Entrevista com a Banda Theocracy (Estados Unidos)

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O Theocracy tem 10 anos de carreira e três discos completos na bagagem, e vem conquistando seu espaço aos poucos, resultado do disco “As the World Bleeds”, lançado no ano passado. Mesmo os Estados Unidos não tendo uma grande abertura para o Power/Progressive Metal, Matt Smith e seus colegas de banda mantêm uma firme convicção na sua capacidade e qualidade de suas músicas. E o próprio Matt, fundador, que inclusive gravou todos os instrumentos no primeiro disco da banda, concedeu esta entrevista, na qual fala sobre toda a carreira da banda e, obviamente, sobre o referido disco . Confiram…

 

Vicente – Em primeiro lugar, como você vê a trajetória da banda depois de todos esses anos de existência?

Matt Smith – Eu acho que foi um crescimento natural, um passo de cada vez.   Eu tinha muito tempo para aprimorar minhas composições antes de assinar, em todos os anos estávamos fora dos olhos do público.   E então, os membros da banda vieram naturalmente, por isso, fomos capazes de encontrar os caras certos, ao invés de apenas montar uma banda com personalidades potencialmente destrutivas. Então, nós crescemos um passo de cada vez, e temos três álbuns que estamos realmente orgulhosos e duas bem sucedidas turnês européias.

Vicente – Matt, você gravou todos os instrumentos e vocais no álbum de estréia do Theocracy. Como foi para você aquele tempo e houve uma mudança em sua maneira de compor as músicas agora com uma banda completa?

Matt Smith – Bem, os outros caras fizeram o processo melhor. É incrível ser capaz de utilizar os pontos fortes de grandes músicos em cujas opiniões e habilidades eu confio. Eu estou sempre escrevendo, como composição é a minha paixão e a razão de eu ter uma banda.   Então, a maneira que funcionou desta última vez foi que eu escrevi, pelo menos, o esqueleto básico de todas as músicas, algumas delas eu escrevi inteiramente, e algumas que eu só tinha o básico.   Então, todos nós juntamos as idéias e trabalhamos nos arranjos, e os outros caras contribuíram com parte para completar certas canções.”Altar To the Unknown God” é provavelmente o melhor exemplo de colaboração no “As The World Bleeds”.   Uma boa parte da seção do meio desta foi escrito por Val, e nos reunimos na casa de Jon e tocamos essa música juntos.   Foi muito divertido!   Eles trazem uma dimensão para a música que eu nunca poderia alcançar sozinho.

Vicente – Vocês lançaram no ano passado o seu terceiro álbum “As the World Bleeds”. Como foi a gravação deste álbum?

Matt Smith – Foi difícil, mas sempre é. Esta é uma forma muito extrema de fazer um álbum nos termos do trabalho envolvido.   Eu faço engenharia e trabalho de mixagem para outras bandas de outros estilos também, e às vezes eu tenho inveja de quão rápido e descontraído é, (risos)!   A coisa boa é que, tendo passado pelo processo três vezes, eu sabia exatamente a quantidade de trabalho que seria, assim, pelo menos não houve grandes surpresas.   Bem, há sempre surpresas – quebra de equipamentos, computadores com mau funcionamento, horários, etc – raramente as coisas vão de acordo com o plano. Mas o que eu quero dizer é, “Mirror of Souls” foi à primeira vez que eu tinha feito um disco complexo e em camadas, com bateria de verdade e uma banda completa, desde a concepção a mixagem final.   Então, naquele eu estava aprendendo muito do lado técnico, o que fez parecer que levou uma eternidade.  Pelo menos no “As the World Bleeds” eu sabia mais ou menos o que esperar!   Uma coisa que foi divertida sobre ele foi que gravamos as faixas de bateria com todos na sala tocando juntos.   Assim Shawn gravou cinco ou mais takes de cada música, e todos nós estávamos lá com ele, o que ajudou no feeling e na energia.   Eu acho que foi menos traumático do que ele sentar em um quarto sozinho, tocando junto a trilhas pré-gravadas de demonstração.

Vicente – E a reação dos fãs foi a que você esperava?

Matt Smith – Foi melhor do que o esperado. Nós parecemos ter dado um bom passo para frente com este registro, especialmente aqui nos EUA   Isso foi uma surpresa agradável!   Nós ainda atingimos a Billboard Heatseeker neste tempo, que foi totalmente inesperado e impressionante.   Estamos muito agradecidos.

Vicente – Conte-nos um pouco sobre as letras neste álbum, qual é a mensagem que a banda deseja passar para seus fãs?

