preferida de Thrash Metal. Poderia ficar horas falando nessa máquina que é o Kreator, mas direi apenas o seguinte: não há um álbum dessa banda que não seja bom.
Danilo: Cada música dessa banda é uma lição. Conseguir o jeito único de compor que se nota no Kreator é trabalho de uma vida inteira (risos)

 

Metallica:

Daniel: Teve sua época (risos)

Artur: Estamos reatando o compromisso (risos). Acredito que eles fizeram excelentes álbuns nos anos oitenta, mas hoje parece ter se tornado irrelevante.
Danilo: O Artur e o Daniel sintetizaram o que penso sobre o Metallica. Sem mais (risos).

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho da Darkest e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam no Metal nacional.

Artur: Em nome do Darkest, gostaria de agradecer pela entrevista e pelo apoio de todos nossos amigos e familiares. Agradeço em especial o Rômel da Island Press, que tem feito um ótimo trabalho para a divulgação da banda. Não posso deixar de mencionar nossos fãs, ou aqueles que conheceram a banda única e exclusivamente por nosso som; pessoas que nunca conheceríamos se não fosse por meio de nossa música. Muito obrigado.

Endless Pain: http://www.youtube.com/watch?v=sm6O9Vv3Yx8

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