Entrevista com o Baterista Fernando Schaefer (Paura, Pavilhão 9, Worst, The Silence, Treta)

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Nos últimos anos um dos bateristas que mais tem se destacado no cenário nacional é Fernando Schaefer, responsável pelas baquetas de bandas como Paura, Treta, Pavilhão 9, The Silence e Worst. E mesmo com as dificuldades inerentes a qualquer músico em nosso país, vem firmando seu nome, principalmente para os admiradores de um Hardcore pesado. Nesta entrevista ele fala um pouco mais sobre sua carreira, suas principais influências e sobre as dificuldades de ser um músico no Brasil… 

 

Vicente – Com mais de 25 anos de carreira, qual avaliação que faz de toda sua trajetória na música. Como foi o começo na bateria?

Fernando Schaefer – Minha primeira bateria ganhei com 12 anos, mas desde os seis já tinha contato com instrumentos de percussão, pois meu pai tocava samba. Sempre fui e gostei de rock, mas em uma boa parte do meu início ouvia muito jazz fusion, o que me ajudou muito para me tornar o batera que sou hoje.

Minha trajetória até aqui foi boa, mas acho que o melhor está por vir com certeza!

Vicente – Você está atualmente tocando com diversas bandas, como Paura, Treta, Pavilhão 9, The Silence, Worst… Como é conciliar tudo, sendo que os estilos muitas vezes são bem distintos das bandas citadas?

Fernando Schaefer – Não são completamentes diferentes não! O Paura, o Worst, o Treta e o The Slilence são todas Hardcore. A primeira Hardcore Metal, a segunda Beatdown, a terceira Oldschool e a última Metalcore.

O P9 que é o mais distinto, mas não tenho problema em tocar grooves com mais swing em virtude dos meus anos estudando Fusion.

375948_10151100220344069_802223207_nVicente – E a agenda de shows? Existe ainda espaço para algo mais, ou às 24 horas do dia já estão tornando-se poucas para conseguir manter o pique sempre em alta?

Fernando Schaefer – Cara está bem corrido, mas como todos sabem, infelizmente a cultura no Brasil não é de fazer show em dia de semana. Não fazemos turnês como faço com o Paura na Europa. Além de trampar com todas as bandas ainda dou aulas de batera (infos: www.fernandoschaefer.com ) e treino musculação para poder ter mais facilidade de tocar pesado!

Vicente – Após tanto tempo de estrada, acredita que hoje em dia o cenário nacional está mais profissional?

Fernando Schaefer – Mais profissional sim. Os calotes não são tão comuns como no passado, mas em termos de valorização do trabalho ainda acho tudo em relação a isso patético no Brasil.

Vicente – Você pode se considerar vitorioso na profissão que escolheu, tendo um grande reconhecimento, algo que nem todo músico consegue em nosso país. Você tem ainda algum sonho, algum objetivo que ainda não chegaste a alcançar?

Fernando Schaefer – Acho cedo pra me julgar vitorioso. O reconhecimento do meu trabalho realmente é muito legal por parte dos fãs, mas como disse antes ainda tenho muito a fazer no mundo do Hardcore e da bateria. Sempre tenho algo mais a alcançar, mesmo logo após ter conquistado.

Vicente – Qual a sua maior influência, aquele que o levou a querer ser um baterista profissional?

Fernando Schaefer – Acho que o baterista que mais me influenciou foi o Tommy Aldridge.

É um dos bateras que toca com mais pegada até hoje! E olha que ele já está com uma idade avançada!

Vicente –  Em poucas palavras, o que acha dos seguintes artistas:

John Bonham

Sempre gostei mais do som da batera que ele tirava do que o estilo de música que tocava.

Iggor Cavalera:

Um amigo e um batera com uma criatividade fora do normal.

Paulo Zinner:

Ouvia Golpe quando moleque e suguei algumas viradas dele.

Matt Byrne:

Bom batera, mas acho que o Hatebreed precisa de um batera com muito mais pegada!

Dave Lombardo:

O mestre! Uma das minhas maiores influências! Rápido, agressivo e ainda com um puta groove.

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curte o seu trabalho, e para aqueles que gostariam de conhecer mais sobre sua carreira e apostam na música feita em nosso país.

Fernando Schaefer – Obrigado a todos que curtem meu trampo, compram merch, pagam ingresso e que fazem o Hardcore crescer no Brasil! E podem ter certeza que tenho muito mais a somar na música pesada do país!

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