Matt Smith – Bem, nós somos uma banda cristã, por isso todas as letras são a partir dessa perspectiva, mas realmente varia de música para música.   Uma faixa como “I AM” é mais uma peça poética que lista alguns dos atributos de Deus, enquanto a faixa título “As the World Bleed” é um pouco mais sombria. É sobre como nós às vezes culpamos Deus por um monte de coisas que nós somos responsáveis a partir de nossas próprias ações.   Algumas outras faixas, como “Nailed”, são mais históricas – conta a história da rebelião de Lutero contra a igreja corrompida do seu dia.   Portanto, há uma variedade muito boa, como sempre almejamos.   Há muita música cristã lá fora, então sempre trabalhamos para apresentar um ângulo diferente e único sobre estes temas, e espero fazê-lo de uma maneira instigante.

Vicente – Qual é a maior diferença de “As the World Bleeds” para os demais álbuns do Theocracy?

Matt Smith – A maior diferença é, definitivamente, os novos membros da banda.   Desde “Mirror of Souls”, nós adicionamos o baixista Jared Oldham e o guitarrista Val Allen Wood.   Jared ajuda com vocais de apoio, e o som do baixo em “As the World Bleeds”é definitivamente o maior que já tivemos. Val é a mudança mais notável dos álbuns anteriores, no entanto.   Ele é um verdadeiro guitarrista solo – um virtuoso que ama a teoria da música e gosta de tocar.   Nossos álbuns anteriores nunca tinham os tradicionais solos de guitarra, havia solos e harmonias de guitarra legais, mas eu sou muito mais um guitarrista base, então os solos não eram muito chamativos.   Bem, Val pode fazer tudo.   Assim, o grande upgrade em solos de guitarra é a diferença mais perceptível em “As the World Bleeds”

Vicente – Vocês gravaram um vídeo para “Hide in the Fairytale”. Conte-nos um pouco sobre esta gravação.

Matt Smith – Foi o nosso primeiro vídeo musical, então foi emocionante.   Foi um longo dia, mas eu sempre soube como é chato gravar vídeos, então eu estava preparado e não foi tão ruim.   Eu acho que o vídeo ficou muito bom!   Nós escolhemos “Hide in the Fairytale”, porque é uma música super cativante que não se inclina demais em qualquer direção:   não é uma balada ou uma música super-rápida, pois fica bem no meio termo, e eu acho que resume o que fazemos muito bem.   Val e Jon cada um deles faz um solo, e Jon, Jared e eu cantamos nos refrões, então todo mundo teve a chance de brilhar.

Vicente – Um novo álbum em breve? Quais são suas próximas metas?

Matt Smith – Bem, eu tenho várias músicas novas escritas, mas não é um álbum completo e não nos reunimos e comemos a trabalhar no novo material, então um novo álbum ainda está meio distante.  No entanto, nós começamos a falar sobre isso. A próxima coisa na agenda é o remix e re-lançamento do álbum de estréia, o que é muito emocionante!   Nosso álbum de estréia saiu em um pequeno selo chamado MetalAges, e está fora de catálogo há vários anos.   Ele foi originalmente um projeto solo feito com uma bateria eletrônica, e a produção foi muito ruim.   As pessoas sempre nos perguntam como obter uma cópia, uma vez que a nossa base de fãs tem crescido muito desde que foi lançado originalmente, então nós queríamos lançá-lo pela Ulterium (nossa gravadora atual) faz algum tempo. Então, pensei que esta seria uma boa oportunidade para ter a bateria gravada pelo Shawn e mixar novamente o álbum.   Acabei de terminar os remixes de fato, e está soando matador!   Ele realmente saiu fantástico, é ótimo finalmente ouvir essas músicas com uma bateria e boa produção.   Ainda bem que o álbum vai finalmente estar amplamente disponível, e eu não posso esperar para as pessoas ouvirem isso!

Vicente – Quando você começou na música, quais foram as suas maiores influências, que influenciou na escolha de querer ser um músico profissional?

Matt Smith – Bem, a banda que originalmente virou meu mundo de cabeça para baixo (no bom sentido) foi Queensryche.   Eles eram a minha banda favorita, de longe, em todos seus anos de glória. Provavelmente o meu outro grande favorito foi o Metallica. Em termos de produção, riffs, e construção lírica sua influência ainda pode ser sentida.   E depois, claro, me liguei em bandas de metal mais progressivo, como Dream Theater e Fates Warning, bandas de Power Metal como Edguy e Sonata Arctica, e outras bandas de metal clássico como Iron Maiden.

