Entrevista com a Banda Tank (Reino Unido)

TANK PROMO 1

O Tank é uma das grandes bandas do NWOBHM, que tomou o mundo da música no principio da década de 80. Desde Filth Hounds of Hades (1982) até War Nation (2012), a banda teve diversas mudanças de formação, o que ocasionou a curiosidade de não possuir mais nenhum membro original. Mas seu prestigio e sonoridade continuaram intactas, muito em virtude do trabalho de Cliff Evans, guitarrista da banda desde 1984. E foi o próprio que concedeu esta entrevista, onde fala sobre o novo disco, os planos da banda, o desejo de virem ao Brasil tocar e a paixão pela música. Mostrando muita simpatia e empolgação, algo nem sempre tão comum em músicos com três décadas de carreira, vale a pena conferir as palavras do grande guitarrista…

 

Vicente – Primeiro, como você vê a trajetória da banda depois de todos esses anos de existência?

Cliff Evans – Tank está em constante evolução. Desde o início, os álbuns inspirados pelo Punk “Filth Hounds of Hades” e ‘Power of the Hunter “, até os mais recentes “War Machine” e  “War Nation” , o nosso som  e estilo de composição continuou a crescer. Outras bandas estão felizes de tocar e gravar da mesma forma de quando eles começaram. Nós não trabalhamos dessa forma. Nós gostamos de manter-nos empurrando a novos limites. Nós tivemos muitas mudanças de formação ao longo dos anos, e trazer sangue novo para a banda ajudou-nos a criar novas músicas e manter nossos fãs interessados no que estamos fazendo.

Vicente – Vocês lançaram em 2012 “War Nation”. Como foi a gravação e as composições deste álbum?

Cliff Evans – Primeiro de tudo eu e Mick Tucker chegamos com alguns riffs novos e trabalhamos com eles até que tínhamos a estrutura básica de um verso e refrão. Então nós passamos a Doogie, para que ele pudesse trabalhar as linhas melódicas e criar um clima para a canção. Passamos as idéias entre nós até que a música tem um arranjo final. Então entramos no estúdio e começamos a estabelecer as faixas. Nós gostamos de trabalhar rápido, para que possamos captar a energia e emoção de uma nova canção. Todas as faixas para o Álbum “War Nation” foram registradas em 2 semanas. Decidimos usar um novo e jovem produtor chamado Phil Kinman. Ele não estava familiarizado com os nossos álbuns anteriores, então ele tinha uma abordagem totalmente diferente para gravar o novo material. Estamos muito felizes com a forma como o álbum soa, e todas as opiniões que recebemos foram incríveis.

Vicente – E a reação dos fãs foi a que vocês esperavam?

Cliff Evans – “War Nation” foi extremamente bem recebido por nossos fãs e pela imprensa ao redor do mundo. Estamos muito orgulhosos deste álbum que gravamos, e ele representa quem somos e a música que nós amamos. Você pode ouvir muitas diferentes influências do nosso passado em todo o álbum, mas ainda soa novo, atual. Não são muitas bandas que estão tocando este estilo de metal hoje em dia. Todos os caras da banda são músicos experientes, que já trabalharam com artistas como Ritchie Blackmore, Bruce Dickinson, Yngwie Malmsteen, Paul Dianno e Michael Schenker. Um pedigree indiscutível.

Tank_metallumVicente – Para você, qual é a maior diferença entre “War Nation” para os outros álbuns do Tank?

Cliff Evans – Nós gravamos álbuns influenciados pelo punk, rock clássico e álbuns de metal, mas “War Nation” é o que temos buscado sempre. Nós sempre quisemos adicionar um grande vocalista para a banda e encontrar Doogie realmente nos ajudou a alcançar o nível de composição e gravação que estávamos procurando. Vamos continuar a mover a banda para frente musicalmente e fazer álbuns ainda melhores Trazer novos músicos na banda adiciona novas influências e estilos de tocar que são transferidos para o som da banda. “War Nation” tem o melhor som e produção de todos os álbuns do Tank. A maioria dos nossos álbuns mais antigos foram produzidos por Algy. Ele foi geralmente bêbado mixar as faixas, o que não ajudava em nada a banda.

Vicente – Para aqueles que nunca ouviram o som da banda, como você classificaria “War Nation”?

Cliff Evans – Achamos que soa muito com o rock clássico / metal britânico. A guitarra tem uma sonoridade pesada e os vocais são melódicos, mas muito poderosos. Você pode ouvir muitas influências em todo álbum, incluindo Dio, Judas Priest e Thin Lizzy. Nós gostamos de abordar todas as músicas de uma forma diferente, por isso o álbum é muito interessante de se ouvir do início ao fim. Tem um som poderoso que é principalmente pela combinação imbatível de nossas guitarras Gibson Les Paul e amplificadores Marshall. Foi uma produção bem básica. Nós queríamos focar na captura da energia, em vez de confiar em cargas de guitarra e mais dubs. E detonou…

Vicente – Vocês gravaram um vídeo para o a faixa-título “War Nation”. Como foi a gravação e por que vocês escolheram essa música em particular?