Vicente – Como é a cena nos Eua para o Rock e Metal?

Matt Smith – Eu acho que depende da área.   O EUA é tão grande que algumas cidades parecem ter uma cena muito boa, enquanto outras áreas (como onde eu moro em Athens, Geórgia) têm praticamente nenhuma presença do metal.   Mas a maior parte do tempo, o metal de sucesso aqui é mais “gritado” do que o lado melódico do metal que apresentamos.   Mas está tudo bem, nos ajuda a termos destaque. Eu acho que um monte de pessoas que só estão familiarizados com um lado do metal não ouvira, a combinação de riffs e melodias que apresentamos, por isso, trazemos uma boa mudança de ritmo.   Mas é isso que é tão legal sobre o Metal, certo? Nenhum outro estilo abrange uma gama tão vasta.

Vicente – O que vocês sabem sobre Rock e Metal no Brasil?

Matt Smith – Bem, só que, praticamente todas as bandas que eu gosto sempre tiveram nada além de boas coisas a dizer sobre a dedicação dos fãs no Brasil!   Eu sempre ouvi dizer que eles são os melhores fãs do metal no mundo, e eu não posso esperar para tocar aí um dia.   Eu me sinto como se eu estivesse assistindo a filmagem do Rock In Rio toda a minha vida, apenas espantado com o tamanho e a intensidade das multidões.

Vicente – Em poucas palavras, o que você pensa sobre essas bandas:

Blind Guardian:   Padrinhos de Power Metal.   Eles foram uma grande influência para mim em muitos aspectos, especialmente os grandes corais.   Eles foram uma das minhas bandas mais ouvidas, especialmente na época do “Imaginations From the Other Side” e “Nightfall In Middle-Earth”.   Tivemos a oportunidade de tocar com eles na Flórida alguns anos atrás, e foi uma grande honra e um sonho!

Stratovarius:   Penso neles como a banda que realmente liderou a revolução Power Metal nos anos 90.   Eles foram uma das primeiras bandas que já ouvi no gênero, e me apeguei a eles por causa dos riffs sólidos.   Eu finalmente perdi o interesse, mas “Episode” e “Visions” são ainda dois dos álbuns pilares absolutos do Power Metal.

Angra:   “Holy Land” foi um dos primeiros álbuns de Power Metal que eu comprei. Todo mundo estava falando sobre isso quando eu cheguei ao gênero, e me lembro de encomendá-lo e receber o CD. Seu som era exclusivamente brasileiro, mas o mais importante, Andre Matos era um dos melhores compositores do gênero. Mas, mesmo depois que ele saiu, eu considero “Rebirth” foi um dos melhores álbuns de retorno que qualquer banda já teve.  Lendas, com certeza!

Gamma Ray: Bem, falando de lendas, o que você pode dizer?   Kai é, obviamente, um dos primeiros do gênero, mas, além disso, “Rebellion in Dreamland” é muito linda, a música perfeita de Power Metal, não?   Eu também acho que No World Order! É um álbum fantástico e subestimado.

Iron Maiden: As maiores lendas de todos.   A composição de Steve foi uma grande influência na minha, o que não é difícil de ouvir, especialmente no primeiro álbum.   Houve um período de cerca de dois anos, onde eu quase não ouvia nada, além do Maiden. Cheguei a conhecê-los depois de um show em Boston!

Vicente – Por fim, deixe uma mensagem para todos os brasileiros que conhecem ou queiram saber muito mais sobre a música do Theocracy.

Matt Smith – Confiram “As the World Bleeds”  Se você gosta de Metal, com riffs poderosos e marcantes, melodias e arranjos progressivos, eu realmente acho que você vai gostar.   Nós cobrimos uma boa gama de estilos, mas o foco é sempre nas grandes canções.   Então, se é um épico de 11 minutos ou uma música curta e rápida, sempre tentamos torná-las memoráveis.   Obrigada por me ouvir, eu espero que vocês gostem do que escutarem, e eu espero que nós sejamos capazes de irmos para o Brasil e tocar para os fãs incríveis, os quais eu já ouvi muito sobre!

Clipe ” Hide in the Fairytale”:  http://www.youtube.com/watch?v=pWc9KOTkB4A

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Uma resposta para “Entrevista com a Banda Theocracy (Estados Unidos)”

  1. Muuuito foda, parabéns ao Matt Smith e ao Theocracy, conhecido cada vez mais no Brasil. eu mesmo conheci a pouco tempo, e me levou a ouvir power metal, e Angra, uma das inhas bandas preferidas hoje se não a mais. ótima entrevista.

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