Cliff Evans – Nós não estávamos realmente pensando em fazer um vídeo e não tínhamos orçamento disponível de nossa gravadora. Nós tivemos de filmar algumas entrevistas para o nosso lançamento do DVD ao vivo por isso pedimos ao cara que estava filmando se ele poderia nos filmar tocado “War Nation”. Tem um amigo nosso que adicionou algumas outras imagens e fez toda a edição.  Foi usada uma tecnologia de baixo custo, mas os fãs parecem ter gostado. Espero que, da próxima vez, nós tenhamos algum dinheiro para fazer um vídeo melhor.

 

Vicente – No final do ano passado você lançaram o seu primeiro DVD oficial “War Machine Live”. Conte-nos um pouco sobre este álbum.

Cliff Evans – Nossa gravadora, Metal Mind, nos perguntou se nós queríamos fazer o nosso primeiro DVD oficial Live. Esta foi uma grande oportunidade para nós e nós aproveitamos a chance. Nossa gravadora está na Polônia, por isso fazia sentido fazermos tudo por lá mesmo. O principal show foi filmado no clube Stodola em Varsóvia, com o bônus ao vivo de faixas tiradas de nosso show de apoio ao Judas Priest em Katowice. Há também, como bônus, algumas entrevistas da banda, trabalhando no estúdio e o vídeo War Nation. A gravadora fez um grande trabalho com a edição e a embalagem e todos os comentários foram absolutamente incríveis. Outro lançamento que, para nós, é motivo de orgulho.

Vicente – Quais são os objetivos da banda para 2013?

Cliff Evans – Nós realmente queremos fazer uma turnê o quanto antes neste ano. Temos alguns festivais europeus e estamos atualmente a negociar mais shows. É difícil estar em turnê no momento, sem perder dinheiro. A corrente situação financeira mundial está a tornar muito difícil para bandas do nosso nível ficar mais tempo na estrada.

Temos um catálogo extenso de canções, mais todo o material novo para que os fãs possam esperar um grande show. Nós também estaremos voltando para o estúdio neste verão para começar a gravar nosso próximo álbum de estúdio. Nós estamos trabalhando em novas idéias no momento. Vai ser pesado.

Vicente – Alguma chance dos fãs brasileiros verem um show do Tank por aqui em breve?

Cliff Evans – É um sonho nosso ir ao Brasil e tocar para nossos fãs. Nós sempre tivemos uma base de fãs muito leal, mas nós nunca tivemos a chance de obter ainda mais. Temos falado com vários agentes e promotores, então esperamos que nós sejamos capazes de organizar algo ainda este ano. Vemos muitas outras bandas em nosso nível fazendo turnê ai, então a nossa chance deve vir em breve. Dedos cruzados.

 

Vicente – Quando você começou na música, quais foram as suas maiores influências, que inspiraram você a tornar-se um músico profissional?

Cliff Evans – Comecei ouvindo os grandes guitarristas britânicos da década de 60/70. Jimmy Page, Paul Kossoff, Jeff Beck. Muitos grandes álbuns saíram nessa época que me inspiram ainda hoje. Álbuns que têm resistido ao teste do tempo. O negócio da música era muito diferente naquela época comparado a hoje. Bandas não têm maiores orçamentos mais e os níveis de produção disponíveis na época estão fora do alcance da maioria das bandas. Eu raramente compro lançamentos novos em CD. Eu ainda prefiro descobrir bandas daquela época.

 

Vicente – Como está a cena na Inglaterra para o Rock e Metal?

Cliff Evans – O cena musical aqui está muito ruim no momento. Não existem novas bandas emergentes. Um grande número de clubes e bares fecharam ao longo dos anos, de forma que é difícil para uma banda jovem conseguir shows decentes e começar a construir uma carreira. Voltando no final dos anos 70 e início dos anos 80, você podia sair e ver várias bandas de metal e de rock n’roll diferentes cada noite em Londres. O movimento NWOBHM foi uma grande ajuda para a cena ao vivo. Isso foi há muito tempo atrás Apenas lembranças agora.

Vicente – Em poucas palavras, o que você pensa sobre esses bandas:

Motorhead: Lendas. Muito alto

Saxon: Verdadeiro metal

Helloween: Alemão

Raven: Grande banda. Bons amigos

Iron Maiden:  trabalho duro. Muito ricos

Vicente – Por fim, deixe uma mensagem para todos os brasileiros que curtem e queiram saber muito mais sobre a música do Tank

Cliff Evans – Nossos fãs no Brasil realmente significam muito para nós. Vocês se mantiveram fieis a nós através de todos os nossos álbuns, mudanças de formação e problemas da banda ao longo do caminho. Fizemos o nosso melhor para fazer álbuns que você apreciassem e estamos constantemente tentando encontrar uma maneira de fazer a banda tocar ai, para que possamos realmente demonstrar nossa gratidão,  fazendo o que nós fazemos melhor. Tocar o nosso próprio estilo de metal britânico para você. E compartilhar algumas cervejas.

www.tankofficial.com

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